- Nas palavras de Ana Carolina:
Eu e você
Não é assim tão complicado, não é difícil perceber
Quem de nós dois vai dizer que é impossível
O amor acontecer
Se eu disser que já nem sinto nada
Que a estrada sem você é mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara...
Eu já conheço o teu sorriso, leio teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
- O que eu já nem preciso!
Sinto dizer
Que amo mesmo, tá ruim pra disfarçar
Entre nós dois não cabe mais nenhum segredo
- Além do que já combinamos.
No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso, meio na contra-mão
E quando finjo que esqueço,
Eu não esqueci nada
E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro.
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida
Eu procurei
Qualquer desculpa pra não te encarar
Para não dizer de novo e sempre a mesma coisa
Falar só por falar...
Que eu já não tô nem aí pra essa conversa
Que a história de nós dois não me interessa
Se eu tento esconder meias verdades,
Você conhece o meu sorriso, lê no meu olhar
Meu sorriso é só disfarce
- O que eu já nem preciso!
28.6.06
23.6.06
E o Brasil, hein?! (2)
Uma singela indagação a Parreira, nas palavras de Drummond - um sujeito que, a cada dia me convenço mais - sabia realmente das coisas:
"...E agora, José?"
"...E agora, José?"
20.6.06
14.6.06
7.6.06
Versos natimortos sobre a esclerose
Dia desses deparei-me com um pentelho branco.
Estava lá, impávido e único, desafiando a negrura de minha virilidade.
Mandou-me recado sobre a inexorabilidade do tempo,
E disse-me que minha pessoal e grata noção de juventude carece de aplicabilidade prática em termos temporais indefinidos.
Chamou-me de velho, bem na minha cara - ou, melhor dizendo, em outra parte mui cara de minha anatomia
- que merda!
...Arranquei-lhe.
Estava lá, impávido e único, desafiando a negrura de minha virilidade.
Mandou-me recado sobre a inexorabilidade do tempo,
E disse-me que minha pessoal e grata noção de juventude carece de aplicabilidade prática em termos temporais indefinidos.
Chamou-me de velho, bem na minha cara - ou, melhor dizendo, em outra parte mui cara de minha anatomia
- que merda!
...Arranquei-lhe.
29.5.06
Tempo, mano véio
Nas palavras de Fernanda Takai...
"Tempo amigo, seja legal
(Eu) conto contigo pela madrugada
...Só me derrube no final."
Feliz Aniversário para mim!
"Tempo amigo, seja legal
(Eu) conto contigo pela madrugada
...Só me derrube no final."
Feliz Aniversário para mim!
26.5.06
Registro fotográfico
Uma pergunta para você, caro leitor. Responda com sinceridade...
Você está no Rio de Janeiro, em meio ao caos que só as enchentes cariocas podem causar. Voce é um reporter fotográfico, e está fazendo a cobertura de sua vida, tirando as fotos mais chocantes de momentos dramáticos causados pela força das águas. De repente você mira sua câmera para um casal sendo arrastado pela correnteza de um canal que transbordou, e reconhece Rosinha Matheus e Anthony Garotinho. Os dois lutam desperadamente contra um provável afogamento, mas estão sendo vencidos. É um momento de decisão: você tem a oportunidade de resgatá-los e perder uma foto espetacular, ou pode não interferir nos acontecimtos e tirar a fotografia do ano. Baseado em seus principios éticos e morais, sem esquecer os fatores fraternidade e solidariedade humanas, responda sinceramente:
...Havendo tempo para trocar o filme, você faria a foto em preto e branco ou colorida?
17.5.06
Peraí!!
Deixa ver se eu entendi direito: toda essa confusão em São Paulo, que deixou mais de 80 mortos, outras tantas dezenas de feridos, e colocou o centro financeiro do país em toque de recolher, foi planejada a partir da venda da gravação de uma sessão revervada de uma CPI aos "advogados" de um dos criminosos mais perigosos do país? (...) E quem vendeu foi um funcionário do Congresso Nacional, assim, na cara dura, sem um intermediário sequer? - Caramba... e eu pensava que já tinha visto de tudo nesse país.
Uma nota mesquinha e inapropriada de bairrismo carioca: levante a mão quem já ouviu, nesses últimos dias, algum paulista dizer que "a situação não é assim tão feia, a imprensa é que extrapola a realidade." Ah, se essa bagunça tivesse sido no Rio...
16.5.06
15.5.06
O Drama de Juquinha
Um exemplo saudável de má utilização do correio-eletrônico numa manhã friorenta de segunda-feira:
A professora pergunta na sala de aula:
- Pedrinho qual a profissão de seu pai?
- Advogado, professora.
- E a do seu pai, Mariazinha?
- Engenheiro.
- E o seu, Aninha?
- Ele é médico.
- E o seu pai, Juquinha, o que faz?
- Ele...Ele... Ele é dançarino numa boate gay!
- Como assim? - pergunta a professora, surpresa.
- Fessora, ele dança na boate vestido de mulher, com uma tanguinha minúscula de lantejoulas. Os homens passam a mão nele, põem dinheiro no elástico da tanguinha e depois saem para fazer programa com ele.
A professora prontamente dispensa toda a classe, menos o constrangido Juquinha. Boquiaberta, ela caminha até o garoto e novamente pergunta:
- Menino, o seu pai realmente faz isso???
- Não, fessora. Agora que a sala tá vazia, eu posso falar: ele é dirigente do PT, mas eu morro de vergonha de contar isso na frente dos outros.
9.5.06
Tem tudo pra dar m...
A assertiva não é minha, mas de outro filósofo contemporâneo que conheci recentemente. Tal máxima, tão clara e contundente, foi a réplica que ouvi ao comentar sobre a continuidade do processo de nacionalização de bens naturais iniciado na Bolívia por Evo Morales. Diz o hermano cocalero, já identificado por essas bandas como a encarnação política do mítico abominável homem dos Andes, que depois dos hidrocarbonetos virão as florestas, os rios, as terras. Os produtores brasileiros de soja que investiram alguns milhões no quintal do vizinho perderam o sono. Pudera: veja só o nome do ministro encarregado pela reforma agrária boliviana - Hugo Salvatierra...
Tem tudo pra dar merda.
3.5.06
Uma imagem e uma piada séria
Ainda namorando com a idéia de de escrever um texto machista e preconceituoso sobre os vagões exclusivos para mulheres nos trens e metrô do Rio de Janeiro. Mas, devo confessar, ando meio sem tempo e paciência para elocubrar e redigir com toda a acidez e cinismo que o assunto merece. Por hora, vai aí uma charge do Aroeira publicada em O Dia. Trabalho de mestre ao resumir, em uma imagem, toda a polêmica causada pela nacionalização do gás natural na Bolívia (...) E algo que seria uma piada velha, se fosse uma piada: eu apóio a greve de fome do Garotinho. Até o fim!

28.4.06
Só de ruim...
Eu estou ensaiando de escrever um texto machista e preconceituoso sobre os vagões exclusivos para mulheres nos trens e metrô do Rio de Janeiro. Mas por enquanto... Mais Noronha. No feriado volto a mergulhar em águas cariocas. Vai ser um choque de realidade brutal, mas fazer o quê? Cada um tem o mar que merece (...) Bom fim de semana a todos!

25.4.06
16.4.06
BR 363
A menor estrada federal do Brasil fica na cidade de Aparecida, no Estado de São Paulo. Tem pouco mais de 3,5 quilômetros de extensão e liga a Basílica de Nossa Senhora a algum lugar ao qual eu não estava prestando a menor atenção enquanto o guia dava sua explicação. Cultura absolutamente inútil, porque a única coisa que há para se ver na cidade é, de fato, a Basílica. A segunda menor estrada federal do país fica em um pedaço de paraíso chamado Fernando de Noronha. Corta a principal ilha do arquipélago, ligando o porto de Santo Antônio à praia do Sueste. Ao longo de seus 7,9 quilômetros, você vai encontrar:
O próprio porto de Santo Antônio – Considerado o segundo mais limpo do mundo, e não sem motivo. Águas absurdamente claras guardam o naufrágio de um navio grego onde é possível mergulhar, e atobás cercam as embarcações atrás de sardinhas. Eu não acreditaria se alguém me contasse que é possível e saudável mergulhar em águas portuárias... mas ninguém me contou. Por lá há tartarugas marinhas e raias. E na praia da Biboca, bem pertinho, vi meu primeiro tubarão. Inesquecível.
A Praia do Sancho – Eleita pela revista Quatro Rodas a mais bonita do Brasil, com muita justiça. De difícil acesso, é preciso vencer escadas fincadas em fendas do que se poderia chamar um penhasco para chegar a suas areias. Mas cada degrau vale a pena. Águas com visibilidade para mais de 15 metros, e lajes com mais vida e cores do que qualquer mergulhador tarado poderia sonhar em sua noite mais molhada.
Estrela do Mar – A melhor pousadinha mixuruca do país. Chalés com vista para o verde que circunda vale central sobre o qual foi construída a pista do que possivelmente é um dos aeroportos mais silenciosos do planeta. O chalé 4, o mais isolado de todos, dá direto para a cabeceira. Não há lugar melhor para se passar uma noite de lua cheia em toda ilha. Ou talvez eu esteja errado, já que em apenas cinco noites não foi possível experimentar todas as luas cheias que eu gostaria.
Arte e Sabor – Disparado, a melhor creperia do Brasil. Esqueça o que você pensa que sabe sobre Chez Michou e seus garçons eternamente mal-humorados, que parecem fazer um grande favor ao servir sua mesa. Com o bônus de que, Na Arte e Sabor, você pode sempre pedir um Morro do Francês e redefinir toda a sua lógica sobre o que vem a ser uma banana-split.
O Tartarugão – Não é o melhor restaurante das Américas. Dizer isso seria um certo exagero. Mas eu desafio qualquer um a encontrar azeite com ervas mais saboroso do que o servido por lá. E para quem aprecia detalhes em uma refeição, isso pode fazer uma grande diferença...
Praia da Conceição – Um pôr-do-sol que certamente está entre os mais bonitos que já vi. Aparente paradoxo, considerando que o tempo estava nublado. Mas ainda assim...
Finalmente, quando todas as alternativas da BR 363 estiverem esgotadas, você pode sempre entrar num barco e navegar até a...
Ponta da Sapata – No extremo oeste da ilha, bem no limite com o mar aberto do Atlântico, está entre os cinco melhores pontos de mergulho submarino do mundo. Mas sobre o que eu vi e senti nessa imensidão azul, já me faltam as palavras certas para (d)escrever...
Especialmente ao me lembrar que amanhã é segunda-feira. Fotos da viagem em breve.
7.4.06
Fechando o escritório
Feliz Páscoa à meia-dúzia de leitores. Recentemente reintegrado a suas atividades sub-aquáticas, este editor resolveu zerar o banco de horas extras e vai passar a próxima semana procurando golfinhos em Fernando de Noronha. Glub-glub pra quem fica.
5.4.06
Interferências indesejáveis
Acho que a lua-de-mel com o novo emprego vai chegando ao fim. Não que eu esteja insatisfeito - longe disso. O Império continua sendo um ótimo lugar para se trabalhar, e eu sempre fui fã do Darth Vader mesmo, então tudo bem. Mas nas últimas semanas vem crescendo a insatisfação com o grau de interferência sobre o meu texto. Me incomoda o fato de que, até que eu consiga mandar alguma informação para fora do Consulado, pelo menos três pessoas - duas delas não brasileiras - editam e opiniam sobre o conteúdo e a forma. Não que eu me julgue o Machado de Assis do jornalismo contemporâneo... Mas meu currículo é carimbado por duas das redações mais exigentes do país, e nunca houve um grau de gerência externa tão grande sobre o que produzo. Não estou acostumado. E, só para complicar, eu invariavelmente acabo com um produto final que, tenho certeza, é pior do que o original. Modéstia nunca foi meu forte, principalmente em pontos nos quais sei que atuo bem. Gosto da minha redação. Compreendo que alguns profissionais em faixas salariais bem maiores do que a minha têm e terão prerrogativas editoriais aonde quer que eu vá, mas gosto da minha redação. Ponto. Ainda bem que tenho este singelo cafofo virtual para exercer o sacro-santo direito à onipotência literária sem encheção de saco. Não chega a ser um latifúndio editorial, mas o pouco com Deus é muito, já dizia minha bisavó.
E a menos de uma semana de embarcar com a patroa para Noronha, lua-de-mel com o trabalho não é exatamente uma das minha maiores preocupações no momento.
30.3.06
A pergunta que não quer calar
A comunidade científica internacional está vivendo dias de tensão com a possibilidade de uma grave pandemia em escala global.... mas será que o vírus da gripe aviária também pode ser transmitido de pinto para periquita???
27.3.06
A vida começa a 10 metros
Mesmo com toda a chuva e vento do último domingo, fica absolutamente comprovada a máxima de adesivos e camisetas: the worst day diving is better than the best day at work.
E tenho dito.
24.3.06
A dança da vitória
...Resta saber a vitória de quê ou de quem. Esquecendo-se do fato de que sempre há alguém olhando, a deputada federal Ângela Guadagnin (PT-SP) comemorou com samba, dentro do plenário da Câmara, a absolvição do colega João Magno (PT-MG) do processo de cassação. Magno engrossa a massa da pizza. Ângela desrespeita, sorrindo e dançando, um espaço que deveria ser símbolo da seriedade com que pensamos e exercemos a democracia no país. Deveria. O texto é do jornalista Jorge Bastos Moreno:
- Mano véio, aqui você só não vai ver é boi voar! - foi o que ouvi no primeiro dia em que o cheguei ao Congresso, como repórter, em 1976, do então deputado paraibano Ernani Sátyro. Surdo, chamava todo mundo de “mano véio”. E eu vi muita coisa. Vi o Congresso ser fechado em 1977. Vi parlamentares arrancados da tribuna pelas cassações da ditadura. Entre eles, Alencar Furtado, aquele que disse que sua luta era para que não houvesse lares em prantos: “filhos órfãos de pais vivos, ou mortos, talvez, quem sabe; órfãos do talvez ou do quem sabe; viúvas de maridos mortos ou vivos, quem sabe, talvez; viúvas do quem sabe ou do talvez”. Vi Ulysses Guimarães dizer: “Tenho ódio à ditadura; ódio e nojo”. Vi Tancredo chorar por JK. Vi mães, viúvas e órfãos com cartazes de seus mortos e exilados clamarem por anistia. Vi o doido manso Teotônio Vilela se rebelar contra o regime. Vi a eleição de Tancredo, vi a Constituinte. Vi momentos de tristezas e alegrias. Nas tristezas, ouvia o Hino Nacional cantado com vozes enlutadas, sempre seguido nessas horas do coro “a luta continua”. A alegria ecoava em palmas e papel picado. Mas nesta madrugada vi uma cena que nunca vou esquecer: a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) dançando, sambando como passista do agouro ao ver que os votos apurados já davam pra salvar de cassação o deputado João Magno (PT-MG), um dos mensaleiros da Câmara. Nem os canhões, fuzis e metralhadoras que tentaram desmoralizar pela força o Congresso superariam o escárnio da deputada. Longe do “Necrológio dos desiludidos do amor”, onde as amadas dançavam “um samba bravo, violento, sobre as tumbas deles”, a dança da deputada é o mais imoral dos emblemas da degradação da política brasileira. Talvez a perplexidade foi que impediu o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, de exigir o devido respeito da deputada em pleno velório da Casa.
Estou ficando preocupado com o grau de cinismo político desde espaço virtual. Mas juro que não é culpa (exclusivamente) minha. É que o pessoal da capital, ultimamente, não anda colaborando muito...
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