20.7.05

Até quando?!

A semana em Brasília está sendo ótima, aparte da saudade que aperta. É o tipo de cobertura que eu mais gosto de fazer, onde me sinto mais à vontade, e a cidade é bem legal. Mas é chocante a pachorra dessas pessoas que estão até o pescoço na lama de todo esse esquema de pagamento de propina parlamentar. É triste. Sobre Delúbio Soares e Silvio Pereira, eu tomo emprestadas as palavras do deputado Osmar Serraglio PMDB-PR, relator da CPI dos Correios, quando cita o filósofo romano Cícero quanto às articulações de Lucius Sergius Catilina, que conspirava, antes de Cristo - e isso já faz tempo! - para derrubar o Senado:
- Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo zombará de nós essa tua conduta? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freios? Nem a guarda do Paladino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto desses senadores, nada disso conseguiu perturbar-te? Não sentes que teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração, todos aqui a conhecem?
Ninguém por aqui me respondeu até agora sobre a zona eleitoral. Nem me ofereceu uma mala. Isso também é ruim. Ah! Singelo detalhe: estou postando de um computador do Congresso. Autêntico uso da máquina pública para fins privados. Cheers!

17.7.05

Chocado

Não me interessa se você é ou não fã dos quadrinhos de Frank Miller - e, cá entre nós, você deveria ser. O importante a essa altura dos acontecimentos é que você não perca Sin City quando o filme entrar em circuito, acho que na próxima sexta-feira. Porque, se perder, estará deixando de apreciar a subversão de signos e linguagem mais original da sétima arte desde Dogville - para não mencionar um filme noir como Hollywood desaprendeu a fazer há muito tempo. Eu estou até agora sem muitas palavras para comentar o que presenciei na pré-estréia. É positivamente chocante. Uma obra prima.
Estou embarcando para Brasília nesta segunda pela manhã. Perdoem se isto aqui ficar meio abandonado nos próximos dias: durante toda a semana estarei no olho do furacão, exercitando jornalismo nos corredores do Congresso, nos plenários da CPI. Com um pouco de sorte, alguém por lá me explica a tal zona eleitoral. Com uma dose maior de boa fortuna, talvez me ofereçam uma mala cheia de dinheiro.

14.7.05

Por trás das letras...

...Estive reorganizando meus documentos essa semana, e deparei-me com meu título de eleitor. Diante dos últimos acontecimentos, alguém aí pode me explicar de novo o real significado do termo zona eleitoral?

11.7.05

Um pouco sobre nós e eles

Certa vez um amigo me disse que não gostava de São Paulo porque a cidade não tinha céu nem chão. Ele era um ambientalista ferrenho, por assim dizer. Esta foi a quarta vez que visitei a terra da garoa; a segunda por motivos profissionais, e a primeira na qual tive a chance de circular um pouco mais pela grande metrópole e observar certos hábitos. No cômputo geral, há vantagens e desvantagens na comparação com o Rio. O povo não é antipático como dizem - conheci paulistanos mais solícitos do que muitos cariocas fajutos por aí. A diferença, vai ver, está no fato de que eles se levam mais a sério. A sério demais em alguns momentos, isso é verdade. O serviço e o atendimento são melhores aonde quer que você vá. A conta também é mais alta, talvez por isso. Nós, cariocas, dirigimos melhor. Cara, eles não ligam a seta. Nunca. E o mais curioso: têm uma explicação "racional" para isso! (...) Trânsito 24 horas por dia. Eu pensei que fosse mentirinha, mas não é. Sábado, na madruga, fluxo intenso em uma ampla avenida do centro da cidade. Os taxistas são bem mais simpáticos e falam de política com desenvoltura. Interessante. Os taxímetros, em compensação, são beeemmm mais rápidos. Enfim: deixando de lado o bairrismo, não dá pra falar tão mal. Mudei alguns conceitos sobre Sampa, lugar que achava meio estranho porque o povo cumprimenta só com um beijinho. Mas decolar do Cogonhas continua sendo uma experiência estressante pela proximidade dos prédios, não importa o quanto você goste de voar - e olha que eu gosto muito. E nada bate a visão do Pão de Açúcar pela janela do avião em manobra de pouso no Santos Dumont. Sem dúvida, a melhor parte da viagem.

8.7.05

Na minha vez é foda

Caralho. Em algum lugar no meio da semana, perdi meu sábado e domingo, e estou embarcando para São Paulo. Vou fazer a cobertura da reunião do Diretório Nacional do PT. E não gostei muito da idéia. Seria meu primeiro fim de semana de férias na CAL, respirando um pouco mais aliviado depois de toda a correria do final do curso...
Alguns sinais estão invertidos. E eu não estou gostando nada disso.

5.7.05

Eu não vou salvar sua vida

O desabafo de um jornalista em serviço numa sala de apuração com doze - sim: doze aparelhos telefônicos...
Se um grupo de menores insiste em praticar assaltos e pequenos atos de vandalismo na sua rua, e a polícia não resolve a situação mesmo depois de várias queixas, não sou eu quem vai prendê-los.
Se o vazamento de uma tubulação procovou um buraco no asfalto, do qual litros incalculáveis de água potável jorram em assintoso desperdício, e a Cedae não providencia reparos, apesar das incontáveis queixas dos moradores, eu não sou bombeiro hidráulico.
Se falta luz na sua vizinhança há dias, e a irregularidade no fornecimento de energia está preocupando a todos por questões de segurança, e a Light ou a Ampla - à sua escolha - parecem não dar a mínima, por que eu deveria?
Se os coleguinhas de seu filho estão implicando com ele na escola e a diretoria não toma a atitude óbvia de amarrar os agressores de seu precioso rebento num pau-de-arara e torturá-los com choques elétricos, como recomenda a pedagia de Piaget, não tente a minha paciência. Experimente simplesmente dizer à sua criança que se ela apanhar na rua, vai apanhar em casa de novo.
Se você acha que num relance de clareza onisciente foi capaz de vislumbrar a grande teoria conspiratória por trás do caos político, econômico e social do país, e deseja fazer a denúncia do século, acredite: eu já atendi pelo menos três como você só na última hora.
Se você tem documentos para comprovar a tese da hipótese supramencionada, saiba que eu não aceito cópias.
Se você brigou com seu vizinho e quer fazer saber ao mundo que o filho mais velho dele é metido com drogas, tente o Disque-denúncia.
Se quer informações sobre o resultado da Mega-Sena acumulada, saiba de antemão que as chances de você ter sido o único acertador são menores do que... cara, você não ganhou a Mega-Sena acumulada.
- Ah! Antes que eu esqueça: se você é uma louca maníaco-depressiva que achou minha voz bonita e pensa que por causa disso está apaixonada, e ainda por cima se permite fantasiar sobre a possibilidade de recíproca... vá procurar um homem de carne e osso ou compre um vibrador. Eu sou muito bem comprometido, obrigado.
Finalmente, se você é pobre e acha que é dever do estado suprir absolutamente todas as suas necessidades básicas, mas votou na Rosinha... EU NÃO SOU SIMPÁTICO A VOCÊ OU A SEUS PROBLEMAS. E sim, garçom, o meu é com preconceito, por favor.

4.7.05

Garotos e seus brinquedos

Porque eu demoro a resolver gastar dinheiro comigo mesmo. Mas só de vez em quando, me permito gastos puramente supérfluos e, talvez por isso mesmo, deliciosos... Comprei meu .mp3 player! A compra já estava na cabeça há semanas. Pesquisa daqui, pesquisa de lá, hoje resolvi que não sairia do Centro da cidade sem meu novo brinquedinho. Incompatibilidades de hardware e financeiras aparte, achei um modelo bem bacana, do jeito que eu estava procurando, acompanhado de um softzinho mandrake que faz os 256 mega parecerem 512. Eu já meti para mais de 35 musiquinhas no bicho, e ele insiste em me dizer que não usei nem metade da capacidade de memória disponível, quase em desafio à minha paciência para criar novas listas de execução mirabolantes... Ele que me aguarde. Dinheiro bem gasto é investimento em satisfação pessoal. Isso me deixa feliz.

29.6.05

Ping

Só pra ver se faz eco:
Alôôôôôôuuuu!!! Tem alguém aí?!?!

27.6.05

Bichinhos de Estimação

Depois da dica cinematográfica de Batman Begins, vai aí uma outra pedida, especialmente para a turma dos adultos-que-gostam-de-desenho-animado: não percam Madagascar. É daquelas animações com humor para adultos, e referências a grandes sucessos de Hollywood que as crianças não vão entender. David Schwimmer - com mil diabos, é assim que se escreve o nome do Ross? - está ótimo, e Jada Pinkett Smith - por que eles precisam ter esses nomes?! - também faz um trabalho engraçadíssimo. Dela você vai lembrar se eu disser capitã Niobe, de Matrix Reloaded e Revolutions. É também a esposa do Will Smith. Esse você conhece. Cedric the Entretainer (?!), diratamente de Be Cool, ou O Novo Nome do Jogo, também está hilário. Enfim: vejam o filme. Vale o ingresso. Não é Na Era do Gelo, ou Monstros S.A., mas diverte. E por falar em bichos: estou de tamagoshi novo. A reboque, tomei vergonha na cara e migrei para um plano pós-pago, abandonando os cartões e as recargas de 10 reais por mês que supriam minhas necessidades de telefonia celular desde os idos de 1997. Convenhamos, eu não sou mais um universitário duro. Sou jornalista, e tenho uma imagem a zelar. Continuo duro, mas isso é detalhe. O pior é descobrir tardiamnte que meus amigos todos têm celulares de outras operadoras, o que me impede de tirar vantagens do programa de favoritos. A conta provavelmente não vai ser barata. Que puxa......

23.6.05

Breaking the habbit

Hoje, ao voltar do curso de teatro para casa, desci do ônibus e entrei numa loja de CDs. Estava namorando os dois álbuns do Linkin Park há meses. Comprar CDs é um hábito que perdi há coisa de uns dois anos, quando vendi o carro. Minha coleção de trilhas sonoras de filmes ficou desatualizada. É verdade que poucas coisas são melhores do que aumentar o som ao volante, e eu admito: não tenho muito saco de ficar escolhendo música no som do quarto. Mas como o banco - vejam isso! - depositou coisa de cinqüenta pilas na minha conta a título de "ressarcimento de CPMF" (?!), hoje resolvi fazer a festa. E agora, enquanto Meteora e Hybrid Theory enchem o ar, eu me flagelo por não ter trazido também o Fallen, do Evanescence, outra grata surpresa do Rock recente - e por recente eu quero dizer "desde que vendi o carro". Acho que vou voltar na loja amanhã. Bem, meu dinheiro está guardadinho, e comprar um veículo agora está fora de cogitação. Mas com essas novas aquisições, cresce a minha vontade de investir num .mp3 player para me acompanhar nas tardes de patinação. Ah! Eu também estou precisando de um celular novo, porque o meu virou Terry Schiavo bonito. Ceular, CDs, .mp3 player, e vá lá: um computador para compatibilizar tudo isso. Do carro, eu já disse, nem faço questão. Mas puta que pariu. Onde é que eu vou conseguir capital de giro?

20.6.05

Batman to be continued...

Finalmente um filme do Batman como um filme do Batman deve ser. Sem o depressivo excesso de negro em luto do Tim Burton, e sem as gracinhas coloridas do Joel Schumacher. O clima gótico de Gotham City - que, aliás, confere nome à metrópole - sempre foi um problema para os diretores, convenhamos. Em Batman Begins a cidade ganhou um quê de Realismo. Um complexo de favelas bastante crível foi cravado no coração do conglomerado, e a violência de rua deixa transparecer que apesar de toda a suspensão de realidade - sem a qual não existiria o cinema - se você virar uma esquina errada, pode se meter em encrenca de verdade. A direção de Christopher Nolan fez de Gotham uma cidade partida, e justamente a partir dessa dualidade, os domínios do Homem-morcego estão mais góticos do que nunca. Destaque absoluto para o elenco de primeira. Liam Neesom e Morgan Freeman estão alçando vôos precisos como... ratos alados em uma caverna escura. E Gary Oldman... ah, Gary Oldman! Quando ele aparece pela primeira vez você diz: Mas ele não tem nada a ver com o Gordon! E aí, quando o filme termina, sai convencido de que os quadrinhos deveriam ser redesenhados para acomodar a figura do ator. A parte de tudo isso, Batman em si está mais humano do que nunca, o que me agrada e muito. Ben Affleck cuspindo dentes em O Demolidor foi um exagero. Mas em Begins a fragilidade - na falta de uma palavra melhor - de Bruce Wayne, tanto física quanto psicológica, está muito bem delineada. Fragilidade que se estende à identidade secreta, sempre um assunto delicado. O filme mostra aqueles que sabem, aqueles que descobrem, e até aqueles que não querem saber. Enfim: por tudo isso e mais, Batman Begins é um filme do Batman como um filme do Batman deve ser. Cuidado quando as luzes do cinema se apagarem, porque morcegos gostam do escuro, e você nunca sabe onde um deles pode estar escondido.

15.6.05

Alô, alô, Brasília!

Tá. Até eu já estou de saco cheio das figuras e tirinhas de humor. Prometo escrever um texto decente da próxima vez. Entendam, assunto não falta, mas o tempo anda mesmo escasso. Enquanto isso, parem de reclamar. Não, eu não desisti. Eu persevero. Porque, afinal de contas, e apesar da preguiça, sou brasileiro e não desisto nunca!

13.6.05

Sem saco para escrever grandes coisas...

Essa é velhinha, mas ainda assim, bem divertida para uma segunda-feira... Clique na imagem se as letras ficarem muito pequenas na sua configuração.

9.6.05

Muita hora nessa calma!!

Você é daquelas pessoas que têm 427,985 comunidades no seu Orkut? Hummmm...

6.6.05

Mas, e se for verdade? (ou Todos os Dedos do Presidente)

E se Roberto magrinho Jefferson, na ânsia de morrer atirando, tenha de fato revelado descalabros verdadeiros da tão conturbada relação Executivo x Legislativo federais? E se o mensalão de 30 mil reais a parlamentares da base aliada foi mesmo pra valer? Será que a governabilidade nos dois primeiros anos da gestão Lula foi mais provida pelas malas pretas do Delúbio que pela competência das articulações políticas do Dirceu? Brasília ficou pequena para tantas denúncias. E olha que o Distrito Federal sempre foi grande para esse tipo de coisa. Qual o preço da Democracia? A pergunta parece cliché, mas hoje, vem de coração. Mesmo. Será que o estado de direito, como instância maior, e mesmo as liberdades individuais, necessitam inerentemente de manobras escusas para sustentarem-se? Existe transparência através da Capa Preta? É esse o Brasil, o mundo que queremos? Roberto Jefferson é o novo Mark Felt? - A que ponto chegamos... E ele nem esperou trinta anos para aparecer. A versão tupiniquim de Watergate, a meu ver, não tem o menor glamour. E esse filme eu já vi. Não gostaria de ver de novo. Não tão de perto. Decepção.

4.6.05

Aonde vamos parar?

Vejam a que ponto chega a pachorra e o descaramento de certas figuras da nossa política...
Um dos protagonistas da mais recente crise política brasileira - que vem causando dores de cabeça ao governo por ter sido acusado de participar de um esquema de propinas nos Correios, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse não aos insistentes pedidos dos jornalistas que faziam plantão, na manhã deste sábado, no prédio em que reside, em Brasília. Por meio de sua assessoria, Jefferson informou que não daria entrevistas, mas surpreendeu a todos enviando, pelo porteiro, duas garrafas de champanhe e dez taças, justificando a entrega como uma cortesia aos plantonistas.
Os jornalistas não aceitaram o presente. Eles afirmaram que prefeririam ingerir a bebida na companhia do presidente do PTB. Não houve acordo e Jefferson continuou recluso em seu apartamento.
E eu fiquei sabendo que nem era champanhe francês. Era nacional...

3.6.05

Um pedido

Torçam por mim, amigos. De verdade. Possíveis novidades no front. Mas só os amigos!

1.6.05

Lá e de volta outra vez

Estréia de espetáculo, volta ao trabalho, hoje começa tudo de novo. Boa vida não pode durar pra sempre. Mas tudo bem. Eu não consigo mesmo ficar parado muito tempo... Me dá agonia. Tá certo, tá certo - uns dez dias a mais de férias não cairiam mal. Seria ótimo poder apresentar a peça e passar a tarde descansando. Não vai dar. Mas no fundo estou me sentindo bem. O espetáculo finalmente subiu - e espero que não desça mais! E é ótimo saber que mais esta estapa está para ser vencida. Merda!
Ah, sim! Quem quiser e tiver tempo: dez horas da manhã, no teatro do clube Hebraica, em Laranjeiras, até sexta-feira. A Gota D' Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes. Eu interpretando o vilão.

30.5.05

Mas que coisa!

Tenho que admitir: nunca pensei que fosse cair nessa história de festa surpresa. Mas esse ano eu entrei direitinho... Conte com uma mulher apaixonada para fazer o seu aniversário mais feliz. Eu te amo, menina. Obrigado você existir na minha vida!!!

27.5.05

Oportunidades (?!)

Então, depois de recusar uma proposta de emprego logo no início do mês, essa semana eu dispensei um trabalho de quatro dias para TV, porque achei que seria sacanagem com um monte de gente largar de mão os ensaios da peça na CAL - com os quais, diga-se de passagem, não estou nada feliz. Daí fiquei matutando se era isso mesmo, ou se fiquei foi com medo de arriscar botar a cara na tela em horário nobre. Cheguei à conclusão sincera de que o medo leva para o lado negro da Força, e que dessa vez eu fui mesmo um cara legal, responsável e ético. Sem falsa modéstia. Só espero que Papai do Céu esteja vendo...

21.5.05

Feel the Force, motherfucker!

Então é isso... fim de papo na Galáxia Distante. A vingança dos Sith é a prova cabal de como a desatenção na direção de atores pode simplesmente acabar com momentos cruciais em um filme, transformando em risos o que deveria ser tensão. Eu também fiquei chocado com a falta de acuidade na maquiagem. Será que, com tantos efeitos especiais, os técnicos da Lucas Arts, Lucas Films e Industrial Light and Magic se esqueceram do básico, do bê-a-bá? Por que o grande vilão ficou parecendo um palhaço em alguns momentos? (...) Havia algo de errado com o Yoda também. Ele me pareceu um pouco arrogante. Mas talvez isso tenha sido proposital - assunto para mesa de bar. E os espetaculares duelos de sabre de luz que me prometeram?! Entre todos da nova trilogia, eu fico com o de Qui-Jon Gin e Obi-wan Kenobi contra Darth Maul, lá no primeiro filme, A Ameaça Fantasma. Foi sem dúvida o mais plástico, talvez porque o vilão fosse interpretado pelo próprio coordenador de artes marciais da série. Mas com toda a trucagem eletrônica possível, por que não usar dublês treinados para dar mais vida às cenas de luta? Bem... agora é tarde. Realmente uma pena.
Mas apesar de todos os defeitos possíveis e imagináveis, o extermínio dos Jedis e a corrupção final de Anakin Skywalker emocionam. George finalmente conseguiu, depois de muito flertar com isso na primeira trilogia, fazer uma digna tragédia romântica. Onde antes havia Eurípedes, agora há Shakespeare. Lucas é um incomparável contador de histórias. E mesmo com todos os senões, A Vingança dos Sith arrepia. Todo mundo sabe o que acontece, mas ver na tela... é outra coisa. The Force is strong in this one. Um agradecimento todo especial à mulher da minha vida, que se dispôs a encarar a pré-estréia comigo. Eu te amo. Sempre mais.
Praia vazia em dia de semana é bom. Mas ter o parque dos patins só pra você num ameno fim de tarde... Não tem preço. Eu quase tinha me esquecido de como é bom gastar rodinha. Quase.

16.5.05

Oi. Nada Claro, nem tão Vivo. Mas Oi.

Isso aqui anda meio às moscas. Então estou deixando um oi, só pra não dizerem que larguei de mão. E também pra ver (ouvir) se faz eco. Pelo menos na minha cabeça.
(...)
Sabem que uma ida à praia num dia de semana, sem aquela muvuca veranista, até que não é de todo ruim?

14.5.05

Nada de excepcional

Então ontem foi mais um dia como outro qualquer. E portanto talvez não merecesse registro algum. Só agora que acabou me dei conta de que foi uma sexta-feira 13. Grande coisa. Reticências.
- Muita coisa na minha vida anda em reticências ultimamente. Algumas outras estão em exclamação, o que é até legal. Mas são as interrogações que me deixam realmente intrigado. Bem... mas essa é justamente a função das interrogações, não?
(...)
Pois é.

10.5.05

Terry Schiavo

Eu tinha dado o apelido, mas era para ser algo carinhoso... assim, como uma ação entre amigos. Acabou virando uma oracular, quase profética alcunha. Depois de quase dez anos de serviços prestados, meu computador começa a dar sinais de que iniciou uma trajetória só de ida rumo aos conflitos crônicos de sistema e insuportável lentidão de processamento. Mutitarefação tornou-se uma realidade distante. Isso é muito ruim, porque eu não estou nem um pouco a fim de gastar milhares de dinheiros em uma máquina nova. Não sei como vou me virar... Peço desculpas antecipadas pela queda de freqüência nas atualizações e nas visitas aos blogs e flogs amigos. Férias associadas a um computador comatoso - praticamente em leito de morte - acabam compretendo as capacidades de navegação virtual de qualquer ser humano. E eu ando meio sem paciência para remar, sabem como é...
Parabéns, Lelê!

6.5.05

O que você não vê quando vai ao teatro

Eis o que acontece quando um ensaio simplesmente não rende... Que triste.

3.5.05

Por ora, eu fico

Depois de uma noite mal dormida pesando prós e contras, eu hoje disse não a uma proposta de emprego. Espero, do fundo do meu coração, que tenha feito a coisa certa.

29.4.05

Finalmente Férias!

O trabalho mata pelo menos dois milhões de pessoas anualmente no planeta - a reportagem é da agência de notícias Reuters:
GENEBRA - Acidentes de trabalho e doenças ocupacionais matam mais de dois milhões de pessoas por ano. Esse número está aumentando em alguns países, como a China e Brasil, informou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta quinta-feira. Doenças ocupacionais - entre as quais tumores por exposição a substâncias perigosas e doenças respiratórias e transmissíveis - são os principais perigos enfrentados nos locais de trabalho, sendo responsáveis por 1,7 milhão de mortes. Em um comunicado divulgado no Dia Mundial para a Segurança e Saúde no Trabalho, a OIT e a Organização Mundial da Saúde, ambas agências das Nações Unidas, pediram que medidas de prevenção mais eficazes fossem tomadas para proteger os trabalhadores. Enquanto o número de acidentes de trabalho manteve-se estável ou diminuiu na maioria das regiões do planeta, o incremento na construção civil em alguns países da América Latina, particularmente no Brasil e no México, levou à elevação do número de acidentes fatais para 39.500 em um ano, contra os 29.500 em igual período imediatamente anterior. Os trabalhadores em países de economia emergente comumente não têm um treinamento contra acidentes de trabalho, de acordo com a OIT. A Organização estima ainda que 4% do produto interno bruto mundial são perdidos com mortes causadas por acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
Bem... pelo próximo mês estou imune ao risco. Quero dizer: continuo ensaiando, então ainda pode ser que eu tropece, caia do palco e quebre o pescoço. Trinta dias... mas quem está contando?

28.4.05

Atenção!!

Um dia! Um único dia! E contando!!

27.4.05

Atenção!

Dois dias, e contando!

26.4.05

Atenção

Três dias, e contando.

22.4.05

Pergunta o filósofo...

Se o horário oficial do país é o de Brasília, por que a gente tem que trabalhar na segunda e na sexta?!

18.4.05

A culpa é da Roberta

Foi ela quem me enviou esta. É podre, mas hoje é segunda-feira:
- Oi, me conta como foi o encontro de ontem a noite?
- Horrível, não sei o que aconteceu...
- Mas por quê? Não te deu nem um beijo?
- Sim... beijar, me beijou. Mas me beijou tão forte que meu dente postiço da frente caiu. Depois pegou no meu rosto entre suas mãos... Tive que pedir que não apertasse mais, porque estava achatando o botox. E me mordia os lábios como se fossem de plástico - pensei que fosse explodir o meu implante de colágeno!!!!
- E... não tentou mais nada?
- Sim, começou a acariciar minhas pernas e eu o detive, pois lembrei que não tive tempo para me depilar. Ainda assim, me arrebatou com tanta luxúria e estava me abraçando tão forte que quase ficou com as próteses da minha bunda nas suas mãos...
- E depois, que aconteceu?!
- Aí, então, começou a tomar champagne no meu sapato...
- Ai, que romântico!!!
- Romântico o cacete! Ele quase morreu!!!
- POR QUÊÊÊ???
- Engoliu meu corretor de joanete.
- Nossa!! - E aí?! O que ele fez?!
- Você acredita que ele broxou e foi embora? Acho que é viado...

14.4.05

Não bom

Desânimo, carência, reportagens que não andam, climão nos ensaios e nas aulas de teatro... agonia antecipada pelo plantão que vem por aí... Mas que semaninha do cão! - Será que o inferno astral já está chegando?! Está cedo, ainda!!

10.4.05

Chamem o Tom Cruise!

Antes de tudo, uma explicação aos casais amigos: não divulgamos Ilha Grande porque foi resolvido em cima da hora, e embarcamos na sexta-feira pela manhã, quando os seres humanos normais - coisa que eu particularmente não sou - estão ainda trabalhando.
...Promessa é dívida. Falemos sobre sucessão papal.
A tradição católica diz que o Conclave pela escolha de um Papa deve ser inciado entre 15 e 20 dias após o falecimento de seu antecessor. Quem vive no planeta Terra e não é da Igreja Universal do Reino de Deus - sim, pasmem, a Record não deu a menor bola jornalística para a morte do sujeito - deve estar ciente de que os cardeais já estão acorrendo ao Vaticano para a eleição. E a pergunta que todos se fazem é "Quem será o substituto de João Paulo II?"
A indagação bate na tecla errada, porque João Paulo II é insubstituível, para começo de conversa. O máximo que se pode especular é sobre o perfil de seu sucessor, o que já é tarefa árdua. Depois de 26 anos à frente da Igreja, equilibrando-se entre o conservadorismo dogmático e a flexibilidade política e inter-religiosa, Karol Wojtyla deixa para quem vier uma série de dilemas. Nunca a Igreja Católica perdeu tantos fiéis. A Cúria pagou o preço nem tanto pela irredutibilidade de posições, mas por simplesmente se negar a discutir questões como uso de camisinha, aborto, divórcio, homossexualidade e bioética - aí incluídas a eutanásia e a clonagem. O último Pontífice era um líder carismático. Ponto. Mas na minha humilde opinião, não foi tão hábil na discussão e implementação de adequações da doutrina à realidade contemporânea, pelo que a migração para outras crenças foi enorme nas últimas décadas - Convenhamos: melhor do que queimar no inferno por toda a eternidade é arrumar outra religião mais complacente com os seus pecados. O próximo Papa não poderá fechar os olhos a isso. Mas como se enquadrar? Como trazer a Igreja para o século XXI?
As apostas estão correndo... onde eu trabalho temos até um bolão. As casas de apostas britânicas - sim, afinal, os ingleses apostam até as mães, se puderem - cotam Dionigi Tettamanzi como grande favorito. Ele é arcebispo de Milão, maior reduto católico da Europa. E é italiano.Vale lembrar que João Paulo II foi o primeiro não carcamano a ocupar a Cátedra de Pedro em mais de quatro séculos, e há quem defenda a tese de que a Sé deve voltar ao controle nacional de onde nunca deveria ter saído. O nigeriano Francis Arinze é o preferido dos que pensam ter chegado a hora e a vez de um Papa terceiro-mundista. E niguém seria melhor do que ele para reforçar diálogos com grupos muçulmanos, budistas e hindus. A maior população católica do mundo está concentrada nas Américas Central e do Sul, por isso a possibilidade de um pontífice latino também não está descartada. E aí nós temos D. Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo. Mas se Deus já é brasileiro, acho que dificilmente eles escolheriam um Papa do mesmo lugar. Seria exagero.
Os nomes são muitos, as correntes são muitas. E nesse jogo tudo pode acontecer. Fala-se em favoritos, mas é sabida nos corredores de qualquer seminário a velha máxima sobre Conclaves que diz fulano entrou Papa, saiu cardeal. Eu particularmente, penso que o próximo Pedro será italiano, mas isso é apenas um chute no escuro. De claro, sei apenas que ele terá nas costas o pesadíssimo encargo de fazer com a doutrina o que João Paulo II fez com a política vaticana: colocá-la no mapa da globalização - vocês não acreditam realmente que o sujeito levou o título de Papa Peregrino à toa, não é mesmo?! Mas há algo ainda mais complicado do que isso: o novo Pontífice assume a enorme responsabilidade de preencher o vácuo de marketing e imagem deixado por Karol Wojtyla - isto sim, uma verdadeira Missão Impossível...

8.4.05

Fui!

E não vem que não tem. Nem adianta me procurar no fim de semana. Me mandei para Ilha Grande, acompanhado da mulher da minha vida. Porque há momentos em que simplesmente é preciso puxar a cordinha e descer.

Beijos a quem é de beijos, abraços a quem é de abraços.

6.4.05

Non Habemus Papam

Sim, a jabuticabeira pequenina é coisa de pessoa do teatro.

...Acho que estou atrasado, mas reconheço que devo um parecer sobre o passamento de João Paulo Segundo. Bem, lá vai:

O papa morreu. Antes ele do que eu.

Tão logo tenha tempo, prometo explorar de forma mais aprofundada um tema mais prático e pertinente: a sucessão na Santa Sé. Espero ter paciência para abordar o tópico antes do início do próximo Conclave.

Pax Vobiscum.

4.4.05

Um pé de quê?!

Jabuticabeira pequenina,
Quando despequeninajabuticabeirarizarás tu?
- Eu me despequeninajabuticabeirarizarei quando todas as jabuticabeiras não despequeninajabuticabeirarizadas se despequeninajabuticabeirarizarem

1.4.05

E o salário, ó...

Você já teve a sensação de que já passou da hora de a empresa para a qual você trabalha te dar um aumento de salário compatível com o aumento de responsabilidades - e de problemas - que você assume pelo bem geral da nação? Pois é... eu também.

30.3.05

Direto da sarjeta

Somente a ébria sabedoria popular brasileira é capaz de produzir pérolas como esta. Meninas, fechem os olhos, e não leiam. Amigos do sexo masculino-macho, refestelem-se com a frase do dia:

Eu tinha uma plantação de bocetas, mas veio uma chuva do caralho, e fodeu tudo...

29.3.05

Gangsta's Paradise

They say I've got to learn but nobody's here to teach me
If they can't understand it, how can they reach me?
I guess they can't, I guess they won't,
I guess they're fucked.
That's how I know my life is outta love, fool.

Been spending most our lives

living in the Gangsta's Paradise

Tell me why are we so blind to see
That the ones we hurt are you and me?

- by Coolio

25.3.05

Este estranho animal

Quem inventou a bincadeira foi a Eleonora. Mas eu achei legal e estou copiando na cara-dura.

Nasci de cesariana. Minha mãe tinha 34 anos.
Gosto de andar a cavalo, mas sou urbano.
Faço teatro. As vezes gosto, às vezes desgosto, mas é difícil largar.
Adoro estudar.
Quero fazer direito.
Quero fazer mestrado sobre o papel da mídia em conflitos armados.
Tenho boa visão, mas me preocupo com o uso constante de computadores.
Já fui à Disney e a Bariloche. Pretendo voltar aos dois lugares.
Video-game e parque de diversão. Sempre.
Gosto muito de cinema, mas saia pra lá com seus filmes de arte.
Me deixe ver as besteiras de Hollywood.
Eu tenho no Episódio 3.
Basquete, patinação e musculação, com muita vontade de voltar ao mergulho submarino.
Recentemente, por influência conjugal, arvorismo e rapel.
Já fiquei com uma prima. Atire a primeira pedra quem nunca pecou.
Jamais tive um ídolo.
Tenho um monte de idéias legais para tatuagens, nunca fiz nenhuma.
Tenho um piercing. Não tiro por nada.
Gosto de gatos e cachorros.
Já tive dois pássaros e um hamster.
Nunca repeti de ano, mas já fiquei em recuperação de matemática.
Em modéstia, dirijo bem. E gosto de volante.
Já nadei nu. É bom demais!
De meus quatro cisos, não sobrou nem um. Tenho três deles guardados. São enormes.
Quando eu era bebê, uma janela guilhotina quase arrancou oito de meus dedos.
Eu solto pêlos.
Sei que não posso voar, mas quero saltar de pára-quedas.
Quero fazer pelo menos um trabalho em correspondência de guerra.
Já dormi em rede e já montei barraca, mas gosto de um teto sobre a minha cabeça.
Para tudo há um porquê. Me convença, ou não conte comigo.
Mexa comigo. Não mexa com a minha mulher. Também não mexa com os meus amigos.
Já fiz karatê e boxe. E poucas aulas de capoeira e aikidô.
Não gosto de violência.
Nunca fui preso. Mas sempre me páram em blitze.
Já dei carteirada de jornalista. Acho pouco cívico, mas às vezes é necessário. E algumas pessoas simplesmente merecem.
Já fui assaltado algumas vezes, e em todas reagi de forma diferente.
Já briguei na escola. Quebrei o nariz do coleguinha.
Meu pai dizia que seu apanhasse na rua apanharia em casa também.
Já traí e já fui traído. Não me orgulho muito de nada disso.
Já fui para cama com mulheres comprometidas, incluindo uma noiva. Disso não tenho queixas.
Mulheres casadas são contra a minha religião.
Nunca fiz aula de canto, mas até que gosto da minha voz.
Fiz aula de flauta mas não toco mais. Fiz aula de violão mas não adiantou absolutamente nada.
Família é um assunto delicado.
Amo minha mãe. E reconheço todos os sacrifícios que ela fez para me criar sozinha.
Não fale mal da minha mãe. Pode dar merda. Sério.
Sim, eu estudei no São Bento. Melhor época da minha vida.
Já fiz diário. Hoje em dia escrevo um blog. Vejo pouca diferença.
Tenho guardados um monte de cartões e cartas que recebi ao longo dos últimos 26 anos.
Há dias em que penso ter nascido há 10 mil anos atrás.
Há dias em que me acho uma verdadeira criança.
Não gosto do termo adulto. Prefiro pós-adolescente.
Adoro livros, música e vinhos.
Não vou conseguir ler tudo que quero antes de morrer.
Não passo sem doces. Principalmente chocolate.
Já me assustei muito por causa de menstruações atrasadas.
Sei fazer poemas. Alguns são muito bons.
Já chorei por amor, já menti por amor, já sofri por amor...
Meu pai morreu quando eu era moleque. É difícil mensurar a perda.
As vezes acho que foi grave, às vezes nem tanto.
Poucas namoradas.
Já fui o primeiro homem de uma mulher, mas só uma vez.
Quando eu digo É gostosa mas não é duas, sei do que estou falando.
Já fui pressionado ao casamento. Pulei fora.
Já fiz sexo por sexo e não me arrependo.
Não sou muito crédulo. Aliás, tendo ao cinismo.
Costumo enxergar o pior nas pessoas.
Sou expansivo, mas cultivo poucas e preciosíssimas amizades.
Geralmente as mais velhas. Agora, mais nova.
Geralmente as branquelas. Agora, morena.
Já me achei o máximo.
Já me achei o fim do mundo.
Hoje em dia me acho o máximo.
Costumo causar uma primeira impressão de esnobe e pedante.
Esta primeira impressão é correta. Eu sou mesmo.
Já mandei flores, e já recebi também.
Meus pecados prediletos são a Luxúria e a Preguiça.
...Mas também sou muito, muito orgulhoso.
Estou satisfeito com a minha carreira, mas não com o meu salário.
Adoro filhotes, não importa a espécie.
Acho meu nome meio estranho, mas gosto dele.
Não me chame de Glaucio. Eu... odeio... ser chamado de Glaucio.
A vida tem trilha sonora. Disso nunca duvidei.
Vejo coelho na lua cheia.
Gosto de mato, de rio, e de cheiro de terra molhada.
Quero uma Harley Davidson Night Train e um utilitário na garagem.
Costumo demorar a explodir.
Quando eu explodir, você não vai querer estar por perto.
Sou geminiano, com direito a inesperadas flutuações de humor.
Meninos do basquete gostam de meninas do vôlei.
Por duas vezes na vida julguei ter encontrado uma mulher com quem poderia passar o resto dos meus dias. Nesta segunda vez, espero que tudo dê certo.
Estarei de férias em maio, e mal posso esperar.

Nada mais prolixo do que um jornalista com tempo para escrever. Acho que já falei demais.

21.3.05

Entre certos (?) e errados (!!)

O Arthur Xexéo escreveu uma crônica reclamando muito porque a Diana Krall e o Lenny Kravitz não tocariam no Rio de Janeiro. Dizia que a cidade estaria, por conta de pura burocracia e má administração de certos espaços públicos, perdendo participação no grande cenário cultural brasileiro. Está Certo. Citada na crônica, a diretora da Fundação Teatro Municipal, Helena Severo, informou que não abre o teatro para shows que não sejam montagens de óperas ou concertos clássicos. Na minha muito humilde opinião, está errada. Lenny não caberia no Municipal, sejamos racionais. Diana Krall, sim. O palco não tem vocação exclusivamente clássica. Nunca teve. E anualmente abre as portas para o Prêmio Multishow. A diferença está pura e simplesmente na força da grana que ergue e destrói coisas belas - porque o aluguel do espaço não deve ser nada barato, convenhamos. Diante do argumento apresentado por Helena, Xexéo a chamou de reacionária, e afirmou que o Rio está deixando de ser "a capital cultural do país". Também está errado. Helena não é reacionária. Faz um bom trabalho. Tudo bem, ela administra um orçamento gordo, talvez não seja tão difícil. Mas o Municipal foi revitalizado nos últimos anos, e todo mundo tem direito a suas posições na vida. O Rio... bem, o Rio já não é capital cultural do país há muito tempo. Mas a nossa receita em ebulição de areia, asfalto e morro ainda rende excelentes caldos em todas as frentes de arte. Além do mais, Diana e Lenny não são cultura nacional, vamos combinar.
(...)
A Diana não veio. O Medina - o mesmo do Rock in Rio - tentou trazer Kravitz, não conseguiu. Agiu como bom empresário que é. Não deu, não deu. Está certo. O César Maia, só porque a prefeitura foi também citada pelo Xexéo, resolveu, de birra, gastar milhões para fazer o show de graça em Copacabana - em plena segunda-feira. Está errado. Duplamente errado. Triplamente errado. Segunda-feira não era dia para se dar um nó no trânsito da cidade. E a desculpa de grand finale para os festejos de 440 anos do Rio é pífia justificativa para um evento que consumiu milhões dos cofres públicos, enquanto o Panamericano - esse sim, que pode render bom retorno financeiro ao município - caminha a passos de tartaruga, e a Saúde anda do jeito que está. Será que o preço desse show - desnecessário em última anáise - não poderia ser investido em seringas, agulhas, cadeiras de roda, roupa de cama... médicos para os nossos hospitais? Pelamordedeus! Enquanto alguns milhares de adolescentes enchem a cara e pulam na areia, as Forças Armadas estão montando hospitais de campanha na cidade!! Vocês sabem o que é isso?! Tem gente sendo atendida em ambulatório de guerra!! Bem... vai ver é adequado: nós vivemos mesmo uma guerra civil não anunciada... Eu até gosto de Lenny Kravitz, mas está errado. Está muito, muito errado.

Eu odeio segunda-feira!

...Vocês, não?

16.3.05

Lições de Capitalismo à sua escolha!

Capitalismo ideal:
Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. Eles se multiplicam, a economia cresce. Você vende o rebanho e se aposenta rico!


Capitalismo americano:
Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.

Capitalismo japonês:
Você tem duas vacas. Redesenha-as geneticamente para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

Capitalismo especulativo:
Você tem duas vacas. Vende três para a sua companhia de capital aberto usando garantias de crédito emitidas por seu cunhado. Depois faz uma troca de dívidas em ações por meio de uma oferta geral associada, de forma a conseguir de volta as quatro vacas, com isenção fiscal para cinco. Os direitos de leite sobre as seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Cayman, da qual seu sócio é secretamente o dono. Ele vende as sete vacas novamente para a sua companhia. O relatório anual diz que a empresa possui oito vacas, com opções em commodities para mais uma. Você vende uma vaca para comprar o novo presidente dos Estados Unidos e fica com nove vacas. Ninguém fornece o balanço das operações e o governo compra o seu esterco sem licitação.

Capitalismo britânico:
Você tem duas vacas. As duas são loucas.

Capitalismo holandês:
Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros... e tudo bem.

Capitalismo alemão:
Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecidos, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

Capitalismo russo:
Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

Capitalismo português:
Você tem duas vacas. E se pergunta por que seu rebanho não cresce...

Capitalismo chinês:

Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade. E prende o ativista que divulgou os números.

Capitalismo hindu:
Você tem duas vacas. E ai de quem tocar nelas!

Capitalismo argentino:
Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês. As vacas morrem. Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.

Capitalismo brasileiro:
Você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a CCPV - Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor deveria ser calculado pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo e sapatos de couro, presumia que você tivesse 200 vacas. Para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal, e fica tudo por isso mesmo.

15.3.05

Nada, nada

Então, nessa segunda-feira eu passei o dia pensando em escrever alguma coisa interessante por aqui. Pensei em falar da intervenção federal na saúde do Rio, mas concluí que, por ter passado o fim de semana de folga, não tinha informações o bastante para formular um texto suficientemente criterioso. Pensei em dizer que estou cansado e preciso de férias, mas isso seria assunto repetido, logo enfadonho. Acabou que o dia foi agitado e, além da falta de assunto criativo a explorar, fiquei também sem tempo. Agora, meia-noite de dezenove, a segunda-feira passou, já veio a terça, e eu preciso dormir, porque daqui a mais ou menos sete horas começa tudo de novo... Acho que é isso: o hábito de escrever também nos rende frustrações de quando em vez. Eu juro que nesta segunda-feira queria ter escrito algo genial. Acho até que estive perto do conceito inicial em alguns momentos. Eu juro que podia até sentir o cheiro... mas talvez fosse apenas o incenso. Ou a fumaça preta dos carros. Fica para uma próxima (...) O pior é que a gente nunca sabe quando vai conseguir, novamente, chegar perto de um texto genial. Mas a oportunidade de hoje (ontem) eu perdi.
Lastimável.

11.3.05

Gota d' Água

Essa é do Chico. Ótima para aqueles dias em que você simplesmente não acordou bem, e só quer ficar encolhido, mandar o mundo às favas (...) A propósito, é a música tema da minha próxima peça.

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção - faça não.
Pode ser a gota d'água

8.3.05

Reencontrando um amigo

Hoje subi num palco pela primeira vez em mais um menos uns três meses. Foi diferente. Desde a última vez em que fui aplaudido ao final de uma apresentação até esta bela manhã ensolarada de terça-feira, muita coisa mudou na minha vida. Prioridades foram - e estão sendo - revistas, planos foram desenhados, ambições despertadas. Que tudo isso tenha ocorrido num curto período em que eu estive afastado do teatro talvez não seja coincidência. É possível que a ausência de uma das minhas mais eficientes ferramentas de auto-análise tenha me forçado não a avaliar o quadro então presente, mas a mudar de quadro como um todo. Tela limpa, tabula rasa. Logo logo estarei de volta à acelerada rotina de textos e ensaios, de mergulhos pessoais, de contato com anjos e demônios que me dividem como habibat. Resta saber como essas diversas entidades reagirão ao meu novo quadro. Entre algumas indignações e muitos sorrisos, eu estou gostando do desenho que se forma. Estou mais calmo, mais centrado... e, paradoxalmente, mais ansioso. Estou também curioso para saber como essa nova mistura de mim vai reagir em cena. Será ebulição? Será inerte? Hoje, o palco me pareceu familiar. Apenas familiar. Como um amigo que não vemos há muito, e sempre se apresenta com aquela reserva, aquele olhar de dúvida, querendo saber se você voltou para valer.
- Eu não sei, amigo. Estive longe, vi outras coisas. Me apaixonei - por uma pessoa e por várias idéias. Não sei se voltei para valer. Mas, de qualquer forma, é muito bom te ver novo.

4.3.05

Tudo de ruim

Eu queria e merecia folgar neste fim de semana. Está ficando difícil. Eu preciso de férias.

2.3.05

Sarajevo é brincadeira

Atrasado, mas antes tarde do que nunca....
A violência está cada vez mais insuportável. A saúde pública foi para a casa do chapéu, porque o secretário não é médico, não tem o mais pálido conhecimento de causa, e está lá só porque financia a campanha do prefeito, e faz questão de uma pasta no primeiro escalão do executivo municipal. Vaidade, tudo é vaidade. Nesta cidade, principalmente. Aliás, o alcade, reeleito, já fala em tom de campanha presidencial. Ele, que era um bom síndico, botou olho gordo e quer ser cacique da associação de moradores do bairro. Com isso, acaba deixando um pouco de lado o próprio quintal, faz política com a desgraça alheia. Tem gente morrendo sem atendimento, tem Emergência fechando por vazamento de esgoto, com merda boiando ao lado dos pacientes - muito ilustrativo e emblemático. A zona sul virou praça de guerra. É a eqüidade social nivelada por baixo. Segunda e terça-feira teve tiroteiro na Niemeyer. Dizem que a Rocinha perdeu o Vidigal - os alemão tomaram conta das boca tudo, mano. Parada norótica. Bala largada não tem endereço. Cuidado! Se estiver perdida, pode achar você...

Mas enquanto o sol ferve na areia, eu continuo apaixonado. Não dá para largar. Aqui, zero-21. Ora pro nobis, Redentor. Abençoa este pedaço de chão entre o mar e a montanha. Nós, mesmo espremidos, continuamos na luta. Sempre sorrindo, ainda que amarelo. Quatrocentos e quarenta anos! Aos que nasceram aqui ou que vieram de fora: vocês não adoram ser - ou mesmo estar - cariocas?

1.3.05

Todo amor que houver nesta vida

Ao longo da minha não-tão-longa caminhada, diversas pessoas me ajudaram a entender um pouco melhor o significado da palavra amor. O conceito é grandioso, e explorá-lo é coisa para se fazer em verso, não em prosa, constantemente sob risco de flerte com a pieguice sobre a autenticidade. Mas hoje vou me arriscar. Porque ontem uma certa menina me fez ver em primeira pessoa um pouco mais desse sentimento: aquela velha história de que amar é sentir-se realizado pela felicidade de outra pessoa. Isso eu sempre tinha ouvido, mas não ainda vivenciado realmente (...) Minha namorada não precisa de um diploma para dizer o quão boa jornalista é. Caprichosa, perfeccionista, com auto-crítica na dose certa, e ávida por aprendizado, ela já se mostrava uma excelente profissional antes mesmo de ser uma profissional. Mas ontem ela cortou oficialmente o cordão umbilical com a faculdade. Me lembro da alegria que senti quando passei por isso, há coisa de cinco anos. Parece que foi ontem, parece que séculos se passaram. Mas se não estou confuso, foi um momento feliz, apesar de tantas dúvidas, do peso do título, da responsabilidade. Ela, na sua vez, sorriu e chorou. A solenidade de colação, realizada em um teatro, naturalmente me despertou apetites. Houve hora em que não resisti e gritei EU TE AMO para que todos ouvissem - a acústica do espaço era ótima, acho que nem precisava ter projetado tanto a voz... Mas é que de repente, a palavra amor fica pequena. E mesmo eu, que queria falar sobre o quanto estava feliz e pleno por essa vitória dela, já me perdi em divagacões, me embaralhei como um aliterato, e estou perigosamente próximo de indesejáveis clichés. Chega um momento em que teorizar é inútil, e relatar desnecessário. Por que ao abordar o amor, de que serve a objetividade?

Deca, o que você precisa saber é que eu me orgulho muito de você. Estava linda de beca, me deixou babando de paixão e felicidade. Você merece o melhor: teve a coragem de começar tudo de novo para apostar na carreira que queria. Uma carreira difícil, cheia de altos e baixos, mas que compensa quem acredita em si mesmo. Profissionalmente, eu torço por você com amor maior que o de um amigo verdadeiro. Por ser filho único, eu não sei como é o amor de um irmão... talvez seja algo próximo. Pessoalmente, eu anseio pelo teu sorriso com o desespero de um viciado, e o deslumbramento em acalanto de quem vislumbra o paraíso. Teu simples olhar mistura tudo isso em mim. Também por ser filho único, aprendi a cultivar minhas próprias vitórias, e nunca pensei que pudesse me sentir tão realizado através de outra pessoa. É algo novo, mas agradável. A palavra amor, de fato, ficou pequena. Talvez seja melhor calar. Parabéns pela formatura, e obrigado pelo carinho nesses dois meses que completamos hoje. Você me completa (...) Pronto! - fui piegas! Não teve jeito... Agora está dito.

25.2.05

Patrícios

Esta me foi encaminhada pelo chefe e amigo Luciano Garrido. É de português, é preconceituosa, mas é engraçada pacas... Bom fim de semana a todos!

Depois dos problemas acontecidos na Ásia, o governo de Portugal resolveu criar um órgão de pesquisa em prevenção e avaliação de tremores e abalos, cobrindo todo o território. O Centro Sísmico Nacional enviou, dias depois, um telegrama ao Quartel-General de Polícia da cidade de Vilamoura, no norte de país. A missiva dizia:

Possível movimento sísmico na zona. Ponto. Muito perigoso, superior Richter 7. Ponto. Epicentro a 3 km do povoado. Ponto. Tomem medidas. Ponto. Informem resultados com urgência. Ponto.

Os dias se passaram, e só depois de mais de uma semana é que foi recebido no Centro Sísmico Nacional um outro telegrama, que informava:

Aqui é do Quartel da Polícia de Vilamoura. Ponto. Movimento sísmico totalmente desarticulado. Ponto. O tal Ritchter tentou fugir, mas foi abatido a tiros. Ponto. Desativamos as zonas. Ponto. As putas estão todas presas a trabalhar na lavanderia dos presídios femininos. Ponto. Epicentro, Epifânio e três cupinchas detidos. Ponto. Não respondemos antes porque aqui houve um terremoto do caralho. Ponto.

23.2.05

Papo de cinema

O filme teve o nome toscamente traduzido, e acho que pouca gente deu bola, mas quem tiver a chance não deve perder Jogos Mortais. Ainda está em cartaz, ao menos no Rio. A premissa de dois homens que acordam em um banheiro imundo e são forçados por um assassino misterioso a se engajarem num jogo de gato-e-rato em que um deve matar o outro pode parecer um convite à filmografia B, ou mesmo um enredo mal-ajambrado para um video-game de suvival horror, mas acreditem, está tudo lá: suspense policial honesto e de boa qualidade, sem sustos óbvios ou ofensas à inteligência do espectador em finais absurdos. Aliás, eu me corrijo: o roteiro poderia ser perfeitamente aplicado a um game. Palavra de aficcionado. E o final é sim sacado da manga, mas o truque é tão bem feito que parece mesmo mágica. A coisa toda foi rodada em 18 dias. Mais um exemplo de como é possível apresentar excelentes resultados com tempo e orçamento limitados. Basta ter uma ótima idéia e um roteiro bem amarrado. Na mesma linha é possível citar Bruxa de Blair e Por um Fio. Jogos Mortais - ou Saw, como preferirem, é desse quilate. E olho vivo no novato Leigh Whannell (Adam). Interpretação primorosa. Bem acima dos veteranos Danny Glover e Cary Elwes.

Em tempo: tive uma grata surpresa com a sala Um do Estação Botafogo. Nada da assepsia claustrofóbica de um multiplex - estamos falando de um salão enorme, com poltronas vermelhas de couro, e aquele leve toque de cheiro de mofo por causa do carpete nas paredes. A telona é digital, mas o som não é THS. Engasga para entrar, fazendo aquele ruído branco de caixa ligando. Nada de love-seats. Os casais têm direito à privacidade porque há espaço de sobra, e eles podem simplesmente procurar um cantinho desabitado. Nostalgia pura. Vamos combinar: cinema confortável é aquele em que você não corre o risco de roçar coxa com um estranho, e não precisa disputar o porta-copo. Já não fazem mais desses hoje em dia...

21.2.05

Hermanos

Dois agricultores, um Argentino e um Brasileiro, conversam.
- Qual é o tamanho da sua fazenda? - pergunta o argentino.
Responde o brasileiro:
- Para os padrões brasileiros, a minha fazenda tem um tamanho razoável: trezentos alqueires. E a sua?
Retruca o argentino:
- Olha, eu saio de casa pela manhã, ligo o meu jipe e ao meio-dia ainda não percorri nem a metade da minha propriedade.
- Pois é - rebate o brasileiro - eu já tive um carro argentino desses. É uma merda...

18.2.05

WC Cavalheiros

Este texto se presta à discussão de normas éticas de conduta em banheiros masculinos, e portanto pode se mostrar vulgar e preconceituoso em certos momentos. Meninas, estejam avisadas.

Estive nesta sexta-feira fazendo a cobertura jornalística de um ato político realizado na Associação Comercial do Rio de Janeiro. O evento reuniu diversas autoridades, entre deputados, dirigentes de entidades de classe, organismos sindicais e afins. Em dado momento, pouco antes do início da cerimônia, a ânsia urinária tomou conta de meu ser. Ao entrar, notei que havia um engravatado se ajeitando ao espelho. Nada demais. O espaço contava com três mictórios, todos desocupados. Posicionei-me no da extremidade mais distante à porta, evitando possível exposição imedianta ao trânsito de entrada e saída do referido sanitário, e abrindo espaço para que a distância cívica de um urinol vazio (o do meio) fosse observado por qualquer outro ser mijante que chegasse. Mas eis que, ao dar início ao processo mictante, noto que o tal almofadinha resolveu estacionar justamente ao lado, e mais: dada a falta das sempre necessárias "barreirinhas de mármore", direciona olhares a meu instrumento de trabalho afro-brasileiro. Pausa para que se compreenda o quão desconfortável foi a situação para minha pessoa: fui educado em um colégio exclusivamente masculino. No São Bento, se você flagrasse alguém em espionagem peniana, podia simplesmente gritar "manja-rôla!", e provocar uma hecatombe. Todos que estivessem no banheiro cairiam em insultos raivosos e impudicos sobre a masculinidade do curioso. Ele seria chamado de viadinho para baixo, e provavelmente seria empurrado em direção ao mictório, com grandes chances de sair com as calças vexatoriamente ensopadas pela própria urina. Em alguns casos - mais raros, porém possíveis - a balbúrdia poderia chegar aos corredores. A coisa se tornava então um verdadeiro episódio de retribuição divina: o pobre diabo sentiria todo o peso da execração pública discente. O colégio, muito católico, tinha um décimo-primeiro mandamento tácito: Não violarieis a privacidade da jeripoca alheia. Daonde eu venho, a manjada é intolerável, e a pena era sempre capital. Mas ali, na Associação Comercial do Rio de Janeiro, o grito de denúncia e alerta ficou preso. Eu quase agi por ato-reflexo, mas percebi a tempo que a punição exemplar, tão merecida, poderia conflitar com a minha presença profissional naquele lugar. Imaginem a reação dos políticos e empresários a um jornalista que sai do banheiro gritando "Manja-rôla! Manja-rôla!" (...) Não seria legal. Tive que aturar o constrangimento. Mas me permiti um audível "Tsc, tsc, tsc!", com meneios negativos de cabeça, em desaprovação simbólica ao viadinho - com preconceito, por favor. O sujeito gay, ao perceber que eu havia percebido, abaixou a cabeça, possivelmente em vergonha e auto-penitência. Onde já se viu?! Depois do movimento pela Encoxada em nossas respectivas e venerávis fêmeas, venho a firmar posição contrária aos manjadores de plantão. Que sejam todos enviados, com passagem só de ida, para... bem, vocês sabem para onde. A discussão já está abaixo da linha da cintura, não precisa descer mais do que isso.

17.2.05

Cansei

Sério mesmo. Coisa de geminiano, sabe como é. De repente você se olha no espelho e vê que as coisas simplesmente não estão no lugar. Não se reconhece. A moldura não se adequa ao quadro, e a estética está completamente off. Daí é preciso uma solução radical, porque situações extremas exigem medidas extremas... Meu cabelo saiu para almoçar. Estou de volta ao bom e velho estilo basquete/ hip-hop/ no-hair. O design, inegavelmente, ficou mais arrojado e aerodinâmico. De bônus, combina perfeitamente com meus óculos escuros Matrix. Um luxo.

15.2.05

País de Oz (Dorothy não está no Kansas)

Mataram uma missionária no Pará. Algo a ver com conflitos por pedaços de chão que possivelmente servirão apenas para exploração de madeira ou lavouras inférteis. Aliás, mataram não é o termo mais adequado: executaram. Chocante. Ou, talvez, nem tanto. No Rio (ou em qualquer metrópole) os óbitos são diários, às dezenas, na guerra do tráfico. Mas o nosso cotidiano urbano de violência nutre a ilusão de um ruralismo de paz bucólica. Mentira. A morte de Dorothy Stang é emblemática: o retrato ampliado do que ainda é a base do extrativismo e do chamado agrobusiness no nosso país: ocupações, militância armada e por vezes inconseqüente, denúnicias de trabalho escravo em fazendas de ilustres deputados. E o campo é ainda responsável pela maioria esmagadora das exportações brasileiras... deu para entender? - Nós ainda somos um país movido a sangue de pretos e pobres. Os números importam pouco: a maioria desses ninguéns não tem nome, não vira sequer estatística. Nascem incógnitos, morrem calados. E é preciso que alguém atire na cabeça de uma freirinha simpática (estrangeira!) para que o governo resolva montar uma força tarefa federal - não para investigar os coronéis por trás das armas, mas para prender os culpados rasos dessa única morte: sempre os mandados, quase nunca os mandantes. Mas Dorothy, pelo menos, tinha um nome ao morrer. Bom (?!) para ela. Agora é torcer para que o Bush não resolva usá-la como um símbolo do dever americano de intervir na região amazônica pelo bem maior do planeta. - Não. pensando bem, eles não vão fazer isso (...) Quem já teve a chance de conversar sobre política comigo sabe que, na minha opinão, falta no currículo histórico da nação um episódio autêntico de guerra civil. Aberta e declarada, dessas com o potencial de fragmentar a nossa geografia continental. Assim, talvez, aprendêssemos a dar valor ao chão que temos. E a nós mesmos. E talvez o sangue se tornasse uma moeda de troca mais cara. Ou, quem sabe, num cenário ideal, deixasse de ser uma moeda em absoluto. Mas do jeito que estão as coisas, os homens de fuzil jogam no lixo a ordem urbana, e os pistoleiros de tocaia oprimem os desdentados do campo. Covardia de todos. A culpa não é "da sociedade". A culpa é cada um e de todos, que fechamos os olhos diante da ilusão de um Estado Democrático de Direito. Democrático?! Onde está o poder do povo? Piada. Enquanto isso, os senhores parlamentares cantam o Hino Nacional para saudar o novo presidente da Câmara. Desta vez o rolo compressor do PT deu defeito. É a elevação do baixo clero. Todo o poder a Severino! Tem nome de pobre, discurso de pobre, e bate no peito para dizer que não tem diploma universitário... virou moda fazer isso em Brasília. Mas atenção!! - Há várias eleições disputa o cargo tendo como principal promessa de campanha aumentar os salários de seus pares. E o que resta para nós? A fácil previsão de um ano eleitoral desgovernado, com Executivo e Legislativo em conflito. Nada vai andar no Planalto sem conversas privadas não oficiais e malas pretas apócrifas chegando aos gabinetes. Mas a imagem de um plenário cheio de deputados - aqueles mesmos que têm fazendas movidas a trabalho escravo - cantando Ouviram do Ipiranga sempre fica bonita na TV. Quase gera a ilusão de freios e pêndulos bem ajustados. Quase. Há momentos em que é fácil olhar para o Brasil e perder a esperança. E por mais que eu procure, não consigo encontrar a maldita estrada de tijolos amarelos.

11.2.05

...Eu quero uma casa no campo

Depois de dezenove dias trabalhando sem parar, incluindo a loucura da cobertura momesca, estou parando hoje. Os amigos que me perdoem a ausência - eu sei que estou em falta com muitos - mas estou pegando e estrada. Minha morena e eu vamos curtir um hotel fazenda com direito a arvorismo, parede de escalada e pescaria. Afinal, também nós somos filhos de Deus. Ou Deusa, ou Grande Arquiteto, como queiram. Volto no domingo à noite, apto a sentar num barzinho qualquer para jogar conversa fora ao fim do dia.

Alguns recados importantes:
Lol - Boa Viagem, meusamô!!! Tenho certeza que você e Gables vão se divertir horrores! Curta muito! - E atualize!
- Morro de saudades. Vamos nos ver no domingo à noite? Ligo assim que chegar ao Rio!
Bulka - Véio, espero que esteja aproveitando bem as férias. Muitas saudades de você também, mano!
Peyró - Boa viagem, sogrão!

Acho que é isso... muita gente com o pé na estrada... Hasta!

10.2.05

Só tinha de ser com você

É bom que se lembre que a autoria não é da Fernanda Porto, mas do Tom Jobim em parceria com Aloysio de Oliveira. Eu, particularmente, não gosto muito da idéia de ficar postando letras de música sobre letras de música, mas a verdade é que, previsivelmente, ainda estou desocupando minha cabeça dessa overdose de carnaval. Então, lá vai um sambinha despretensioso e, quiçá por isso, de valor:

É, só eu sei
Quanto amor eu guardei
Sem saber que era só pra você
É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você

É, você que é feita de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonita demais
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

4.2.05

Eu ODEIO carnaval!!!!!!!!!!!!!!!!!!

É sério. Letras Mortas tem postura editorial contrária à euforia coletiva gratuita. Aliás, o editor acredita que o conceito de circo para o povo conduz à debilidade mental. Esta frente de resistência à ignonímia e indignidade do ser humano fecha os tipos durante esta porra de carnaval. Ando sem paciência, e certamente não vou ter assunto. Volto na quinta-feira, se não estiver por demais ocupado em limpar a mente das impurezas desta verdadeira celebração ao nada. Fico na torcida por um atentado no Sambódromo - pelo menos para justificar todo o trabalho.

31.1.05

Kriptonita de la roja

Hugo Chávez veio ao Fórum Social Mundial para fazer graça com o Bush. Nada de novo. Nas últimas semanas, nos últimos meses, tudo que o presidente da Venezuela faz é graça com o Big Boss dos States, onde quer que vá. Para isso, nem precisava ter vindo. Mas reconheço: o carisma do sujeito é inegável. Inegável e perigoso, na minha humilde opinião. Ou ele vive num mundo cor de rosa, e não percebe os riscos desse comportamento aparentemente lúdico, ou pior: tem plena noção dos riscos mas joga assim mesmo. A aposta é alta demais - enquanto ele se diverte mandando a diplomacia às favas, golpes e contra-golpes de bastidores e capturas não autorizadas de integrantes das FARC em território venezuelano colocam a democracia e a soberania de um país na corda bamba, e ninguém parece ligar muito para isso. O Lula, engraçado... está sempre pronto a receber o hermano em Brasília - onde Chávez já é visto como arroz de festa; guarnição que só acompanha, mas não serve para encher a barriga. Eu, particularmente, entendo que o Brasil tem um papel de liderança geo-estratégica e político-econômica na América do Sul por motivos óbvios, mas acho que o sindicalista do ABC deveria se envolver menos. Ou deveria se envolver mais e entrar de sola na questão. O problema em se fazer acenos sem adotar posições firmes é que cedo ou tarde dá-se o inevitável: o folgado resolve que é bonitinho vir à Porto Alegre para chamar o Bush de Superman, e dizer que nosotros temos kriptonita vermelha para lidar com o problema. Alto lá! Que nosotros é esse?! Fale por si e pelos seus, cara pálida! Não venha contaminar com gracejos infantis as nossas já delicadas relações bilaterais com o povo do norte, que envolvem embargos, subsídios comerciais e uma dura negociação em torno da ALCA, para não mencionar o olho grande dos gringos nas nossas instalações nucleares. É favor deixar os tupiniquins fora desse nosotros (...) O pior, o mais triste, é que tem palhaço para tudo: até para gritar fora Lula, Chávez para presidente do Brasil. Não que eu esteja muito satisfeito com o Sapo Barbudo. Essa última de censurar - vamos usar o verbo certo: censurar, mesmo! - as pesquisas do IBGE antes da divulgação me deixou decepcionado ao extremo. Mas se tem uma coisa que me dá nos nervos é a turma do quanto pior, melhor. Não lêem as entrelinhas, e acham que política é brinquedo de criança. Eu li os quadrinhos do Superman. Mas também li Nietzche. O assustador é pensar que, ao chamar Bush de Super-homem, talvez nem Chávez soubesse o quão próximo estava da verdade. Se soubesse, não falaria rindo. E os micos de circo não aplaudiriam. E se precisar mesmo da tal kriptonita vermelha, pago para ver no que vai dar.

29.1.05

Datíssima vênia, companheiros

Ivan Lins é um virtuose. Merece ser visto, se não por qualquer outra coisa, pela técnica tanto vocal quanto às teclas - e ao bongô, e à caixinha de fósforo, e ao whatever: o sujeito é um multi-instrumentista, e a nossa música não tem muitos assim hoje em dia. O último que pintou foi o Júnior, mas sobre esse eu nem quero falar. O repertório pode parecer antiquado para todos nós, que respiramos outras batidas, admito. Mas as letras são ótimas, é só se dispor a ouvir. E funciona para casais que é uma beleza, acreditem. Se bem que, tudo bem... Quem acha mala ou péla saco, acha. Fazer o quê?

28.1.05

Ivan Lins

Fui ontem. Não é um super-show, mas manda o recado bem direitinho. Mais que direitinho, até.
Porque, só de vez em quando, não é pecado retornar aos clássicos para falar do novo...

Vieste

Vieste na hora exata
Com ares de festa
E luas de prata
Vieste com encantos, vieste
Com beijos silvestres
Colhidos pra mim
Vieste com a natureza
Com as mãos camponesas
Plantadas em mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor

Vieste à hora e a tempo
Soltando os meus barcos
E velas ao vento
Vieste me dando alento
Me olhando por dentro
Velando por mim
Vieste de olhos fechados
Num dia marcado
Sagrado pra mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor


E, claro, a infalível Vitoriosa

Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos meus limites
E ir além, e ir além
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa

26.1.05

Enganado pelas boas referências

O nome de Sam Raimi nos créditos iniciais me deixou na expectativa por um bom filme de terror. Alguns de vocês podem não saber, mas antes de Homem-Aranha, o sujeito já marcava no currículo toda a série Evil Dead. E isso é credencial. O problema é que em O Grito, Sam não dirigiu. Foi só produtor executivo, o que em termos práticos significa que ele deve ter dado uma força na captação de recursos e emprestou o nome para levar meia dúzia de otários como eu ao cinema, em troca de algum trocado ou quem sabe mesmo uma participação na bilheteria. O que é bom para ele, ruim para mim. E péssimo para o meu bolso, porque eu caí direitinho. O Grito, que bem poderia se chamar O Arroto - quem viu vai entender - está entre as coisas mais toscas que vi nos últimos tempos. A premissa de lenda urbana japonesa e o fato de a história se passar por lá pode ainda atrair alguns fãs de O Chamado - Não caiam nessa esparrela! Alhos não devem servir de referência para bugalhos! Um tem trama construída de maneira a propiciar uma suspensão de realidade com um mínimo de esforço, e detalhes metalingüísticos que valem o ingresso - mais sobre isso em conversas de bar, para quem quiser. Mas o outro... o outro é uma sucessão de clichés mal ajambrados por um roteiro fraco, um argumento pífio e sustos óbvios. A coisa toda só não foi um total fiasco porque a minha namorada - sempre ela salvando o meu dia! Te amo, linda! - se assusta facilmente, e cada pulo dela me rendia ao menos uma reação instintiva àquela baboseira toda na tela: a de proteger a mocinha. Em suma: não vejam O Grito. É ruim demais. A não ser que vocês tenham a companhia certa, porque aí também... o filme não faz diferença.

25.1.05

O carnaval está chegando

E eu odeio isso. Fique registrado.

21.1.05

Mexeu com ela, mexeu comigo

Minha amiga comprou um personal cold maker nas Casas Bahia. A necessidade de possuir um ar-condicionado tornou-se irrefutável urgência doméstica após noites mal dormidas causadas pela face mais negra do efeito estufa, que só quem mora no Rio conhece. A canícula é realmente insuportável, acreditem. O problema é que ela, embora jornalista e celebridade, é ainda a mulher da casa. E como toda mulher da casa, está sendo engambelada pelos malandros da instalação, que chafurdam na desordem burocrática, estão sempre atrasados com pedidos e ordens de serviço, e se acham no direito de protelar as demandas feitas pelas moças, na certa imaginando-as ainda desamparadas e chorosas criaturas, relegadas à resignação e - por que não dizer? - à fragilidade. Pois estão enganados. Minha amiga tem amigos. A começar por mim. E padrinho de casamento que sou, é obrigação zelar pelo bem estar da família que muito prezo, até por saber que com eles posso contar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, Amém. O marido, gozando de férias, viajou. É justo - férias a gente só tira uma vez por ano. Mas a referida consorte não está, absolutamente, indefesa: quem me é caro eu coloco embaixo da asa, e quem me conhece sabe que tenho envergadura. Se os sujeitos lá da instalação não resolverem essa modorrenta pendenga pronta e eficientemente, já falei que vou com ela naquele cafofo malcheiroso de exercício pseudo-administrativo para dar jeito na parada. Vou me apresentar como digníssimo esposo, para tomar satisfações de maneira não-tão-digna. Aí eu quero ver aqueles abusados explicarem para metro e noventa de preto enfurecido que não foi possível fazer a instalação porque o técnico especialista em cortar vidros genoveses granulados estava ocupado fazendo um curso de capacitação em observação e apreciação holística do ócio criativo... Quero ver!

18.1.05

Às vezes nem eu me suporto

Porque o ser humano é o único, em todo o maravilhoso espectro da criação, capaz de rir da própria desgraça - ou da alheia - e porque um toque de irremediável cinismo está entre os meus defeitos confessos (e prediletos!), Letras Mortas traz a verdade por trás do maremoto asiático: eis aqui como tudo começou...

Admita: você também riu.

14.1.05

O paradoxo romântico

Nunca foi tão rápido: levou apenas duas semanas.
Todavia jamais demorou tanto: inteiros nove meses - porque não poderia, sob qualquer hipótese, ser prematuro.
Se deu o fato contra todas chances: estou certo de que não passou pela cabeça de nenhum de nós que haveria de ser assim, fulminante, sem pretexto, sem razão. Seria absolutamente impensável que fosse sem razão... Mas foi. E assim, sem aviso, como o beijo roubado naquela primeira noite, aconteceu. E - curioso - verdade seja dita, há dias vínhamos ensaiando esse movimento. É inegável: o teste de limites. Até onde cada um estava realmente disposto a ir, reconhecer, entregar, derrubar as defesas?
- As minhas sempre foram muitas, desde sempre. As dela, me parece, idem. Mas o som do inevitável é célere. A última reserva, aquela derradeira que protege a própria imagem que temos de nós mesmos - nosso espólio final e mais sagrado - cai por terra. Deus ex machina. E dói. E assusta. E nos faz tremer. E extasia. E nos dá coragem. E é calmo acalanto. O momento irredutível, contra o qual não há resistência. Estava lá o tempo todo, esperando para acontecer. Não tem início, não tem fim, e não há, finalmente, como pouparmo-nos dele. Nunca foi tão rápido, nunca demorou tanto. Duplo Xeque. Mate. Um bom ator reconhece suas deixas.
Eu ontem confessei um amor.
(...)
E aquele sorriso nunca esteve tão belo.

12.1.05

Meus amigos sabem o que dizem

Dando voz a quem realmente entende das coisas - função jornalística ideal e raramente realizável...

A sempre sábia Cris Tibau diz: Sexo e amizade é colorido. Sexo e paixão, incendiário.
Irrefutável, absolutamente. Menina, para variar, você acertou na mosca. O mundo precisa de fogos de artifício multi-coloridos.

Mas o jovem filósofo contemporâneo Gabiru Mattos faz um alerta aos desavisados: Só dá merda quando você se diverte pelado.
É. Deve ser isso mesmo.

10.1.05

Só a cabecinha

Atenção meninas de coração, carne ou personalidade fraca! - Esta imagem pode provocar arrepios na nuca e outras zonas erógenas do corpo, além de imprevisíveis e potencialmente perigosas reações hormonais.
(...)
Sem mais delongas ou explicações: eis aqui um raro registro fotográfico da famigerada e sempre ludibriosa cabecinha. Uma exclusividade pseudo-jornalística de Letras Mortas.

Vocês não adoram segunda-feira?

7.1.05

Pois é

Hummmm...
Então está bem: entre algumas novas dezenas de milhares de mortos na Ásia, um quid pro quo literalmente federal para saber quem diabos sai candidato à presidência da Câmara dos Deputados, e a divulgação de fotos de uma festa adolescente - para a qual não me convidaram -na piscina do Alvorada, a primeira semana de trabalho em 2005 até que não foi assim tão ruim...
Mas a folga de Réveillon estava melhor.

5.1.05

Diz o terrorista árabe...

Para toda bela morena sob o sol existe um sujeito feioso, careca e... altinho de vodka

Parabéns pra você nesta data querida, gatinha! - Será que eu ainda vou preso por aliciamento de menor?

4.1.05

Eles não têm juízo

E não é que eu virei chefe de reportagem? Calma, muita calma nessa hora! - o status é temporário, e a carta branca vale só por algumas horas diárias, enquanto o chefe de verdade não chega. Ocorre que algumas peças estão fora de suas posições originais neste início de ano, e acabou na minha mão a gerência do departamento entre seis e oito da manhã. Eu já tinha brincado assim num plantão de fim de semana, mas é a primeira vez que a responsabilidade cai no meu colo em dias úteis, pra valer. A coisa toda é benvinda, claro. Lendo nas entrelinhas, é uma demonstração de confiança no meu trabalho, e por isso fico feliz. E feliz é sempre uma boa maneira de se começar o ano. Por outro lado, a cobrança por qualquer problema que venha a surgir vai sobrar é pro negão aqui. No pain, no gain (...) Mas parando para pensar, o interinato nem é assim tão diferente da rotina nossa de cada dia. É preciso exercitar um certo pensamento estratégico, adequar pautas a repórteres; mas não é uma função tão engessada quanto pode parecer à primeira vista. Se você tiver uma resposta pronta para as gracinhas dos colegas, algo como "eu estou chefe, eu não sou chefe", acho que dá para escapar incólume - se a ponte Rio-Niterói não cair durante o rush matinal. Amém.

3.1.05

Enlace

Estou oficialmente fora do mercado neste início de 2005. A oficialização se deu no momento da virada, algo entre fogos, Chandon e um charuto cubano. Não foi a coisa mais original do mundo, mas a morena ficou feliz, é o que importa. Quem pegou, pegou. Quem não pegou, não pega mais. Felizes doze meses para todos os meus doze leitores.

Uma breve nota de felicitação em particular: a mãe da ilustre autora de Lugar Feliz cumpriu anos no Réveillon. A Lol é algo muito próximo de uma irmã, e a Tia Tereza é algo muito próximo de uma segunda mãezona. Parabéns pra ela!