16.8.06

Mais um passo em direção à incerteza

Atenção. Sem ponto de exclamação, para não soar alarmista, mas sem reticências, para não parecer que temos todo o tempo do mundo para refletir sobre o sexo dos anjos - Atenção: seqüestraram um jornalista. Não foi no Oriente Médio, nem na Colômbia já-não-tão-cartelizada. Foi em São Paulo. Aqui no Brasil. A poucas ruas da redação da mais influente emissora de televisão do país. E olha que isso é dizer muito, porque brasileiros gostam muito de assistir televisão.
Não pediram resgate em cifras. Se aproveitaram dos números de audiência para exigir a exibição de um vídeo com pedidos absurdos de privilégios e regalias penais em nome dos mesmos facínoras que transformaram a própria São Paulo num inferno. Conversa vai, conversa vem, e entre o delírio eleitoral do ex-governador que não fala sobre segurança pública mas quer ser o presidente de amanhã; a tergiversação crônica do ministro que parece mais ocupado em desconversar sobre os escândalos do presidente de hoje; e um secretário estadual que parece entender a polícia como um canil de cães raivosos a serem atiçados contra bandidos em também elevado grau de sandice, a maior e mais influente emissora de TV do país virou refém. E isso é dizer muito, porque brasileiros gostam muito de assistir televisão.
Sem ter o que fazer, e exercendo legítima preocupação institucional com a preservação da vida de seu funcionário, a empresa levou ao ar o famigerado vídeo. Grande erro. O custo em vidas pode ser maior no futuro, se PCC, CV, TC, ADA e tantos outros grupos clandestinos resolverem adotar o expediente para angariar espaço editorial. E todos sabemos que por aqui não há CIA, FBI ou NSA que dê jeito. Só mesmo a PF, que - coitada! - tem só duas letras na sigla. E um monte de outras coisas para se preocupar que não administração penitenciária em nível estadual - A começar pela retidão de propósito e ação da própria PF.
Uma nota sobre administração penitenciária: construíram um mega-presídio no Paraná, em que o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD, mas um na sopa de letrinhas) é levado às últimas conseqüências. São mais de duzentas celas. Seria ótimo pouso para o Sr. Marcola. Mas só Beira-Mar está hospedado lá. É isso mesmo. o Beira-Mar. Muito inteligente, não? Enquanto isso, em São Paulo, criminosos recebem o sagrado indulto do Dia dos Pais. Que idílico...
De volta à vaca fria: milhares de analistas falaram, e a grande emissora garantiu voz ativa a quem corroborou a atitude de veicular o tal vídeo. Atenção: ficou cheirando a edição tendenciosa. Não é possível que a nossa Fantástica revista semanal de domingo não tenha encontrado um do contra sequer. Mas tudo bem. O que importa é que o rapaz foi libertado e passa bem. Então, tudo acabou como deveria.
...Só que não acabou.
Atenção, muita atenção: seqüestraram um jornalista. A bandidagem rompeu mais uma barreira. Olhos abertos: muitos repórteres acreditam na ilusão de um distanciamento sociológico da notícia, e poderiam até então pensar que estavam para sempre a salvo da violência que retratam cotidianamente. Ledo engano. Ser repórter no Brasil pode ser perigoso. Muito perigoso. E não há nada de acadêmico ou sociológico nisso. Já não é mais preciso subir o morro para correr o risco de morrer queimado (Salve, Tim! Rogai por nós!). Nestes dias tão estranhos, se o repórter não vai até o algoz, o algoz vem até o repórter.
Você por acaso se lembra do tempo em que se perguntava "Meu Deus, o que será que vai acontecer se eles resolverem sair das favelas e atacar no asfalto?" Faça um esforço, você vai se lembrar. Deve ter sido lá pela metade da década de 90... Pois está acontecendo. Seqüestraram um jornalista. As leis da guerra dizem que não se deve matar um mensageiro sob bandeira de trégua. Mas em tempos de caos urbano em tão óbvia ebulição, quem é o mensageiro? Qual é a mensagem? Existe trégua?
Atenção. Seqüestraram um jornalista. Negociar e ceder foi péssimo negócio. Se a moda pega, cada repórter vai virar um alvo em potencial, e nós não estamos falando de telefonemas anônimos sob ordens de um deputado que de fato não vai matar ninguém porque já está sob a vigilância dos flashes. Estamos falando de atores do silêncio e do breu social, que não têm nada a perder, e para os quais a vida - seja própria ou alheia - vale muito pouco diante do exercício de terror e afronta a uma máquina pública já enfraquecida por demais em todos os níveis para cuidar e proteger o cidadão comum. E o problema maior de tudo isso é que a história virou notícia de TV. O repórter, que poderia (deveria?) ser preservado, foi transformado na celebridade instantânea do fim de semana, a epítome maior de mais um passo que damos em direção à falência institucional do país. Os bandidos conseguiram tudo o que queriam. Viraram heróis classistas em uma operação meticulosamente bem executada. Com um detalhe: não precisaram de serviço de inteligência ou escutas telefônicas no plajamento - todo o circo foi armado com uma simples tocaia na padaria da esquina. Tudo transmitido via satélite, para milhões de espectadores no sofá da sala. Afinal, brasileiros gostam muito de assistir televisão.

10.8.06

Pela Simplicidade

Sherlock Holmes e Dr. Watson vão acampar. Montam a barraca e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho,deitam- se para dormir. Algumas horas depois, Holmes acorda e cutuca seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê.
Watson responde:
- Vejo milhares e milhares de estrelas.
Holmes então pergunta:
- E o que isso significa?
Watson pondera por um minuto, depois enumera:
- Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galaxies e, potencialmente, bilhões de planetas. Astrologicamente, observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de Sorte. Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 03h15min pela altura em que se encontra a Estrela Polar. Teologicamente, posso ver que Deus é todo poderoso e somos pequenos e insignificantes. Metereologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Correto?
Holmes fica um minuto em silêncio, então responde:
- Watson, seu imbecil! Significa apenas que alguém roubou nossa barraca!

7.8.06

O Porquê

Olha, eu admito...
Isto aqui está às moscas. O editor, humildemente, pede desculpas. E diz que se emenda um dia. Mas um dia é só um dia. Pode não ser hoje, muito provavelmente não será amanhã. E para quem quer saber o(s) motivo(s), o menino que reside em mim desavergonhadamente admite :
Battle for Middle Eath I
Battle for Middle Earth II
...E lá se vai o tempo que eu poderia dedicar a Letras Mortas: está sendo investido em auxiliar Gandalf e Aragorn na difícil missão de salvar a Terra Média, diretamente da tela do meu PC. Meninice. Mas está sendo ótimo. Para os chegados, recomendo ambos os títulos. E o primeiro, como de praxe, é melhor do que o segundo. Então, dito isso, volto um dia... após a derrota final de Sauron.
Uma nota oceânica: não importa o que te digam - the worst day diving is irrefutably better than the best day working.

20.7.06

Pequenas coisas

Hoje eu estava por perto e visitei uma amiga de surpresa, bem no meio do expediente. Valeu muito a pena. Ela ficou feliz, e eu também. Não é bom, isso?
...Sem mais para o momento. Ando um pouco sem ter o que dizer.

10.7.06

Tsc, tsc, tsc...

Tá legal... eu aplaudi Zidane. Aplaudi mesmo. Mas fiquei sem entender como é que um sujeito joga fora de forma tão estúpida a chance de fechar com chave de ouro a carreira. E mais: se era para dar a bendida cabeçada, não era mais prático dar logo na cara e quebrar de vez o nariz do zagueiro? Porra, que idiota!

7.7.06

Aplausos para o "maestro"

Eu não sei quem escrevu. Apenas recebi por e-mail de uma colega de trabalho. Mas é, sem dúvida, a melhor resenha que já li sobre o desastre de Frankfurt.
Não chorem. Aplaudam Zidane. Perder tempo discutindo Parreira? Tentando entender os motivos que fazem Roberto Carlos e Cafu errarem todos os lances como meros amadores nervosos numa peneira? Pra quê ousar entender o que acontece com Ronaldinho Gaúcho de verde e amarelo? Até onde vai a nossa vontade e a realidade do que se chama "CRAQUE"?
Aplaudam Zidane! Passamos 90 minutos vendo os mais caros jogadores do planeta, donos de 90% das propagandas de TV, andarem, errarem, ficarem nervosos, enquanto aquele senhor, de 34 anos, em má fase e quase sacado do time nas oitavas, literalmente acabava com 11 badalados "gênios" do futebol mundial.
Não lamentem, apenas aplaudam Zidane. Queriam show? Tiveram! Queriam craque? Ali estava! Queriam o melhor do mundo? Ele era o carequinha de branco, com a 10. Queriam lances de gênio? Ele nos deu. Queriam lançamentos perfeitos? Ele os fez. Queriam a vaga nas semifinais? (...) Essa, ele nos tomou.
Agora... não percam os próximos dias reclamando, xingando, procurando culpados. Percam horas aplaudindo Zidane! Vejam de novo a partida com calma, apreciem o bom futebol e a personalidade de um verdadeiro craque. Aquele que decide, que resolve quando precisa, que chama pra si, que arrisca, que mantém a calma e que sabe quem é e do que é capaz. Aplaudam! Vamos!! Queriam um novo Maradona? Um novo Zico? Aplaudam! Está no fim, aproveitem!! O craque da década não é negro, brasileiro, magrelo e habilidoso. Também não é bonito, inglês, nem brasileiro e bom menino. Também não é um garotinho nervoso inglês, muito menos um raçudo anão argentino. O craque é o mesmo de 1998, pois craque, aquele de verdade, não esquece como se joga futebol e não se omite na hora do vamos ver.
Não tenham raiva da França. Eles não bateram, não catimbaram. Apenas jogaram futebol. Não torçam contra eles, pois eles têm Zidane, e quem tem tudo isso, não merece ser "secado". A arbitragem, que dezenas de jornalistas colocaram em dúvida, prevendo uma conspiração mirabolante, foi totalmente favorável ao Brasil. Errou contra Gana, errou 3 vezes bisonhamente contra a França, e não teve a menor parcela de responsabilidade na nossa eliminação.
Enfim, meus amigos, eu não vou conseguir dormir muito bem (hoje) não... Tô triste, sem graça, querendo enfiar a cara no travesseiro e até chorar de dó desse povo que parou pra (ver) isso. Mas perder faz parte, e muitas lições devem ser tiradas dessa derrota que, insisto, considero normal. Perdemos para um time de Henry, Zidane, Wiltord, Thuram, Barthez. Não foi pra uma equipe qualquer, e o futebol é assim. Agora, me dêem licença. Vou aplaudir Zidane.

28.6.06

Quem de Nós Dois

- Nas palavras de Ana Carolina:

Eu e você
Não é assim tão complicado, não é difícil perceber
Quem de nós dois vai dizer que é impossível
O amor acontecer
Se eu disser que já nem sinto nada
Que a estrada sem você é mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara...
Eu já conheço o teu sorriso, leio teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
- O que eu já nem preciso!

Sinto dizer
Que amo mesmo, tá ruim pra disfarçar
Entre nós dois não cabe mais nenhum segredo
- Além do que já combinamos.
No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso, meio na contra-mão
E quando finjo que esqueço,
Eu não esqueci nada

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro.
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida

Eu procurei
Qualquer desculpa pra não te encarar
Para não dizer de novo e sempre a mesma coisa
Falar só por falar...
Que eu já não tô nem aí pra essa conversa
Que a história de nós dois não me interessa
Se eu tento esconder meias verdades,
Você conhece o meu sorriso, lê no meu olhar
Meu sorriso é só disfarce
- O que eu já nem preciso!

23.6.06

E o Brasil, hein?! (2)

Uma singela indagação a Parreira, nas palavras de Drummond - um sujeito que, a cada dia me convenço mais - sabia realmente das coisas:
"...E agora, José?"

14.6.06

7.6.06

Versos natimortos sobre a esclerose

Dia desses deparei-me com um pentelho branco.
Estava lá, impávido e único, desafiando a negrura de minha virilidade.
Mandou-me recado sobre a inexorabilidade do tempo,
E disse-me que minha pessoal e grata noção de juventude carece de aplicabilidade prática em termos temporais indefinidos.
Chamou-me de velho, bem na minha cara - ou, melhor dizendo, em outra parte mui cara de minha anatomia
- que merda!

...Arranquei-lhe.

29.5.06

Tempo, mano véio

Nas palavras de Fernanda Takai...

"Tempo amigo, seja legal
(Eu) conto contigo pela madrugada
...Só me derrube no final."


Feliz Aniversário para mim!

26.5.06

Registro fotográfico

Uma pergunta para você, caro leitor. Responda com sinceridade...
Você está no Rio de Janeiro, em meio ao caos que só as enchentes cariocas podem causar. Voce é um reporter fotográfico, e está fazendo a cobertura de sua vida, tirando as fotos mais chocantes de momentos dramáticos causados pela força das águas. De repente você mira sua câmera para um casal sendo arrastado pela correnteza de um canal que transbordou, e reconhece Rosinha Matheus e Anthony Garotinho. Os dois lutam desperadamente contra um provável afogamento, mas estão sendo vencidos. É um momento de decisão: você tem a oportunidade de resgatá-los e perder uma foto espetacular, ou pode não interferir nos acontecimtos e tirar a fotografia do ano. Baseado em seus principios éticos e morais, sem esquecer os fatores fraternidade e solidariedade humanas, responda sinceramente:
...Havendo tempo para trocar o filme, você faria a foto em preto e branco ou colorida?

17.5.06

Peraí!!

Deixa ver se eu entendi direito: toda essa confusão em São Paulo, que deixou mais de 80 mortos, outras tantas dezenas de feridos, e colocou o centro financeiro do país em toque de recolher, foi planejada a partir da venda da gravação de uma sessão revervada de uma CPI aos "advogados" de um dos criminosos mais perigosos do país? (...) E quem vendeu foi um funcionário do Congresso Nacional, assim, na cara dura, sem um intermediário sequer? - Caramba... e eu pensava que já tinha visto de tudo nesse país.
Uma nota mesquinha e inapropriada de bairrismo carioca: levante a mão quem já ouviu, nesses últimos dias, algum paulista dizer que "a situação não é assim tão feia, a imprensa é que extrapola a realidade." Ah, se essa bagunça tivesse sido no Rio...

16.5.06

Conste nos autos

Mamãe, eu te amo. Simples assim. Pronto. Só deu vontade de dizer.

15.5.06

O Drama de Juquinha

Um exemplo saudável de má utilização do correio-eletrônico numa manhã friorenta de segunda-feira:
A professora pergunta na sala de aula:
- Pedrinho qual a profissão de seu pai?
- Advogado, professora.
- E a do seu pai, Mariazinha?
- Engenheiro.
- E o seu, Aninha?
- Ele é médico.
- E o seu pai, Juquinha, o que faz?
- Ele...Ele... Ele é dançarino numa boate gay!
- Como assim? - pergunta a professora, surpresa.
- Fessora, ele dança na boate vestido de mulher, com uma tanguinha minúscula de lantejoulas. Os homens passam a mão nele, põem dinheiro no elástico da tanguinha e depois saem para fazer programa com ele.
A professora prontamente dispensa toda a classe, menos o constrangido Juquinha. Boquiaberta, ela caminha até o garoto e novamente pergunta:
- Menino, o seu pai realmente faz isso???
- Não, fessora. Agora que a sala tá vazia, eu posso falar: ele é dirigente do PT, mas eu morro de vergonha de contar isso na frente dos outros.

9.5.06

Tem tudo pra dar m...

A assertiva não é minha, mas de outro filósofo contemporâneo que conheci recentemente. Tal máxima, tão clara e contundente, foi a réplica que ouvi ao comentar sobre a continuidade do processo de nacionalização de bens naturais iniciado na Bolívia por Evo Morales. Diz o hermano cocalero, já identificado por essas bandas como a encarnação política do mítico abominável homem dos Andes, que depois dos hidrocarbonetos virão as florestas, os rios, as terras. Os produtores brasileiros de soja que investiram alguns milhões no quintal do vizinho perderam o sono. Pudera: veja só o nome do ministro encarregado pela reforma agrária boliviana - Hugo Salvatierra...
Tem tudo pra dar merda.

3.5.06

Uma imagem e uma piada séria

Ainda namorando com a idéia de de escrever um texto machista e preconceituoso sobre os vagões exclusivos para mulheres nos trens e metrô do Rio de Janeiro. Mas, devo confessar, ando meio sem tempo e paciência para elocubrar e redigir com toda a acidez e cinismo que o assunto merece. Por hora, vai aí uma charge do Aroeira publicada em O Dia. Trabalho de mestre ao resumir, em uma imagem, toda a polêmica causada pela nacionalização do gás natural na Bolívia (...) E algo que seria uma piada velha, se fosse uma piada: eu apóio a greve de fome do Garotinho. Até o fim!

28.4.06

Só de ruim...

Eu estou ensaiando de escrever um texto machista e preconceituoso sobre os vagões exclusivos para mulheres nos trens e metrô do Rio de Janeiro. Mas por enquanto... Mais Noronha. No feriado volto a mergulhar em águas cariocas. Vai ser um choque de realidade brutal, mas fazer o quê? Cada um tem o mar que merece (...) Bom fim de semana a todos!

25.4.06

Fotos de Noronha

Morram de inveja. Há mais de onde vieram estas...

16.4.06

BR 363

A menor estrada federal do Brasil fica na cidade de Aparecida, no Estado de São Paulo. Tem pouco mais de 3,5 quilômetros de extensão e liga a Basílica de Nossa Senhora a algum lugar ao qual eu não estava prestando a menor atenção enquanto o guia dava sua explicação. Cultura absolutamente inútil, porque a única coisa que há para se ver na cidade é, de fato, a Basílica. A segunda menor estrada federal do país fica em um pedaço de paraíso chamado Fernando de Noronha. Corta a principal ilha do arquipélago, ligando o porto de Santo Antônio à praia do Sueste. Ao longo de seus 7,9 quilômetros, você vai encontrar:
O próprio porto de Santo Antônio – Considerado o segundo mais limpo do mundo, e não sem motivo. Águas absurdamente claras guardam o naufrágio de um navio grego onde é possível mergulhar, e atobás cercam as embarcações atrás de sardinhas. Eu não acreditaria se alguém me contasse que é possível e saudável mergulhar em águas portuárias... mas ninguém me contou. Por lá há tartarugas marinhas e raias. E na praia da Biboca, bem pertinho, vi meu primeiro tubarão. Inesquecível.
A Praia do Sancho – Eleita pela revista Quatro Rodas a mais bonita do Brasil, com muita justiça. De difícil acesso, é preciso vencer escadas fincadas em fendas do que se poderia chamar um penhasco para chegar a suas areias. Mas cada degrau vale a pena. Águas com visibilidade para mais de 15 metros, e lajes com mais vida e cores do que qualquer mergulhador tarado poderia sonhar em sua noite mais molhada.
Estrela do Mar – A melhor pousadinha mixuruca do país. Chalés com vista para o verde que circunda vale central sobre o qual foi construída a pista do que possivelmente é um dos aeroportos mais silenciosos do planeta. O chalé 4, o mais isolado de todos, dá direto para a cabeceira. Não há lugar melhor para se passar uma noite de lua cheia em toda ilha. Ou talvez eu esteja errado, já que em apenas cinco noites não foi possível experimentar todas as luas cheias que eu gostaria.
Arte e Sabor – Disparado, a melhor creperia do Brasil. Esqueça o que você pensa que sabe sobre Chez Michou e seus garçons eternamente mal-humorados, que parecem fazer um grande favor ao servir sua mesa. Com o bônus de que, Na Arte e Sabor, você pode sempre pedir um Morro do Francês e redefinir toda a sua lógica sobre o que vem a ser uma banana-split.
O Tartarugão – Não é o melhor restaurante das Américas. Dizer isso seria um certo exagero. Mas eu desafio qualquer um a encontrar azeite com ervas mais saboroso do que o servido por lá. E para quem aprecia detalhes em uma refeição, isso pode fazer uma grande diferença...
Praia da Conceição – Um pôr-do-sol que certamente está entre os mais bonitos que já vi. Aparente paradoxo, considerando que o tempo estava nublado. Mas ainda assim...
Finalmente, quando todas as alternativas da BR 363 estiverem esgotadas, você pode sempre entrar num barco e navegar até a...
Ponta da Sapata – No extremo oeste da ilha, bem no limite com o mar aberto do Atlântico, está entre os cinco melhores pontos de mergulho submarino do mundo. Mas sobre o que eu vi e senti nessa imensidão azul, já me faltam as palavras certas para (d)escrever...
Especialmente ao me lembrar que amanhã é segunda-feira. Fotos da viagem em breve.

7.4.06

Fechando o escritório

Feliz Páscoa à meia-dúzia de leitores. Recentemente reintegrado a suas atividades sub-aquáticas, este editor resolveu zerar o banco de horas extras e vai passar a próxima semana procurando golfinhos em Fernando de Noronha. Glub-glub pra quem fica.

5.4.06

Interferências indesejáveis

Acho que a lua-de-mel com o novo emprego vai chegando ao fim. Não que eu esteja insatisfeito - longe disso. O Império continua sendo um ótimo lugar para se trabalhar, e eu sempre fui fã do Darth Vader mesmo, então tudo bem. Mas nas últimas semanas vem crescendo a insatisfação com o grau de interferência sobre o meu texto. Me incomoda o fato de que, até que eu consiga mandar alguma informação para fora do Consulado, pelo menos três pessoas - duas delas não brasileiras - editam e opiniam sobre o conteúdo e a forma. Não que eu me julgue o Machado de Assis do jornalismo contemporâneo... Mas meu currículo é carimbado por duas das redações mais exigentes do país, e nunca houve um grau de gerência externa tão grande sobre o que produzo. Não estou acostumado. E, só para complicar, eu invariavelmente acabo com um produto final que, tenho certeza, é pior do que o original. Modéstia nunca foi meu forte, principalmente em pontos nos quais sei que atuo bem. Gosto da minha redação. Compreendo que alguns profissionais em faixas salariais bem maiores do que a minha têm e terão prerrogativas editoriais aonde quer que eu vá, mas gosto da minha redação. Ponto. Ainda bem que tenho este singelo cafofo virtual para exercer o sacro-santo direito à onipotência literária sem encheção de saco. Não chega a ser um latifúndio editorial, mas o pouco com Deus é muito, já dizia minha bisavó.
E a menos de uma semana de embarcar com a patroa para Noronha, lua-de-mel com o trabalho não é exatamente uma das minha maiores preocupações no momento.

30.3.06

A pergunta que não quer calar

A comunidade científica internacional está vivendo dias de tensão com a possibilidade de uma grave pandemia em escala global.... mas será que o vírus da gripe aviária também pode ser transmitido de pinto para periquita???

27.3.06

A vida começa a 10 metros

Mesmo com toda a chuva e vento do último domingo, fica absolutamente comprovada a máxima de adesivos e camisetas: the worst day diving is better than the best day at work.
E tenho dito.

24.3.06

A dança da vitória

...Resta saber a vitória de quê ou de quem. Esquecendo-se do fato de que sempre há alguém olhando, a deputada federal Ângela Guadagnin (PT-SP) comemorou com samba, dentro do plenário da Câmara, a absolvição do colega João Magno (PT-MG) do processo de cassação. Magno engrossa a massa da pizza. Ângela desrespeita, sorrindo e dançando, um espaço que deveria ser símbolo da seriedade com que pensamos e exercemos a democracia no país. Deveria. O texto é do jornalista Jorge Bastos Moreno:
- Mano véio, aqui você só não vai ver é boi voar! - foi o que ouvi no primeiro dia em que o cheguei ao Congresso, como repórter, em 1976, do então deputado paraibano Ernani Sátyro. Surdo, chamava todo mundo de “mano véio”. E eu vi muita coisa. Vi o Congresso ser fechado em 1977. Vi parlamentares arrancados da tribuna pelas cassações da ditadura. Entre eles, Alencar Furtado, aquele que disse que sua luta era para que não houvesse lares em prantos: “filhos órfãos de pais vivos, ou mortos, talvez, quem sabe; órfãos do talvez ou do quem sabe; viúvas de maridos mortos ou vivos, quem sabe, talvez; viúvas do quem sabe ou do talvez”. Vi Ulysses Guimarães dizer: “Tenho ódio à ditadura; ódio e nojo”. Vi Tancredo chorar por JK. Vi mães, viúvas e órfãos com cartazes de seus mortos e exilados clamarem por anistia. Vi o doido manso Teotônio Vilela se rebelar contra o regime. Vi a eleição de Tancredo, vi a Constituinte. Vi momentos de tristezas e alegrias. Nas tristezas, ouvia o Hino Nacional cantado com vozes enlutadas, sempre seguido nessas horas do coro “a luta continua”. A alegria ecoava em palmas e papel picado. Mas nesta madrugada vi uma cena que nunca vou esquecer: a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) dançando, sambando como passista do agouro ao ver que os votos apurados já davam pra salvar de cassação o deputado João Magno (PT-MG), um dos mensaleiros da Câmara. Nem os canhões, fuzis e metralhadoras que tentaram desmoralizar pela força o Congresso superariam o escárnio da deputada. Longe do “Necrológio dos desiludidos do amor”, onde as amadas dançavam “um samba bravo, violento, sobre as tumbas deles”, a dança da deputada é o mais imoral dos emblemas da degradação da política brasileira. Talvez a perplexidade foi que impediu o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, de exigir o devido respeito da deputada em pleno velório da Casa.
Estou ficando preocupado com o grau de cinismo político desde espaço virtual. Mas juro que não é culpa (exclusivamente) minha. É que o pessoal da capital, ultimamente, não anda colaborando muito...

20.3.06

Lave bem a sua

O STF interferiu nas prévias do PMDB. mas também, por esses dias, o Supremo intefere em tudo mesmo... Me espanta que o Jobim - escreva o que eu digo, ele sai candidato a governador este ano - ainda não tenha dado um palpite sobre a cor da minha cueca. Em uma nota mesquinha e pessoal, menos mal que tenha sido no PMDB. Juro que prefiro ver os netos de Ulysses alinhados ao Lula a correr o risco de sequer imaginar o que mais uma campanha Garotinho pode fazer ao Rio. Para não mencionar o risco de vê-lo crescer nas campanhas, por mais improvável que isso seja. Nesse sentido, caso eles se baguncem por lá e acabem sem candidato de tanto bater cabeça, nem vou chorar. Ando triste com a política. Pela primeira vez na vida não tenho na ponta da língua a resposta sobre quem vai levar meu voto para presidente. Do governo do estado, eu já desisti. Ver Carlos Lessa, o último economista de esquerda que ainda fazia algum sentido, alinhado ao Menininho me deixou cabisbaixo. E se o Crivella ganhar por aqui, juro que me mudo pra São Paulo.
E o sigilo bancário do caseiro, hein? Puro batom na cueca. Na da Polícia Federal, não na minha ou na do Jobim (...) Mas até sobre isso ele tinha opinião a dar. Ficou fulo porque não lhe perguntaram se podiam passar o batom. Ou beijar a cueca.
Os participantes do Big Brother 27 desenvolveram o curioso se não trágico hábito de não lavar as sungas... Mas sungas não são cuecas, então ninguém tem nada com isso.

26.2.06

O grande problema desses 4 dias...

... Diria o jovem filósofo contemporâneo, é que euforia em excesso leva à debilidade.

21.2.06

A crise dos 30

Tudo bem, tudo bem... Eu sei que talvez seja um pouco cedo para isso, mas é que, de uma hora para outra, não satisfeitos em se casarem, meus amigos resolveram procriar. Em menos de duas semanas dois exames deram positivo. Crianças que farei questão de mimar e estragar o quanto possível, mas o fato permanece de que eu agora tenho prazo regimental não prorrogável de 9 meses para me acostumar com a idéia de ser chamado de "tio Glauco". Se, neste momento, você é meu amigo(a) e pensa em comunicar advento de prole, por favor o faça de maneira delicadinha e sutil. Se não vou precisar de análise para superar o trauma de que meus contemporâneos mais próximos e queridos estão por aí constituindo família(s), enquanto eu sequer passei dos rascunhos dos planos de casamento.

8.2.06

Onde estava escrito?

Em algum lugar entre a minha criação católica, a convivência com judeus, a freqüência a centros espíritas e de umbanda, conversas com budistas e algumas passagens por círculos de magia, cheguei à conclusão muito pessoal de que Deus - na falta de uma palavra melhor - é um só, atendendo por vários nomes diferentes. Me espanta o ponto crítico a que chegou a intolerância quanto às charges publicadas em jornais europeus fazendo alusões – reconhecidamente infelizes – a Maomé. Queimar embaixadas? Matar pessoas? Quem ganha com isso? A última em Teerã é um concurso para a premiação do melhor cartoon sobre o Holocausto (...) Mas com isso a idéia é denegrir a Europa por ter parido Hitler? Ou fazer lembrar aos judeus que houve época em que foram tratados como raça (?!) inferior? Ou os dois?! O Fundamentalismo religioso – e me desculpem os fundamentalistas – tomou ares de pirraça infantil esta semana. Uma pirraça infantil alimentada a ferro, fogo, xenofobismo, niilismo e um monte de outros ismos que para mim não fazem muito sentido. E, ainda assim, tudo se resume na simplicidade de uma birra estúpida. Eu entendo bem que toda essa conversa de tolerância e diplomacia fica muito bonita no ocidente, mas não está no esquadro de certos estados teocráticos, o que é questão tão-somente cultural, e deve ser respeitada... mas qual dos profetas anunciou que um erro deve ser retribuído com outro erro? Faço a pergunta porque admito conhecer pouco do mundo islâmico... Que Alah seja um Deus punitivo, eu compreendo. Javé também o é, embora a doutrina explique que, paradoxalmente, Ele também é amor. E para não colocar duas ou mais religiões balança, o que não é, definitivamente, meu objetivo, alguém poderia simplesmente me explicar onde no Alcorão está dito que queimar embaixadas com pessoas dentro é melhor caminho do que simplesmente esvaziá-las, com toda a carga simbólica que isso carrega? Estamos de volta à Idade Média? Ou será que dela nunca saímos? Vou passar ao largo de toda a discussão sobre liberdade de imprensa, porque isso também é conversa de ocidental. Mas quantas vidas vale uma caricatura, afinal? Seguindo a Lex Talionis, deveríamos cortar as mãos dos dinamarqueses por trás de tudo isso? (...) Triste.

Enquanto isso em Gaza... o empresário Ahmed Abu Dayya está faturando alto com venda de bandeiras dimarquesas para combustão em praça pública. US$ 11 cada. Sujeito esperto.

E a boa nota da semana: finalmente nasceu Manú!! Parabéns, Dedéia! Tudo de ótimo para essa família linda!

1.2.06

brasilia@state.gov(.br)

Brasília continua uma graça. E nesses últimos dias pude ratificar minha tese de que é ótimo lugar para se exercer o jornalismo, não importa de lado da notícia se esteja. É também uma cidade com gosto de planejamento estratégico, da concepção à finalidade. Se os planos traçados para e por lá produziram, produzem ou produzirão bons resultados, isso é conversa a parte. A cada vez que passo pelo aeroporto Juscelino Kubitschek gosto mais da cidade. Aliás, um amigo que já morou por aquelas bandas defende a teoria de que tudo seria perfeito, se não pelo fato de que, por lá, um sujeito é capaz de dirigir por horas, sem jamais chegar à Ipanema. Há quem diga que, eventualmente, é possível se chegar a Goiânia, o que não pode exatamente ser considerado uma vantagem. Fato: gosto de lá. Não fossem os migrantes pendulares - esses espécimes tão curiosos, que habitam a região de vez em quando durante a semana - a cidade seria de fato linda. Mas vá lá... eu concedo que, não fossem eles, provavelmente não seria um lugar tão interessante.

23.1.06

A New Year, a New Job

Muito frio na barriga. Muita ansiedade. Uma noite mal dormida e a sensação de que, mesmo acordando antes do necessário, eu estava atrasado. Tudo com aquele gostinho de recomeço, de início de jornada, de novos desafios, e toda aquela conversa que o pessoal de Recursos Humanos adora, mas que no fundo não deixa de ser verdade. Nesta segunda-feira fiz meu ingresso oficial no time dos assessores de imprensa, um lado da profissão jornalística que, no início da carreira, eu não pensava que pudesse me atrair, mas que de repente me parece repleta de méritos e decisões estratégicas a serem feitas. E não fosse por esse lado intrigante recém-descoberto, agora eu tenho meu próprio escritório, o que é muito-chique-demais. Vou ficar ainda mais insuportável.

20.1.06

Sobre Amizade e aparelhos de ar-condicionado

Sempre fui daqueles a pensar que a real amizade se mede não só pelos bons momentos, mas também pela ciência e consciência de se poder contar com as pessoas nos momentos de aflição ou necessidade. Posto esse cliché a parte, esses dias fui convidado para uma pizza com champagne na residência de um casal realmente amigo. A pizza estava ótima, e o motivo do champagne eu não vou contar. O fato é que o amigo, a certo momento, demonstrou estar frustrado com um aparelho de ar-condicionado, comprado há semanas, que ainda repousava, não instalado, na área de serviço, enquanto um grande vão decorava a parede do quarto. Tá que eu não sou técnico, mas para quem já desentortou porta de carro com o joelho dentro de uma concessionária autorizada - mas isso é uma outra história - imaginei que não poderia haver tanta dificuldade em encaixar o artefato A no buraco B. O lado bom e divertido dessas coisas é que, na falta da magia adequada para executar a tarefa de forma rápida e simples, a gente pode rir enquanto quebra a cabeça na tentativa de fazer as coisas. Basta dizer que pairava sobre nós a certeza de que um pouco de KY poderia ajudar na acomodação do aparelho. O nobre anfitrião, cujo nome não citarei sob pena de revelar seu deslize de imprudência e falta de precaução, estava sem o precioso produto, e tivemos que apelar para um creme cosmético que estava por perto. Não o Victoria's Secret - o que poderia gerar uma grave crise conjugal - mas um Nivea que deu mole sobre a pia do banheiro. Infelizmente, toda a criatividade foi inútil, e acabamos por ter que desmontar a bandeja externa para conseguir mais espaço. E se você não sabe o que é a bandeja externa de um ar-condicionado, feliz de você - mas eu também não vou explicar. Se você não sabe o que é KY, o problema é muito seu (...) Resumindo uma longa história, foi serviço demorado e cansativo, mas compensatório na medida em que eu tinha a certeza de estar fazendo algo de bom pelo casal amigo, que poderia então dormir em temperatura condizente com a existência humana neste Saárico verão carioca. Ledo engano. Dia seguinte, toca o telefone. É o amigo. Me informa que a corrente elétrica de seu apartamento é 220, e a do aparelho, 110. Triste... muito triste.
Moral da história 1: da próxima vez, vamos ler o maldito manual.
Moral da história 2: Eu ODEIO as Casas Bahia.

18.1.06

...Zero

Página virada. Estou feliz e triste, fora da Central Brasileira de Notícias.

15.1.06

14.1.06

The Final Countdown

Me despeço dos microfones do estúdio.
...2

13.1.06

The Final Countdown

La Bundchen has come and gone.
...3

11.1.06

Mas do mesmo do mundinho Fashion

Esta semana estou me dedicando à cobertura do Fashion Rio, um grande evento de moda com realização semestral no Museu de Arte Moderna, um dos espaços mais bonitos da cidade, na minha humilde opinião. É a oitava edição, todas elas com a minha participação na cobertura. E se alguém disser que eu sou um "repórter fashion", prometo me esforçar para rir do gracejo, que já escuto há bons quatro anos. Os coleguinhas jornalistas são os mesmos, os fotógrafos são os mesmos, as modeletes são as mesmas. O que é até positivo, porque você já sabe aonde ir e com quem falar para conseguir o que quer. O que me deixou intrigado dessa vez foi todo o afã em torno da presença de Raica. Eu já cansei de ver a moça em passarelas. É bonita, tem carreira internacional, coisa e tal... e ponto. Mas como virou namorada do Ronaldinho, desta vez vai dar até entrevista coletiva. Aliás, em 2005 foi a mesma coisa com a Cicarelli. Eu não sei não... Tudo isso é muito bom para a grife, que contrata a moça para o casting e leva de graça toda a movimentação de mídia em torno da possível presença do rapaz no desfile. É bom para os organizadores do evento, por causa de todo o frisson. É ótimo para as revistas de celebridades - contra as quais não tenho preconceito e, admito, sou até leitor ocasional. Mas eu me pergunto... Será bom para a dita? Se eu fosse uma dessas meninas, com uma carreira já encaminhada, espaços abertos internacionalmente e alto faturamento, acho que não iria querer dar um salto meramente quantitativo na exposição de imagem como "namorada do Ronaldinho". Tudo bem, tudo bem, a projeção é inevitável, mas vejam: Raica vai receber vários jornalistas para uma conversa - coisa que não acontecia nas edições anteriores do Fashion Rio, para falar sob e sobre esse título e condição: Namorada do Ronaldinho. Nas internas do mundo fashion, ela já era queridinha... e agora - talvez sem perceber - está aos poucos deixando de ser ela para se tonar um apêndice publicitário do outro. Será que vale? Achei péssima jogada de marketing pessoal. Sem contar que namorar quietinho é mais gostoso.

6.1.06

Vapor Barato

Eu tinha a idéia de postar um texto sobre choques sociais, com base numa situação pela qual passei em um ônibus nos últimos dias. Mas hoje não vai dar. Fica para a próxima. O início de 2006 foi acridoce. Com balança claramente positiva, mas acridoce. Conversas difíceis mas compensatórias, definição final de certas mudanças de rumo. Hoje, só uma letra viva de Jards Macalé e Wally Salomão:
Sim, eu estou tão cansado, (...)
Com minhas calças vermelhas, meu casaco de general cheio de anéis
Eu vou descendo por todas as ruas
Eu vou tomar aquele velho navio
Eu vou tomar aquele velho navio, aquele velho navio.
Eu não preciso de muito dinheiro,
- Graças a Deus.
E não importa, ....e não importa, não.
Sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer
Que eu estou indo embora.
Talvez eu volte. Um dia eu volto, quem sabe?
Mas eu preciso, eu preciso esquecê-la...
Ah, minha grande; ah, minha pequena...
Ah, minha imensa obsessão!
...Minha honey baby.

31.12.05

Resoluções para o ano que chega

Investir mais tempo em mim.
Investir mais dinheiro em mim.
Investir mais dinheiro no banco.
Voltar a jogar basquete pelo menos uma vez por semana.
Voltar a mergulhar. Desta vez é sério.
Pular de pára-quedas. Mas só se eu tiver coragem.
Pular sem pára-quedas em todos os projetos que me pareçam válidos e pertinentes.
Abraçar e beijar meus amigos e amigas. Mais e melhor.
Sem pretensões e motivações religiosas, perdoar.
Exercer um pouco mais de tolerância.
- Ou não.
...Tudo bem, tudo bem: risca a tolerância. Quero continuar sarcástico e debochado. Eu gosto assim.
Conciliar minhas duas vocações, ainda que muita gente insista em me chamar de louco.
- Aliás, quero continuar louco, sob todo e qualquer aspecto.
Em 2006, espero continuar sorrindo.
Muito.
E quero também escrever uma mensagem de fim de ano mais original e menos piegas do que esta.
Que os Deuses Antigos me concedam autencidade para ser eu mesmo, só que melhor.
Felizes 365 dias para todos.

26.12.05

Brotas, SP

Pain Lies on the Riverside - Live
I have never taken Life
Yet I have often paid the price
And you, you are a victim of this age
And the guilt that hangs around your neck
Has got me locked up in a cage
You've got to learn to live until no end
But first you must learn to swim all over again,
Because
Pain lies on the riverside
And pain will never say goodbye
Pain lies on the riverside
So put you feet in the water
Put your head in the water
Put your soul in the water
And join me for a swim tonight
I have forever, always tried
To stay clean and constantly baptized
I am aware that your river's banks, they are dry
And to wait for a flood Is to wait for life
I've got to learn to live until no end

But first I must learn to swim all over again,
Because
Pain lies on the riverside
And pain will never say goodbye
Pain Lies on the riverside
So put you feet in the water
Put your head in the water
Put your soul in the water

And join me for a swim tonight.

19.12.05

Do inferno ao Céu e Feliz Natal

O inferno: correria de shopping quase às vésperas do Natal. Para não mencionar a grana do táxi, porque não havia condição ou possibilidade humana de carregar aqueles embrulhos todos de ônibus. E eu não vou nem falar sobre o meu saldo bancário depois desta viagem aos quintos. Sobre este assunto, só me manifesto em juízo, e mesmo assim somente em 2006. Se possível for, após o Carnaval.
O Céu: uma semana de folga em outro código de área, longe de tudo, com rafting, rapel e arvorismo no cardápio. E o melhor: na feliz companhia dela.
O Feliz Natal: por motivo de viagem do editor, Letras Mortas entra em recesso natalino. A meia-dúzia de leitores que ainda passam por aqui, desejamos tudo de melhor que o festejo Cristão possa oferecer em termos comerciais; porque convenhamos: à parte do bacalhau e do vinho - e quem sabe a possibilidade de colocar o papo em dia com aquela prima que você não vê há um tempão - o que todo mundo quer mesmo é ganhar um carro do ano. E se você ainda acredita em Papai-Noel... por favor nos envie a fórmula do que quer esteja tomando.

12.12.05

Pode preparar o funéreo...

Como é?! Nelson Tanure assumiu o controle acionário da Varig?! Agora sim a coisa vai... pro buraco. Alguém aí tem sugestões para o epitáfio?

8.12.05

La petite mort

Estou reeditando. Mas é uma das minhas prediletas.
Abriu a porta da varanda de forma lenta e deliberada. O vento lambeu seu rosto e braços, arrepiando pêlos e trazendo-lhe a lembrança dos passeios de bicicleta pelas ladeiras da infância. Não estava frio, apenas confortável. Ele sabia que tinha uma reunião importante pela manhã, mas entendeu que, se havia despertado com o uivo fraco mas insistente à janela, poderia muito bem aproveitar o céu de estrelas e lua nova. Coçou gentilmente a barba por fazer, a fricção aquecendo-lhe levemente as mãos, e foi até a geladeira sem acender as luzes no caminho. Apanhou uma garrafa de vinho tinto, buscou o romance que repousava na cabeceira da cama, e voltou ao amplo balcão externo, onde o vento que o acordara havia se transfomado em suave brisa. Acomodou-se em uma espreguiçadeira para ouvir a maresia e cheirar a chuva que já não caía, mas deixara uma fina camada de umidade sobre as plantas. Serviu-se uma taça, o gorgolejar do vinho ao deixar a garrafa saciando-lhe os ouvidos em uma madrugada atipicamente silenciosa, e perfeitamente sua. Abriu o livro. Estava mais ou menos no meio do segundo parágrafo quando uma pomba imaculadamente branca pousou no alambrado, e arrulhou um alô que só ele, entre todos os seres humanos, poderia entender. Como uma criança, devolveu o ruído. O bicho lhe sorriu e alçou vôo. Retornou ao livro, e nele permaneceu até pesarem os olhos. Estava recolhendo taça e garrafa, pronto para voltar para a cama, quando percebeu uma luz se acendendo no prédio em frente. Do outro lado da rua, uma mulher esguia, quase impossivelmente longilínea, chegava também à varanda. Usava uma camisola de seda preta que dispersava uma luminiscência tremulante ao sabor do vento - o mesmo vento que à primeira lufada delineou de forma gradual mas firme os jovens mamilos, em seios que ele não conseguiu decidir se eram pequenos ou fartos. A visão paralisou-o por alguns instantes pela pura beleza, e por não mais de um momento teve a ceteza de que, apesar da distância, os olhos dela - palidamente azuis em baixo contraste com a alva compleição da face - cruzaram com os seus. O encontro não foi instintivo, tampouco espiritual. Residiu no inefável, no indefinível. Sob o manto negro respingado de luz daquela noite sem lua, dançaram uma paradoxal sinfonia de nota única, eterna em sua brevidade. Ele apenas sorriu e voltou para o quarto. Ela abriu uma garrafa de vinho.

5.12.05

Domingão

Não há nada que uma boa tarde de patinação não cure...

29.11.05

Eu, ator

Então é isso. Esta noite me tornei um ator... profissional?! Mas será que foi hoje mesmo? Engraçado... já me senti mais "ator profissional" antes, em outros trabalhos, com os quais me identifiquei mais, me dediquei mais, e ao fim do processo, até me diverti mais. Mas a escola diz que agora sou um ator profissional. Antes de descerem as cortinas, os aplausos do teatro lotado me disseram tão-somente "Parabéns. Você se desafiou a fazer isso, e conseguiu. Mais uma etapa vencida". O que não deixa de ser bom, by all means. Você se aquela reta final de faculdade em que tudo o que a gente quer é entregar a monografia e cortar o cordão umbilical, mas quanto mais esforço, mais longe parece o objetivo? Pois é. Ao menos, pelo que consta, objetivo alcançado. Agora basta esperar o diploma e tirar o registro.
Confesso, entretanto, que esta última montagem não me agradou. Mas talvez, justamente por isso, possa ser considerada a última real lição da escola de teatro, uma que eu tive que viver na prática para aprender. Mais de uma vez ouvi de professores que a satisfação com o palco vinha muito das escolhas que se faz na vida, o que significa dizer que, se você não é um ator-desempregado-louco-atrás-de-qualquer-papel, aceite apenas trabalhar com textos nos quais você realmente acredita, pelos quais se sinta instigado. Talvez, ao saber da viagem a Washington e do atropelo que isso traria a todo o processo, adiar minha formatura tivesse sido uma melhor escolha. Mas eu, geminiano, fiquei morrendo de medo de não voltar (...) Bah!! - Isso já não vem ao caso... Fica a felicidade aliviada de saber que não sou um ator-desempregado-louco-atrás-de-qualquer-papel - Graças! - e a então promessa pessoal de que, daqui por diante, se novos papéis surgirem, procurarei fazer apenas boas escolhas. A salutar necessidade de boas escolhas... taí: essa foi a última grande lição do curso de teatro que, oficialmente, completei hoje. Há, na escola, uma brincadeira-séria que diz "A Casa das Artes de Laranjeiras orgulhosamente apresenta mais uma turma de atores sem emprego". Apesar de todos os atropelos e algumas desavenças, espero que dessa trupe - que até hoje não sei exatamente se posso chamar de minha - não saia nenhum desses. Quanto a mim, agradeço apenas por ter experimentado o palco, um prazer indescritível nos momentos em que eu realmente estive lá de corpo e alma. Sem falsa modéstia, acredito ter me tornado um belo ator. E até que a Bárbara Heliodora se digne a fazer uma crítica negativa de qualquer trabalho meu, ninguém vai me convencer do contrário. Isto posto, aplausos para mim.
E... alguém aí conhece um grupo ou companhia que trabalhe seriamente, ensaiando em horários beeeeemmmm flexíveis?

26.11.05

O Resumo da Ópera

A vantagem de ter uma namorada com a mesma idade mental que a minha é que ela me leva para ver Harry Potter no fim de semana da estréia (...) É isso.

23.11.05

Sem direito a uma Kaiser antes

Minha vovó dizia - será que era ela mesmo? Bem, não importa. Alguém dizia, e a coisa ficou gravada no meu subconsciente idio-coletivo (sim, essa eu acabei de inventar. Legal, né? Eu adorei!) - que a oportunidade é uma mulher louca e careca, com apenas uma franja à guisa de cabelo. Então, se você não a agarra de frente quando ela passa por perto, pode começar a rezar para que ela, dentro de seu caótico e errático ciclo , resolva passar novamente por você; o que pode ou não acontecer.
Pois bem...
Uma oportunidade bem grande, vamos chamar assim... uma senhora oportunidade, acaba de me pegar pelos ombros e sacudir bem forte. Bateu na minha cara como quem diz "acorda!!", e de tanto esforço desalinhou a franja. Está agora me olhando com belíssimos olhos verdes, indagando-me em silêncio que atitude vou tomar agora.
Xeque. Minha vez.
Hoje me sinto muito bem, mas só com um pouquinho de medo.

17.11.05

...Estarei ficando velho?

Antes de mais nada, que fique claro: sou um patriota. Posso não adotar posições políticas radicais, até por uma óbvia restrição de ética profissional, mas gosto de pensar o país, e sou apreciador de seus símbolos, a começar pelo Hino Nacional, que reputo ser uma belíssima obra de poesia. Pois nesta quinta-feira passei por uma situação curiosa: cobrindo um ato de apoio a José Dirceu no Rio de Janeiro, fiquei surpreendentemente contrariado e, por que não dizer, enraivecido, ao ouvir centenas de petistas encerrarem a cerimônia cantando em coro à Pátria Mãe Gentil. Pareceu-me a a apropriação indébita de um símbolo maior, do país, com o propósito específico de render homenagem a um personagem que - a parte de toda a trajetória política de luta democrática - parece mesmo ter participado dos bastidores de um dos mais lamentáveis episódios da história recente do Brasil. Sem dúvida, para toda aquela turma, deve ter sido apenas natural cantar o Hino Nacional para marcar uma posição política que muitos devem genuinamente - sem trocadilho, por favor - acreditar ser a melhor para o futuro da nação. A questão é: poderiam eles fazê-lo à revelia de quem, presente ali ou não, falha em ver o PT como uma boa alternativa? Por que não cantaram o hino do partido? Não foi a primeira e certamente não será a última vez que ouvirei, a trabalho, a inspirada obra de Joaquim Osório Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva. Mas desta vez, de pronto, e até mesmo para minha surpresa, confesso, não me vieram gratas lembranças cívicas - revoltei-me. Não cantei. Saí às pressas do auditório. Será que fui por demais purista na interpretação do que possa significar tão-somente uma música como catalisadora de vontades comuns, ou alguém entre a minha meia dúzia de leitores enxerga sombra de sentido ou razão em minha quase-cólera? Por certo, o Hino é de todos nós brasileiros, e eles tinham o direito de cantá-lo. Mas eu fiquei muito triste em pensar que não o estavam entoando por um bom motivo... Meu Deus, será que estou virando um reacionário rabugento?

14.11.05

No pain, no gain

Depois de um mês de férias, volto à academia, com toda aquela falta de força e ritmo tão característica dos sedentários. Me sinto meio estranho. Subo à balança e lá vem a primeira má notícia: quatro quilos a mais, que certamente não são de massa magra. Triste. Procuro a professora para fazer uma nova série. Tenho idéias para os próximos meses, e um planejamento para organizar a malhação. E o que ela me diz? "Não sei se podemos aplicar esta série. Isso que você quer fazer é coisa de marombeiro"
COMO ASSIM, EU NÃO SOU MAROMBEIRO?!?!?!?!?!?!
Todas as luzes vermelhas se acenderam, todos os alarmes soaram no último volume. Está tendo início a Operação Verão 2006. Me aguardem.

Em verdade vos digo

Diz o jovem filósofo e conselheiro sentimental: acreditem, crianças, um bom diálogo é sempre a melhor solução.

7.11.05

Puxando a cordinha

Para tomar emprestadas as linhas de alguém que entendia muito mais do que eu sobre as angústias cotidianas do ser humano:
Tenho andado distraído, impaciente e indeciso.
Perguntas demais, projetos demais, respostas de menos. Onde será que eu vou estar amanhã?
Eu sei que ninguém vai poder responder, mas eu quis perguntar assim mesmo, só pra ver se o Cosmos oferece algum tipo de manifestação clara e final... Até o momento, de frente para mais uma tela da redação, não veio resposta nenhuma. Nem telefone tocou.

1.11.05

O trágico pelo cômico

Eu sei, eu sei... Isso aqui anda às traças. Um, porque ando meio sem inspiração, e dois porque foi completamente absorvido por joguinhos demoníacos de PC. Até minha namorada virou uma fominha de computador. Tanto, talvez mais do que eu.
Mas atentem para essa saga da terceira idade, e me digam: não fosse a tragicidade da coisa... não seria cômico?
Assaltantes que estavam planejando um roubo de carga levaram uma ambulância em um dos acessos à Ilha do Fundão, na zona norte do Rio, nesta segunda-feira, e com o veículo um idoso surdo e sua acompanhante. A ambulância vinha do município de Paty de Alferes, na região Centro Sul do estado, trazendo treze pacientes para tratamento em diversos hospitais da capital. Quando o motorista chegava ao Hospital Universitário da UFRJ, bandidos armados fecharam a pista e anunciaram o assalto. A paciente Clea Cardoso, de 63 anos, usuária de uma bengala, teve dificuldade para descer, e quase foi levada também pelos criminosos. Além da ambulância da prefeitura de Paty do Alferes, os bandidos levaram um carro. O administrador de empresas Júlio Cesar Leal estava conduzindo o filho para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, quando foi abordado. Ele conta que os criminosos estavam nervosos com a demora dos pacientes em deixar a ambulância à frente. O carro de Júlio Cesar e a ambulância de Paty do Alferes foram localizados ainda pela manhã perto de um dos acessos à favela Vila Joanisa, na Ilha do Governador. A unidade médica teve todos os bancos removidos para acomodar algum tipo de carga, provavelmente cigarros, segundo a polícia. Os bandidos abandoram os veículos durante uma troca de tiros, num local onde estava sendo descarregada uma remessa de maços. O idoso surdo e sua acompanhante foram liberados pelos criminosos logo depois do roubo da ambulância, mas não procuraram ajuda policial. Segundo o subsecretário de planejamento e integração operacional da Secretaria de Segurança Pública, Paulo Souto, as vítimas voltaram por conta própria a Paty do Alferes. O delegado não descartou a possibilidade de convocar o idoso e sua acompanhante a prestarem depoimento na Ilha do Governador, onde o caso foi resgistrado e o planejamento do roubo de carga está sendo investigado.

12.10.05

Pega no meu Athlon

Meu computador novo chegou. Eu sou uma criança feliz. Muito feliz. Obrigado ao sogrão pela consultoria e intermediação do negócio.

8.10.05

Georgia on my mind

Complicou para postar de Atlanta. A todos os amigos que estavam acompanhando minhas aventuras gringas por aqui, peco deculpas, e convoco a todos para uma mesa de bar em data a ser combinada em breve. Soh hoje, jah de saida, consegui tempo numa biblioteca publica para checar e-mails e passar pelo blog. Acabaram-se as reunioes, acabaram-se os dolares, a saudade eh muita, estou voltando para casa. Muita coisa ficou por ser vista - principalmente em Washington: museus, monumentos, coisas assim. No mais, a viagem foi super proveitosa. Vou daqui direto para o aeroporto, e domingo de manha volto a escrever diarios da Cidade Maravilhosa - o melhor lugar do mundo, nao importa aonde voce possa estar... See ya!

3.10.05

Diarios de Washington 2

Estejam avisados de que voltarei para o Brasil ainda mais insuportavel do que eu era quando sai. Depois de ser recebido pessoalmente pelo Secretario Geral da Organizacao dos Estados Americanos em seu escritorio, e de trocar cartoes de visita - para nao mencionar ideias - com o Vice-presidente da Camara Americana de Comercio, estou me sentindo um jornalista muito importante. Nao vou sequer mencionar que estou passeando de um lado para outro em um micro-onibus que tem todos os luxos de uma limosine... Gente, nem eu estou me aturando mais, e hoje foi soh o primeiro dia de trabalho. A unica lastima eh que, por aqui, nem mesmo um profissional tao inquestionavelmente importante quanto eu consegue um maldito teclado ABNT para postar. Eh o preco que se paga por ser um reporter de nivel internacional...

2.10.05

Diarios de Washington

Embarcar em um voo internacional no Tom Jobim eh experiencia absolutamente distinta do inicio de uma viagem domestica. A comecar pelo check in. As pessoas na fila exalam aquele ar de auto-confianca e indeferenca que, aparentemente, so mesmo as bolsas Vitton e os ternos Armani podem dar. Entao, la estava eu, entre casais despachando pranchas de surfe e velhinhos pesando tacos de golfe, sem mencionar a mulher de saia rosa combinando com a mochila da Barbie. Eu acho que soh consegui me misturar porque, depois de anos trabalhando com afinco nas aulas de interpretacao, consegui executar com perfeicao minha expressao 49: aquela que denota indiferenca com leves tracos de cansaco, tendo como sub-texto "ai-meu-deus-lah-vou-eu-de-novo-para-fora-do-pais-mas-como-sao-chatas-essas-formalidades-de-embarque-e-nao-me-importa-quanto-voce-tem-na-conta-porque-eu-tenho-mais". Estavam por lah dois distintos cavalheiros com bigode igual ao do Saddam Hussein: meu lado Jason Bourne logo os identificou como possiveis sequestradores. Estavam me olhando atentamente - na certa perceberam que eu era um agente federal a paisana. Mas acho que, quando descemos em Sao Paulo, eles foram tentar a sorte em outro aviao, com muito medo de mim. Como nem tudo sao rosas, a Varig despachou minhas malas erradamente, o que me levou a uma grande correria em Guarulhos, mas finalmente consegui embarcar para Atlanta. Ponto pacifico: comida de bordo eh horrivel, nao importa se voce estah num voo de longa distancia. E para nao dizer que soh nos brasileiros somos desorganizados, houve problemas tambem com a reserva do hotel na chegada em Washington. Mas, no fim de tudo, consegui me instalar. A cidade eh uma graca. Ontem mesmo fui passear de metro ate o shopping mais proximo. Havia atrasos nos trens, e eu nao achei o que queria comprar, mas como por aqui tudo eh novidade, tudo bem. O milk-shake de chocolate Hersheys eh um absurdo de bom - disso eu certamente sentirei falta. Mas sabem o que mais me chocou? - Reparar, hoje pela manha, que eles servem bananas verdes no cafeh... Eca. E nao reclamem da falta de acentos e cedilhas. Estou postando em teclado adverso, num grande esforco de reportagem.

28.9.05

A não-morte anunciada de Terry

É isso, gente. Depois de quase uma década de serviços prestados, Terry Schiavo será substituída. Ela vai dar lugar a um Pentium 4 com capacidade de processamento dez (!!!) vezes maior que a sua, com direito a internet banda larga e Windows XP. Mas se engana quem pensa que meu bom e velho 333 sucumbirá em esquecimento e ignonímia. Minha ilustríssima genitora, que inicia seus passos pelas sendas da informática, pediu a Terry de herança. E pedido de mãe não se nega. A decisão final pela substituição de tão nobre e literal panela velha veio do fato de que, indo a Washington - aliás, estou embarcando na sexta! Boa viagem para mim! - resolvi comprar uma câmera digital. Mas para brincar com tal aparato, vou precisar de uma máquina decente...
Tá bom, tá bom... Eu confesso: não joguei Neverwinter, Freelancer, nem Knights of the Old Republic. E podem estar certos de que em outubro eu vou à forra em grande estilo! Quanto a Terry, ela ainda tem um longo futuro pela frente, sob nova tutela. Indignada e traída, a virtual highlander mandou dizer que vai nos enterrar a todos!

21.9.05

Enquanto isso, em algum consultório...

O relato que segue - verídico, por mais incrível que possa parecer - vem de uma amiga de faculdade da minha namorada. Jornalista recém-formada, é figura das mais simpáticas e engraçadas. A identidade da moça não será divulgada para proteger sua privacidade, e porque eu, abusado, simplesmente não pedi permissão para reproduzir o texto. Mas a desculpa... ops! O motivo oficial é a necessidade de manutenção do sigilo na relação médico-paciente. Muito embora vocês possam perceber, pelas próximas linhas, que todo o mais nesta relação - incluindo a mais pálida noção de civilidade - foi mandado para o quinto dos infernos por um tresloucado doutor:
Não, não estou repassando nenhuma mensagem enviada por amigos via e-mail.
Ouvi hoje, às 7h30 da manhã, do meu oftalmologista enquanto estava sentada numa daquelas milhares de maquininhas em que temos que encaixar a testa e o queixo, e ficamos olhando nossos próprios olhos no reflexo de algo que não sei o que é.
Médico: Tá precisando fazer as sobrancelhas, né?
Eu: ...
Médico: Olha só, cresce mais de um lado do que de outro...
Eu: ...
Médico: Você depila com cera ou pinça? Minha esposa diz que com cera dura mais.
Eu: ...
Médico: É muito comum termos essa falta de proporção no crescimento dos pêlos no corpo, sobrancelhas, pelo dos braços e pernas, e até mesmo dos genitais.
Eu: !!!!!
Médico: Quando eu era jovem, conheci uma menina que parecia uma rabino de um lado e um skinhead do outro, era curioso.
Eu: ...!!!...!!!...!!!...!!!...!!!...!!!

Enfim. O que pensar de um dia que começa assim? Vc se prepara pra tudo, né? Qq coisa pode acontecer! Depois eu falo, neguinho acha que eu tô de sacanagem... Vou andar com um gravador na bolsa.

Pqp.

14.9.05

Packing my bags

Bem que a vovó já falava: cuidado com o que você quer, porque seu desejo pode se realizar. Pois é. Eu sempre quis fazer jornalismo viajando. Investi na profissão por acreditar que com ela não cairia em rotinas de escritório (...) Nos últimos meses, as viagens estão abundando. Nas últimas novas, nem eu acreditei. A ficha só caiu hoje, depois de um almoço com a Adida de Imprensa do Consulado dos Estados Unidos no Rio. Estou indo para Washington. Dois dias na capital americana, e dois dias em Atlanta, acompanhando um programa governamental de incentivo a pequenas empresas. Mamãe ficou super orgulhosa.

6.9.05

La Petit Mort

Abriu porta da varanda de forma lenta e deliberada. O vento lambeu seu rosto e braços, arrepiando pêlos e trazendo-lhe a lembrança dos passeios de bicicleta pelas ladeiras da infância. Não estava frio, apenas confortável. Ele sabia que tinha uma reunião importante pela manhã, mas entendeu que, se havia despertado com o uivo fraco mas insistente à janela, poderia muito bem aproveitar o céu de estrelas e lua nova. Coçou gentilmente a barba por fazer, a fricção aquecendo-lhe levemente as mãos, e foi até a geladeira sem acender as luzes no caminho. Apanhou uma garrafa de vinho tinto, buscou o romance que repousava na cabeceira da cama, e voltou ao amplo balcão externo, onde o vento que o acordara havia se transfomado em suave brisa. Acomodou-se em uma espreguiçadeira para ouvir a maresia e cheirar a chuva que já não caía, mas deixara uma fina camada de umidade sobre as plantas. Serviu-se uma taça, o gorgolejar do vinho ao deixar a garrafa saciando-lhe os ouvidos em uma madrugada atipicamente silenciosa, e perfeitamente sua. Abriu o livro. Estava mais ou menos no meio do segundo parágrafo quando uma pomba imaculadamente branca pousou no alambrado, e arrulhou um alô que só ele, entre todos os seres humanos, poderia entender. Como uma criança, devolveu o ruído. O bicho lhe sorriu e alçou vôo. Retornou ao livro, e nele permaneceu até pesarem os olhos. Estava recolhendo taça e garrafa, pronto para voltar para a cama, quando percebeu uma luz se acendendo no prédio em frente. Do outro lado da rua, uma mulher esguia, quase impossivelmente longilínea, chegava também à varanda. Usava uma camisola de seda preta que dispersava uma luminiscência tremulante ao sabor do vento - o mesmo vento que à primeira lufada delineou de forma gradual mas firme os jovens mamilos, em seios que ele não conseguiu decidir se eram pequenos ou fartos. A visão paralisou-o por alguns instantes pela pura beleza, e por não mais de um momento teve a ceteza de que, apesar da distância, os olhos dela - palidamente azuis em baixo contraste com a alva compleição da face - cruzaram com os seus. O encontro não foi instintivo, tampouco espiritual. Residiu no inefável, no indefinível. Sob o manto negro respingado de luz daquela noite sem lua, dançaram uma paradoxal sinfonia de nota única, eterna em sua brevidade. Ele apenas sorriu e voltou para o quarto. Ela abriu uma garrafa de vinho.

3.9.05

Aonde eu vim parar

Pode parecer um baita programa de índio, e sob muitos aspectos, de fato é. Mas o que eu pensei que fosse a furada do século, está se mostrando uma viagem até que interessante. Estou postando de Angicos, semi-árido do Rio Grande do Norte. Mais uma sessão do banho de povo que o Lula está tomando para tentar - a meu ver da pior forma - descolar-se da crise. "Mas como ele foi parar em Angicos?!" - vocês vão perguntar... Bem, avião até Natal, e carro alugado em direção ao interior do estado. Deu para observar, em primeira mão, a mudança de clima e vegetação que eu só tinha estudado no colégio, e não veria sob outras circunstâncias, porque não me parece, exatamente, uma opção turística. É sim, sob muitos aspectos, uma paisagem desoladora, mas me levou a repensar um bocado de coisas. Nós, das áreas nobres das metrópoles, temos mania de reclamar de tudo. Aqui a gente vê uma outra face da nação. E olha que eu nem cheguei no sertão. O povo, humilde, abre sorriso só em saber que você é de fora. Querem saber de tudo, perguntam um monte de coisas. Abastecer o carro foi uma experiência. Quando disse para o frentista emitir nota em nome da Rádio Globo, foi uma sensação. Mesmo os colegas olham diferente. E eles são jornalistas, tanto quanto (...) Seria mais cômodo estar apresentando o programa do estúdio, mas dessa vez estou curtindo a cobertura. Talvez pelo tom de aventura - pegar a estrada com o mapa na mão e ter a chance de observar um monte de coisas. Tá que eu quase atropelei um jegue, mas isso é outra história. Agora, a cerejinha: Lula cancelou seus compromissos em Natal. Se tudo der certo, ainda vou passear nas dunas hoje à tarde. Que triste, não?

25.8.05

Genial

Recebi por e-mail de uma amiga. O crédito, supostamente, é de uma aluna de Letras da Federal de Pernambuco. De qualquer forma, é um daqueles textos a cujo final se chega com uma ponta de saudável inveja: "cara, eu queria ter escrito isso!"
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino singular. Era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar em que ninguém mais pudesse ver e ouvir.
Sem perder a oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a se movimentar: só que em vez de descer, subiu e parou justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Estavam conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo - todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram numa pontuação tão minúscula que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula... Ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras: estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais (...) ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta foi aberta repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos aos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e demandou seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que deixar que uma metáfora corresse por todo o edifício.
O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal... Que loucura, minha gente!! Aquilo não era nem comparativo: eraum superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo oral, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, e pensando em seu incólume infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

23.8.05

De volta à República dos Nerds

Para quem é do Playstation 2 ou do PC: depois de tempos resistindo à idéia de embarcar em um game que certamente iria (vai) me consumir meses, caí na tentação de alugar Grand Theft Auto - San Andreas. Recomendo muitíssimo. Todo o prazer mórbido de se fazer um strike de pedestres à beira da praia e fugir em alta velocidade da polícia ao alcance das mãos. Para não mencionar a delícia de incendiar a casa de um gangsta rival com vários molotovs, só para salvar a namorada dele no meio da confusão e roubar a garota. E imaginem só as risadas quando, ao ser deixada em casa, a personagem se apresenta como... Denise!
Tá, tá, eu sei que é geek. Mas eu nunca neguei que sou um nerd de coração.

16.8.05

Mais do mesmo

Tá, tá... Eu sei que há séculos o assunto predominante por aqui é a crise política. Acho até que devo ter perdido uns três leitores, o correspondente a quase 99,78% dos passantes, segundo dados da mais recente pesquisa Vox populli de inclusão e aprovação digital de conteúdo. Perdoem se me tornei um mala da CPI - sem trocadilho, por favor!!
É que as últimas semanas andam tão morninhas...

12.8.05

...

Semaninha mais sem graça, hein?! ...Ê, gastura!

8.8.05

Tudo de novo

Terminaram as... férias?! Pois é. Mais uma peça, a última da escola. Persiste a dúvida sobre fazer ou não fazer. Não gostei do texto. Adiar por uns seis meses pode ser uma idéia. Ando tão cansado...

4.8.05

Sobre o Piauí

Eu amo o Rio de Janeiro.

2.8.05

Próxima Parada

Lá vou eu de novo. Desta vez para Teresina, no Piauí. É isso mesmo que você entendeu: Teresina, no Piauí. Longe pra cacete - com o perdão do francês mal empregado. É que o Lula resolveu passear, sabe como é. Deixar um pouco de lado o ar pesado de Brasília, porque lá só fala no Marcão, na Comissão, na Corrupção, no Mensalão, e em um monte de outras coisas assustadoras com letras maiúsculas. Com a crise no aumentativo, acho que o presidente achou por bem respirar um pouco do oxigênio nordestino para recuperar as energias. Vai fazer discurso para os pobres de Floriano. Cara, você já ouviu falar em Floriano?! Pois é para lá que eu vou. Tenho quase certeza de que vou meter o pé no barro. Mas tudo bem: o lado bom disso tudo é que estou até me sentindo um jornalista importante. Afinal, nas últimas semanas, São Paulo e Distrito Federal entraram no meu logbook - que chique! E, desta vez, resolvi fazer um cartão Smiles. Convenhamos: ganhar algumas milhas às custas da empresa não vai me fazer mal algum...