14.5.08

Idiossincrasia

Só tenho a oferecer-te quem sou:
Esta mão pesada e rude
Este presunçoso olhar distante,
Esta vil flutuação de humores,
Esta rotina de negação e fuga.
Que pintura pobre sobre ordinário motivo!
- Carregaram nas tintas, fizeram-me superlativo
Resultou rasa tela, este nada sem talento crível
Mar em fúria, terremoto, tempestade;
Eu sou à espreita, um desastre
Eu, mania de devastação
Eu, desmedido orgulho
Eu, a imprevisibilidade.
A mim os sujos andarilhos e rotos marinheiros!
Os servis trôpegos em desesperança,
Os bêbados sem consolo a quem sumir apenas resta.
A mim as desgraçadas que em si não estão plenas
E buscam tão-só o flagelo como medida de piedade!
Em mim não há alento
Em mim não há felicidade
O meu banquete é de lamento e agruras.
Tu comerás só, eu a fitar-te
E ao final quererás, saciada de nada, deleitar-me:
Eu, sexo bruto e incendiário
Eu, paixão enganosa
Eu, esta vontade de consumir-te no ímpeto de deixar-te.
Se pensas em afeiçoar-te, meu conselho:
Afasta-te!
- Ou resgata-me de mim, que estou cansado...
Exausto da verborragia,
Saturado da auto-imagem
Vexado do eu ideal
E perdido entre os outros que me habitam.
Decifra-me ou devoro-te
Pois só tenho a oferecer-te quem sou
E quem sou não é muito, é pequeno, é banal
...Mas se ainda me quiseres, toma-me.
Se não, caminha
E deixa-me com minhas dores,
Minha torpe idiossincrasia.

13.5.08

Fenômeno

Duas congratulações por mérito em serviço são devidas a diferentes agentes envolvidos nessa grande bananosa (com trocadilho, por favor) em que se meteu Ronaldo-bola:
- Ao escritório de comunicação que gerencia a relação do ex-craque com a mídia. As exclusivas à TV Globo foram realmente sacadas de mestre. E coçar o joelho operado a cada momento em que fala de superação... isso sim é uma mensagem subliminar bem arquitetada! A essa altura, metade da população já deve estar engolindo (ops!) o barraco com os travecos como um momento de fraqueza, um ato de episódica depressão do pobre-menino-que-com-muita-força-de-vontade-vai-vencer-mais-essa! (...) E vem agora o anúncio de que Ronaldo será pai novamente. Pule de dez! - Resgata-se sua funcionalidade heterossexual ao mesmo tempo em que sua imagem pública é atrelada ao conceito de família. Coisa que, diga-se de passagem, nunca foi a especialidade do jogador. O cara troca de esposa e namorada como quem troca de roupa, mas nada disso importa: Ronaldo será papai! O inocente que ora repousa no útero de Bia Anthony veio para salvar o ídolo! Acho que nem Duda Mendonça me sairia com uma dessas... É genial! E muito embora eu tenha minhas ressalvas morais quanto ao anúncio, tenho que admitir: é um prato cheio para os jornalistas. Coisa de quem entende e calcula o que vai fazer na lida com a imprensa.
- A mamãe Bia Anthony, que soube recolher-se em prantos e sumir das páginas dos jornais quando a bomba (ou a biba, como preferir) explodiu, apenas para voltar semanas depois, imaculada em sua concepção. O timing foi tão perfeito que me pergunto até que ponto a gravidez não foi.... não. Não pode ter sido orquestrada. Seria cinismo demais pensar assim. Eu não sou tão duro. Mas que, intencionalmente ou não, a moça está feita para o resto da vida, isso está...
Inocente nessa história, só mesmo o pobre menino de Bento Ribeiro. Mas veja que ótimo: não é assim mesmo que todos deveríamos nos lembrar dele - "O pobre menino inocente de Bento Ribeiro?" Engraçado... eu ainda enxergo uma cachorra louca que se meteu (ops!) num motel barato com três bonecas. (...) Mas esse sou apenas eu, e meu árido coração.

6.5.08

Uma pitada de humor americano

Entreouvido nos corredores do consulado geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro em uma tarde modorrenta de terça-feira:
- Hey, T.!
- Oh, hey, G.! Everything OK?
- Yeah, sure! So, what's up?
...
- My blood pressure.
Pano rápido.

16.4.08

Diálogos em areia branca - primeiro ensaio

Homem sentado em praia deserta de mar azul anil e areia branca, fina como seda, com grandes formações rochosas ao longo da costa. Ele se acomoda, reclina e apóia a espádua sobre uma rocha de aproximadamente dois metros de atura cuja superfície riscada pela ação do vento e da areia oferece filigranas de encantador e elaborado estilo. O estímulo tátil mistura-se ao cheiro fresco do mar trazido pela brisa, causando silenciosa sinestesia. Por um instante, o homem pensa atingir um estágio de total relaxamento e entrega a si mesmo. Põe-se fora da realidade e, em seu semi-transe, quase não escuta a voz que lhe dirige a palavra, um susurro de tom grave mas suave, ao mesmo tempo sólido e lento, como um velho avô pigarreante de olhar agudo, sabedoria inquestionável e sorriso maroto que só a experiência de vida vivida pode oferecer:
VOZ - O que fazes aqui?
HOMEM - Como?! Quem está falando? De onde vem essa voz?!
VOZ - Tanta pressa! Tantas indagações sobre o óbvio! A uma pergunta minha, ofereces três como resposta!
HOMEM - Deus meu! Enlouqueci! Estou ouvindo vozes!
VOZ - Não estás ouvindo vozes! Apenas uma voz. E considerando o abuso de recostares sobre mim teu peso cansado, poderias ao menos demonstrar o mínimo de cortesia em reconher-me como mais do que um patológico figmento de sua provavelmente limitada imaginação.
HOMEM - Recostado sobre você?! (...) Uma pedra? Eu estou conversando com uma pedra?! Como é possível?!
VOZ - Se vamos usar rótulos, prefiro que me chames de Rocha. Ainda serão milhões de anos até que o vento e o mar me cobrem o preço final do tempo e me tornem simplesmente pedra. Outros milhares até que minha consciência se dilua entre os grãos de areia desta praia.
HOMEM - ...Sonho... Será que estou sonhando?
ROCHA - Ótimo. Muito original. No lugar de um figmento patólogico, sou agora um figmento saudável da tua - definitivamente - muito limitada imaginação. Acho que se eu usasse punhos de quartzo para repelir tua enfadonha presença, pensarias estar completamente louco em ver uma rocha se movendo... Talvez então te tornasses um interlocutor mais interessante!
HOMEM, sobressaltado - Você... tem braços? E punhos?!
ROCHA - Não, não tenho. Mas sou capaz de imaginá-los. Quando a sua idéia de um século divertido consiste em contar as ondas e observar a paisagem, sobra tempo para conjecturar e imaginar o que faria se as coisas fossem diferentes. Eventualmente um falante de duas pernas passa por aqui. Poucos se recostam sobre mim, e desses um número ainda menor se dispõe a ouvir uma velha Rocha. Sinto-me só.
HOMEM - Bem... se vamos vamos usar rótulos, prefiro ser chamado de homem no lugar de falante de duas pernas. E você há de convir que conversar com uma pedra... me desculpe - conversar com uma rocha não é exatamente normal...
ROCHA - E por que não?! Os teus antepassados, há milhares de anos, faziam isso. Eu sorvi o sangue de sacrifícios tribais. Sobre mim riscaram signos e desenhos antes de balbuciarem as primeiras palavras; e bem aí onde agora estás, homens-macaco que há pouco ainda andavam com as mãos se sentaram para admirar o mar e imaginar o que havia além do vasto oceano. Eu fui altar, lousa e trono de sonhos! Eu fui cama de amantes e monotolito de deuses! Mas não mais. A tua raça distanciou-se na mesma medida em que convenceu a si própria de que eram os mestres da criação.
HOMEM - E não somos?
ROCHA - ...Depositaram na pólvora demasiada fé. Olha em volta, homem: tudo isso vai estar aqui bem depois de teus pares serem varridos do mapa da existência. Eu vi os primeiros peixes migrarem da água para terra, e vi dinossauros correndo pela areia. Eles se foram, os homens também irão. Eu não seria capaz de começar a explicar o quão fugaz é a existência de qualquer espécie que se mova. Estar de passagem é a essência de quem se move...
HOMEM - Você está discutindo semântica.
ROCHA - Não, não estou. Mas como já disse, reconheço minha incapacidade em discutir de forma válida e inteligível sobre mortalidade e expiração com um ser que conta sua vida em décadas. Leva, rogo-te, minha palavra como garantia: nós somos poeira cósmica. Nós somos um infinitesimal instante.
HOMEM - Nós? Pensei que você estivesse falando apenas das espécies que se movem.
ROCHA - Vocês são, sem dúvida, mais suscetíveis aos efeitos do tempo. Mas nada é eterno. Milhões de anos me ensinaram humildade. Talvez os homens de hoje em dia se julguem tão especiais porque ainda não tiveram tempo o suficiente sobre a terra para entender que estão traçando uma rota suicida.
HOMEM - ...Talvez estejamos mesmo. Guerras, desmatamento, poluição...
ROCHA - E quem falou em guerras, desmatamento e poluição? Por Gaia, vocês realmente acreditam que o planeta gira por obra, graça e intervenção do homo sapiens, não? O que eu estou dizendo é que de alguns séculos para cá a raça humana se alçou tanto para fora de si mesma que perdeu contato com o que tem mais precioso - o sopro de vida fundamental que lhes confere percepção, cognição e livre arbítrio. Cobriram o sexo por vergonha após comerem uma maçã, e desde então entraram em uma cadeia de auto-compensação que cada vez mais os afasta do que realmente são. Francamente, é patético.
HOMEM - E o que nós somos, realmente?
ROCHA - Livres. É o que deveriam ser, pelo menos. Esse era o plano.
(...)
ROCHA - Isso é que chamam de sorriso?
HOMEM - Como?! Oh, sim... isto é um sorriso. Para falar a verdade, nunca pensei que fosse tão simples.
ROCHA - O quê?
HOMEM - Sorrir. Você tem razão, afinal: nós nascemos para sermos livres. Isso deveria bastar.
(...)
HOMEM - Ei!
ROCHA - Sim?
HOMEM - ...Isso é um sorriso?
ROCHA - Não. É apenas um figmento da tua imaginação.

10.4.08

A frase brega do dia...

...cortesia de Exupèry numa noite chuvosa em que tudo ficou meio numblado:
"As coisas que amo, deixo-as livres. Se voltarem, é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive."
Por que será que o andarilho, pronto e à porta, flagra-se de súbito com medo de sair à rua? Que magia ou pavor congela seus passos? Que nostalgia toma-lhe de assalto e o transporta alhures em pensamentos, estando ele ancorado em seu alpendre de dúvidas e devaneios de outrora? Esta é uma noite sem respostas. O céu promete tormenta e o andarilho, perdido em si, de si e de todos, já não chora. Espera, apenas - entre apavorado e ansioso - um sinal que não vem. Os sinais estão mudos. Ele, imóvel. Aguardando. Fitando os olhos da noite. E os ventos são de arrepio e dor.

26.3.08

Camões

Eu, poeta menor, de pensamentos e atos tão previsíveis quanto desprovidos de rima, boa métrica e coerência de forma e conteúdo...
Busque, Amor, novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei por quê.

24.3.08

Solace of you


When it hurts to be out there
Where no one will care
I've got the solace of you
Frustrated by people's lying
But I keep on trying
I've got the solace of you
When I can't think straight
And there's no escape
I've got the solace of you
Gotta go inside, back where it started
Back to the beginning
'Cause that's where my heart is
They can hurt me, jail my body
I'll still be free
I've got the solace of you
They can take my land
Tell me I'm not who I am
I've got the solace of you
A wise man said to know thyself
'Cause in the end there's no one else
(There's) just the solace of you
Gotta go inside back where it started
Back to the beginning
'Cause that's where my heart is
Gotta go inside
Back to the beginning

27.2.08

Dr. Benton

O que acontece quando Duas Caras encontra Plantão Médico e eu faço minha estréia em teledramaturgia...

Tenho que admitir: é beeem mais divertido do que eu imaginava...

20.2.08

Mundo corporativo

Não sei de quem é o texto original, mas acho que nem o Max Gehringer faria melhor...
"A Formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho todo dia. Era produtiva e feliz.
O gerente Marimbondo estranhou a Formiga trabalhar sem supervisão - se ela era produtiva sem supervisão, o seria ainda mais se fosse supervisionada - e contratou como supervisora uma Barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência na área.
A primeira preocupação da Barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da Formiga. Logo a supervisora precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou uma Aranha, que dava uma mão na organização de arquivos e controlava as ligações telefônicas.
O Marimbondo ficou encantado com os relatórios da Barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A Barata, então, mandou vir uma Mosca para diagramar o conteúdo e comprou um computador com impressora colorida.
Não demorou muito até que a Formiga produtiva e feliz começasse a se lamentar por toda aquela movimentação de papéis e reuniões... O Marimbondo concluiu então que era o momento de criar a função de gestor de pessoal para o setor. O posto foi dado a uma Cigarra, que mandou colocar carpete no escritório e encomendou também cadeiras especiais com assento orto-postural. A nova gestora logo se deu conta de que precisava de uma assistente para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a Formiga - que já não cantarolava mais e a cada dia estava mais taciturna...
A Cigarra, então, tentou convencer o gerente Marimbondo de que era preciso fazer um estudo psico-motivacional das relações interpessoais no escritório. Mas o Marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que o departamento já não rendia como antes e licitou a preço de ouro os serviços da Coruja, uma prestigiada consultora, para que fizesse um diagnóstico da situação. A Coruja ficou três meses bebendo cafezinho por conta da empresa emitiu um longo relatório, com vários volumes, que apontava "queda de produtividade por excesso de pessoal e necessidade de reengenharia".
...Adivinha quem o Marimbondo mandou demitir?
- A Formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida."

13.2.08

Auto-ajuda em profundidade

Em 28 de abril de 2000, o russo Yuri Lipski, então com 22 anos, arriscou-se em um mergulho profundo no Blue Hole, em Dahab, Egito. Um dos mais famosos e belos pontos de mergulho da região, o "buraco azul" tem a sinistra alcunha de divers cemetery, ou cemitério de mergulhadores, pelo grande número de fatalidades ali ocorridas. A parede de coral é um verdadeiro playground para turistas que saibam respeitar os limites do merguho recreativo, mas uma séria armadilha para os que teimam em ignorar certificação e treinamento ao entrar na água: o espelho claro pode esconder correntes subaquáticas, escuridão em profundidade e falta de referência de fundo, o que é um risco para mergulhadores sem experiência.
Não era o caso de Yuri. Pelo que li, ele já mergulhava há um tempo considerável. Sonhava tornar-se instrutor e, quando buscou um dupla para descer o Blue Hole, professava experiência em mergulho profundo. Os verbos estão no pretérito por algo além de simples referência temporal: Yuri não voltou. Uma possível falha no equipamento combinada à provável narcose gasosa e intoxicação por alta pressão parcial de oxigênio o levaram à morte. A câmera de Yuri registrou tudo, um trágico e contundente lembrete de que ultrapassar limites sem considerar os riscos é péssima política quando a sua vida está na reta. O vídeo está disponível no You Tube. É real e autêntico. O sujeito morreu, e as imagens - para não falar do audio - não são agradáveis de se ver e ouvir. Eu não vou postar o conteúdo... porque não quero. Você pode buscá-lo, se a sua curiosidade mórbida o(a) impelir.
Vem daí uma corrente de pessoas que não sabem o que dizem afirmando que o mergulho no Blue Hole deveria ser banido. As imagens que eu vou postar são tanto uma resposta quanto uma deslumbrante mensagem sobre como pode ser saudável para a mente e para a alma testar os próprios limites quando os fatores de risco são considerados e contingenciados.
Em julho de 2007 o neozelandês William Trubridge esteve no Blue Hole. No que é considerada a mais pura - e talvez mais arriscada - forma de mergulho, ele atravessou, sem nadadeiras, lastro ou roupa de exposição, a passagem subaquática entre a baía de corais e o Mar Vermelho. O Arco, como é conhecido, tem aproximadamente 30m de comprimento e fica a 58m de profundidade. Com a devida estrutura de suporte, o sujeito desceu e fez a travessia no pulmão. Mais do que a beleza da água, o que me chama mesmo atenção é o sorriso de William ao final do mergulho... Isso é o que eu chamo de "classe A" em material de auto-ajuda:


Sorria. Teste seus limites, mas não vá fazer besteira.
Eu quero, um dia, mergulhar no Blue Hole.

6.2.08

No Limits

You deco stop
He deco stops
She deco stops
...I nitrox!

Enriched Air Nitrox Diver - Mais fundo... e por mais tempo!

16.1.08

Gramática Shakespeariana

O plural de banana boat é banana boats.
Não que Shakespeare vá se importar muito com isso. Acho que na época dele nem existia babana boat.
...Mas é isso. Banana boats no plural.

20.12.07

Do bit ao giga

Quinze boas razões para sorrir com o Playstation 3:
Assassin's Creed
Assassin's Creed
Home
Uncharted: Drake’s Fortune
Warhawk
Warhawk: Omega Dawn
Motorstorm
Metal Gear 4: Guns of the Patriots
Conan
flOw
Everyday Shooter
Calling All Cars
Resistance: Fall of Man
Def Jam: Icon
E, claro, antes que eu me esqueça...
Assassin's Creed
Difícil será dormir neste fim de ano.
Feliz Natal para você também.

27.11.07

Mas tá óóóóóóóótimo...

Foi a lindinha da Eleonora que inventou...
Que tal isso?
My Peculiar Aristocratic Title is:
Count-Palatine Glauco the Imposing of Withering Glance
ou isso:
His Noble Excellency Fasa the Fiendish of Chignall Smeally
Get your Peculiar Aristocratic Title
Viu só? Eu sou o cara!!!

23.11.07

Ir e vir

Na quarta teve jogo da seleção brasileira pelas eliminatórias.
Teve também um Flamengo e Vasco pelo estadual de basquete no Maracanãzinho.
Quem me conhece sabe que, entre um e outro, eu me importaria muito pouco de ver os gols do Luiz Fabiano pela reprise no dia seguinte. Acontece que as torcidas organizadas de Flamengo e Vasco resolveram criar um clima insustentável para o comparecimento ao ginásio. Essa última de usar internet para combinar briga de gangue é o limite do terrorismo doméstico. As autoridades precisam tomar uma atitude mais drástica. Não adianta dizer que estão monitorando os fóruns: tem que ir na raiz e prender esses pseudo-torcedores de merda (só falando assim) que afugentam dos estádios e ginásios os cidadãos de bem. Quarta-feira me senti tolhido em meu direito de ir e vir. Queria muito ter comparecido. E não se trata de medo, pura e simplesmente... Ora, se for para pagar e ver um bando de marmanjo entrando na porrada, é melhor um evento de vale-tudo no pay-per-view. Tem mais técnica e conduta esportiva envolvida.
Resultado: ginásio vazio. Menos renda para os clubes, eu de mau humor.
Mais uma vez, perdão pelo linguajar chulo. Mais essa me deixou realmente muito puto...
Tipo assim, com vontade de bater em alguém, sabe?

8.11.07

Por um fio

Admito que sou um sujeito medroso e pouco empreendedor. Das muitas qualidades que penso ter, não posso gabar-me de coragem para reviravoltas e loucuras quando realmente importa. Gosto de receber meu salário no fim do mês, e nunca me imaginei abrindo meu próprio negócio, por exemplo. Não é o mesmo que dizer que me faltam ambição e sonhos – aliás, tenho muito de ambos. Mas, às vésperas dos 30 anos, estou começando a dar umas olhadinhas por cima do ombro, e bate aquela ponta de arrependimento por saltos de fé que deixei de realizar, seja por timidez, seja por excessiva prudência.
Em absoluto, eu deveria ter jogado mais basquete, deveria ter começado mais cedo no teatro , e sem dúvida deveria ter beijado a boca daquela guria que me deixava louco quando tinha 12 anos – está certo que ela até poderia não ter topado, mas dói o fato de eu sequer ter tentado.
Hoje sou um profissional razoavelmente bem sucedido. Poderia ser mais, mas estou aonde a vida e carreira me trouxeram sem pedir favores, logo não tenho do que reclamar. Acho.
O humor de nostalgia se agravou de ontem para hoje por causa de uma dessas insistentes coincidências que não se cansam de jogar o passado na nossa cara. Contei pelo menos uns cinco meninos com o uniforme do Colégio de São Bento pelas ruas. Lembrança de uma época boa, em que as maiores preocupações do mundo eram as provas de física e matemática. Ah, a inocência! Ah, o futuro!
...Tornei-me duro e confessadamente cínico. Queria ter a vida que tenho hoje, com olhos de criança. Adolescente, talvez. Consigo enganar alguns, que me ainda chamam de “garoto”. Não sou mais garoto. Mas bem que gostaria.
Preciso fazer mais por mim. Mas que dilema: como eu, a epítome do narcisismo egocêntrico pós-moderno, poderei investir ainda mais em mim?
Coragem para ousar, jovem gafanhoto. Coragem para ousar. Os projetos que antes você podia adiar sem culpa, já não podem mais ficar para amanhã. Quando dar-lhes-á as merecidas asas? Aos 80?! Logo você, que achava lindo viver 10 anos a 1000, e não 1000 anos a 10? O cerne da questão extrapolou o velocímetro e acendeu a luz vermelha no odômetro.
...Só para me enganar um poquinho, comecei a fazer aulas de acrobacia aérea. Os braços doem-me terrivelmente. Mas a metáfora do quase-grande homem pendurado por um fio me deixa cadinho mais feliz.

19.10.07

Chamado às armas para a geração Atari

Esqueça o Renan. O Renan já era. O que eu quero ganhar de presente de natal do Congresso Nacional é uma rápida tramitação do projeto de lei 300/2007. A todos os game-maníacos de plantão: vamos lotar as caixas postais dos ilustres congressistas para que a coisa não se perca no limbo do ano eleitoral que se aproxima! Este é o primeiro passo rumo ao possível aquecimento de um setor da economia brasileira que tem potencial para ser líder na América Latina, mas está entregue às mãos de uns poucos investidores legítimos e uns muitos piratas e contrabandistas aproveitadores. Palavra de ordem: ou isenta-se os games, ou locupletemo-nos todos!

26.9.07

Implicante

Hoje eu levantei com sono
Com vontade de brigar
Eu tô manero pra bater, pra revidar provocação
Olhei no espelho meu cabelo e tudo fora do lugar;
Vê se não enche, não me encosta
Tô bravo que nem leão
E não pise no meu calo que eu te entorno feito água
E te jogo pelo ralo.
Hoje você deu azar.
Hoje você deu azar.

De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?

Hoje eu tô meio implicante.
Hoje você deu azar.
Hoje você deu azar.

(...)

É isso aí.

12.9.07

Sem um pingo glamour...

Veja como o Brasil anda atrasado e super demodé em matéria de escândalo:
Na Roma antiga, quando um nobre era descoberto em atos corruptos, cortava os pulsos para evitar que a família tivesse o nome denegrido.
Nos Estados Unidos, um presidente renunciou em meio a um grande escândalo de espionagem eleitoral, num episódio que rendou livros e roteiros de cinema.
No Japão, um famoso cientista pediu desculpas à nação por ter fraudado resultados em pesquisas genéticas de um dos mais conceituados centros de excelência nacionais. Aliás, hoje mesmo o primeiro ministro renunciou por não conseguir angariar apoio político para sua administração após escândalos que sequer chegavam diretamente a ele, envolviam apenas seus correligionários.
(...)
Enquanto isso, em Tupiniquinópolis, deputados saem no tapa com seguranças do Senado por acesso a cadeiras de pista para o mais desinteressante espetáculo dos últimos anos: o voto de cassação de mandato de um congressista que vendeu boi com nota fria para pagar por fora a pensão da filha que teve com a amante. Isso tudo, depois de utilizar o púlpito do Legislativo para pedir arrego para a mulher pela mancada, em explícito exercício público de lavagem da roupa que deveria ser doméstica.
Coisa mais provinciana e pequeno-folhetinesca, estou para ver.