24.8.10
Pérolas aos porcos
...E tem também aqueles dias (na verdade, fases) em que você começa a pensar que só tem mesmo uns três ou quatro amigos de verdade, pessoas com quem de fato pode contar, e que na realidade há um monte de gente à sua volta que se importa apenas em se aproveitar; roubar um pouco do seu brilho por ocasião. E a conclusão de que você dedicou (boa) parte do seu tempo nos últimos anos a relações que ora se resumem a sorrisos amarelos e silêncios, justamente quando você esperava se ver amparado, é um tiro. Gente que tomou partido sem ouvir, pessoas que se dizem muito abertas e descoladas mas que no fundo, você imagina, devem estar te julgando à revelia, exercendo o pré-conceito através da ausência. Que decepção. Que merda, isso. Que raiva. Que prejuízo.
Sorte ainda haver lá fora as gratas surpresas. Ombros e mãos amigas, olhares apenas, vozes ou toques gentis, que surgem de onde menos se espera. A essas almas samaritanas, agora tão mais queridas, obrigado!
E aos amigos e irmãos de sempre, tão seletos, presenças constantes na caminhada: amo vocês.
Ad astra trans aspera per alia fideles.
14.8.10
Estado Civil: Desinteressado
...E mais nada. É só isso que temos por hoje. O ser humano deveria ser uma ostra, e eu tenho uma baita preguiça de começar tudo de novo.
4.8.10
Oh, really?
O que eu pago em neurose acumulada pela posição que ocupo vem, em boa parte, das oportunidades perdidas de exercitar meu sarcasmo bilial em resposta à estupidez ou ingenuidade alheia. Sem dar o nome do santo, vejamos uma mensagem que apareceu hoje em minha caixa postal:
Olá, Glauco, Não nos conhecemos, eu sou o tal turista brasileiro e isso ainda não virou notícia. Não há cópias ocultas, também.
Eu também sou jornalista (...) Eu anexei um recibo de suspeito que recebi no aeroporto de Londres, pq eu fotografei as instalações do Aeroporto. Juro que , essa placa, eu não vi, se vc já passou por lá, deve ter percebido que o que mais tem nas ruas da cidade, além de gente, é placa ! eu sou brasileiro, eu não desisto nunca, mas às vezes , passa uma ou outra...não é a minha terra.
Fiquei realmente preocupado porque minha filha de quinze anos passou por tudo isso, minha esposa, que não fala inglês, e ficamos na iminência de perder o vôo, com conexão em Lisboa. Os oficiais do Mi-6 foram legais, pode anotar isso aí, mas o efeito Jean Charles passou pela minha cabeça. Foi bem desagradável, nada inglês. era evidente que eu era turista, duas perguntas bastavam, ainda apagaram as fotos.
E ficou aquela idéia terrível: minha filha é aluna do CAPES - UFRJ, currículo ímpar, está decidida a estudar medicina, talvez em Londres, pagando, veja bem, anota isso também, não estou pedindo nem negociando nada. Mas será que tem lista negra ? Quando ela pedir o visto, daqui há dois anos ou três ? O nome, passaporte, tudo foi anotado, checado pelo rádio, rechecado, foi um tormento, depois de 15 dias de viagem pela Europa, que infelizmente, não é mais uma social-democracia, como sempre admirei, de longe.
Os empíricos estavam certos, viver é experimentar. Meus cumprimentos à sua Majestade e seu Cônsul, os ingleses fizeram um bom uso do ouro das Minas Gerais.
Minha resposta:
Prezado XXX,
Obrigado por sua mensagem. Desconheço as reais circunstâncias da abordagem feita a V. Sa. e sua família, mas de pronto posso dizer que sinto muito pelas fotos perdidas. De fato, se agentes perceberam ou pensaram que as imagens registravam qualquer tipo de procedimento ou funcionários de segurança aeroportuária, seria de se esperar uma intervenção. Agradeço seu registro de que, no mais, a conduta dos agentes foi cortês e eficaz.
Atenciosamente,
Glauco Paiva
O que eu gostaria de ter escrito, mas não pude por dever de ofício:
...Puuuuxa, vida, mas que pena! Seria por demais leviano supor que talvez, apenas talvez, você ou alguém da sua família tenha despertado a atenção dos agentes de segurança por apontar sua câmera para funcionários ou procedimentos alfandegários? Se foi este caso, meu amigo, dê graças a Deus por isso ter acontecido na Europa - em qualquer outro lugar do mundo em que o terrorismo é uma preocupação real, você e sua família muito provavelmente teriam perdido não apenas a câmera (e não somente as fotos), mas também o vôo - detidos que ficariam em procedimentos de averiguação. Na próxima, pense só um pouco antes de apontar sua lente dentro de um aeroporto! E não me venha com essa de "obviamente turistas" - os mesmos sujeitos que poderiam tomar seu avião para arremessá-lo contra um prédio também embarcariam se fazendo passar por "obviamente turistas". Ou você acha que eles se declaram no balcão de check-in? "Errr, ahnn... com licença, eu na verdade tenho uma bomba, mas será que você poderia me deixar embarcar, já que estou obviamente bem disfarçado de turista?"
"Efeito Jean Charles" é o escambau, companheiro. Se isso fosse real, você estaria morto, e não tomando o meu tempo depois do que, ao que tudo indica, foi uma abordagem policial cortês e eficiente. Sem querer criar polêmica, culpar a vítima ou fazer a linha reacionária, mas sejamos realistas: Jean Charles morreu porque correu da polícia num dia em que bombas (no plural) estavam explodindo em Londres. Não fosse a iminência - ou melhor, Eminência - de sucessivos ataques terroristas, é provável que os policiais não tivessem atirado. Ainda diante das circunstâncias, talvez não o tivessem feito se o brasileiro não tivesse confundido a plataforma do metrô com uma raia de corrida. Então... passa amanhã com o seu "efeito Jean Charles", que isso é uma afronta ao bom senso. Ali, no lugar dos agentes, qualquer um atiraria - não só na intenção de salvar os outros passageiros, mas também para SE salvar, porque aquele homem correndo bem poderia ter uma bomba. Alguém atirou em você? Alguém sequer lhe ameaçou? Coagiu? Sacou uma arma no saguão do aeroporto de Heathrow? - Se não, viola no saco e vida que segue.
Finalmente, o que me importa o currículo da sua filha? E se o amigo está tão decepcionado com a Europa, que diferença faz para você esse mito de "lista negra" para emissão de vistos? Deveria mandá-la cursar medicina em Cuba. Ouvi dizer que, se é mesmo fato que a social-democracia européia caminha para a falência (assim entendo seu relato), o governo da ilha, ao contrário, recebe a todos de braços abertos e jamais, jamais usa força ou avança sobre diretos civis, mesmo em situações de exceção. Eles formam ótimos médicos e tenho certeza de que você, esposa e sua jovem doutora poderão tirar quantas fotos quiserem dos procedimentos e áreas sensíveis do aeroporto, sem qualquer problema.
Finalmente, coleguinha, acho que moramos em lugares diferentes. Lá de onde eu venho, policiais de elite atiram em trabalhadores por confundir uma furadeira com pistola automática, e quando o sujeito está no erro corre sério risco de levar umas boas porradas, ou pior. E não tem essa de Stop and Account Record, ou "recido de suspeito" como você diz. Documento atestando quando e onde você foi abordado, com assinatura do policial em questão e instruções sobre como proceder caso queria se queixar de qualquer procedimento?! - Onde eu moro não tem isso. Nem para propina os homens de farda dão contra-prova. Você diz que mora no Brasil, mas para me sair com essa sobre a polícia de Londres, deve mesmo viver na Suíça...
Ah, sim, quanto ao ouro das Minas Gerais: este os ingleses levaram mesmo. Você pode encaminhar sua reclamação à embaixada de Portugal. Eu, particularmente, estou mais preocupado com o ouro que os nossos políticos, bem brasileiros, estão colocando no bolso hoje.
Cordial abraço, tenha uma boa vida.
3.8.10
Undisclosed Desires
Tocando sem parar no meu player, ao lado de Sweetest Taboo (na ótima versão da francesa Krysstal com o rapper Lil Chain). Quando fui buscar a letra, vi comentários de que faz parte da trilha sonora de - Argh!! - Crepúsculo. Mas não importa. Posso fingir que não sei. A música é muito boa, e o clipe melhor ainda...
28.7.10
Dois anos para Londres 2012
Artigo assinado pelo cônsul geral britânico, Tim Flear, publicado no Globo Online em 27/07/2010:
Brasil e Reino Unido têm uma razão especial para celebrar o dia 27 de julho. Nós estamos a apenas dois anos da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres 2012. É um grande momento para as duas nações. Sabemos que os holofotes de todo o mundo estarão voltados para o Reino Unido, mas uma vez terminados os Jogos de Londres, vamos passar o bastão para o Rio e estaremos de olho em 2016.
O projeto Olímpico de Londres foi abraçado com entusiasmo pelo povo britânico. Nós queremos compartilhar essa experiência com todos e o Brasil é – de forma facilmente compreensível – um de nossos principais parceiros. Estamos ansiosos por mostrar como a moderna Grã-Bretanha torce, vive, sente e age.
Nossa sociedade multicultural é uma marcante característica britânica. Trata-se um país altamente cosmopolita. Por isso, atletas de mais de 50 nacionalidades que competirão em 2012 serão saudados por comunidades locais de seus países de origem: homens e mulheres de todo o planeta que vivem no Reino Unido. Essa diversidade assegura uma longa e duradoura tradição de descobertas e criatividade. Milhares de brasileiros que trabalham e estudam no Reino Unido são a prova viva disso.
Inovação é a palavra chave para a realização dos Jogos, e Londres está trabalhando duro nesse sentido. O Parque Olímpico, por exemplo, se propõe a oferecer um modelo de vida sustentável. A área será transformada no maior parque urbano da Europa. Além disso, toda a área de East London está sendo revitalizada como parte de nosso projeto Olímpico. Este é um legado que perdurará por décadas, muito após o término das Olimpíadas.
No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes pretende usar os Jogos de 2016 como plataforma para a renovação da zona portuária e outras regiões da cidade. Isso só pode resultar em mais negócios e investimentos. Em 2016, as milhares de pessoas que vierem ao Rio para assistir às competições Olímpicas irão ver e experimentar em primeira mão o que os moradores daqui já sabem: que esta cidade tem muito mais do que lindas praias e paisagens. É uma agitada metrópole com capacidade sem igual de reunir negócios e entretenimento, uma combinação perfeita para o maior evento esportivo do mundo.
Do outro lado do Atlântico, nós prometemos, como parte de nosso plano para sediar as Olimpíadas, fazer de 2012 mais do que um grande espetáculo, mais do que seis semanas de esporte e mais do que apenas Londres. E estamos realizando isso. Os Jogos já dão mostras de um impacto real e positivo em cada aspecto da vida britânica; da cultura à saúde, da educação ao meio ambiente e da economia às comunidades locais.
Brasil e Reino Unido compartilham um mundo de coisas em comum e nós vamos seguir trabalhando duro para dar continuidade à robusta e frutífera parceria entre nossos países. E não nos esqueçamos que a Inglaterra é candidata a sediar a Copa do Mundo de 2018! Ao marcarmos em nosso calendário o dia 27 de julho como os dois anos para Londres 2012, eu quero celebrar essa oportunidade sem precedentes à nossa frente: podemos estar diante de uma década de esportes entre Brasil e Reino Unido. Este é o nosso momento. Esta é a nossa hora. E o mundo todo está convidado.
8.4.10
Dan Brown não tem nada com isso
Em 03 de abril, o colunista João Ximenes Braga publicou acintoso ataque ao Colégio de São Bento no caderno Ela do jornal O Globo. Minha réplica:
Prezado João,
Sinto muitíssimo pelo seu relato em coluna publicada no caderno Ela do jornal O Globo em 03 de abril. Sinto por você e por sua visão de mundo, que o impede de espantar-se com a sucessão de escândalos sexuais envolvendo o clero católico. Não que, por si, escândalos sexuais devessem causar espanto a priori. Como jornalista, compartilho a dureza de coração e o cinismo quando o assunto são desvios da norma de qualquer espécie. Mas dizer-se “blasé” quando crianças sofrem abuso denota um grau de frieza que, com o perdão da franqueza, beira a psicopatia. Então, antes de tudo, permita-me humildemente sugerir que o nobre colega, diante da coragem demonstrada na expiação pública de seus traumas, procure um profissional da psique para dar seqüência apropriada a esta catarse. Ganhará você como pessoa, ganharão seus leitores e admiradores quando isto vier a se traduzir em colunas menos raivosas.
Penso que estudamos em instituições de ensino diferentes. De certo o Colégio de São Bento que freqüentei é outro, em que nem de longe se vislumbravam os horrores por você descritos. Isso, ou posso considerar-me um sujeito ao mesmo tempo ingênuo e de demasiada sorte, pois que naquela casa de saber vim a experimentar o civismo por valor educacional e o debate em alto nível quando das discordâncias.
Tendo você falado de suas experiências, arvoro-me a partilhar as minhas: bolsista na escola, não tive minha posição ameaçada nem quando bati de frente com o reitor por duas vezes – uma por incitar colegas a cabular aulas para participar de passeatas contra o então presidente da República; outra quando, juntamente com amigos, participei da elaboração e publicação de um jornal-manifesto contra a estrutura do grêmio estudantil, provocando um racha pelos corredores. Ambas as ocasiões me levaram à reitoria para ter com o saudoso e respeitabilíssimo D. Lourenço de Almeida Prado, cuja biografia fala por si. Atesto que não encontrei nele qualquer ranço de autoritarismo. Muito pelo contrário, guardo até hoje respeito por sua legítima autoridade em face ao tom crítico e elucidativo das conversas que tivemos.
Permita-me dizer que tive ótima introdução às ciências humanas enquanto aluno do São Bento. A relação com professores e alguns padres do mosteiro, mais próximos ao colégio, lançou base para o desenvolvimento de visão crítica e livre pensar – diga-se de passagem, os mesmos valores pelos quais deixei de freqüentar a missa todos os domingos e acabei me afastando da Igreja Católica, mas isso é outra conversa. Fato é que ali se estimulava, sim, a criatividade e o desenvolvimento intelectual dos alunos. E não apenas na matemática aplicada. Concursos literários eram praxe, para dar apenas um exemplo. Usar as mazelas de uma Igreja que se reconhece santa e pecadora e importá-las para as salas de aula como forma de ataque ao colégio foi, a meu ver, golpe baixo de sua parte. Quando reflito sobre o número de contemporâneos discentes que sei terem se tornado menos religiosos justamente porque o ensino não era exacerbadamente contaminado pelo teocentrismo, só posso pensar que ganhamos nós, os estudantes, e perdeu a Igreja. Isso dentro do mesmo calabouço autoritário que, nas suas tintas, é pintado como um campo de concentração para jovens. Paradoxal, para dizer o mínimo...
No mais, prezado João, fica a pergunta: se o Colégio de São Bento foi tamanho suplício em sua trajetória, por que simplesmente não deixou seus quadros? É difícil imaginar pais que, diante do exposto por você, tenham optado por manter o rebento em suposto sumidouro de violência física e intelectual. Mas a indagação talvez seja inócua... Quer me parecer que você não tenha, de fato, concluído o ensino médio no colégio. É mera suposição, posso estar enganado. Faço-a baseado em limitada observação empírica de que tanto rancor contra a escola é lugar quase comum entre os que deixaram a caminhada precocemente, seja por que motivo. Entre os que podem dizer que completaram seus estudos no São Bento, é mais freqüente se notar orgulho. Seja como for, João, sinto por você. O grau de abuso que diz ter sofrido me condói. Quedar-se indiferente quando assunto é estupro – físico ou pedagógico – de crianças certamente não é traço beneditino. Não é traço, sequer, de um sujeito são. Cuide-se, colega. Não caia na armadilha do amargor que, à guisa de objetividade, tenta diariamente afastar a nós, jornalistas, do que seja humano.
Cordialmente,
Glauco Paiva
Jornalista
Jornalista
24.3.10
29 de Fevereiro
Acho que caí na armadilha do tempo. Esse velho algoz que insiste em nos roubar tudo quanto é essência de alegria e tristeza, dor e prazer – vida, enfim – em módicas quantias que somente a posteriori se apresentam como gigante subtraído de nós mesmos, para nossa surpresa, desespero e indignação.
Eu costumava não perceber os minutos e horas que perdia no trânsito, no ócio improdutivo, na companhia de pessoas que nada tinham a me acrescentar, em projetos esdrúxulos no trabalho, em coquetéis de negócios onde o sorriso amarelo é a senha de acesso universal. Não mais. Estou por demais ciente...
E vem de repente a noção de que já passei dos trinta, e vivi boa parcela da vida construindo uma realidade da qual, agora, não faço tanta questão de me apropriar. O clichê seria dizer que tomei consciência de que não conseguirei, até o fim dos meus dias, ler todos os livros que gostaria. Mas a realidade é bem mais cruel do que isso: hoje, aqui e agora, já não tenho tempo para viajar, jogar, ouvir, mergulhar, correr, tocar, beijar, dançar, interpretar, gozar, comer, flertar e mesmo dormir tanto quanto gostaria. Ler?! – Ler é a menor das minhas questões.
Preciso com urgência arrumar um jeito de fazer tudo isso, sob risco de me tornar um sujeito intragável num futuro bem próximo. E mesmo em caso de sucesso, preciso todavia pensar em me casar e ter filhos, porque, afinal, que tipo de sujeito sou eu, que tendo caminhado por mais de três décadas sobre esta Terra, ainda imagina que tem muito a fazer antes de jurar dividir o resto seus dias com alguém que o ame, e reluta em dar sua moralmente obrigatória contribuição para a insustentabilidade populacional do planeta?
Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac.
Quero multiplicar meu tempo, para poder dividir meu tempo. Tenho dívidas a resgatar e desculpas a pedir a gente que me queria mais, me amava mais, e a quem não consegui me dar como mereciam - no passado, presente e futuro do pretérito. O fardo é pesado e para completar as costas me doem todas as manhãs. A vida me subtrai e o calendário só me oferece um único dia a mais em fevereiro de quatro em quatro anos. Essa conta não fecha, e eu estou numa puta moratória, beirando a insolvência. Angústia que só.
6.1.10
God put a smile upon your face
Where do we go nobody knows
I've gotta say I'm on my way down
God give me style and give me grace
God put a smile upon my face
Where do we go to draw the line?
I've gotta say I've wasted all your time, honey honey
Where do I go to fall from grace?
God put a smile upon your face, yeah
Now when you work it out I'm worse than you...
Yeah, when you work it out I want it too
Now when you work out where to draw the line
Your guess is as good as mine
Where do we go nobody knows
Don't ever say you're on your way down, when
God gave you style and gave you grace
And put a smile upon your face, oh yeah
Now when you work it out I'm worse than you
Yeah when you work it out I want it too
Now when you work out where to draw the line
Your guess is as good as mine
It's as good as mine
Where do we go nobody knows
Don't ever say you're on your way down, when
God gave you style and gave you grace And put a smile upon your face
20.10.09
Do politicamente correto e a síndrome da minoria autoritária
Vamos deixar uma coisa bem clara, que é para tirar a obviedade do caminho: eu, tanto quanto você, tenho preconceitos. Todos temos. Os meus e seus podem não ser tão óbvios e gritantes quanto os alheios, mas cada um sabe onde seu calo aperta e quando o tabu estabelece limites absolutamente irracionais ao que deveria ser uma percepção mais isenta e clara do outro e do ambiente que nos cerca.
Isto posto, conste nos autos que tenho vários amigos homossexuais, penso que o Conselho de Segurança da ONU deveria ser composto apenas por mulheres (preferencialmente mães) e ultimamente ando convivendo um bocado com crianças, o que me leva a pensar quão patéticas e elaboradamente hipócritas são algumas (im)posições do mundo adulto, para as quais minha paciência se esgota.
A mais estúpida delas, que repetidamente me bate na cara e enfurece, é o policamente correto. Sob disfarce de tornar o vernáculo e certas atitudes reprováveis menos ofensivas através de um quinhão de bom senso no falar e agir, a concessão transmutou-se em arma das ditas "minorias" (tenho cá minhas dúvidas se são minorias mesmo) para manter o resto da sociedade como refém, na mira de escrutínio e humilhação pública por qualquer pensamento ou palavra, ato ou omissão.
Dia desses foi uma discussão acerca de certa reportagem abordando o homossessualismo, e eu ouvi - de um gay - que o repórter talvez não tivesse sensibilidade suficiente para escrever pois, afinal de contas, era hétero. Daí quando respondi que pensava ser o repórter, efetivamente, homo, a julgar por sua postura, fui fuzilado com olhar reprobatório. Então... um jornalista formado não pode, a priori, escrever sobre homossessualismo porque lhe falta esteio sentimental a não ser que seja "amiga", e eu ainda por cima estou errado por reconhecer maneirismos afeminados quando os vejo, ali, escancarados?! - Onde está o preconceito?
...E ontem, foi no metrô. Fim de tarde chuvoso, eu a caminho de uma missa de mês por um parente distante que faleceu inesperadamente deixando outros parentes, estes mais próximos, arrasados. Mas isso não vem ao caso. Chego correndo à plataforma de embarque, horário de pico, trem lotado, portas fechando. Me jogo no primeiro vagão à vista, para só depois perceber que era o vagão das mulheres. Alguns outros homens por ali, mas ninguém reclamou. A rigor, nem poderia, pois apesar do grande fluxo de passageiros(as), era feriado, e a letra da lei determina exclusividade apenas em dias úteis. Mas foi o trem parar na estação seguinte para que viesse um guarda de segurança exercer sua micro-autoridade e, exaltado, exigir que saíssem os homens...
Pois não saí. Recusei-me, comprei briga. Não havia legislação que me obrigasse, eu havia entrado ali por acaso, e a última coisa na minha cabeça, a caminho da igreja, era me aproveitar de qualquer jovem senhora. Aliás, acho que a última vez em que pensei em fazer isso, tinha 15 anos. E foi num ônibus, nem metrô era. Achei injusta e injustificável a atitude do sujeito, finquei pé e de lá não arredei. Em verdade, a lei é uma besteira, mas é incômoda. Como cidadão de bem com assinatura no contrato social, tenho que respeitá-la embora dela discorde. Mas toda essa imposição e agressividade para fazer cumprir uma legislação vazia... tenha a santa paciência.
Em resumo: o politicamente correto é, hoje em dia, quase uma armadilha social. É o preconceito sobre o preconceito ao quadrado, e periga a defesa dos indefesos tornar-se indefensável. Quando isso acontecer, meus caros, será a barbárie, porque tem gente lá fora realmente precisando de ajuda, pouco preocupada com trato e nomenclatura. De minha parte posso dizer que estou farto desses jogos de cortesia, e me adianto em frisar que não vou pedir desculpas a ninguém por ser homem, heterossexual e classe média da zona sul. Quer saber? - Minoria sou eu, e nenhum estatuto social me defende. Então... se alguém ficar muito incomodado com isso, sugiro meia-hora de passividade anal em três vias. Só não escrevo de forma mais explícita para não correr o risco de ser taxado de machista grosseirão.
17.9.09
Conselho de amigo
Não voe Air France. Jamais voe Air France. Sob qualquer circunstância. O serviço da companhia está tão confuso quanto seu departamento de manutenção. Tudo é desencontrado, e eu só posso dizer, depois de um absurdo episódio por que passei recentemente, que realmente não acredito ser a toa o fato de eles estarem perdendo aeronaves no Atlântico.
Então, mais uma vez: não voe Air France.
E cuidado em Paris. A cidade é linda, mas está cheia de franceses. E eles podem morder a qualquer momento, sem aviso prévio.
1.7.09
Highlander
Pois então...
A mudança de emprego, a falta de férias (meu Deus, eu preciso tanto!) e o twitter quase mataram este blog, mas pelo menos eu ainda me lembro da senha de acesso...
Já é alguma coisa.
30.4.09
Um plá sobre as não-tão-novas mídias e comunicação estratégica
Uma empresa dos Estados Unidos resolveu lançar uma nova marca de ração canina. Conduziu pesquisas para saber quantas famílias tinham Totós na região, reuniu grupos focais para escolher a embalagem mais atraente, fez campanha em horário nobre, jornais e mala direta, pagou pelo melhor espaço nas prateleiras dos supermercados… enfim, fez todo o dever de casa.
O lançamento foi um sucesso, mas algumas semanas depois as vendas começaram a cair. A ração empacou nas prateleiras, e em pouco mais de dois meses a empresa interrompeu a fabricação e distribuição, após descobrir que… os cães não estavam comendo a ração!!
A história é uma anedota que especialistas em marketing nos Estados Unidos gostam de contar. Reflete, com simplicidade e clareza, uma obviedade que muita gente em vendas e comunicação insiste em ignorar: se você quer promover uma idéia ou um produto, é preciso saber quem é seu público alvo. Pregar para o vento na vã esperança de que vá fazer eco, meus amigos, é um tiro no pé.
Ontem me peguei em uma boa conversa com o síndico sobre algo que, conceitualmente (e muito embora eu seja avesso a rótulos) gosto de chamar de comunicação estratégica. Não demorou muito para começarmos a falar sobe a aplicação de novas mídias em disseminação de marcas, apenas para descobrir que compartilhamos a opinião de que o novo já não é tão novo assim...
Pense: Twitter, redes sociais, blogs, podcasts… nada disso é novo. Tudo já tem nome, está aí, em uso, e faz parte de um espaço maior chamado internet – alguém aí já ouviu falar? A questão é que, não mais do que repente, a velha máxima do direito que dita “Não está nos autos, não está no mundo” foi transmutada em algo próximo de “Se não está na rede, não existe”. Em tempos nos quais indivíduos viram avatares, é fácil cair na tentação de se lançar em canais virtuais imaginando que será fácil e barato produzir conteúdo qualificado. Ledo engano e grande armadilha. Vários podcasts por aí recebem reclamações de ouvintes quando aceitam quotas de patrocínio. Para citar um caso específico, o Marcelo Tas perdeu seguidores no Twitter depois após endossar produtos de uma companhia telefônica.
Quem errou? – Talvez ninguém. Talvez o importante seja justamente entender que os produtores de podcasts também têm contas para pagar, e embolsar um bom patrocíonio não é sinônimo de comprometer a credibilidade. Vou repetir a palavra: credibilidade. Está aí a chave da comunicação, seja em que ramo for: jornalismo, publicidade, artes dramáticas, virais de rede. O pulo do gato é entender que o equilíbrio é fino entre o pessoal e o institucional, e agradar a gregos e troianos é impossível em larga escala, então, ao pensar na promoção de o que quer que seja, é necessário entender quem se quer atingir. É triste ver que muitas empresas se lançaram nas “novas mídias” só para dizer que estão lá. Mas os velhos chineses já diziam que, para quem não sabe onde quer chegar, nenhum vento sopra a favor…
O Babu e a rima
Vejam só essa última do excelentíssimo deputado estadual Jorge Babu: um projeto de lei determinando que...
“Art. 1º A Secretaria de Saúde divulgará, em seu site, os nomes dos soro-positivos, cidadãos contaminados com HIV/AIDS, em todo Estado do Rio de Janeiro.
Art. 2º Tal listagem receberá atualizações mensais, constando seus nomes completos e Cadastro de Pessoa Física – CPF.
Art. 3º Todos os cidadãos contaminados com o vírus HIV deverão portar identificação própria de sua condição.
Art. 4º O portador de tal documento, terá prioridade no atendimento emergencial hospitalar da rede pública."
Divulgar nomes de soro-positivos?!?! - Eu não vou nem começar a falar sobre preconceito. Até porque não preciso. Veja o que diz o próprio parlamentar em sua justificativa para apresentar o ensejo de legislação à apreciação de seus pares:
“O Princípio da Isonomia ensina que devemos tratar os iguais de forma igual e os diferentes de forma diferente. Por óbvio somos todos iguais, inclusive perante nossa Carta Magna. Contudo, enquanto detentores de condição viral contagiosa, tais cidadãos assumem característica diversa dos demais, exigindo tratamento diverso, que será providenciado de forma segura por esses profissionais, através da identificação prévia do cidadão soro-positivo.”
Sobre Jorge Babu: em 2004, foi preso em flagrante pela Polícia Federal numa rinha de galos, atividade considerada crime ambiental no Brasil. Já em liberdade, enfrentou processo de expulsão do partido. Em setembro de 2008, foi denunciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha e extorsão, acusado de chefiar milícias na Zona Oeste. Em 26 de janeiro de 2009, a Executiva Nacional do PT finalmente decidiu, por unanimidade, expulsá-lo da legenda.
Expulso do partido, mas ainda legislando... Em nome de quê? Em nome de quem?!
C'est pas un pays sérieux.
16.4.09
Pára tudo!!
Espera aí! Pára tudo mesmo! Tipo... puxa a corda, que eu quero descer! Eu não queria acreditar nas imagens quando vi na TV: agentes de "segurança" (?!?!) em uma estação de trem agredindo passageiros a socos e pontapés para permitir o fechamento das portas?
- COMO ASSIM?!?!
Não é novidade para ninguém que o sistema ferroviário do Rio de Janeiro é precário, mas o que se viu essa semana foi totalmente além da conta... os trens fluminenses viraram mesmo a versão contemporânea dos antigos navios negreiros: pobres viajando em condições insalubres para trabalhar - a maioria por salários miseráveis. O que houve mesmo em 1888? Tão pouco mudou em dois séculos... Mudou a cor da mão do carrasco. Que perverso ver negros pobres batendo em negros pobres por motivo banal. É triste, é aviltante, é o fim do mundo.
E pensar que transporte, no Brasil, é concessão pública...
2.4.09
Estupidez ambientalóide
Vamos deixar algo claro de início: eu não tenho muita paciência para ONGs que se professam instituições sem fins lucrativos ao mesmo tempo em que geram milhões de dólares através da cooptação do idealismo alheio, principalmente de jovens. Voluntarismo de orçamento astronômico não me convence, e embora eu reconheça um módico valor em algumas ações de grupos como o Greenpeace, na maioria das vezes o que vejo é uma patética busca por publicidade gratuita nas páginas de jornais, retroalimentando não a conscientização por um mundo melhor, mas sim o poder de barganha e, em última análise, as contas bancárias dos próprios grupos em questão.
Penso que a tal consciência ecológica mora nos pequenos gestos que se tornam exemplos: apague a luz e convença seu colega de escritório a fazer o mesmo. Recicle. Não deixe lixo na praia. Se tiver paciência, retire o lixo dos outros da areia. Eu confesso que ainda não cheguei a esse estágio, mas outro dia fiquei babando de admiração quando a morena fez isso e, logo ali ao lado, uma mãe que estava cercada de copos plásticos vazios produzidos por seu pimpolho tratou logo de recolher a bagunça. Não sei se a moça efetivamente levou a tralha quando foi embora, mas pude ver uma atitude simples e despretensiosa fazer a diferença. E foi de graça.
Por que estou falando nisso? Porque o Greenpeace, mais uma vez, me irritou pela estupidez. Capitulando: tentar impedir o avanço de uma embarcação baleeira nas águas geladas do norte usando um bote de borracha é corajoso. Inútil, mas corajoso. Já parar o trânsito na ponte Rio-Niterói em plena hora do rush para estender uma faixa com palavras de ordem é apenas o cúmulo da burrice ambientalóide. Pois foi isso mesmo que os "gênios" resolveram fazer nesta quarta-feira.
A ação de 21 eco-chatos (que eu só posso pensar, queriam mesmo é aparecer) causou um engarrafamento de 18km. Ora, segundo a concessionária que administra a ponte, mais de 20 mil veículos passam por ali entre 7h e 11h da manhã. E nenhum dos nobres trapalhões verdes pensou que tamanha quantidade de veículos trafegando em marcha lenta ou em ponto morto iria de fato AUMENTAR a emissão de gás carbônico e outros poluentes enquanto durasse a brincadeira de rapel na bela paisagem da baía de Guanabara?! - Sem contar no atraso de vida que isso causou para um sem-número de cidadãos? Será mesmo que existe alguma chance de aquelas pessoas travadas no tráfego, impossibilitadas de chegar ao trabalho, escola, ou o que seja, virem a se tornar os próximos simpatizantes e porta-estandartes da causa? - Sei não, mas algo me diz que isso é pouco provável...Mais: estou longe de achar que vivemos num mundo cor-de-rosa (ou verde!), mas o Rio de Janeiro, apesar de toda a barbárie e desordem urbana, ainda produz motoristas que páram seus carros - voluntariamente! - em uma das mais movimentadas avenidas da zona sul da capital para que um gambá possa atravessar a rua. Veja o que aconteceu essa semana mesmo no Jardim Botânico…
O resumo da minha ópera: Greenpeace e seus genéricos deveriam levar suas ações de prentensa guerrilha ambiental para fronts onde elas efetivamente possam fazer alguma diferença para melhor. E precisam, desesperadamente, incorporar estratégias de logística e relações públicas no planejamento de o que quer que pensem em fazer a título de chamar a atenção do mundo para uma causa que, justamente por ser tão nobre, não deve virar bandeira de abuso em busca de auto-promoção. A meu ver, esculhambar o trânsito e violar o direito de ir e vir das pessoas estão longe de ser notas positivas no portifólio de qualquer movimento que se auto-denomine "social".
Fotos: O Globo Online
31.3.09
Duro de matar
Três vivas para Emerson de Oliveira Abreu, 36 anos.
Quem é Emerson de Oliveira Abreu? - É um sortudo. Aliás, para falar a verdade, sortudo não define bem esse sujeito: ele é, na realidade, o feliz alvo de uma intervenção divina.
...Depois de ter sido alvo do próprio arpão.
Para quem não leu nos jornais, explico: Emerson foi atingido na cabeça pelo próprio arpão enquanto fazia pesca submarina na baía de Guanabra. O projétil perfurou seu crânio e seguiu cérebro adentro, alojando-se a não mais do que 1 mm (vou escrever por extenso, para que eu mesmo possa acreditar: um milímetro!!) da carótida. O acidente aconteceu no fim de semana e a versão mais provável é a de que o arpão, ao ser disparado, tenha ricocheteado em uma pedra e atingido o pescador na seqüência.
Como está Emerson? - Bem, obrigado. Chegou consciente ao hospital, foi transferido para outra unidade porque não havia equipe de neurocirurgia na primeira clínica, foi operado e deve ficar uma semana em observação, com risco mínimo de seqüelas. Ainda é cedo para saber se sua visão será comprometida, mas os médicos dizem que provavelmente ele sairá ileso do susto.
Cá entre nós: eu não acredito em milagres. Mas essa é difícil de explicar... Deus ex machina, eu diria. Nada menos do que isso.
Cá entre nós: eu não acredito em milagres. Mas essa é difícil de explicar... Deus ex machina, eu diria. Nada menos do que isso.Então... três vivas para Emerson. Eu desejaria longa vida ao sujeito, mas acho que meus votos de longevidade seriam uma inútil redundância: tenho todos os motivos para acreditar que ele só vai morrer aos 128 anos, e mesmo assim, apenas se quiser.
Só digo que seria ótimo se, daqui até lá, ele deixasse de lado essa história de pesca com arpão. Ô, coisa mais feia...
18.3.09
Alguém, por favor...
Eu, num casulo, em posição fetal, batendo com a cabeça na parede em ritmo descompassado.
Alguém, por favor, anote a placa na minha a analista e cobre dela as minhas dores por ter-me dito exatamente o que eu precisava ouvir? Tem dias, meus amigos... tem dias em que a noite é foda.
16.3.09
Hoje
Hoje tive ânsia de escrever sobre tudo, e também sobre o nada. De falar sobre simulações de adeus disfarçadas em quase-alôs que falam muito mas não se traduzem ou realizam. De alegria e estranhamento entre íntimos improváveis quase unidos de tão próximos, repelidos de súbito a título de não-sei-quê, vindo de não-sei-onde, que deixou alguém convencido de que distância é presença. Sobre paradoxos de prolífica significância racional mas patética e lacrimal expressão prática do que seja o desejo de estar, de confabular, de conspirar em silêncio quando palavras se fazem obsoletas.
Hoje me veio desejo de expressar turbilhão e redemoninho, chuva de raio, tormenta de acabar o mundo. Talvez só para ver, no fim de tudo, quem de fato me pediria para velar seu sono e sobre o meu faria vigília contra os assassinos, ladrões e bestas dos últimos dias. Eu sei quem gostaria de ter comigo. Mas será que já contei a todos? Será que eles sabem? De verdade?
Hoje me veio essa urgência de ser abrigo e braço forte, enquanto também menino assustado. E com medo de impossíveis quimeras (ou quiçá de perder a inocência), correr para o quarto dos pais - que já não mais existe. Para quem serei porto e farol? Para quem serei nau à deriva?
Hoje me veio esse misto, esse nó na garganta, esse lirismo represado, esse tesão no inefável; até que a força de mil orgasmos explodiu em curto para mostrar a falta de sentido em tudo quanto seja raciocínio e pontualmente planejado quando nos assalta essa tal nostalgia pelo que ainda temos, ou nunca tivemos, porque nunca teremos - a não ser que se nos dêem de bom grado e em livre exercício de hormônios e sentimentos, carne, cheiro, sangue, sal e gozo, contra o que seja ego, orgulho e falsas verdades sobre si mesmo e o que se pensa querer...
Hoje, sentei-me para escrever de amor.
Mas não pude conter-me quieto por tempo suficiente.
15.3.09
Love two Times
Na falta de algo melhor pra fazer, e com muita coisa ruim pra se ouvir por aí... Um pouco de The Doors pra salvar este fim de domingo...
Love me two times, baby
Love me twice today
Love me two times, girl
I'm going away
Love me two times, girl
One for tomorrow
One just for today
Love me two times
I'm going away
Love me one time
I could not speak
Love me one time
Yeah, my knees got weak
But love me two times, girl
Last me all through the week
Love me two times
I'm going away
Love me two times
I'm going away
Oh, yes
10.3.09
O diabo nos detalhes
Você já parou para se perguntar se cada pequeno gesto ou atitude das pessoas a seu redor tem um significado oculto, uma mensagem nas entrelinhas? Uma idéia ou sensação que talvez o próprio emissor sequer estivesse pensando em transmitir? Será que Freud estava certo ao dizer que às vezes um charuto é só um charuto, ou fato é que tudo - quando o assunto é relação interpessoal - tem um porquê, ainda que incógnito ou mesmo inconsciente?
Bem... eu não estudei psicologia. O máximo que fiz foi estudar teatro. E às vezes me flagro na paranóia do subtexto. Hoje, manhã ruim, dói a incerteza por conta de pequenas coisas, que eu sei (ou quero crer) são desimportantes, mas incomodam assim mesmo.
Ah, os pequenos dilemas... o que seria da vida sem eles?
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