27.2.08

Dr. Benton

O que acontece quando Duas Caras encontra Plantão Médico e eu faço minha estréia em teledramaturgia...

Tenho que admitir: é beeem mais divertido do que eu imaginava...

20.2.08

Mundo corporativo

Não sei de quem é o texto original, mas acho que nem o Max Gehringer faria melhor...
"A Formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho todo dia. Era produtiva e feliz.
O gerente Marimbondo estranhou a Formiga trabalhar sem supervisão - se ela era produtiva sem supervisão, o seria ainda mais se fosse supervisionada - e contratou como supervisora uma Barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência na área.
A primeira preocupação da Barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da Formiga. Logo a supervisora precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou uma Aranha, que dava uma mão na organização de arquivos e controlava as ligações telefônicas.
O Marimbondo ficou encantado com os relatórios da Barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A Barata, então, mandou vir uma Mosca para diagramar o conteúdo e comprou um computador com impressora colorida.
Não demorou muito até que a Formiga produtiva e feliz começasse a se lamentar por toda aquela movimentação de papéis e reuniões... O Marimbondo concluiu então que era o momento de criar a função de gestor de pessoal para o setor. O posto foi dado a uma Cigarra, que mandou colocar carpete no escritório e encomendou também cadeiras especiais com assento orto-postural. A nova gestora logo se deu conta de que precisava de uma assistente para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a Formiga - que já não cantarolava mais e a cada dia estava mais taciturna...
A Cigarra, então, tentou convencer o gerente Marimbondo de que era preciso fazer um estudo psico-motivacional das relações interpessoais no escritório. Mas o Marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que o departamento já não rendia como antes e licitou a preço de ouro os serviços da Coruja, uma prestigiada consultora, para que fizesse um diagnóstico da situação. A Coruja ficou três meses bebendo cafezinho por conta da empresa emitiu um longo relatório, com vários volumes, que apontava "queda de produtividade por excesso de pessoal e necessidade de reengenharia".
...Adivinha quem o Marimbondo mandou demitir?
- A Formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida."

13.2.08

Auto-ajuda em profundidade

Em 28 de abril de 2000, o russo Yuri Lipski, então com 22 anos, arriscou-se em um mergulho profundo no Blue Hole, em Dahab, Egito. Um dos mais famosos e belos pontos de mergulho da região, o "buraco azul" tem a sinistra alcunha de divers cemetery, ou cemitério de mergulhadores, pelo grande número de fatalidades ali ocorridas. A parede de coral é um verdadeiro playground para turistas que saibam respeitar os limites do merguho recreativo, mas uma séria armadilha para os que teimam em ignorar certificação e treinamento ao entrar na água: o espelho claro pode esconder correntes subaquáticas, escuridão em profundidade e falta de referência de fundo, o que é um risco para mergulhadores sem experiência.
Não era o caso de Yuri. Pelo que li, ele já mergulhava há um tempo considerável. Sonhava tornar-se instrutor e, quando buscou um dupla para descer o Blue Hole, professava experiência em mergulho profundo. Os verbos estão no pretérito por algo além de simples referência temporal: Yuri não voltou. Uma possível falha no equipamento combinada à provável narcose gasosa e intoxicação por alta pressão parcial de oxigênio o levaram à morte. A câmera de Yuri registrou tudo, um trágico e contundente lembrete de que ultrapassar limites sem considerar os riscos é péssima política quando a sua vida está na reta. O vídeo está disponível no You Tube. É real e autêntico. O sujeito morreu, e as imagens - para não falar do audio - não são agradáveis de se ver e ouvir. Eu não vou postar o conteúdo... porque não quero. Você pode buscá-lo, se a sua curiosidade mórbida o(a) impelir.
Vem daí uma corrente de pessoas que não sabem o que dizem afirmando que o mergulho no Blue Hole deveria ser banido. As imagens que eu vou postar são tanto uma resposta quanto uma deslumbrante mensagem sobre como pode ser saudável para a mente e para a alma testar os próprios limites quando os fatores de risco são considerados e contingenciados.
Em julho de 2007 o neozelandês William Trubridge esteve no Blue Hole. No que é considerada a mais pura - e talvez mais arriscada - forma de mergulho, ele atravessou, sem nadadeiras, lastro ou roupa de exposição, a passagem subaquática entre a baía de corais e o Mar Vermelho. O Arco, como é conhecido, tem aproximadamente 30m de comprimento e fica a 58m de profundidade. Com a devida estrutura de suporte, o sujeito desceu e fez a travessia no pulmão. Mais do que a beleza da água, o que me chama mesmo atenção é o sorriso de William ao final do mergulho... Isso é o que eu chamo de "classe A" em material de auto-ajuda:


Sorria. Teste seus limites, mas não vá fazer besteira.
Eu quero, um dia, mergulhar no Blue Hole.

6.2.08

No Limits

You deco stop
He deco stops
She deco stops
...I nitrox!

Enriched Air Nitrox Diver - Mais fundo... e por mais tempo!

16.1.08

Gramática Shakespeariana

O plural de banana boat é banana boats.
Não que Shakespeare vá se importar muito com isso. Acho que na época dele nem existia babana boat.
...Mas é isso. Banana boats no plural.

20.12.07

Do bit ao giga

Quinze boas razões para sorrir com o Playstation 3:
Assassin's Creed
Assassin's Creed
Home
Uncharted: Drake’s Fortune
Warhawk
Warhawk: Omega Dawn
Motorstorm
Metal Gear 4: Guns of the Patriots
Conan
flOw
Everyday Shooter
Calling All Cars
Resistance: Fall of Man
Def Jam: Icon
E, claro, antes que eu me esqueça...
Assassin's Creed
Difícil será dormir neste fim de ano.
Feliz Natal para você também.

27.11.07

Mas tá óóóóóóóótimo...

Foi a lindinha da Eleonora que inventou...
Que tal isso?
My Peculiar Aristocratic Title is:
Count-Palatine Glauco the Imposing of Withering Glance
ou isso:
His Noble Excellency Fasa the Fiendish of Chignall Smeally
Get your Peculiar Aristocratic Title
Viu só? Eu sou o cara!!!

23.11.07

Ir e vir

Na quarta teve jogo da seleção brasileira pelas eliminatórias.
Teve também um Flamengo e Vasco pelo estadual de basquete no Maracanãzinho.
Quem me conhece sabe que, entre um e outro, eu me importaria muito pouco de ver os gols do Luiz Fabiano pela reprise no dia seguinte. Acontece que as torcidas organizadas de Flamengo e Vasco resolveram criar um clima insustentável para o comparecimento ao ginásio. Essa última de usar internet para combinar briga de gangue é o limite do terrorismo doméstico. As autoridades precisam tomar uma atitude mais drástica. Não adianta dizer que estão monitorando os fóruns: tem que ir na raiz e prender esses pseudo-torcedores de merda (só falando assim) que afugentam dos estádios e ginásios os cidadãos de bem. Quarta-feira me senti tolhido em meu direito de ir e vir. Queria muito ter comparecido. E não se trata de medo, pura e simplesmente... Ora, se for para pagar e ver um bando de marmanjo entrando na porrada, é melhor um evento de vale-tudo no pay-per-view. Tem mais técnica e conduta esportiva envolvida.
Resultado: ginásio vazio. Menos renda para os clubes, eu de mau humor.
Mais uma vez, perdão pelo linguajar chulo. Mais essa me deixou realmente muito puto...
Tipo assim, com vontade de bater em alguém, sabe?

8.11.07

Por um fio

Admito que sou um sujeito medroso e pouco empreendedor. Das muitas qualidades que penso ter, não posso gabar-me de coragem para reviravoltas e loucuras quando realmente importa. Gosto de receber meu salário no fim do mês, e nunca me imaginei abrindo meu próprio negócio, por exemplo. Não é o mesmo que dizer que me faltam ambição e sonhos – aliás, tenho muito de ambos. Mas, às vésperas dos 30 anos, estou começando a dar umas olhadinhas por cima do ombro, e bate aquela ponta de arrependimento por saltos de fé que deixei de realizar, seja por timidez, seja por excessiva prudência.
Em absoluto, eu deveria ter jogado mais basquete, deveria ter começado mais cedo no teatro , e sem dúvida deveria ter beijado a boca daquela guria que me deixava louco quando tinha 12 anos – está certo que ela até poderia não ter topado, mas dói o fato de eu sequer ter tentado.
Hoje sou um profissional razoavelmente bem sucedido. Poderia ser mais, mas estou aonde a vida e carreira me trouxeram sem pedir favores, logo não tenho do que reclamar. Acho.
O humor de nostalgia se agravou de ontem para hoje por causa de uma dessas insistentes coincidências que não se cansam de jogar o passado na nossa cara. Contei pelo menos uns cinco meninos com o uniforme do Colégio de São Bento pelas ruas. Lembrança de uma época boa, em que as maiores preocupações do mundo eram as provas de física e matemática. Ah, a inocência! Ah, o futuro!
...Tornei-me duro e confessadamente cínico. Queria ter a vida que tenho hoje, com olhos de criança. Adolescente, talvez. Consigo enganar alguns, que me ainda chamam de “garoto”. Não sou mais garoto. Mas bem que gostaria.
Preciso fazer mais por mim. Mas que dilema: como eu, a epítome do narcisismo egocêntrico pós-moderno, poderei investir ainda mais em mim?
Coragem para ousar, jovem gafanhoto. Coragem para ousar. Os projetos que antes você podia adiar sem culpa, já não podem mais ficar para amanhã. Quando dar-lhes-á as merecidas asas? Aos 80?! Logo você, que achava lindo viver 10 anos a 1000, e não 1000 anos a 10? O cerne da questão extrapolou o velocímetro e acendeu a luz vermelha no odômetro.
...Só para me enganar um poquinho, comecei a fazer aulas de acrobacia aérea. Os braços doem-me terrivelmente. Mas a metáfora do quase-grande homem pendurado por um fio me deixa cadinho mais feliz.

19.10.07

Chamado às armas para a geração Atari

Esqueça o Renan. O Renan já era. O que eu quero ganhar de presente de natal do Congresso Nacional é uma rápida tramitação do projeto de lei 300/2007. A todos os game-maníacos de plantão: vamos lotar as caixas postais dos ilustres congressistas para que a coisa não se perca no limbo do ano eleitoral que se aproxima! Este é o primeiro passo rumo ao possível aquecimento de um setor da economia brasileira que tem potencial para ser líder na América Latina, mas está entregue às mãos de uns poucos investidores legítimos e uns muitos piratas e contrabandistas aproveitadores. Palavra de ordem: ou isenta-se os games, ou locupletemo-nos todos!

26.9.07

Implicante

Hoje eu levantei com sono
Com vontade de brigar
Eu tô manero pra bater, pra revidar provocação
Olhei no espelho meu cabelo e tudo fora do lugar;
Vê se não enche, não me encosta
Tô bravo que nem leão
E não pise no meu calo que eu te entorno feito água
E te jogo pelo ralo.
Hoje você deu azar.
Hoje você deu azar.

De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?

Hoje eu tô meio implicante.
Hoje você deu azar.
Hoje você deu azar.

(...)

É isso aí.

12.9.07

Sem um pingo glamour...

Veja como o Brasil anda atrasado e super demodé em matéria de escândalo:
Na Roma antiga, quando um nobre era descoberto em atos corruptos, cortava os pulsos para evitar que a família tivesse o nome denegrido.
Nos Estados Unidos, um presidente renunciou em meio a um grande escândalo de espionagem eleitoral, num episódio que rendou livros e roteiros de cinema.
No Japão, um famoso cientista pediu desculpas à nação por ter fraudado resultados em pesquisas genéticas de um dos mais conceituados centros de excelência nacionais. Aliás, hoje mesmo o primeiro ministro renunciou por não conseguir angariar apoio político para sua administração após escândalos que sequer chegavam diretamente a ele, envolviam apenas seus correligionários.
(...)
Enquanto isso, em Tupiniquinópolis, deputados saem no tapa com seguranças do Senado por acesso a cadeiras de pista para o mais desinteressante espetáculo dos últimos anos: o voto de cassação de mandato de um congressista que vendeu boi com nota fria para pagar por fora a pensão da filha que teve com a amante. Isso tudo, depois de utilizar o púlpito do Legislativo para pedir arrego para a mulher pela mancada, em explícito exercício público de lavagem da roupa que deveria ser doméstica.
Coisa mais provinciana e pequeno-folhetinesca, estou para ver.

28.8.07

O Ultimato Bourne (ou em defesa do cinema pipocão)

A experiência jornalística me ensinou a evitar generalizações, mas hoje vou me permitir uma bem ampla, para compensar todas as que evitei ao longo dos últimos anos: quem acha que cinema hollywoodiano é desprovido de sentido ou de mensagem é no mínimo ingênuo, e pode estar beirando a pseudo-intelectualidade. Cuidado! Não se alimente com jargões pedantes e esnobes, porque esse é um passo em direção à cegueira. Parto em defesa do pipocão porque estou cansado de ouvir que a única coisa que presta na indústria cinematográfica hoje em dia é o último-quase-documentário-de-um-diretor-iraniano-obtuso-e-hermético-que-ninguém-viu-porque-a-verba-de-distribuição-foi-consumida-na-coleta-de-cápsulas-deflagradas-utilizadas-no-figurino-que-por-sinal-veste-um-elenco-estelar-de-mendigos-descendentes-de-persas-de-pura-linhagem-nas-ruas-de-Teerã. Realmente, uma proposta original e ousada, a que só o crítico-intelectualóide-ranzinza-que-espera-comer-uma-caloura-de-cinema-ou-de-filosofia-ainda-nesta-década teve acesso.
Hollywood tem uma agenda, tem mensagens, e muitas delas vão além da óbvia propaganda nacionalista americana. Basta procurar para ver. Não foi à toa que quando o governo Bush começou a perder a mão na guerra contra o terrorismo e aprovou a quebra de sigilos telefônicos e outras medidas que feriram, na visão de alguns, a privacidade e a liberdade de cidadãos americanos em solo estadunidense, a indústria do cinema respondeu com filmes como A Vila, uma obra prima de Night Shyamalan sobre o controle através do medo, e tempos depois com Boa Noite, Boa Sorte - um convite à reflexão sobre o macartismo.
Não estou aqui para julgar o governo que paga meu salário, muito embora, se perguntarem, vou me dizer democrata, obrigado. Toda essa conversa sobre o valor de Hollywood vem para tão-somente tecer elogios a mais um blockbuster cheio de significado: não perca O Ultimato Bourne. Seria pecado mortal.
No que parece ser o último filme da série, vemos o agente secreto encarnado por Matt Damon (ótimo, como de costume) lutando para sobreviver em meio a uma grande queima de arquivo da CIA, durante a qual a moral passa para segundo plano quando operações não oficiais estão prestes a serem deslindadas e a agenda de auto-preservação de certos diretores da companhia atropela qualquer resquício de ética e bom senso. Desnecessário dizer, Bourne passa de gato a rato e novo a gato várias vezes até o fim do filme que eu não contar, explodindo coisas e provocando efeitos colaterais que deixariam James Bond ruborizado. Mas isso é apenas o óbvio.
Atenção na personagem Pamela Landy, mais uma vez interpretada por Joan Allen. Ela esconde uma pérola do roteiro. Uma mensagem curta, quase subliminar, que vai passar desapercebida se a sua boca estiver muito cheia de pipoca. A certa altura dos acontecimentos, em ainda mais uma discussão sobre se o melhor a fazer é mesmo eliminar Jason Bourne, ela toma partido a favor do assassino arrependido com uma frase tão curta quanto afiada e incisiva: "This isn't us." Em menos de um segundo perdido em mais de de duas horas de película, o resumo do descontentamento por uma situação que começou como não deveria e saiu completamente de controle. Aguce a visão: entre lutas bem coreogradas e explosões espetaculares - sem as quais, na minha opinião, é difícil fazer um bom filme para sábado à noite - está a metafórica crítica a uma administração que se isolou ao adotar medidas extremas por uma causa que, a princípio, quase todos defendiam; e acabou por se tornar algo perigosamente próximo daquilo que combatia, ao afetar a vida e arranhar o modelo de uma sociedade que prega a liberdade. Quando Joan Allen rouba a cena dizendo "Nós não somos isso", quase dá para arriscar em quem os roteiristas Tony Gilroy, Scott Burns e George Nolfi vão votar nas próximas eleições americanas...

20.8.07

O Reverso

Confesso não me lembrar que ocasião me levou a voar para Congonhas pela primeira vez. Talvez alguma cobertura jornalística. Já lá se vão anos, mas o que me lembro, o que trago gravado na memória, foi o temor que senti ao perceber que o avião mergulhava em um mar de edifícios, e que qualquer deslize do piloto poderia ser fatal.
Que aeroportos encravados no meio de áreas densamente urbanizadas – especialmente as de alto gabarito – são potencialmente mais perigosos é ponto pacífico, não se discute. É também verdade que a maioria dos terminais nessa situação viram cidades crescerem desordenadamente à sua volta, por inapetência governamental em todas as esferas.
Seja como for, toda a racionalização sobre quem é ou deixa de ser responsável pelas atuais agruras de Cogonhas, ou mesmo o mórbido consolo de que as chances de um novo acidente ocorrer em intervalo de tempo tão pequeno após o choque do vôo 3054 eram estatísticamente mínimas, valeram pouco quando o comandante anunciou que estava iniciando os procedimentos de pouso. Eu estava com medo.
Hora de desfazer o que talvez seja uma impressão equivocada: eu nunca tive medo de voar. Aliás, quando criança, eu adorava. Com o passar do tempo e os efeitos hormonais da adolescência, passei a reclamar da falta de espaço. Mas medo, nunca tive.
Até hoje.
Pouco me tranqüilizaram o tempo ensolarado e a pista seca. Quando o avião tocou o solo, me peguei vigiando o reverso da turbina ansiosamente, repetindo sem voz um mantra aeronáutico de humilde autoria mas de sagaz e arguta riqueza em sua simplicidade: “arma, arma, arma, arma!” A isto foi reduzido o Samba do Avião, cheguei a pensar. O que diria Tom Jobim a respeito? O reverso armou. Eu me persignei e levantei-me para sair apressadamente. O que também é uma mudança de comportamento, já que normalmente espero que todos saiam para o evitar o sempre irritante engarrafamento no corredor.
Houvesse alternativa, eu teria vindo para São Paulo de ônibus. Infelizmente, a viagem foi decidida em regime de urgência, e tempo não foi um luxo viável.
Cheguei, enfim, são e salvo. Mas o vôo de hoje definitivamente não entrará na minha lista de melhores experiências. Fica reforçada, pelo que vale, a lição da mamãe: pensamento e atitute positivos podem reverter qualquer situação adversa, dizia ela, na época em que eu ainda vivia agarrado às suas barras. E é verdade: o reverso armou.

24.7.07

Contundente

Eis a triste crônica que eu gostaria de ter escrito sobre o trágico acidente aéreo em São Paulo e toda a absurda situação de desgoverno que o cerca. O texto é de Ali Kamel, Diretor Executivo de Jornalismo da TV Globo, e foi publicado hoje em O Globo:
Nada entendo de aviões. Escrevo na condição de passageiro freqüente deste meio de transporte. Penso na dor das famílias e creio que a tragédia mostrou que todos estamos há tempos sendo lesados. Deve existir algum código em defesa dos passageiros, mas, se existe, ou ele não está sendo posto em prática ou deve ser emendado urgentemente. A TAM informou que o manual da Airbus diz que o modelo A320 pode voar até dez dias com defeito no reversor da turbina: basta travá-lo. Se isso é fato, creio que temos de ouvir do comandante, além das boas vindas, um aviso mais ou menos assim: “Senhores passageiros, aqui quem fala é o comandante. Antes de iniciar a nossa viagem, gostaria de informá-los de que nosso avião está com o sistema auxiliar de frenagem, o chamado reversor das turbinas, quebrado. Não se assustem, o manual do fabricante nos permite viajar assim por até dez dias antes de consertá-lo, e ainda faltam seis. O pouso acontecerá sem problemas, desde que não haja chuva muito forte. Boa viagem”.
Como não pagamos caro para voar em aeronaves com defeitos, como o sistema de meteorologia não é confiável e um pé d’água na hora do pouso é sempre possível, muitos desceriam do avião. Eu desceria. Desde o desastre da TAM em 1996, sei o que é um reversor e não me arriscaria a voar, sabendo que esse dispositivo está com defeito. A TAM, em anúncios publicitários, vem dizendo que é transparente: afirma que, na entrevista após o desastre, o vice-presidente técnico da empresa, Rui Amparo, admitiu o defeito no reversor. Uma reportagem da “Folha de S. Paulo” rememorou, dias depois, a entrevista: “Amparo, ao ser questionado se poderia ter ocorrido problema semelhante ao do acidente de 1996, afirmou: ‘O reversor direito estava travado, em condições previstas dentro das normas desse tipo de avião e que não coloca qualquer obstáculo ao pouso previsto em Congonhas’”. Ora, qualquer um ali traduziria assim a explicação: o reversor não tinha problemas. Se a TAM acha que isso é transparência, fico imaginando o que, para ela, seja omitir fatos. O Brasil só tomou conhecimento do defeito depois do furo do “Jornal Nacional”.
Da mesma forma, se houvesse respeito pelos direitos dos passageiros, nós também teríamos sido informados de que a pista principal de Congonhas foi liberada sem que o governo ainda tivesse tido acesso ao laudo do IPT. Não importa que este laudo, divulgado apenas após o desastre, diga que a pista é segura, acima dos padrões internacionais. Importa que a pista foi liberada antes de o laudo estar pronto. O IPT, porém, terá de refazê-lo, após os fatos que só agora vêm emergindo. Na véspera do desastre, dois vôos da TAM, um deles usando o Airbus que viria a se acidentar, quase não conseguiram parar (no mesmo dia, um avião da Pantanal aquaplanou na pista, sendo arremessado contra um gramado lateral). Gravações atestam que naquela segunda-feira, a torre, como se estivesse repetindo um mantra, dizia a todos os pilotos que se aproximavam: “Atenção, pista escorregadia”. Eles não fizeram isso à toa: deram o aviso porque eles próprios foram alertados pelos pilotos. Em apenas meia hora, foram 14 avisos a 14 aviões. Eu me pergunto: será normal que uma pista, embaixo de chuva, fique escorregadia e permaneça aberta? Eu aceito que uma pista molhada continue aberta, se a lâmina d’água for inferior aos padrões internacionais. Mas se a pista, mesmo sem uma lâmina d’água expressiva, continua escorregadia, a ponto de levar os controladores a dar o sinal, ela deve continuar aberta? Eu não sei. Mas, como passageiro, eu gostaria de ser avisado, antes do embarque, de que o avião em que eu viajo vai pousar numa pista que controladores e pilotos descrevem como escorregadia.
No dia do desastre, um piloto da Gol avisou a torre de que a pista estava escorregadia. A Infraero fez a medição e se limitou a dizer: “Inexistência de lâmina ou poça d’água”. Os controladores, que tinham fechado a pista para a medição, perguntaram: “Isso quer dizer que a pista pode ser liberada?” A resposta foi uma repetição: “Inexistência de lâmina e poça d’água”. Isso demonstra apenas que, nos dias de hoje, ninguém quer chamar a si responsabilidades. Não é para menos: se fazem tudo como manda o figurino, os controladores correm o risco de serem acusados de fazer uma “operação padrão”, que leva ao caos aéreo. Se são mais flexíveis, e evitam problemas de fluxo e atraso, arriscam-se a levar a pecha de homicidas. Esse é um país estranho mesmo, em que a desordem reina em tal nível que sequer fazer greve é necessário: para causar tumulto, basta seguir o padrão. Ora, seguir o padrão deve ser sempre a praxe, nunca a exceção. Se o padrão está errado (e não está), deve ser mudado. O que não se pode é deixar de segui-lo. Afinal, ele é o padrão. Em tempo: a pista acabou liberada após 13 minutos. À noite, aconteceu a tragédia.
A mesma sensação de que nossos direitos de passageiros foram lesados me veio quando o governo anunciou as modificações em Congonhas, após o desastre, diminuindo números de vôos, proibindo que ali sejam feitas escalas e reduzindo a aviação executiva. Isso quer dizer que na opinião do governo tais medidas vão ajudar a impedir novos desastres. Se é assim, durante muito tempo voei para um aeroporto cujo administrador (o governo) sabia que estava sobrecarregado, gerando risco para nós, passageiros.
Eu não tenho opções: meu trabalho exige que eu voe com freqüência. Mas sonho com o dia em que meus direitos básicos sejam respeitados pelas companhias aéreas e pelos governos.

1.7.07

Addicting

Experimente isto. Mas esteja avisado: não me culpe se, vinte minutos depois, estiver batendo a cabeça no monitor e arrancando os cabelos tentando se lembrar daquela trilha sonora que está na ponta da língua. Este foi aproximadamente o tempo de que precisei para atingir a marca de 88% de aproveitamento positivo, e chegar à conclusão de que eu simplesmente não seria capaz de acertar as 64 músicas... e foi uma conclusão sábia, ou eu poderia ter varado a madrugada num doentio jogo de gato-e-rato com desmemórias que não tenho mais.
Em tempo: se você não é cinéfilo, mas cinéfilo mesmo, de carteirinha... nem tente.

22.6.07

Quem precisa de cartão de crédito?!

Dançar tango sobre um tapete persa ao som do violoncelo de Yo Yo Ma, ao vivo, bem ali do lado...
Não tem preço.

8.6.07

Indianápolis

Não é Rock in Rio, mas... Eu fui!
Muito chique, dei até
entrevista em inglês...
E posso dizer que poucas coisas superam o rugir dos motores: