20.8.08

A Quarta Jura, ou Soneto de Exasperação

Cansei-me de ti.
Do teu sorriso fácil, da tua (pretensa) amizade,
Do teu espaço pessoal, da tua civilidade
Disfarçada em falsa maturidade pra dizer que pode tudo ser simples.

Então és cega para a dor que causaste?!
Tuas juras me partiram peito e tuas lágrimas verteram breves
As minhas, ai de mim, secaram-me de proveito.
E tu, onde ias? Por onde seguias em vil deleite ou abandono?

Decreto agora que de minha alegria,
Não te devo sequer infinitesimal parcela – vazia!
Pois que foste pra mim holocausto, desastre

Uma onda gigante, uma enchete, transbordo
- Amo-te com urgência e arte,
Mas cansei-me de tudo. Cansei-me de ti.

13.8.08

Auto-piedade

Breves versos por D.H. Lawrence:
I never saw a wild thing
(Feel) sorry for itself.
A small bird will drop frozen dead from a bough
Without ever having felt sorry for itself.
Na livre tradução do editor:
Eu nunca vi uma coisa selvagem
Com pena de si mesma.
Um pequeno pássaro cairá congelado e morto de um galho
Sem jamais ter sentido pena de si mesmo.
Graças aos céus eu nunca gostei de pensar ou enxergar a mim mesmo como um sujeito muito civilizado.
(...)
E acho, sinceramente, que já está passou da hora de acordar.

24.7.08

Aposentado

Esse perfil vai sair do Orkut. Já saiu. Hora de pensar em algo novo.
"Away to the danger zone"
"I wanna take you on a rollercoaster... be unafraid"
"Supersonic self"
Glauco Paiva, a.k.a. Fasa, é jornalista por vocação e ator nas horas vagas, com possibilidade de inversão do quadro no decorrer do período. É expansivo e falastrão com os amigos, observador com os estranhos, e debochado com todos. É sorriso a maior parte do tempo, mas sofre com as flutuações de humor típicas de qualquer geminiano - embora não esteja completamente convencido de que essa história de horóscopo funciona de verdade. Glauco é o bonvivant consciente: boêmio de suco de laranja, só bebe vinho e tequila de vez em quando, não usa drogas pesadas e só transa de camisinha. Desde que começou a fazer teatro, Glauco cita Shakespeare antes, Nelson Rodrigues durante, e Tchekov depois. Gosta de calçar sandálias em festas de casamento, e usa camisa social para fora da calça, mas sempre com estilo. Estilo, aliás, é a palavra chave: Glauco Paiva é hype, groovy, in, cool e über fashion - para não mencionar moreno, alto, bonito e sensual. Glauco Paiva provoca dependência. Seu único defeito é não se levar muito a sério, a não ser nos momentos em que se leva a sério demais.
"I want to feel the end and enjoy the consequence"

19.6.08

Terremoto

Essa é beeem velhinha... mas é boa:
O Governo Brasileiro instalou um sistema de medição e controle de abalos sísmicos no país. O Centro Sísmico Nacional, poucos dias após entrar em funcionamento, detectou que haveria um grande terremoto no Nordeste.
Na tentativa de prevenir uma possível tragédia, foi enviado um telegrama à delegacia de polícia de Icó, no interior do Ceará, com a seguinte mensagem:
"Urgente. Possível movimento sísmico na zona. Muito perigoso. Sete pontos na escala Richter. Epicentro a 3km da cidade. Tomem medidas e informem resultados."
Somente uma semana depois, o Centro Sísmico recebeu um telegrama que informava:
"Aqui é da Polícia de Icó. Movimento sísmico totalmente desarticulado. Richter tentou fugir, mas foi abatido a tiros, o cabra safado. Desativamos as zonas. Todas as putas estão presas. Epicentro, Epifânio, Epicleison e os outros cinco irmãos estão detidos. Não respondemos antes porque teve um terremoto da porra aqui."
Pano rápido. Vida que segue...

9.6.08

Três juras de amor

Pegou de leve a face da menina após o beijo e disse “eu te amo”. Era a primeira vez. Ela, olhos cheios d’ água. Talvez já tivesse ouvido aquilo, mas nunca antes sentira a urgência da recíproca. As emoções transbordaram-lhe em lágrimas e, não fosse o sorriso quase infantil em seu rosto, ele talvez se sentisse confuso sobre o que sua declaração provocara. Ambos tão entregues, tão inexperientes. O garoto não esperou resposta verbal. Algo dentro dele leu a expressão da guria quase que instintivamente, e de imediato ele urgiu em invadir-lhe a boca com mais um beijo apaixonado, a língua quase cortando o fôlego da pequena. O resultado foi anti-estético e aos olhos de qualquer adulto pareceria desastradamente juvenil - mera fúria hormonal. Mas nenhum dos dois estava se importando muito com isso.
...Olhou nos olhos da moça depois do sexo e admitiu que a amava. Estavam namorando há um mês, e era a primeira vez em que iam para a cama juntos. Àquela altura da vida, ambos já tinham uma certa (limitada) experiência e alguns traumas, mas o romantismo ainda brilhava em seus olhos. Avançaram devagar até aquele momento, como quem movimenta peças em um jogo de xadrez. Resolveram, por fim, fazer uma viagem juntos. Foi a pálida mímica de uma lua-de-mel entre noivos virgens - eles assim o eram entre si. Ela disse “eu também” sem pensar duas vezes, e essa era a senha: duplo-xeque, fim de jogo. Para melhor ou pior, as coisas não seriam mais as mesmas entre eles depois daquilo.
...Já transavam há meses. Na verdade, tudo havia começado assim: sexo sem compromisso e sem qualquer pretensão de futuro. Calejado e defensivo, ele pensava que não estaria apto a dizer “eu te amo” antes do próximo século. Mas havia algo de diferente naquela mulher. Um ar de independência, uma sintonia similar, um olhar apenas discretamente inquisidor. Quebrou-lhe as defesas, mas quase não lhe quebra a semântica. Parou o ato no meio, olhou-a nos olhos e disse: “Todos os meus caminhos levam a você”. Ela não se deu por satisfeita. Decidida, sabia o que estava sentindo, e sabia o que queria ouvir dele. “Por quê?” – perguntou. O homem fechou os olhos por um momento, suspirou, mas por fim rendeu-se ao inevitável. Fitou-a e, pegando-lhe de leve a face, ofereceu-se enfim: “Porque eu te amo.”
Poderia jurar que, naquele momento, se entregar daquela forma havia lhe causado uma pontada de dor. Entendeu ali porque os românticos (será que ele já fora assim um dia?) dizem que o amor dói. Calculista, ele já sabia que a recíproca era verdadeira, ou não teria aberto a boca em primeiro lugar. Já tinha lido os sinais. Ainda assim, esperou o verbo, pois não queria se dar unilateralmente naquela noite – ou em qualquer outra noite pelo resto de sua vida. “Eu também te amo” confessou a mulher. Derrubou várias barreiras em si mesma para fazê-lo, mas o fez. De parte a parte, as juras foram atos de coragem. Peças de resistência. O homem, só então, desabou sobre ela e invadiu sua boca com um beijo atabalhoadamente apaixonado, quase a cortar-lhe o fôlego.
Tal qual um menino.

30.5.08

Balzaquiano

Os trinta chegaram com algumas lições de humildade. A vida me passou uma banda e pela primeira vez em mais de dez anos (e me espanta a naturalidade com que agora meço o tempo em décadas) estou sem as rédeas de alguns pontos da minha existência que eu pensava ter aprendido a controlar. No campo profissional, ansiedade sobre mudanças que podem vir. No pessoal, uma tentativa de resgate que se mostra deliciosa a cada encontro, mas não sem tropeços e percalços. Estou aprendendo que ser genuinamente autêntico e pedir autenticidade em retorno pode cobrar seu preço em atritos que antes a gente pensava não haver.
...No geral, entretanto, estou achando muito melhor jogar às claras. Aliás, estou achando muito melhor não jogar.
Talvez seja mais um sinal de maturidade, essa coisa que vem com a tal “experiência de vida”. Com três décadas (!!) nas costas, estou finalmente me sentindo mais velho. É como se estivesse perdendo um pedacinho da juventude, como se me assumir adulto fosse agora inevitável. Eu, que sempre fugi do termo. Com tantas dúvidas e aspectos tão importantes da vida em suspenso, me aflige não saber se vou emergir dessa transição um homem melhor - se vou crescer para o bem ou simplesmente me tornar um pouco mais duro e amargo. Ao mesmo tempo em que busco respostas e definições que tragam o alívio da solução final e me devolvam a tranqüilidade do inarredável, quero ser capaz de extrair dessas respostas algo de positivo que me alimente a alma para o futuro, seja ele qual for.
A impaciência de sempre de deixa nervoso e irritadiço. Neste momento em que as coisas parecem flutuar fora de alcance, preciso encontrar em mim mesmo, e não fora, uma medida de autocontrole que me permita ser o meu melhor. Mas acima de tudo, ser apenas eu. Coisa que – meu Deus! – pareço não ter sido há muito, muito tempo...

14.5.08

Idiossincrasia

Só tenho a oferecer-te quem sou:
Esta mão pesada e rude
Este presunçoso olhar distante,
Esta vil flutuação de humores,
Esta rotina de negação e fuga.
Que pintura pobre sobre ordinário motivo!
- Carregaram nas tintas, fizeram-me superlativo
Resultou rasa tela, este nada sem talento crível
Mar em fúria, terremoto, tempestade;
Eu sou à espreita, um desastre
Eu, mania de devastação
Eu, desmedido orgulho
Eu, a imprevisibilidade.
A mim os sujos andarilhos e rotos marinheiros!
Os servis trôpegos em desesperança,
Os bêbados sem consolo a quem sumir apenas resta.
A mim as desgraçadas que em si não estão plenas
E buscam tão-só o flagelo como medida de piedade!
Em mim não há alento
Em mim não há felicidade
O meu banquete é de lamento e agruras.
Tu comerás só, eu a fitar-te
E ao final quererás, saciada de nada, deleitar-me:
Eu, sexo bruto e incendiário
Eu, paixão enganosa
Eu, esta vontade de consumir-te no ímpeto de deixar-te.
Se pensas em afeiçoar-te, meu conselho:
Afasta-te!
- Ou resgata-me de mim, que estou cansado...
Exausto da verborragia,
Saturado da auto-imagem
Vexado do eu ideal
E perdido entre os outros que me habitam.
Decifra-me ou devoro-te
Pois só tenho a oferecer-te quem sou
E quem sou não é muito, é pequeno, é banal
...Mas se ainda me quiseres, toma-me.
Se não, caminha
E deixa-me com minhas dores,
Minha torpe idiossincrasia.

13.5.08

Fenômeno

Duas congratulações por mérito em serviço são devidas a diferentes agentes envolvidos nessa grande bananosa (com trocadilho, por favor) em que se meteu Ronaldo-bola:
- Ao escritório de comunicação que gerencia a relação do ex-craque com a mídia. As exclusivas à TV Globo foram realmente sacadas de mestre. E coçar o joelho operado a cada momento em que fala de superação... isso sim é uma mensagem subliminar bem arquitetada! A essa altura, metade da população já deve estar engolindo (ops!) o barraco com os travecos como um momento de fraqueza, um ato de episódica depressão do pobre-menino-que-com-muita-força-de-vontade-vai-vencer-mais-essa! (...) E vem agora o anúncio de que Ronaldo será pai novamente. Pule de dez! - Resgata-se sua funcionalidade heterossexual ao mesmo tempo em que sua imagem pública é atrelada ao conceito de família. Coisa que, diga-se de passagem, nunca foi a especialidade do jogador. O cara troca de esposa e namorada como quem troca de roupa, mas nada disso importa: Ronaldo será papai! O inocente que ora repousa no útero de Bia Anthony veio para salvar o ídolo! Acho que nem Duda Mendonça me sairia com uma dessas... É genial! E muito embora eu tenha minhas ressalvas morais quanto ao anúncio, tenho que admitir: é um prato cheio para os jornalistas. Coisa de quem entende e calcula o que vai fazer na lida com a imprensa.
- A mamãe Bia Anthony, que soube recolher-se em prantos e sumir das páginas dos jornais quando a bomba (ou a biba, como preferir) explodiu, apenas para voltar semanas depois, imaculada em sua concepção. O timing foi tão perfeito que me pergunto até que ponto a gravidez não foi.... não. Não pode ter sido orquestrada. Seria cinismo demais pensar assim. Eu não sou tão duro. Mas que, intencionalmente ou não, a moça está feita para o resto da vida, isso está...
Inocente nessa história, só mesmo o pobre menino de Bento Ribeiro. Mas veja que ótimo: não é assim mesmo que todos deveríamos nos lembrar dele - "O pobre menino inocente de Bento Ribeiro?" Engraçado... eu ainda enxergo uma cachorra louca que se meteu (ops!) num motel barato com três bonecas. (...) Mas esse sou apenas eu, e meu árido coração.

6.5.08

Uma pitada de humor americano

Entreouvido nos corredores do consulado geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro em uma tarde modorrenta de terça-feira:
- Hey, T.!
- Oh, hey, G.! Everything OK?
- Yeah, sure! So, what's up?
...
- My blood pressure.
Pano rápido.

16.4.08

Diálogos em areia branca - primeiro ensaio

Homem sentado em praia deserta de mar azul anil e areia branca, fina como seda, com grandes formações rochosas ao longo da costa. Ele se acomoda, reclina e apóia a espádua sobre uma rocha de aproximadamente dois metros de atura cuja superfície riscada pela ação do vento e da areia oferece filigranas de encantador e elaborado estilo. O estímulo tátil mistura-se ao cheiro fresco do mar trazido pela brisa, causando silenciosa sinestesia. Por um instante, o homem pensa atingir um estágio de total relaxamento e entrega a si mesmo. Põe-se fora da realidade e, em seu semi-transe, quase não escuta a voz que lhe dirige a palavra, um susurro de tom grave mas suave, ao mesmo tempo sólido e lento, como um velho avô pigarreante de olhar agudo, sabedoria inquestionável e sorriso maroto que só a experiência de vida vivida pode oferecer:
VOZ - O que fazes aqui?
HOMEM - Como?! Quem está falando? De onde vem essa voz?!
VOZ - Tanta pressa! Tantas indagações sobre o óbvio! A uma pergunta minha, ofereces três como resposta!
HOMEM - Deus meu! Enlouqueci! Estou ouvindo vozes!
VOZ - Não estás ouvindo vozes! Apenas uma voz. E considerando o abuso de recostares sobre mim teu peso cansado, poderias ao menos demonstrar o mínimo de cortesia em reconher-me como mais do que um patológico figmento de sua provavelmente limitada imaginação.
HOMEM - Recostado sobre você?! (...) Uma pedra? Eu estou conversando com uma pedra?! Como é possível?!
VOZ - Se vamos usar rótulos, prefiro que me chames de Rocha. Ainda serão milhões de anos até que o vento e o mar me cobrem o preço final do tempo e me tornem simplesmente pedra. Outros milhares até que minha consciência se dilua entre os grãos de areia desta praia.
HOMEM - ...Sonho... Será que estou sonhando?
ROCHA - Ótimo. Muito original. No lugar de um figmento patólogico, sou agora um figmento saudável da tua - definitivamente - muito limitada imaginação. Acho que se eu usasse punhos de quartzo para repelir tua enfadonha presença, pensarias estar completamente louco em ver uma rocha se movendo... Talvez então te tornasses um interlocutor mais interessante!
HOMEM, sobressaltado - Você... tem braços? E punhos?!
ROCHA - Não, não tenho. Mas sou capaz de imaginá-los. Quando a sua idéia de um século divertido consiste em contar as ondas e observar a paisagem, sobra tempo para conjecturar e imaginar o que faria se as coisas fossem diferentes. Eventualmente um falante de duas pernas passa por aqui. Poucos se recostam sobre mim, e desses um número ainda menor se dispõe a ouvir uma velha Rocha. Sinto-me só.
HOMEM - Bem... se vamos vamos usar rótulos, prefiro ser chamado de homem no lugar de falante de duas pernas. E você há de convir que conversar com uma pedra... me desculpe - conversar com uma rocha não é exatamente normal...
ROCHA - E por que não?! Os teus antepassados, há milhares de anos, faziam isso. Eu sorvi o sangue de sacrifícios tribais. Sobre mim riscaram signos e desenhos antes de balbuciarem as primeiras palavras; e bem aí onde agora estás, homens-macaco que há pouco ainda andavam com as mãos se sentaram para admirar o mar e imaginar o que havia além do vasto oceano. Eu fui altar, lousa e trono de sonhos! Eu fui cama de amantes e monotolito de deuses! Mas não mais. A tua raça distanciou-se na mesma medida em que convenceu a si própria de que eram os mestres da criação.
HOMEM - E não somos?
ROCHA - ...Depositaram na pólvora demasiada fé. Olha em volta, homem: tudo isso vai estar aqui bem depois de teus pares serem varridos do mapa da existência. Eu vi os primeiros peixes migrarem da água para terra, e vi dinossauros correndo pela areia. Eles se foram, os homens também irão. Eu não seria capaz de começar a explicar o quão fugaz é a existência de qualquer espécie que se mova. Estar de passagem é a essência de quem se move...
HOMEM - Você está discutindo semântica.
ROCHA - Não, não estou. Mas como já disse, reconheço minha incapacidade em discutir de forma válida e inteligível sobre mortalidade e expiração com um ser que conta sua vida em décadas. Leva, rogo-te, minha palavra como garantia: nós somos poeira cósmica. Nós somos um infinitesimal instante.
HOMEM - Nós? Pensei que você estivesse falando apenas das espécies que se movem.
ROCHA - Vocês são, sem dúvida, mais suscetíveis aos efeitos do tempo. Mas nada é eterno. Milhões de anos me ensinaram humildade. Talvez os homens de hoje em dia se julguem tão especiais porque ainda não tiveram tempo o suficiente sobre a terra para entender que estão traçando uma rota suicida.
HOMEM - ...Talvez estejamos mesmo. Guerras, desmatamento, poluição...
ROCHA - E quem falou em guerras, desmatamento e poluição? Por Gaia, vocês realmente acreditam que o planeta gira por obra, graça e intervenção do homo sapiens, não? O que eu estou dizendo é que de alguns séculos para cá a raça humana se alçou tanto para fora de si mesma que perdeu contato com o que tem mais precioso - o sopro de vida fundamental que lhes confere percepção, cognição e livre arbítrio. Cobriram o sexo por vergonha após comerem uma maçã, e desde então entraram em uma cadeia de auto-compensação que cada vez mais os afasta do que realmente são. Francamente, é patético.
HOMEM - E o que nós somos, realmente?
ROCHA - Livres. É o que deveriam ser, pelo menos. Esse era o plano.
(...)
ROCHA - Isso é que chamam de sorriso?
HOMEM - Como?! Oh, sim... isto é um sorriso. Para falar a verdade, nunca pensei que fosse tão simples.
ROCHA - O quê?
HOMEM - Sorrir. Você tem razão, afinal: nós nascemos para sermos livres. Isso deveria bastar.
(...)
HOMEM - Ei!
ROCHA - Sim?
HOMEM - ...Isso é um sorriso?
ROCHA - Não. É apenas um figmento da tua imaginação.

10.4.08

A frase brega do dia...

...cortesia de Exupèry numa noite chuvosa em que tudo ficou meio numblado:
"As coisas que amo, deixo-as livres. Se voltarem, é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive."
Por que será que o andarilho, pronto e à porta, flagra-se de súbito com medo de sair à rua? Que magia ou pavor congela seus passos? Que nostalgia toma-lhe de assalto e o transporta alhures em pensamentos, estando ele ancorado em seu alpendre de dúvidas e devaneios de outrora? Esta é uma noite sem respostas. O céu promete tormenta e o andarilho, perdido em si, de si e de todos, já não chora. Espera, apenas - entre apavorado e ansioso - um sinal que não vem. Os sinais estão mudos. Ele, imóvel. Aguardando. Fitando os olhos da noite. E os ventos são de arrepio e dor.

26.3.08

Camões

Eu, poeta menor, de pensamentos e atos tão previsíveis quanto desprovidos de rima, boa métrica e coerência de forma e conteúdo...
Busque, Amor, novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei por quê.

24.3.08

Solace of you


When it hurts to be out there
Where no one will care
I've got the solace of you
Frustrated by people's lying
But I keep on trying
I've got the solace of you
When I can't think straight
And there's no escape
I've got the solace of you
Gotta go inside, back where it started
Back to the beginning
'Cause that's where my heart is
They can hurt me, jail my body
I'll still be free
I've got the solace of you
They can take my land
Tell me I'm not who I am
I've got the solace of you
A wise man said to know thyself
'Cause in the end there's no one else
(There's) just the solace of you
Gotta go inside back where it started
Back to the beginning
'Cause that's where my heart is
Gotta go inside
Back to the beginning

27.2.08

Dr. Benton

O que acontece quando Duas Caras encontra Plantão Médico e eu faço minha estréia em teledramaturgia...

Tenho que admitir: é beeem mais divertido do que eu imaginava...

20.2.08

Mundo corporativo

Não sei de quem é o texto original, mas acho que nem o Max Gehringer faria melhor...
"A Formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho todo dia. Era produtiva e feliz.
O gerente Marimbondo estranhou a Formiga trabalhar sem supervisão - se ela era produtiva sem supervisão, o seria ainda mais se fosse supervisionada - e contratou como supervisora uma Barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência na área.
A primeira preocupação da Barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da Formiga. Logo a supervisora precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou uma Aranha, que dava uma mão na organização de arquivos e controlava as ligações telefônicas.
O Marimbondo ficou encantado com os relatórios da Barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A Barata, então, mandou vir uma Mosca para diagramar o conteúdo e comprou um computador com impressora colorida.
Não demorou muito até que a Formiga produtiva e feliz começasse a se lamentar por toda aquela movimentação de papéis e reuniões... O Marimbondo concluiu então que era o momento de criar a função de gestor de pessoal para o setor. O posto foi dado a uma Cigarra, que mandou colocar carpete no escritório e encomendou também cadeiras especiais com assento orto-postural. A nova gestora logo se deu conta de que precisava de uma assistente para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a Formiga - que já não cantarolava mais e a cada dia estava mais taciturna...
A Cigarra, então, tentou convencer o gerente Marimbondo de que era preciso fazer um estudo psico-motivacional das relações interpessoais no escritório. Mas o Marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que o departamento já não rendia como antes e licitou a preço de ouro os serviços da Coruja, uma prestigiada consultora, para que fizesse um diagnóstico da situação. A Coruja ficou três meses bebendo cafezinho por conta da empresa emitiu um longo relatório, com vários volumes, que apontava "queda de produtividade por excesso de pessoal e necessidade de reengenharia".
...Adivinha quem o Marimbondo mandou demitir?
- A Formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida."

13.2.08

Auto-ajuda em profundidade

Em 28 de abril de 2000, o russo Yuri Lipski, então com 22 anos, arriscou-se em um mergulho profundo no Blue Hole, em Dahab, Egito. Um dos mais famosos e belos pontos de mergulho da região, o "buraco azul" tem a sinistra alcunha de divers cemetery, ou cemitério de mergulhadores, pelo grande número de fatalidades ali ocorridas. A parede de coral é um verdadeiro playground para turistas que saibam respeitar os limites do merguho recreativo, mas uma séria armadilha para os que teimam em ignorar certificação e treinamento ao entrar na água: o espelho claro pode esconder correntes subaquáticas, escuridão em profundidade e falta de referência de fundo, o que é um risco para mergulhadores sem experiência.
Não era o caso de Yuri. Pelo que li, ele já mergulhava há um tempo considerável. Sonhava tornar-se instrutor e, quando buscou um dupla para descer o Blue Hole, professava experiência em mergulho profundo. Os verbos estão no pretérito por algo além de simples referência temporal: Yuri não voltou. Uma possível falha no equipamento combinada à provável narcose gasosa e intoxicação por alta pressão parcial de oxigênio o levaram à morte. A câmera de Yuri registrou tudo, um trágico e contundente lembrete de que ultrapassar limites sem considerar os riscos é péssima política quando a sua vida está na reta. O vídeo está disponível no You Tube. É real e autêntico. O sujeito morreu, e as imagens - para não falar do audio - não são agradáveis de se ver e ouvir. Eu não vou postar o conteúdo... porque não quero. Você pode buscá-lo, se a sua curiosidade mórbida o(a) impelir.
Vem daí uma corrente de pessoas que não sabem o que dizem afirmando que o mergulho no Blue Hole deveria ser banido. As imagens que eu vou postar são tanto uma resposta quanto uma deslumbrante mensagem sobre como pode ser saudável para a mente e para a alma testar os próprios limites quando os fatores de risco são considerados e contingenciados.
Em julho de 2007 o neozelandês William Trubridge esteve no Blue Hole. No que é considerada a mais pura - e talvez mais arriscada - forma de mergulho, ele atravessou, sem nadadeiras, lastro ou roupa de exposição, a passagem subaquática entre a baía de corais e o Mar Vermelho. O Arco, como é conhecido, tem aproximadamente 30m de comprimento e fica a 58m de profundidade. Com a devida estrutura de suporte, o sujeito desceu e fez a travessia no pulmão. Mais do que a beleza da água, o que me chama mesmo atenção é o sorriso de William ao final do mergulho... Isso é o que eu chamo de "classe A" em material de auto-ajuda:


Sorria. Teste seus limites, mas não vá fazer besteira.
Eu quero, um dia, mergulhar no Blue Hole.

6.2.08

No Limits

You deco stop
He deco stops
She deco stops
...I nitrox!

Enriched Air Nitrox Diver - Mais fundo... e por mais tempo!

16.1.08

Gramática Shakespeariana

O plural de banana boat é banana boats.
Não que Shakespeare vá se importar muito com isso. Acho que na época dele nem existia babana boat.
...Mas é isso. Banana boats no plural.

20.12.07

Do bit ao giga

Quinze boas razões para sorrir com o Playstation 3:
Assassin's Creed
Assassin's Creed
Home
Uncharted: Drake’s Fortune
Warhawk
Warhawk: Omega Dawn
Motorstorm
Metal Gear 4: Guns of the Patriots
Conan
flOw
Everyday Shooter
Calling All Cars
Resistance: Fall of Man
Def Jam: Icon
E, claro, antes que eu me esqueça...
Assassin's Creed
Difícil será dormir neste fim de ano.
Feliz Natal para você também.

27.11.07

Mas tá óóóóóóóótimo...

Foi a lindinha da Eleonora que inventou...
Que tal isso?
My Peculiar Aristocratic Title is:
Count-Palatine Glauco the Imposing of Withering Glance
ou isso:
His Noble Excellency Fasa the Fiendish of Chignall Smeally
Get your Peculiar Aristocratic Title
Viu só? Eu sou o cara!!!