23.11.07

Ir e vir

Na quarta teve jogo da seleção brasileira pelas eliminatórias.
Teve também um Flamengo e Vasco pelo estadual de basquete no Maracanãzinho.
Quem me conhece sabe que, entre um e outro, eu me importaria muito pouco de ver os gols do Luiz Fabiano pela reprise no dia seguinte. Acontece que as torcidas organizadas de Flamengo e Vasco resolveram criar um clima insustentável para o comparecimento ao ginásio. Essa última de usar internet para combinar briga de gangue é o limite do terrorismo doméstico. As autoridades precisam tomar uma atitude mais drástica. Não adianta dizer que estão monitorando os fóruns: tem que ir na raiz e prender esses pseudo-torcedores de merda (só falando assim) que afugentam dos estádios e ginásios os cidadãos de bem. Quarta-feira me senti tolhido em meu direito de ir e vir. Queria muito ter comparecido. E não se trata de medo, pura e simplesmente... Ora, se for para pagar e ver um bando de marmanjo entrando na porrada, é melhor um evento de vale-tudo no pay-per-view. Tem mais técnica e conduta esportiva envolvida.
Resultado: ginásio vazio. Menos renda para os clubes, eu de mau humor.
Mais uma vez, perdão pelo linguajar chulo. Mais essa me deixou realmente muito puto...
Tipo assim, com vontade de bater em alguém, sabe?

8.11.07

Por um fio

Admito que sou um sujeito medroso e pouco empreendedor. Das muitas qualidades que penso ter, não posso gabar-me de coragem para reviravoltas e loucuras quando realmente importa. Gosto de receber meu salário no fim do mês, e nunca me imaginei abrindo meu próprio negócio, por exemplo. Não é o mesmo que dizer que me faltam ambição e sonhos – aliás, tenho muito de ambos. Mas, às vésperas dos 30 anos, estou começando a dar umas olhadinhas por cima do ombro, e bate aquela ponta de arrependimento por saltos de fé que deixei de realizar, seja por timidez, seja por excessiva prudência.
Em absoluto, eu deveria ter jogado mais basquete, deveria ter começado mais cedo no teatro , e sem dúvida deveria ter beijado a boca daquela guria que me deixava louco quando tinha 12 anos – está certo que ela até poderia não ter topado, mas dói o fato de eu sequer ter tentado.
Hoje sou um profissional razoavelmente bem sucedido. Poderia ser mais, mas estou aonde a vida e carreira me trouxeram sem pedir favores, logo não tenho do que reclamar. Acho.
O humor de nostalgia se agravou de ontem para hoje por causa de uma dessas insistentes coincidências que não se cansam de jogar o passado na nossa cara. Contei pelo menos uns cinco meninos com o uniforme do Colégio de São Bento pelas ruas. Lembrança de uma época boa, em que as maiores preocupações do mundo eram as provas de física e matemática. Ah, a inocência! Ah, o futuro!
...Tornei-me duro e confessadamente cínico. Queria ter a vida que tenho hoje, com olhos de criança. Adolescente, talvez. Consigo enganar alguns, que me ainda chamam de “garoto”. Não sou mais garoto. Mas bem que gostaria.
Preciso fazer mais por mim. Mas que dilema: como eu, a epítome do narcisismo egocêntrico pós-moderno, poderei investir ainda mais em mim?
Coragem para ousar, jovem gafanhoto. Coragem para ousar. Os projetos que antes você podia adiar sem culpa, já não podem mais ficar para amanhã. Quando dar-lhes-á as merecidas asas? Aos 80?! Logo você, que achava lindo viver 10 anos a 1000, e não 1000 anos a 10? O cerne da questão extrapolou o velocímetro e acendeu a luz vermelha no odômetro.
...Só para me enganar um poquinho, comecei a fazer aulas de acrobacia aérea. Os braços doem-me terrivelmente. Mas a metáfora do quase-grande homem pendurado por um fio me deixa cadinho mais feliz.

19.10.07

Chamado às armas para a geração Atari

Esqueça o Renan. O Renan já era. O que eu quero ganhar de presente de natal do Congresso Nacional é uma rápida tramitação do projeto de lei 300/2007. A todos os game-maníacos de plantão: vamos lotar as caixas postais dos ilustres congressistas para que a coisa não se perca no limbo do ano eleitoral que se aproxima! Este é o primeiro passo rumo ao possível aquecimento de um setor da economia brasileira que tem potencial para ser líder na América Latina, mas está entregue às mãos de uns poucos investidores legítimos e uns muitos piratas e contrabandistas aproveitadores. Palavra de ordem: ou isenta-se os games, ou locupletemo-nos todos!

26.9.07

Implicante

Hoje eu levantei com sono
Com vontade de brigar
Eu tô manero pra bater, pra revidar provocação
Olhei no espelho meu cabelo e tudo fora do lugar;
Vê se não enche, não me encosta
Tô bravo que nem leão
E não pise no meu calo que eu te entorno feito água
E te jogo pelo ralo.
Hoje você deu azar.
Hoje você deu azar.

De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?

Hoje eu tô meio implicante.
Hoje você deu azar.
Hoje você deu azar.

(...)

É isso aí.

12.9.07

Sem um pingo glamour...

Veja como o Brasil anda atrasado e super demodé em matéria de escândalo:
Na Roma antiga, quando um nobre era descoberto em atos corruptos, cortava os pulsos para evitar que a família tivesse o nome denegrido.
Nos Estados Unidos, um presidente renunciou em meio a um grande escândalo de espionagem eleitoral, num episódio que rendou livros e roteiros de cinema.
No Japão, um famoso cientista pediu desculpas à nação por ter fraudado resultados em pesquisas genéticas de um dos mais conceituados centros de excelência nacionais. Aliás, hoje mesmo o primeiro ministro renunciou por não conseguir angariar apoio político para sua administração após escândalos que sequer chegavam diretamente a ele, envolviam apenas seus correligionários.
(...)
Enquanto isso, em Tupiniquinópolis, deputados saem no tapa com seguranças do Senado por acesso a cadeiras de pista para o mais desinteressante espetáculo dos últimos anos: o voto de cassação de mandato de um congressista que vendeu boi com nota fria para pagar por fora a pensão da filha que teve com a amante. Isso tudo, depois de utilizar o púlpito do Legislativo para pedir arrego para a mulher pela mancada, em explícito exercício público de lavagem da roupa que deveria ser doméstica.
Coisa mais provinciana e pequeno-folhetinesca, estou para ver.

28.8.07

O Ultimato Bourne (ou em defesa do cinema pipocão)

A experiência jornalística me ensinou a evitar generalizações, mas hoje vou me permitir uma bem ampla, para compensar todas as que evitei ao longo dos últimos anos: quem acha que cinema hollywoodiano é desprovido de sentido ou de mensagem é no mínimo ingênuo, e pode estar beirando a pseudo-intelectualidade. Cuidado! Não se alimente com jargões pedantes e esnobes, porque esse é um passo em direção à cegueira. Parto em defesa do pipocão porque estou cansado de ouvir que a única coisa que presta na indústria cinematográfica hoje em dia é o último-quase-documentário-de-um-diretor-iraniano-obtuso-e-hermético-que-ninguém-viu-porque-a-verba-de-distribuição-foi-consumida-na-coleta-de-cápsulas-deflagradas-utilizadas-no-figurino-que-por-sinal-veste-um-elenco-estelar-de-mendigos-descendentes-de-persas-de-pura-linhagem-nas-ruas-de-Teerã. Realmente, uma proposta original e ousada, a que só o crítico-intelectualóide-ranzinza-que-espera-comer-uma-caloura-de-cinema-ou-de-filosofia-ainda-nesta-década teve acesso.
Hollywood tem uma agenda, tem mensagens, e muitas delas vão além da óbvia propaganda nacionalista americana. Basta procurar para ver. Não foi à toa que quando o governo Bush começou a perder a mão na guerra contra o terrorismo e aprovou a quebra de sigilos telefônicos e outras medidas que feriram, na visão de alguns, a privacidade e a liberdade de cidadãos americanos em solo estadunidense, a indústria do cinema respondeu com filmes como A Vila, uma obra prima de Night Shyamalan sobre o controle através do medo, e tempos depois com Boa Noite, Boa Sorte - um convite à reflexão sobre o macartismo.
Não estou aqui para julgar o governo que paga meu salário, muito embora, se perguntarem, vou me dizer democrata, obrigado. Toda essa conversa sobre o valor de Hollywood vem para tão-somente tecer elogios a mais um blockbuster cheio de significado: não perca O Ultimato Bourne. Seria pecado mortal.
No que parece ser o último filme da série, vemos o agente secreto encarnado por Matt Damon (ótimo, como de costume) lutando para sobreviver em meio a uma grande queima de arquivo da CIA, durante a qual a moral passa para segundo plano quando operações não oficiais estão prestes a serem deslindadas e a agenda de auto-preservação de certos diretores da companhia atropela qualquer resquício de ética e bom senso. Desnecessário dizer, Bourne passa de gato a rato e novo a gato várias vezes até o fim do filme que eu não contar, explodindo coisas e provocando efeitos colaterais que deixariam James Bond ruborizado. Mas isso é apenas o óbvio.
Atenção na personagem Pamela Landy, mais uma vez interpretada por Joan Allen. Ela esconde uma pérola do roteiro. Uma mensagem curta, quase subliminar, que vai passar desapercebida se a sua boca estiver muito cheia de pipoca. A certa altura dos acontecimentos, em ainda mais uma discussão sobre se o melhor a fazer é mesmo eliminar Jason Bourne, ela toma partido a favor do assassino arrependido com uma frase tão curta quanto afiada e incisiva: "This isn't us." Em menos de um segundo perdido em mais de de duas horas de película, o resumo do descontentamento por uma situação que começou como não deveria e saiu completamente de controle. Aguce a visão: entre lutas bem coreogradas e explosões espetaculares - sem as quais, na minha opinião, é difícil fazer um bom filme para sábado à noite - está a metafórica crítica a uma administração que se isolou ao adotar medidas extremas por uma causa que, a princípio, quase todos defendiam; e acabou por se tornar algo perigosamente próximo daquilo que combatia, ao afetar a vida e arranhar o modelo de uma sociedade que prega a liberdade. Quando Joan Allen rouba a cena dizendo "Nós não somos isso", quase dá para arriscar em quem os roteiristas Tony Gilroy, Scott Burns e George Nolfi vão votar nas próximas eleições americanas...

20.8.07

O Reverso

Confesso não me lembrar que ocasião me levou a voar para Congonhas pela primeira vez. Talvez alguma cobertura jornalística. Já lá se vão anos, mas o que me lembro, o que trago gravado na memória, foi o temor que senti ao perceber que o avião mergulhava em um mar de edifícios, e que qualquer deslize do piloto poderia ser fatal.
Que aeroportos encravados no meio de áreas densamente urbanizadas – especialmente as de alto gabarito – são potencialmente mais perigosos é ponto pacífico, não se discute. É também verdade que a maioria dos terminais nessa situação viram cidades crescerem desordenadamente à sua volta, por inapetência governamental em todas as esferas.
Seja como for, toda a racionalização sobre quem é ou deixa de ser responsável pelas atuais agruras de Cogonhas, ou mesmo o mórbido consolo de que as chances de um novo acidente ocorrer em intervalo de tempo tão pequeno após o choque do vôo 3054 eram estatísticamente mínimas, valeram pouco quando o comandante anunciou que estava iniciando os procedimentos de pouso. Eu estava com medo.
Hora de desfazer o que talvez seja uma impressão equivocada: eu nunca tive medo de voar. Aliás, quando criança, eu adorava. Com o passar do tempo e os efeitos hormonais da adolescência, passei a reclamar da falta de espaço. Mas medo, nunca tive.
Até hoje.
Pouco me tranqüilizaram o tempo ensolarado e a pista seca. Quando o avião tocou o solo, me peguei vigiando o reverso da turbina ansiosamente, repetindo sem voz um mantra aeronáutico de humilde autoria mas de sagaz e arguta riqueza em sua simplicidade: “arma, arma, arma, arma!” A isto foi reduzido o Samba do Avião, cheguei a pensar. O que diria Tom Jobim a respeito? O reverso armou. Eu me persignei e levantei-me para sair apressadamente. O que também é uma mudança de comportamento, já que normalmente espero que todos saiam para o evitar o sempre irritante engarrafamento no corredor.
Houvesse alternativa, eu teria vindo para São Paulo de ônibus. Infelizmente, a viagem foi decidida em regime de urgência, e tempo não foi um luxo viável.
Cheguei, enfim, são e salvo. Mas o vôo de hoje definitivamente não entrará na minha lista de melhores experiências. Fica reforçada, pelo que vale, a lição da mamãe: pensamento e atitute positivos podem reverter qualquer situação adversa, dizia ela, na época em que eu ainda vivia agarrado às suas barras. E é verdade: o reverso armou.

24.7.07

Contundente

Eis a triste crônica que eu gostaria de ter escrito sobre o trágico acidente aéreo em São Paulo e toda a absurda situação de desgoverno que o cerca. O texto é de Ali Kamel, Diretor Executivo de Jornalismo da TV Globo, e foi publicado hoje em O Globo:
Nada entendo de aviões. Escrevo na condição de passageiro freqüente deste meio de transporte. Penso na dor das famílias e creio que a tragédia mostrou que todos estamos há tempos sendo lesados. Deve existir algum código em defesa dos passageiros, mas, se existe, ou ele não está sendo posto em prática ou deve ser emendado urgentemente. A TAM informou que o manual da Airbus diz que o modelo A320 pode voar até dez dias com defeito no reversor da turbina: basta travá-lo. Se isso é fato, creio que temos de ouvir do comandante, além das boas vindas, um aviso mais ou menos assim: “Senhores passageiros, aqui quem fala é o comandante. Antes de iniciar a nossa viagem, gostaria de informá-los de que nosso avião está com o sistema auxiliar de frenagem, o chamado reversor das turbinas, quebrado. Não se assustem, o manual do fabricante nos permite viajar assim por até dez dias antes de consertá-lo, e ainda faltam seis. O pouso acontecerá sem problemas, desde que não haja chuva muito forte. Boa viagem”.
Como não pagamos caro para voar em aeronaves com defeitos, como o sistema de meteorologia não é confiável e um pé d’água na hora do pouso é sempre possível, muitos desceriam do avião. Eu desceria. Desde o desastre da TAM em 1996, sei o que é um reversor e não me arriscaria a voar, sabendo que esse dispositivo está com defeito. A TAM, em anúncios publicitários, vem dizendo que é transparente: afirma que, na entrevista após o desastre, o vice-presidente técnico da empresa, Rui Amparo, admitiu o defeito no reversor. Uma reportagem da “Folha de S. Paulo” rememorou, dias depois, a entrevista: “Amparo, ao ser questionado se poderia ter ocorrido problema semelhante ao do acidente de 1996, afirmou: ‘O reversor direito estava travado, em condições previstas dentro das normas desse tipo de avião e que não coloca qualquer obstáculo ao pouso previsto em Congonhas’”. Ora, qualquer um ali traduziria assim a explicação: o reversor não tinha problemas. Se a TAM acha que isso é transparência, fico imaginando o que, para ela, seja omitir fatos. O Brasil só tomou conhecimento do defeito depois do furo do “Jornal Nacional”.
Da mesma forma, se houvesse respeito pelos direitos dos passageiros, nós também teríamos sido informados de que a pista principal de Congonhas foi liberada sem que o governo ainda tivesse tido acesso ao laudo do IPT. Não importa que este laudo, divulgado apenas após o desastre, diga que a pista é segura, acima dos padrões internacionais. Importa que a pista foi liberada antes de o laudo estar pronto. O IPT, porém, terá de refazê-lo, após os fatos que só agora vêm emergindo. Na véspera do desastre, dois vôos da TAM, um deles usando o Airbus que viria a se acidentar, quase não conseguiram parar (no mesmo dia, um avião da Pantanal aquaplanou na pista, sendo arremessado contra um gramado lateral). Gravações atestam que naquela segunda-feira, a torre, como se estivesse repetindo um mantra, dizia a todos os pilotos que se aproximavam: “Atenção, pista escorregadia”. Eles não fizeram isso à toa: deram o aviso porque eles próprios foram alertados pelos pilotos. Em apenas meia hora, foram 14 avisos a 14 aviões. Eu me pergunto: será normal que uma pista, embaixo de chuva, fique escorregadia e permaneça aberta? Eu aceito que uma pista molhada continue aberta, se a lâmina d’água for inferior aos padrões internacionais. Mas se a pista, mesmo sem uma lâmina d’água expressiva, continua escorregadia, a ponto de levar os controladores a dar o sinal, ela deve continuar aberta? Eu não sei. Mas, como passageiro, eu gostaria de ser avisado, antes do embarque, de que o avião em que eu viajo vai pousar numa pista que controladores e pilotos descrevem como escorregadia.
No dia do desastre, um piloto da Gol avisou a torre de que a pista estava escorregadia. A Infraero fez a medição e se limitou a dizer: “Inexistência de lâmina ou poça d’água”. Os controladores, que tinham fechado a pista para a medição, perguntaram: “Isso quer dizer que a pista pode ser liberada?” A resposta foi uma repetição: “Inexistência de lâmina e poça d’água”. Isso demonstra apenas que, nos dias de hoje, ninguém quer chamar a si responsabilidades. Não é para menos: se fazem tudo como manda o figurino, os controladores correm o risco de serem acusados de fazer uma “operação padrão”, que leva ao caos aéreo. Se são mais flexíveis, e evitam problemas de fluxo e atraso, arriscam-se a levar a pecha de homicidas. Esse é um país estranho mesmo, em que a desordem reina em tal nível que sequer fazer greve é necessário: para causar tumulto, basta seguir o padrão. Ora, seguir o padrão deve ser sempre a praxe, nunca a exceção. Se o padrão está errado (e não está), deve ser mudado. O que não se pode é deixar de segui-lo. Afinal, ele é o padrão. Em tempo: a pista acabou liberada após 13 minutos. À noite, aconteceu a tragédia.
A mesma sensação de que nossos direitos de passageiros foram lesados me veio quando o governo anunciou as modificações em Congonhas, após o desastre, diminuindo números de vôos, proibindo que ali sejam feitas escalas e reduzindo a aviação executiva. Isso quer dizer que na opinião do governo tais medidas vão ajudar a impedir novos desastres. Se é assim, durante muito tempo voei para um aeroporto cujo administrador (o governo) sabia que estava sobrecarregado, gerando risco para nós, passageiros.
Eu não tenho opções: meu trabalho exige que eu voe com freqüência. Mas sonho com o dia em que meus direitos básicos sejam respeitados pelas companhias aéreas e pelos governos.

1.7.07

Addicting

Experimente isto. Mas esteja avisado: não me culpe se, vinte minutos depois, estiver batendo a cabeça no monitor e arrancando os cabelos tentando se lembrar daquela trilha sonora que está na ponta da língua. Este foi aproximadamente o tempo de que precisei para atingir a marca de 88% de aproveitamento positivo, e chegar à conclusão de que eu simplesmente não seria capaz de acertar as 64 músicas... e foi uma conclusão sábia, ou eu poderia ter varado a madrugada num doentio jogo de gato-e-rato com desmemórias que não tenho mais.
Em tempo: se você não é cinéfilo, mas cinéfilo mesmo, de carteirinha... nem tente.

22.6.07

Quem precisa de cartão de crédito?!

Dançar tango sobre um tapete persa ao som do violoncelo de Yo Yo Ma, ao vivo, bem ali do lado...
Não tem preço.

8.6.07

Indianápolis

Não é Rock in Rio, mas... Eu fui!
Muito chique, dei até
entrevista em inglês...
E posso dizer que poucas coisas superam o rugir dos motores:

13.5.07

Elementar

Ione, te amo. Beijos e mais beijos.

27.4.07

Vanilla Sky tupiniquim

Quem conhece minha linha trabalho vai dizer que estou usando o blog a fim de advogar para o império, mas não é verdade. O relato, por simples e inócuo que possa parecer, é irrefutável evidência de como o Brasil ainda engatinha no tocante a direitos do consumidor:
Tive meu celular furtado durante as férias. E isso é uma ótima história para mesa de bar, que não vou contar aqui. O fato é que, de volta à pátria amada, a operadora me ofereceu um modelo top-de-linha com um bom desconto: “Senhor, este celular tem câmera digital, toca mp3, e o senhor poderá estar sincronizando o aparelho com o seu computador pessoal para troca de arquivos.” – Papo de telemarketing. Mas eu já estava mesmo de olho no celular. Negócio fechado.
Aí eu fui comprar o tal kit de sincronização com o PC:
- É compatível com o Windows Vista?
- É, sim senhor. O senhor poderá estar baixando a atualização via internet, e vai rodar direitinho – papo de vendedora de loja, que provavelmente já foi operadora de telemarketing algum dia na vida. Mas eu queria o produto de qualquer jeito, para início de conversa. Negócio fechado.
Chegando em casa, a surpresa: você pode fazer tantas e quantas atualizações quiser - o tal kit de sincronização da Motorola não vai rodar no Vista. Comprovadamente. Então lá estava eu, com meu mega-celular, e tudo que eu podia tocar no mp3 player eram as campanhias pré-instaladas de fábrica. Perspectiva desanimadora.
Primeiro contato com a Motorola do Brasil, via chat – suporte online ao vivo, coisa muito chique:
- Existe previsão para o lançamento de uma versão compatível com o Windows Vista?
- O Motorola Phone Tools não está sendo compatível com o Windows Vista neste momento, senhor.
- Isso eu já percebi, meu caro. Aliás, esse é o motivo do meu contato. Vou repetir a pergunta: existe previsão para o lançamento de uma versão compatível com o Windows Vista?
- No momento não, senhor.
- Me deixe ver se entendi: a operadora me vendeu um celular fabricado por vocês, e na loja de acessórios me disseram que o produto era compatível, mas o resumo da ópera é que a Motorola está colocando no mercado milhares de aparelhos que, em última análise, são incompatíveis com a última versão do sistema operacional mais utilizado no país?
- Aparentemente, senhor, esta situação que o senhor está relatando pode estar sendo real – papo de operador de telemarketing que pensa ser capacitado para prestar suporte técnico. Eu, já passando da frustração à tendência homicida aguda contra quaquer doutrinado do gerundismo:
- "Aparentemente?! Pode estar sendo real?!?!" Amigo, isto está acontecendo! Está acontecendo comigo, e provavelmente com algumas outras centenas de consumidores que já instalaram o Windows Vista em seus computadores! Que solução a Motorola vai dar para o problema? E quando?!
Este chat foi encerrado pelo suporte técnico.
...Repensando minhas alternativas naquele momento, cheguei à conclusão de que atirar meu novo celular ultra-moderno-mas-e-daí? contra a parede seria contra-producente, e retornar ao XP por conta da inapetência da Motorola do Brasil seria impensável. Voltei à loja, olhei feio para a vendedora, troquei a versão obsoleta do software por um fone Bluetooth. OK, então agora eu posso falar ao telefone sem usar as mãos. Meu celular e meu PC, no entanto, continuavam tão distantes quanto água e óleo em laboratório secundarista de química. Mas eu sou brasileiro e não desisto nunca. E graças à minha santa mãezinha, que viúva me criou, sou capaz de escrever em inglês. Disparei um mail insatisfeito para a Motorola nos Estados Unidos e… veja que coisa: em dois dias me enviaram, de graça, uma versão beta do programa compatível com meu sistema operacional. Isso, e um longo pedido de desculpas.
…Deu pra entender a diferença?
Em tempo, e caso você esteja se perguntando: se o seu computador tem uma boa configuração, o Windows Vista é ótimo. Carrega bem mais rapidamente que o XP, e tem uma interface bem mais amigável e atraente. Vale a pena experimentar. E se algum programa não funcionar como deveria… bem… chame o suporte técnico!

13.4.07

Um pouco de Caribe








Sim, é verdade: eu tirei férias...
Mas já estou de volta!!

15.2.07

25.1.07

Poor assessment of my state of mind

So it is true, then...
Another one bites the dust.
This week's just been hell
And I desperately need a day by the ocean.

4.1.07

Tardiamente, o Rei do Inverno...

Algum amigo homem, por favor, me bata! E aproveite, porque eu sou grande, forte, imponho respeito, e a oferta é por tempo limitado. Uma oportunidade como essa não aparece todo dia! É a sua grande chance! (…) Não? Ninguém? Depois não reclamem…
Aonde eu estava quando Bernard Cornwell publicou sua trilogia Arthuriana? Por que diabos não dei ouvido às várias figuras que me urgiram à leitura, explicando que se tratava de um Brumas de Avalon para homens? Por que eu, entusiasta de crônicas de guerra, estratégia política e militar, simplesmente não mexi minha bunda gorda? – Tá legal, ela não é gorda. Desculpem o linguajar, mas é elevado o nível de auto-indignação. O que diabos aconteceu comigo?!
Pois bem. Terminei ontem de ler o último livro. Me forcei a ler mais devagar o terceiro volume, porque estava com pena de acabar, mas ontem não teve jeito: cheguei ao fim das aventuras de Derfel. Há muito tempo não me envolvia tanto com a história e os personagens de uma obra literária. A narrativa de Cornwell é absolutamente perfeita: todo o glamour que relatos Arthurianos merecem, aliado à realista brutalidade que ninguém jamais ousou descrever em aventuras de capa e espada. Dá para sentir o cheiro de carne queimada vindo das piras nos campos de batalha. Dá para ouvir o ranger de dentes quando duas paredes de escudo se chocam. E, acredite, se você pensa que sabe o que é uma parede de escudos só porque viu Russel Crowe brincando de gladiador no cinema, é hora de rever seus conceitos... definitivamente.
Não há o que dizer. Se você é um dos amigos que insistiu para que eu lesse antes, me espanque agora, ou cale-se para sempre. Se você ainda não leu, não me deixe ficar sabendo, ou me verei obrigado a nocautear algum senso para dentro desta sua cabeça de vento… Afinal, aonde você estava quando Bernard Cornwell publicou sua trilogia Arthuriana?!
Em outra nota sobre conflitos históricos: confiram o trailer de 300 de Esparta. Eu já encomendei meu exemplar de Portões de Fogo. Ouvi dizer que é o Rei do Inverno da Batalha das Termópilas. Cobrem-me depois um parecer definitivo…

29.12.06

Igualzinho ao ano passado...

Investir mais tempo em mim. - Feito, mas mais nunca é demais!

Investir mais dinheiro em mim. - Feito. Idem ao anterior

Investir mais dinheiro no banco. - Feito. Idem ao anterior

Voltar a jogar basquete pelo menos uma vez por semana. - Não feito. Mas vou continuar tentando...

Voltar a mergulhar. Desta vez é sério. - Feito. Hora de fazer o curso avançado...

Pular de pára-quedas. Mas só se eu tiver coragem. - Não feito. Mais por falta de tempo e dinheiro que de coragem. Continua nos planos.

Pular sem pára-quedas em todos os projetos que me pareçam válidos e pertinentes. - Feito. Inclusive, eu tenho um novo emprego, e amo muito tudo isso.

Abraçar e beijar meus amigos e amigas. Mais e melhor. - É... Feito. Mas vamos continuar na luta!

Sem pretensões e motivações religiosas, perdoar. - Humm... Sei não...

Exercer um pouco mais de tolerância.

- Ou não. - Ou não...

...Tudo bem, tudo bem: risca a tolerância. Quero continuar sarcástico e debochado. Eu gosto assim. - Adoro Assim!

Conciliar minhas duas vocações, ainda que muita gente insista em me chamar de louco. - Tá difícil...

- Aliás, quero continuar louco, sob todo e qualquer aspecto. - Fácil!

Em 2006, espero continuar sorrindo. - Em 2007 também.

Muito. - Com certeza.

E quero também escrever uma mensagem de fim de ano mais original e menos piegas do que esta. - Fica pra 2008.

Que os Deuses Antigos me concedam autencidade para ser eu mesmo, só que melhor. - Amém.

Felizes 365 dias para todos. - Amém de novo.

PS: Alguém ainda passa por aqui?

27.11.06

Uma nota de louvor e graças

Obrigado, Senhor, pela alta tecnologia em processamento de dados aplicada à diversão eletrônica doméstica!
Graças aos Céus! - O Playstation 3 já é uma realidade!

9.11.06

Não há lugar melhor que o lar

A igreja da Penha quando se pousa no Tom Jobim.
A Guanabara e o Pão de Açúcar quando se aterra no Santos Dumont.
A fábrica de sabão quando se desce a Brasil.
O Fundão quando se vem pela Linha Vermelha.
Viajar é ótimo.
Mas chegar é melhor.

27.10.06

Só acontece comigo...

É uma dessas cenas inusitadas, que só mesmo uma idílica noite de sexta-feira pode produzir: o sujeito vontando da academia, divindo os exíguos quatro metros quadrados do elevador de serviço com uma linda e unida família de cinco gordos, todos armados com sundaes do McDonald's... Dá para começar o fim de semana com bom humor, não?
(...)
Torcendo para que consertem a bosta do elevador social na segunda-feira.

13.10.06

Filosofando com os peixes...

A minha singela contribuição para que você, caro leitor, tenha uma vida mais feliz e não morra do coração antes dos 40: não alimente suas nóias e problemas mais do que o necessário. Eles podem se voltar contra você...
"Quando vem maré de azar, baiacu estressado é bola." - Glauco Procurando Nemo Paiva

4.10.06

Lições aprendidas

Mantive o título, mudei o texto. Eu queria escrever aqui um comentário sobre a delicada relação entre repórteres e assessores de imprensa, tomando por base a cobertura do acidente aéreo da última sexta-feira. Após alguns minutos parado em frente à tela, cheguei à conclusão de que tenho medo de escrever esse texto. Não sei quem poderia vir a ler, não sei como iria me interpretar. Sentir-me impedido de escrever é algo absolutamente novo. E a sensação, posso dizer, é péssima. Iniciei várias frases, deletei-as todas. O cursor vai e vem numa dança inútil e irritante. Tanto a dizer; tanto receio de alimentar velhas e improdutivas polêmicas. Medo de irritar colegas que viraram amigos, vontade de fazer entender que, em certas horas, não se pode confundir relações pessoais com trabalho. Sinceramente, eu espero que compreendam isso... Eu acho que entendem. Quero acreditar que sim.
(...)
Era para ser um breve e produtivo ensaio, que levasse à reflexão sobre fluxo de informação e trabalho jornalístico. E tudo que consegui até agora foi esboçar um patético pedido de desculpas por erros que sei não ter cometido, enquanto, entre a cabeça e o teclado, alimento com vitaminas a indignação que estou sentindo com a atitude de alguns coleguinhas lá fora.
Talvez seja melhor parar e voltar outro dia. No campo pessoal, palavras não expressam o pesar por 154 vidas perdidas. No terreno profissional, têm sido dias de árduo aprendizado. Pelo que me vejo, de maneira acridoce, grato. É isso: não vai acabar amanhã, então vou calar a boca e continuar mastigando... só espero que não me venha um gosto amargo no final.

2.10.06

Agora é que são elas!

Eu juro que já desconfiava... Depois que o sujeito pagou o mico de não aparecer no debate, só podia dar nisso! E a piada do ano fica mesmo com o tal "núcleo de inteligência de campanha" petista. Fato: eles devem ter um rigoroso teste de Q.I., acompanhado de impossível seleção psicotécnica, para garantir que apenas zebras prenhas e avestruzes estéreis façam parte desse fechadíssimo grupo de inegável e devastadora influência... sobre o próprio partido - como se o PT já não estivesse suficientemente atolado na lama. Dizem até que, independentemente do resultado das eleições, esse pequeno conglomerado de gênios vai mudar, de vez por todas, uma das mais arraigadas regras de costume do país: quando outubro passar, estará convencionado que o corno é sempre o penúltimo a saber; porque o último é, invariavelmente, o Lula.
Isto posto, ainda há uma ponta de esperança para o Rio de Janeiro... Ainda dá para derrotar o PMDB de menininhos e Marias Rosinhas no estado. Até que enfim uma boa notícia!
- Atenção: este blog virou arena eleitoral... Dane-se. Mais quatro anos de assistencialismo com dinheiro público não vai dar. Aí é melhor partir pra ignorância e desmembrar de vez a Guanabara. Juro que todo mundo vai ganhar mais com isso. Denisão na cabeça. O resto a gente vê depois, se a PF e o TSE deixarem...

26.9.06

Com que roupa?

Sempre resisti em discutir eleições por aqui. Acho que voto é uma coisa muito sua, ou minha, e a não ser que nos sentemos em uma mesa de bar ou de universidade para discutir, ninguém tem nada com isso. Ocorre que minha angústia eleitoral chegou a níveis insustentáveis. Preciso de ajuda, ou ao menos de uma consultoria camarada...
Não vou votar no Lula. Isso tem menos a ver com a minha decepção de jovem-jornalista-de-esquerda; e mais com a minha simples impressão de que, se eleito, o sujeito não vai conseguir chegar ao fim do mandato, e o preço a se pagar vai ser mais caro lá na frente. Rendo-me e, pesarosamente, voto no Alckmin. Aí começa o dilema: pela primeira vez na vida, entrego meu voto a um candidato de direita no Executivo, mas minha base legislativa continua de comunista pra baixo, seja no Senado, Câmara ou Assembléia. O resultado é um balaio de gatos que, em absoluto, não tem a palavra governabilidade como diretriz maior. Eu, que sempre acreditei em coerência eleitoral, vejo-me disparando votos para correntes partidárias opostas. Alguém aí tem remédio pra isso? Algum candidato ao Legislativo que seja de centro, sem aliar essa tendência ao fisiologismo pseudo-emedebista? Que situação...
Uma nota de tristeza: aos dezesseis, quando fiz questão de tirar meu título, já era difícil encontrar candidatos que prestassem. Hoje, vendo que o Collor deve voltar ao Senado pelos braços do povo, estou cada vez mais convencido de que quem não presta são os eleitores mesmo.

21.9.06

Baby Boom (Bem vindo, André!!)

Eles estão chegando. De vários úteros, em diferentes regiões do país. Depois que o Theo resolveu dar o ar da graça, o Cadu, sem dúvida um sujeito que figura entre os primeiros nomes na minha lista melhores amigos, me mandou notícias lá de São Paulo: o André também apareceu. Veio ao mundo mais um sobrinho postiço para ser mimado. Garoto, enquanto eu caminhar por essa vida louca, saiba que você vai sempre poder contar comigo.
Mas a primavera genética não pára por aí. A Claudinha, dona do My Mind Knows It - pode conferir, bem aí do lado - já avisou que a Bruna não tarda. A todos vocês que estão trazendo essas pequenas porções de alegria ao mundo: obrigado! Eu estou muito feliz e pretendo ser um tiozão de primeira, sempre ajudando na (des)educação de seus rebentos, sejam eles vindos ou vindouros!
...O único problema é que tanta placenta voando solta por aí fez com que meu incipiente e sempre hibernante instinto paterno abrisse os olhos por um breve momento para ver o que estava se passando. Mas foi só por um breve momento. Ele já viu que não tem nada com isso, se acalmou e voltou a dormir profundamente. Graças a Deus, amém; e obrigado, Senhor!

15.9.06

Para você que chega...

Teu nome sagrado,
Homenagem aos deuses,
Encontra em ti mensageiro de inédita alegria
O que nos leva todos a celebrarmos tua vinda.

Se tua caminhada que ora se inicia
Com pesar ou cinismo apresentar-te espinhos,
Hora nenhuma estarás sozinho:
Um braço forte tens aqui para amparar-te.
Se por ventura um muro alto tentar impôr-se,
Toma nas tuas as mãos de todos nós,
Os amigos de teus pais e teus amigos;
Fala mais alto à parede que te impede:

- Fúria nenhuma há de furtar-me passagem!

Busca tua vida com honra e hombridade
Um porto há de esperar-te, se navegares com arte.
Liberto seja de grilhão ou falso domínio
Kaiser de si, jamais, em teus dias, aceite o mínimo.

Olha! – Vieram todos! Estão aqui!
O teu dia que nasce, não cessam de aplaudir...
Leva sempre, criança, um pouco de nós em ti!

Seja bem vindo, garoto! Tinha um bocado de gente esperando por você.

11.9.06

A última palavra em entretenimento

Esqueça tudo o que você pensa que sabe sobre entretenimento televisivo de conteúdo. Letras Mortas apresenta um lançamento revolucionário que colocará por terra todos os seus conceitos sobre talk-shows. Pessoas de diferentes vertentes profissionais discutem os últimos acontecimentos do país e do mundo de uma maneira completamente diferente de tudo o que você já viu ou possa imaginar... Copacabana Connection - breve numa Confeitaria Colombo perto de você.

30.8.06

Veja só como são as coisas...

Não tem jeito. Todo esse carnaval astrológico em torno de Plutão foi elocubrado com o único propósito de esconder uma simples verdade: foi só mandar um brasileiro pro espaço que já sumiu um planeta. E o Lula, provavelmente, não sabia de nada.

21.8.06

Pequenas doses

Cada um tem suas pequenas receitas de felicidade. Pode ser um pôr-do-sol, pode ser um sorvete de creme com calda de chocolate. São os simples finais felizes para dias não necessariamente tristes, mas cansativos ou estressantes. Minifúndios de alegria adquirida. Nesta segunda-feira, em que comecei a trabalhar às 5 da manhã, foi sentar-me à cadeira do barbeiro para zerar o cabelo e fazer a barba, vendo a Flávia Alessandra peladona na Playboy. Me fez um bem danado, e pelo meus cálculos devo ter remoçado uns 5 anos, a julgar pela nova imagem no espelho. Hugh Hefner é mesmo um gênio... assim como o meu barbeiro.

16.8.06

Mais um passo em direção à incerteza

Atenção. Sem ponto de exclamação, para não soar alarmista, mas sem reticências, para não parecer que temos todo o tempo do mundo para refletir sobre o sexo dos anjos - Atenção: seqüestraram um jornalista. Não foi no Oriente Médio, nem na Colômbia já-não-tão-cartelizada. Foi em São Paulo. Aqui no Brasil. A poucas ruas da redação da mais influente emissora de televisão do país. E olha que isso é dizer muito, porque brasileiros gostam muito de assistir televisão.
Não pediram resgate em cifras. Se aproveitaram dos números de audiência para exigir a exibição de um vídeo com pedidos absurdos de privilégios e regalias penais em nome dos mesmos facínoras que transformaram a própria São Paulo num inferno. Conversa vai, conversa vem, e entre o delírio eleitoral do ex-governador que não fala sobre segurança pública mas quer ser o presidente de amanhã; a tergiversação crônica do ministro que parece mais ocupado em desconversar sobre os escândalos do presidente de hoje; e um secretário estadual que parece entender a polícia como um canil de cães raivosos a serem atiçados contra bandidos em também elevado grau de sandice, a maior e mais influente emissora de TV do país virou refém. E isso é dizer muito, porque brasileiros gostam muito de assistir televisão.
Sem ter o que fazer, e exercendo legítima preocupação institucional com a preservação da vida de seu funcionário, a empresa levou ao ar o famigerado vídeo. Grande erro. O custo em vidas pode ser maior no futuro, se PCC, CV, TC, ADA e tantos outros grupos clandestinos resolverem adotar o expediente para angariar espaço editorial. E todos sabemos que por aqui não há CIA, FBI ou NSA que dê jeito. Só mesmo a PF, que - coitada! - tem só duas letras na sigla. E um monte de outras coisas para se preocupar que não administração penitenciária em nível estadual - A começar pela retidão de propósito e ação da própria PF.
Uma nota sobre administração penitenciária: construíram um mega-presídio no Paraná, em que o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD, mas um na sopa de letrinhas) é levado às últimas conseqüências. São mais de duzentas celas. Seria ótimo pouso para o Sr. Marcola. Mas só Beira-Mar está hospedado lá. É isso mesmo. o Beira-Mar. Muito inteligente, não? Enquanto isso, em São Paulo, criminosos recebem o sagrado indulto do Dia dos Pais. Que idílico...
De volta à vaca fria: milhares de analistas falaram, e a grande emissora garantiu voz ativa a quem corroborou a atitude de veicular o tal vídeo. Atenção: ficou cheirando a edição tendenciosa. Não é possível que a nossa Fantástica revista semanal de domingo não tenha encontrado um do contra sequer. Mas tudo bem. O que importa é que o rapaz foi libertado e passa bem. Então, tudo acabou como deveria.
...Só que não acabou.
Atenção, muita atenção: seqüestraram um jornalista. A bandidagem rompeu mais uma barreira. Olhos abertos: muitos repórteres acreditam na ilusão de um distanciamento sociológico da notícia, e poderiam até então pensar que estavam para sempre a salvo da violência que retratam cotidianamente. Ledo engano. Ser repórter no Brasil pode ser perigoso. Muito perigoso. E não há nada de acadêmico ou sociológico nisso. Já não é mais preciso subir o morro para correr o risco de morrer queimado (Salve, Tim! Rogai por nós!). Nestes dias tão estranhos, se o repórter não vai até o algoz, o algoz vem até o repórter.
Você por acaso se lembra do tempo em que se perguntava "Meu Deus, o que será que vai acontecer se eles resolverem sair das favelas e atacar no asfalto?" Faça um esforço, você vai se lembrar. Deve ter sido lá pela metade da década de 90... Pois está acontecendo. Seqüestraram um jornalista. As leis da guerra dizem que não se deve matar um mensageiro sob bandeira de trégua. Mas em tempos de caos urbano em tão óbvia ebulição, quem é o mensageiro? Qual é a mensagem? Existe trégua?
Atenção. Seqüestraram um jornalista. Negociar e ceder foi péssimo negócio. Se a moda pega, cada repórter vai virar um alvo em potencial, e nós não estamos falando de telefonemas anônimos sob ordens de um deputado que de fato não vai matar ninguém porque já está sob a vigilância dos flashes. Estamos falando de atores do silêncio e do breu social, que não têm nada a perder, e para os quais a vida - seja própria ou alheia - vale muito pouco diante do exercício de terror e afronta a uma máquina pública já enfraquecida por demais em todos os níveis para cuidar e proteger o cidadão comum. E o problema maior de tudo isso é que a história virou notícia de TV. O repórter, que poderia (deveria?) ser preservado, foi transformado na celebridade instantânea do fim de semana, a epítome maior de mais um passo que damos em direção à falência institucional do país. Os bandidos conseguiram tudo o que queriam. Viraram heróis classistas em uma operação meticulosamente bem executada. Com um detalhe: não precisaram de serviço de inteligência ou escutas telefônicas no plajamento - todo o circo foi armado com uma simples tocaia na padaria da esquina. Tudo transmitido via satélite, para milhões de espectadores no sofá da sala. Afinal, brasileiros gostam muito de assistir televisão.

10.8.06

Pela Simplicidade

Sherlock Holmes e Dr. Watson vão acampar. Montam a barraca e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho,deitam- se para dormir. Algumas horas depois, Holmes acorda e cutuca seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê.
Watson responde:
- Vejo milhares e milhares de estrelas.
Holmes então pergunta:
- E o que isso significa?
Watson pondera por um minuto, depois enumera:
- Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galaxies e, potencialmente, bilhões de planetas. Astrologicamente, observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de Sorte. Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 03h15min pela altura em que se encontra a Estrela Polar. Teologicamente, posso ver que Deus é todo poderoso e somos pequenos e insignificantes. Metereologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Correto?
Holmes fica um minuto em silêncio, então responde:
- Watson, seu imbecil! Significa apenas que alguém roubou nossa barraca!

7.8.06

O Porquê

Olha, eu admito...
Isto aqui está às moscas. O editor, humildemente, pede desculpas. E diz que se emenda um dia. Mas um dia é só um dia. Pode não ser hoje, muito provavelmente não será amanhã. E para quem quer saber o(s) motivo(s), o menino que reside em mim desavergonhadamente admite :
Battle for Middle Eath I
Battle for Middle Earth II
...E lá se vai o tempo que eu poderia dedicar a Letras Mortas: está sendo investido em auxiliar Gandalf e Aragorn na difícil missão de salvar a Terra Média, diretamente da tela do meu PC. Meninice. Mas está sendo ótimo. Para os chegados, recomendo ambos os títulos. E o primeiro, como de praxe, é melhor do que o segundo. Então, dito isso, volto um dia... após a derrota final de Sauron.
Uma nota oceânica: não importa o que te digam - the worst day diving is irrefutably better than the best day working.

20.7.06

Pequenas coisas

Hoje eu estava por perto e visitei uma amiga de surpresa, bem no meio do expediente. Valeu muito a pena. Ela ficou feliz, e eu também. Não é bom, isso?
...Sem mais para o momento. Ando um pouco sem ter o que dizer.

10.7.06

Tsc, tsc, tsc...

Tá legal... eu aplaudi Zidane. Aplaudi mesmo. Mas fiquei sem entender como é que um sujeito joga fora de forma tão estúpida a chance de fechar com chave de ouro a carreira. E mais: se era para dar a bendida cabeçada, não era mais prático dar logo na cara e quebrar de vez o nariz do zagueiro? Porra, que idiota!

7.7.06

Aplausos para o "maestro"

Eu não sei quem escrevu. Apenas recebi por e-mail de uma colega de trabalho. Mas é, sem dúvida, a melhor resenha que já li sobre o desastre de Frankfurt.
Não chorem. Aplaudam Zidane. Perder tempo discutindo Parreira? Tentando entender os motivos que fazem Roberto Carlos e Cafu errarem todos os lances como meros amadores nervosos numa peneira? Pra quê ousar entender o que acontece com Ronaldinho Gaúcho de verde e amarelo? Até onde vai a nossa vontade e a realidade do que se chama "CRAQUE"?
Aplaudam Zidane! Passamos 90 minutos vendo os mais caros jogadores do planeta, donos de 90% das propagandas de TV, andarem, errarem, ficarem nervosos, enquanto aquele senhor, de 34 anos, em má fase e quase sacado do time nas oitavas, literalmente acabava com 11 badalados "gênios" do futebol mundial.
Não lamentem, apenas aplaudam Zidane. Queriam show? Tiveram! Queriam craque? Ali estava! Queriam o melhor do mundo? Ele era o carequinha de branco, com a 10. Queriam lances de gênio? Ele nos deu. Queriam lançamentos perfeitos? Ele os fez. Queriam a vaga nas semifinais? (...) Essa, ele nos tomou.
Agora... não percam os próximos dias reclamando, xingando, procurando culpados. Percam horas aplaudindo Zidane! Vejam de novo a partida com calma, apreciem o bom futebol e a personalidade de um verdadeiro craque. Aquele que decide, que resolve quando precisa, que chama pra si, que arrisca, que mantém a calma e que sabe quem é e do que é capaz. Aplaudam! Vamos!! Queriam um novo Maradona? Um novo Zico? Aplaudam! Está no fim, aproveitem!! O craque da década não é negro, brasileiro, magrelo e habilidoso. Também não é bonito, inglês, nem brasileiro e bom menino. Também não é um garotinho nervoso inglês, muito menos um raçudo anão argentino. O craque é o mesmo de 1998, pois craque, aquele de verdade, não esquece como se joga futebol e não se omite na hora do vamos ver.
Não tenham raiva da França. Eles não bateram, não catimbaram. Apenas jogaram futebol. Não torçam contra eles, pois eles têm Zidane, e quem tem tudo isso, não merece ser "secado". A arbitragem, que dezenas de jornalistas colocaram em dúvida, prevendo uma conspiração mirabolante, foi totalmente favorável ao Brasil. Errou contra Gana, errou 3 vezes bisonhamente contra a França, e não teve a menor parcela de responsabilidade na nossa eliminação.
Enfim, meus amigos, eu não vou conseguir dormir muito bem (hoje) não... Tô triste, sem graça, querendo enfiar a cara no travesseiro e até chorar de dó desse povo que parou pra (ver) isso. Mas perder faz parte, e muitas lições devem ser tiradas dessa derrota que, insisto, considero normal. Perdemos para um time de Henry, Zidane, Wiltord, Thuram, Barthez. Não foi pra uma equipe qualquer, e o futebol é assim. Agora, me dêem licença. Vou aplaudir Zidane.

28.6.06

Quem de Nós Dois

- Nas palavras de Ana Carolina:

Eu e você
Não é assim tão complicado, não é difícil perceber
Quem de nós dois vai dizer que é impossível
O amor acontecer
Se eu disser que já nem sinto nada
Que a estrada sem você é mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara...
Eu já conheço o teu sorriso, leio teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
- O que eu já nem preciso!

Sinto dizer
Que amo mesmo, tá ruim pra disfarçar
Entre nós dois não cabe mais nenhum segredo
- Além do que já combinamos.
No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso, meio na contra-mão
E quando finjo que esqueço,
Eu não esqueci nada

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro.
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida

Eu procurei
Qualquer desculpa pra não te encarar
Para não dizer de novo e sempre a mesma coisa
Falar só por falar...
Que eu já não tô nem aí pra essa conversa
Que a história de nós dois não me interessa
Se eu tento esconder meias verdades,
Você conhece o meu sorriso, lê no meu olhar
Meu sorriso é só disfarce
- O que eu já nem preciso!

23.6.06

E o Brasil, hein?! (2)

Uma singela indagação a Parreira, nas palavras de Drummond - um sujeito que, a cada dia me convenço mais - sabia realmente das coisas:
"...E agora, José?"

14.6.06

7.6.06

Versos natimortos sobre a esclerose

Dia desses deparei-me com um pentelho branco.
Estava lá, impávido e único, desafiando a negrura de minha virilidade.
Mandou-me recado sobre a inexorabilidade do tempo,
E disse-me que minha pessoal e grata noção de juventude carece de aplicabilidade prática em termos temporais indefinidos.
Chamou-me de velho, bem na minha cara - ou, melhor dizendo, em outra parte mui cara de minha anatomia
- que merda!

...Arranquei-lhe.

29.5.06

Tempo, mano véio

Nas palavras de Fernanda Takai...

"Tempo amigo, seja legal
(Eu) conto contigo pela madrugada
...Só me derrube no final."


Feliz Aniversário para mim!

26.5.06

Registro fotográfico

Uma pergunta para você, caro leitor. Responda com sinceridade...
Você está no Rio de Janeiro, em meio ao caos que só as enchentes cariocas podem causar. Voce é um reporter fotográfico, e está fazendo a cobertura de sua vida, tirando as fotos mais chocantes de momentos dramáticos causados pela força das águas. De repente você mira sua câmera para um casal sendo arrastado pela correnteza de um canal que transbordou, e reconhece Rosinha Matheus e Anthony Garotinho. Os dois lutam desperadamente contra um provável afogamento, mas estão sendo vencidos. É um momento de decisão: você tem a oportunidade de resgatá-los e perder uma foto espetacular, ou pode não interferir nos acontecimtos e tirar a fotografia do ano. Baseado em seus principios éticos e morais, sem esquecer os fatores fraternidade e solidariedade humanas, responda sinceramente:
...Havendo tempo para trocar o filme, você faria a foto em preto e branco ou colorida?

17.5.06

Peraí!!

Deixa ver se eu entendi direito: toda essa confusão em São Paulo, que deixou mais de 80 mortos, outras tantas dezenas de feridos, e colocou o centro financeiro do país em toque de recolher, foi planejada a partir da venda da gravação de uma sessão revervada de uma CPI aos "advogados" de um dos criminosos mais perigosos do país? (...) E quem vendeu foi um funcionário do Congresso Nacional, assim, na cara dura, sem um intermediário sequer? - Caramba... e eu pensava que já tinha visto de tudo nesse país.
Uma nota mesquinha e inapropriada de bairrismo carioca: levante a mão quem já ouviu, nesses últimos dias, algum paulista dizer que "a situação não é assim tão feia, a imprensa é que extrapola a realidade." Ah, se essa bagunça tivesse sido no Rio...

16.5.06

Conste nos autos

Mamãe, eu te amo. Simples assim. Pronto. Só deu vontade de dizer.

15.5.06

O Drama de Juquinha

Um exemplo saudável de má utilização do correio-eletrônico numa manhã friorenta de segunda-feira:
A professora pergunta na sala de aula:
- Pedrinho qual a profissão de seu pai?
- Advogado, professora.
- E a do seu pai, Mariazinha?
- Engenheiro.
- E o seu, Aninha?
- Ele é médico.
- E o seu pai, Juquinha, o que faz?
- Ele...Ele... Ele é dançarino numa boate gay!
- Como assim? - pergunta a professora, surpresa.
- Fessora, ele dança na boate vestido de mulher, com uma tanguinha minúscula de lantejoulas. Os homens passam a mão nele, põem dinheiro no elástico da tanguinha e depois saem para fazer programa com ele.
A professora prontamente dispensa toda a classe, menos o constrangido Juquinha. Boquiaberta, ela caminha até o garoto e novamente pergunta:
- Menino, o seu pai realmente faz isso???
- Não, fessora. Agora que a sala tá vazia, eu posso falar: ele é dirigente do PT, mas eu morro de vergonha de contar isso na frente dos outros.

9.5.06

Tem tudo pra dar m...

A assertiva não é minha, mas de outro filósofo contemporâneo que conheci recentemente. Tal máxima, tão clara e contundente, foi a réplica que ouvi ao comentar sobre a continuidade do processo de nacionalização de bens naturais iniciado na Bolívia por Evo Morales. Diz o hermano cocalero, já identificado por essas bandas como a encarnação política do mítico abominável homem dos Andes, que depois dos hidrocarbonetos virão as florestas, os rios, as terras. Os produtores brasileiros de soja que investiram alguns milhões no quintal do vizinho perderam o sono. Pudera: veja só o nome do ministro encarregado pela reforma agrária boliviana - Hugo Salvatierra...
Tem tudo pra dar merda.

3.5.06

Uma imagem e uma piada séria

Ainda namorando com a idéia de de escrever um texto machista e preconceituoso sobre os vagões exclusivos para mulheres nos trens e metrô do Rio de Janeiro. Mas, devo confessar, ando meio sem tempo e paciência para elocubrar e redigir com toda a acidez e cinismo que o assunto merece. Por hora, vai aí uma charge do Aroeira publicada em O Dia. Trabalho de mestre ao resumir, em uma imagem, toda a polêmica causada pela nacionalização do gás natural na Bolívia (...) E algo que seria uma piada velha, se fosse uma piada: eu apóio a greve de fome do Garotinho. Até o fim!

28.4.06

Só de ruim...

Eu estou ensaiando de escrever um texto machista e preconceituoso sobre os vagões exclusivos para mulheres nos trens e metrô do Rio de Janeiro. Mas por enquanto... Mais Noronha. No feriado volto a mergulhar em águas cariocas. Vai ser um choque de realidade brutal, mas fazer o quê? Cada um tem o mar que merece (...) Bom fim de semana a todos!

25.4.06

Fotos de Noronha

Morram de inveja. Há mais de onde vieram estas...

16.4.06

BR 363

A menor estrada federal do Brasil fica na cidade de Aparecida, no Estado de São Paulo. Tem pouco mais de 3,5 quilômetros de extensão e liga a Basílica de Nossa Senhora a algum lugar ao qual eu não estava prestando a menor atenção enquanto o guia dava sua explicação. Cultura absolutamente inútil, porque a única coisa que há para se ver na cidade é, de fato, a Basílica. A segunda menor estrada federal do país fica em um pedaço de paraíso chamado Fernando de Noronha. Corta a principal ilha do arquipélago, ligando o porto de Santo Antônio à praia do Sueste. Ao longo de seus 7,9 quilômetros, você vai encontrar:
O próprio porto de Santo Antônio – Considerado o segundo mais limpo do mundo, e não sem motivo. Águas absurdamente claras guardam o naufrágio de um navio grego onde é possível mergulhar, e atobás cercam as embarcações atrás de sardinhas. Eu não acreditaria se alguém me contasse que é possível e saudável mergulhar em águas portuárias... mas ninguém me contou. Por lá há tartarugas marinhas e raias. E na praia da Biboca, bem pertinho, vi meu primeiro tubarão. Inesquecível.
A Praia do Sancho – Eleita pela revista Quatro Rodas a mais bonita do Brasil, com muita justiça. De difícil acesso, é preciso vencer escadas fincadas em fendas do que se poderia chamar um penhasco para chegar a suas areias. Mas cada degrau vale a pena. Águas com visibilidade para mais de 15 metros, e lajes com mais vida e cores do que qualquer mergulhador tarado poderia sonhar em sua noite mais molhada.
Estrela do Mar – A melhor pousadinha mixuruca do país. Chalés com vista para o verde que circunda vale central sobre o qual foi construída a pista do que possivelmente é um dos aeroportos mais silenciosos do planeta. O chalé 4, o mais isolado de todos, dá direto para a cabeceira. Não há lugar melhor para se passar uma noite de lua cheia em toda ilha. Ou talvez eu esteja errado, já que em apenas cinco noites não foi possível experimentar todas as luas cheias que eu gostaria.
Arte e Sabor – Disparado, a melhor creperia do Brasil. Esqueça o que você pensa que sabe sobre Chez Michou e seus garçons eternamente mal-humorados, que parecem fazer um grande favor ao servir sua mesa. Com o bônus de que, Na Arte e Sabor, você pode sempre pedir um Morro do Francês e redefinir toda a sua lógica sobre o que vem a ser uma banana-split.
O Tartarugão – Não é o melhor restaurante das Américas. Dizer isso seria um certo exagero. Mas eu desafio qualquer um a encontrar azeite com ervas mais saboroso do que o servido por lá. E para quem aprecia detalhes em uma refeição, isso pode fazer uma grande diferença...
Praia da Conceição – Um pôr-do-sol que certamente está entre os mais bonitos que já vi. Aparente paradoxo, considerando que o tempo estava nublado. Mas ainda assim...
Finalmente, quando todas as alternativas da BR 363 estiverem esgotadas, você pode sempre entrar num barco e navegar até a...
Ponta da Sapata – No extremo oeste da ilha, bem no limite com o mar aberto do Atlântico, está entre os cinco melhores pontos de mergulho submarino do mundo. Mas sobre o que eu vi e senti nessa imensidão azul, já me faltam as palavras certas para (d)escrever...
Especialmente ao me lembrar que amanhã é segunda-feira. Fotos da viagem em breve.

7.4.06

Fechando o escritório

Feliz Páscoa à meia-dúzia de leitores. Recentemente reintegrado a suas atividades sub-aquáticas, este editor resolveu zerar o banco de horas extras e vai passar a próxima semana procurando golfinhos em Fernando de Noronha. Glub-glub pra quem fica.

5.4.06

Interferências indesejáveis

Acho que a lua-de-mel com o novo emprego vai chegando ao fim. Não que eu esteja insatisfeito - longe disso. O Império continua sendo um ótimo lugar para se trabalhar, e eu sempre fui fã do Darth Vader mesmo, então tudo bem. Mas nas últimas semanas vem crescendo a insatisfação com o grau de interferência sobre o meu texto. Me incomoda o fato de que, até que eu consiga mandar alguma informação para fora do Consulado, pelo menos três pessoas - duas delas não brasileiras - editam e opiniam sobre o conteúdo e a forma. Não que eu me julgue o Machado de Assis do jornalismo contemporâneo... Mas meu currículo é carimbado por duas das redações mais exigentes do país, e nunca houve um grau de gerência externa tão grande sobre o que produzo. Não estou acostumado. E, só para complicar, eu invariavelmente acabo com um produto final que, tenho certeza, é pior do que o original. Modéstia nunca foi meu forte, principalmente em pontos nos quais sei que atuo bem. Gosto da minha redação. Compreendo que alguns profissionais em faixas salariais bem maiores do que a minha têm e terão prerrogativas editoriais aonde quer que eu vá, mas gosto da minha redação. Ponto. Ainda bem que tenho este singelo cafofo virtual para exercer o sacro-santo direito à onipotência literária sem encheção de saco. Não chega a ser um latifúndio editorial, mas o pouco com Deus é muito, já dizia minha bisavó.
E a menos de uma semana de embarcar com a patroa para Noronha, lua-de-mel com o trabalho não é exatamente uma das minha maiores preocupações no momento.

30.3.06

A pergunta que não quer calar

A comunidade científica internacional está vivendo dias de tensão com a possibilidade de uma grave pandemia em escala global.... mas será que o vírus da gripe aviária também pode ser transmitido de pinto para periquita???

27.3.06

A vida começa a 10 metros

Mesmo com toda a chuva e vento do último domingo, fica absolutamente comprovada a máxima de adesivos e camisetas: the worst day diving is better than the best day at work.
E tenho dito.

24.3.06

A dança da vitória

...Resta saber a vitória de quê ou de quem. Esquecendo-se do fato de que sempre há alguém olhando, a deputada federal Ângela Guadagnin (PT-SP) comemorou com samba, dentro do plenário da Câmara, a absolvição do colega João Magno (PT-MG) do processo de cassação. Magno engrossa a massa da pizza. Ângela desrespeita, sorrindo e dançando, um espaço que deveria ser símbolo da seriedade com que pensamos e exercemos a democracia no país. Deveria. O texto é do jornalista Jorge Bastos Moreno:
- Mano véio, aqui você só não vai ver é boi voar! - foi o que ouvi no primeiro dia em que o cheguei ao Congresso, como repórter, em 1976, do então deputado paraibano Ernani Sátyro. Surdo, chamava todo mundo de “mano véio”. E eu vi muita coisa. Vi o Congresso ser fechado em 1977. Vi parlamentares arrancados da tribuna pelas cassações da ditadura. Entre eles, Alencar Furtado, aquele que disse que sua luta era para que não houvesse lares em prantos: “filhos órfãos de pais vivos, ou mortos, talvez, quem sabe; órfãos do talvez ou do quem sabe; viúvas de maridos mortos ou vivos, quem sabe, talvez; viúvas do quem sabe ou do talvez”. Vi Ulysses Guimarães dizer: “Tenho ódio à ditadura; ódio e nojo”. Vi Tancredo chorar por JK. Vi mães, viúvas e órfãos com cartazes de seus mortos e exilados clamarem por anistia. Vi o doido manso Teotônio Vilela se rebelar contra o regime. Vi a eleição de Tancredo, vi a Constituinte. Vi momentos de tristezas e alegrias. Nas tristezas, ouvia o Hino Nacional cantado com vozes enlutadas, sempre seguido nessas horas do coro “a luta continua”. A alegria ecoava em palmas e papel picado. Mas nesta madrugada vi uma cena que nunca vou esquecer: a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) dançando, sambando como passista do agouro ao ver que os votos apurados já davam pra salvar de cassação o deputado João Magno (PT-MG), um dos mensaleiros da Câmara. Nem os canhões, fuzis e metralhadoras que tentaram desmoralizar pela força o Congresso superariam o escárnio da deputada. Longe do “Necrológio dos desiludidos do amor”, onde as amadas dançavam “um samba bravo, violento, sobre as tumbas deles”, a dança da deputada é o mais imoral dos emblemas da degradação da política brasileira. Talvez a perplexidade foi que impediu o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, de exigir o devido respeito da deputada em pleno velório da Casa.
Estou ficando preocupado com o grau de cinismo político desde espaço virtual. Mas juro que não é culpa (exclusivamente) minha. É que o pessoal da capital, ultimamente, não anda colaborando muito...

20.3.06

Lave bem a sua

O STF interferiu nas prévias do PMDB. mas também, por esses dias, o Supremo intefere em tudo mesmo... Me espanta que o Jobim - escreva o que eu digo, ele sai candidato a governador este ano - ainda não tenha dado um palpite sobre a cor da minha cueca. Em uma nota mesquinha e pessoal, menos mal que tenha sido no PMDB. Juro que prefiro ver os netos de Ulysses alinhados ao Lula a correr o risco de sequer imaginar o que mais uma campanha Garotinho pode fazer ao Rio. Para não mencionar o risco de vê-lo crescer nas campanhas, por mais improvável que isso seja. Nesse sentido, caso eles se baguncem por lá e acabem sem candidato de tanto bater cabeça, nem vou chorar. Ando triste com a política. Pela primeira vez na vida não tenho na ponta da língua a resposta sobre quem vai levar meu voto para presidente. Do governo do estado, eu já desisti. Ver Carlos Lessa, o último economista de esquerda que ainda fazia algum sentido, alinhado ao Menininho me deixou cabisbaixo. E se o Crivella ganhar por aqui, juro que me mudo pra São Paulo.
E o sigilo bancário do caseiro, hein? Puro batom na cueca. Na da Polícia Federal, não na minha ou na do Jobim (...) Mas até sobre isso ele tinha opinião a dar. Ficou fulo porque não lhe perguntaram se podiam passar o batom. Ou beijar a cueca.
Os participantes do Big Brother 27 desenvolveram o curioso se não trágico hábito de não lavar as sungas... Mas sungas não são cuecas, então ninguém tem nada com isso.

26.2.06

O grande problema desses 4 dias...

... Diria o jovem filósofo contemporâneo, é que euforia em excesso leva à debilidade.

21.2.06

A crise dos 30

Tudo bem, tudo bem... Eu sei que talvez seja um pouco cedo para isso, mas é que, de uma hora para outra, não satisfeitos em se casarem, meus amigos resolveram procriar. Em menos de duas semanas dois exames deram positivo. Crianças que farei questão de mimar e estragar o quanto possível, mas o fato permanece de que eu agora tenho prazo regimental não prorrogável de 9 meses para me acostumar com a idéia de ser chamado de "tio Glauco". Se, neste momento, você é meu amigo(a) e pensa em comunicar advento de prole, por favor o faça de maneira delicadinha e sutil. Se não vou precisar de análise para superar o trauma de que meus contemporâneos mais próximos e queridos estão por aí constituindo família(s), enquanto eu sequer passei dos rascunhos dos planos de casamento.

8.2.06

Onde estava escrito?

Em algum lugar entre a minha criação católica, a convivência com judeus, a freqüência a centros espíritas e de umbanda, conversas com budistas e algumas passagens por círculos de magia, cheguei à conclusão muito pessoal de que Deus - na falta de uma palavra melhor - é um só, atendendo por vários nomes diferentes. Me espanta o ponto crítico a que chegou a intolerância quanto às charges publicadas em jornais europeus fazendo alusões – reconhecidamente infelizes – a Maomé. Queimar embaixadas? Matar pessoas? Quem ganha com isso? A última em Teerã é um concurso para a premiação do melhor cartoon sobre o Holocausto (...) Mas com isso a idéia é denegrir a Europa por ter parido Hitler? Ou fazer lembrar aos judeus que houve época em que foram tratados como raça (?!) inferior? Ou os dois?! O Fundamentalismo religioso – e me desculpem os fundamentalistas – tomou ares de pirraça infantil esta semana. Uma pirraça infantil alimentada a ferro, fogo, xenofobismo, niilismo e um monte de outros ismos que para mim não fazem muito sentido. E, ainda assim, tudo se resume na simplicidade de uma birra estúpida. Eu entendo bem que toda essa conversa de tolerância e diplomacia fica muito bonita no ocidente, mas não está no esquadro de certos estados teocráticos, o que é questão tão-somente cultural, e deve ser respeitada... mas qual dos profetas anunciou que um erro deve ser retribuído com outro erro? Faço a pergunta porque admito conhecer pouco do mundo islâmico... Que Alah seja um Deus punitivo, eu compreendo. Javé também o é, embora a doutrina explique que, paradoxalmente, Ele também é amor. E para não colocar duas ou mais religiões balança, o que não é, definitivamente, meu objetivo, alguém poderia simplesmente me explicar onde no Alcorão está dito que queimar embaixadas com pessoas dentro é melhor caminho do que simplesmente esvaziá-las, com toda a carga simbólica que isso carrega? Estamos de volta à Idade Média? Ou será que dela nunca saímos? Vou passar ao largo de toda a discussão sobre liberdade de imprensa, porque isso também é conversa de ocidental. Mas quantas vidas vale uma caricatura, afinal? Seguindo a Lex Talionis, deveríamos cortar as mãos dos dinamarqueses por trás de tudo isso? (...) Triste.

Enquanto isso em Gaza... o empresário Ahmed Abu Dayya está faturando alto com venda de bandeiras dimarquesas para combustão em praça pública. US$ 11 cada. Sujeito esperto.

E a boa nota da semana: finalmente nasceu Manú!! Parabéns, Dedéia! Tudo de ótimo para essa família linda!

1.2.06

brasilia@state.gov(.br)

Brasília continua uma graça. E nesses últimos dias pude ratificar minha tese de que é ótimo lugar para se exercer o jornalismo, não importa de lado da notícia se esteja. É também uma cidade com gosto de planejamento estratégico, da concepção à finalidade. Se os planos traçados para e por lá produziram, produzem ou produzirão bons resultados, isso é conversa a parte. A cada vez que passo pelo aeroporto Juscelino Kubitschek gosto mais da cidade. Aliás, um amigo que já morou por aquelas bandas defende a teoria de que tudo seria perfeito, se não pelo fato de que, por lá, um sujeito é capaz de dirigir por horas, sem jamais chegar à Ipanema. Há quem diga que, eventualmente, é possível se chegar a Goiânia, o que não pode exatamente ser considerado uma vantagem. Fato: gosto de lá. Não fossem os migrantes pendulares - esses espécimes tão curiosos, que habitam a região de vez em quando durante a semana - a cidade seria de fato linda. Mas vá lá... eu concedo que, não fossem eles, provavelmente não seria um lugar tão interessante.