30.5.08

Balzaquiano

Os trinta chegaram com algumas lições de humildade. A vida me passou uma banda e pela primeira vez em mais de dez anos (e me espanta a naturalidade com que agora meço o tempo em décadas) estou sem as rédeas de alguns pontos da minha existência que eu pensava ter aprendido a controlar. No campo profissional, ansiedade sobre mudanças que podem vir. No pessoal, uma tentativa de resgate que se mostra deliciosa a cada encontro, mas não sem tropeços e percalços. Estou aprendendo que ser genuinamente autêntico e pedir autenticidade em retorno pode cobrar seu preço em atritos que antes a gente pensava não haver.
...No geral, entretanto, estou achando muito melhor jogar às claras. Aliás, estou achando muito melhor não jogar.
Talvez seja mais um sinal de maturidade, essa coisa que vem com a tal “experiência de vida”. Com três décadas (!!) nas costas, estou finalmente me sentindo mais velho. É como se estivesse perdendo um pedacinho da juventude, como se me assumir adulto fosse agora inevitável. Eu, que sempre fugi do termo. Com tantas dúvidas e aspectos tão importantes da vida em suspenso, me aflige não saber se vou emergir dessa transição um homem melhor - se vou crescer para o bem ou simplesmente me tornar um pouco mais duro e amargo. Ao mesmo tempo em que busco respostas e definições que tragam o alívio da solução final e me devolvam a tranqüilidade do inarredável, quero ser capaz de extrair dessas respostas algo de positivo que me alimente a alma para o futuro, seja ele qual for.
A impaciência de sempre de deixa nervoso e irritadiço. Neste momento em que as coisas parecem flutuar fora de alcance, preciso encontrar em mim mesmo, e não fora, uma medida de autocontrole que me permita ser o meu melhor. Mas acima de tudo, ser apenas eu. Coisa que – meu Deus! – pareço não ter sido há muito, muito tempo...

14.5.08

Idiossincrasia

Só tenho a oferecer-te quem sou:
Esta mão pesada e rude
Este presunçoso olhar distante,
Esta vil flutuação de humores,
Esta rotina de negação e fuga.
Que pintura pobre sobre ordinário motivo!
- Carregaram nas tintas, fizeram-me superlativo
Resultou rasa tela, este nada sem talento crível
Mar em fúria, terremoto, tempestade;
Eu sou à espreita, um desastre
Eu, mania de devastação
Eu, desmedido orgulho
Eu, a imprevisibilidade.
A mim os sujos andarilhos e rotos marinheiros!
Os servis trôpegos em desesperança,
Os bêbados sem consolo a quem sumir apenas resta.
A mim as desgraçadas que em si não estão plenas
E buscam tão-só o flagelo como medida de piedade!
Em mim não há alento
Em mim não há felicidade
O meu banquete é de lamento e agruras.
Tu comerás só, eu a fitar-te
E ao final quererás, saciada de nada, deleitar-me:
Eu, sexo bruto e incendiário
Eu, paixão enganosa
Eu, esta vontade de consumir-te no ímpeto de deixar-te.
Se pensas em afeiçoar-te, meu conselho:
Afasta-te!
- Ou resgata-me de mim, que estou cansado...
Exausto da verborragia,
Saturado da auto-imagem
Vexado do eu ideal
E perdido entre os outros que me habitam.
Decifra-me ou devoro-te
Pois só tenho a oferecer-te quem sou
E quem sou não é muito, é pequeno, é banal
...Mas se ainda me quiseres, toma-me.
Se não, caminha
E deixa-me com minhas dores,
Minha torpe idiossincrasia.

13.5.08

Fenômeno

Duas congratulações por mérito em serviço são devidas a diferentes agentes envolvidos nessa grande bananosa (com trocadilho, por favor) em que se meteu Ronaldo-bola:
- Ao escritório de comunicação que gerencia a relação do ex-craque com a mídia. As exclusivas à TV Globo foram realmente sacadas de mestre. E coçar o joelho operado a cada momento em que fala de superação... isso sim é uma mensagem subliminar bem arquitetada! A essa altura, metade da população já deve estar engolindo (ops!) o barraco com os travecos como um momento de fraqueza, um ato de episódica depressão do pobre-menino-que-com-muita-força-de-vontade-vai-vencer-mais-essa! (...) E vem agora o anúncio de que Ronaldo será pai novamente. Pule de dez! - Resgata-se sua funcionalidade heterossexual ao mesmo tempo em que sua imagem pública é atrelada ao conceito de família. Coisa que, diga-se de passagem, nunca foi a especialidade do jogador. O cara troca de esposa e namorada como quem troca de roupa, mas nada disso importa: Ronaldo será papai! O inocente que ora repousa no útero de Bia Anthony veio para salvar o ídolo! Acho que nem Duda Mendonça me sairia com uma dessas... É genial! E muito embora eu tenha minhas ressalvas morais quanto ao anúncio, tenho que admitir: é um prato cheio para os jornalistas. Coisa de quem entende e calcula o que vai fazer na lida com a imprensa.
- A mamãe Bia Anthony, que soube recolher-se em prantos e sumir das páginas dos jornais quando a bomba (ou a biba, como preferir) explodiu, apenas para voltar semanas depois, imaculada em sua concepção. O timing foi tão perfeito que me pergunto até que ponto a gravidez não foi.... não. Não pode ter sido orquestrada. Seria cinismo demais pensar assim. Eu não sou tão duro. Mas que, intencionalmente ou não, a moça está feita para o resto da vida, isso está...
Inocente nessa história, só mesmo o pobre menino de Bento Ribeiro. Mas veja que ótimo: não é assim mesmo que todos deveríamos nos lembrar dele - "O pobre menino inocente de Bento Ribeiro?" Engraçado... eu ainda enxergo uma cachorra louca que se meteu (ops!) num motel barato com três bonecas. (...) Mas esse sou apenas eu, e meu árido coração.

6.5.08

Uma pitada de humor americano

Entreouvido nos corredores do consulado geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro em uma tarde modorrenta de terça-feira:
- Hey, T.!
- Oh, hey, G.! Everything OK?
- Yeah, sure! So, what's up?
...
- My blood pressure.
Pano rápido.

16.4.08

Diálogos em areia branca - primeiro ensaio

Homem sentado em praia deserta de mar azul anil e areia branca, fina como seda, com grandes formações rochosas ao longo da costa. Ele se acomoda, reclina e apóia a espádua sobre uma rocha de aproximadamente dois metros de atura cuja superfície riscada pela ação do vento e da areia oferece filigranas de encantador e elaborado estilo. O estímulo tátil mistura-se ao cheiro fresco do mar trazido pela brisa, causando silenciosa sinestesia. Por um instante, o homem pensa atingir um estágio de total relaxamento e entrega a si mesmo. Põe-se fora da realidade e, em seu semi-transe, quase não escuta a voz que lhe dirige a palavra, um susurro de tom grave mas suave, ao mesmo tempo sólido e lento, como um velho avô pigarreante de olhar agudo, sabedoria inquestionável e sorriso maroto que só a experiência de vida vivida pode oferecer:
VOZ - O que fazes aqui?
HOMEM - Como?! Quem está falando? De onde vem essa voz?!
VOZ - Tanta pressa! Tantas indagações sobre o óbvio! A uma pergunta minha, ofereces três como resposta!
HOMEM - Deus meu! Enlouqueci! Estou ouvindo vozes!
VOZ - Não estás ouvindo vozes! Apenas uma voz. E considerando o abuso de recostares sobre mim teu peso cansado, poderias ao menos demonstrar o mínimo de cortesia em reconher-me como mais do que um patológico figmento de sua provavelmente limitada imaginação.
HOMEM - Recostado sobre você?! (...) Uma pedra? Eu estou conversando com uma pedra?! Como é possível?!
VOZ - Se vamos usar rótulos, prefiro que me chames de Rocha. Ainda serão milhões de anos até que o vento e o mar me cobrem o preço final do tempo e me tornem simplesmente pedra. Outros milhares até que minha consciência se dilua entre os grãos de areia desta praia.
HOMEM - ...Sonho... Será que estou sonhando?
ROCHA - Ótimo. Muito original. No lugar de um figmento patólogico, sou agora um figmento saudável da tua - definitivamente - muito limitada imaginação. Acho que se eu usasse punhos de quartzo para repelir tua enfadonha presença, pensarias estar completamente louco em ver uma rocha se movendo... Talvez então te tornasses um interlocutor mais interessante!
HOMEM, sobressaltado - Você... tem braços? E punhos?!
ROCHA - Não, não tenho. Mas sou capaz de imaginá-los. Quando a sua idéia de um século divertido consiste em contar as ondas e observar a paisagem, sobra tempo para conjecturar e imaginar o que faria se as coisas fossem diferentes. Eventualmente um falante de duas pernas passa por aqui. Poucos se recostam sobre mim, e desses um número ainda menor se dispõe a ouvir uma velha Rocha. Sinto-me só.
HOMEM - Bem... se vamos vamos usar rótulos, prefiro ser chamado de homem no lugar de falante de duas pernas. E você há de convir que conversar com uma pedra... me desculpe - conversar com uma rocha não é exatamente normal...
ROCHA - E por que não?! Os teus antepassados, há milhares de anos, faziam isso. Eu sorvi o sangue de sacrifícios tribais. Sobre mim riscaram signos e desenhos antes de balbuciarem as primeiras palavras; e bem aí onde agora estás, homens-macaco que há pouco ainda andavam com as mãos se sentaram para admirar o mar e imaginar o que havia além do vasto oceano. Eu fui altar, lousa e trono de sonhos! Eu fui cama de amantes e monotolito de deuses! Mas não mais. A tua raça distanciou-se na mesma medida em que convenceu a si própria de que eram os mestres da criação.
HOMEM - E não somos?
ROCHA - ...Depositaram na pólvora demasiada fé. Olha em volta, homem: tudo isso vai estar aqui bem depois de teus pares serem varridos do mapa da existência. Eu vi os primeiros peixes migrarem da água para terra, e vi dinossauros correndo pela areia. Eles se foram, os homens também irão. Eu não seria capaz de começar a explicar o quão fugaz é a existência de qualquer espécie que se mova. Estar de passagem é a essência de quem se move...
HOMEM - Você está discutindo semântica.
ROCHA - Não, não estou. Mas como já disse, reconheço minha incapacidade em discutir de forma válida e inteligível sobre mortalidade e expiração com um ser que conta sua vida em décadas. Leva, rogo-te, minha palavra como garantia: nós somos poeira cósmica. Nós somos um infinitesimal instante.
HOMEM - Nós? Pensei que você estivesse falando apenas das espécies que se movem.
ROCHA - Vocês são, sem dúvida, mais suscetíveis aos efeitos do tempo. Mas nada é eterno. Milhões de anos me ensinaram humildade. Talvez os homens de hoje em dia se julguem tão especiais porque ainda não tiveram tempo o suficiente sobre a terra para entender que estão traçando uma rota suicida.
HOMEM - ...Talvez estejamos mesmo. Guerras, desmatamento, poluição...
ROCHA - E quem falou em guerras, desmatamento e poluição? Por Gaia, vocês realmente acreditam que o planeta gira por obra, graça e intervenção do homo sapiens, não? O que eu estou dizendo é que de alguns séculos para cá a raça humana se alçou tanto para fora de si mesma que perdeu contato com o que tem mais precioso - o sopro de vida fundamental que lhes confere percepção, cognição e livre arbítrio. Cobriram o sexo por vergonha após comerem uma maçã, e desde então entraram em uma cadeia de auto-compensação que cada vez mais os afasta do que realmente são. Francamente, é patético.
HOMEM - E o que nós somos, realmente?
ROCHA - Livres. É o que deveriam ser, pelo menos. Esse era o plano.
(...)
ROCHA - Isso é que chamam de sorriso?
HOMEM - Como?! Oh, sim... isto é um sorriso. Para falar a verdade, nunca pensei que fosse tão simples.
ROCHA - O quê?
HOMEM - Sorrir. Você tem razão, afinal: nós nascemos para sermos livres. Isso deveria bastar.
(...)
HOMEM - Ei!
ROCHA - Sim?
HOMEM - ...Isso é um sorriso?
ROCHA - Não. É apenas um figmento da tua imaginação.

10.4.08

A frase brega do dia...

...cortesia de Exupèry numa noite chuvosa em que tudo ficou meio numblado:
"As coisas que amo, deixo-as livres. Se voltarem, é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive."
Por que será que o andarilho, pronto e à porta, flagra-se de súbito com medo de sair à rua? Que magia ou pavor congela seus passos? Que nostalgia toma-lhe de assalto e o transporta alhures em pensamentos, estando ele ancorado em seu alpendre de dúvidas e devaneios de outrora? Esta é uma noite sem respostas. O céu promete tormenta e o andarilho, perdido em si, de si e de todos, já não chora. Espera, apenas - entre apavorado e ansioso - um sinal que não vem. Os sinais estão mudos. Ele, imóvel. Aguardando. Fitando os olhos da noite. E os ventos são de arrepio e dor.

26.3.08

Camões

Eu, poeta menor, de pensamentos e atos tão previsíveis quanto desprovidos de rima, boa métrica e coerência de forma e conteúdo...
Busque, Amor, novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei por quê.

24.3.08

Solace of you


When it hurts to be out there
Where no one will care
I've got the solace of you
Frustrated by people's lying
But I keep on trying
I've got the solace of you
When I can't think straight
And there's no escape
I've got the solace of you
Gotta go inside, back where it started
Back to the beginning
'Cause that's where my heart is
They can hurt me, jail my body
I'll still be free
I've got the solace of you
They can take my land
Tell me I'm not who I am
I've got the solace of you
A wise man said to know thyself
'Cause in the end there's no one else
(There's) just the solace of you
Gotta go inside back where it started
Back to the beginning
'Cause that's where my heart is
Gotta go inside
Back to the beginning

27.2.08

Dr. Benton

O que acontece quando Duas Caras encontra Plantão Médico e eu faço minha estréia em teledramaturgia...

Tenho que admitir: é beeem mais divertido do que eu imaginava...

20.2.08

Mundo corporativo

Não sei de quem é o texto original, mas acho que nem o Max Gehringer faria melhor...
"A Formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho todo dia. Era produtiva e feliz.
O gerente Marimbondo estranhou a Formiga trabalhar sem supervisão - se ela era produtiva sem supervisão, o seria ainda mais se fosse supervisionada - e contratou como supervisora uma Barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência na área.
A primeira preocupação da Barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da Formiga. Logo a supervisora precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou uma Aranha, que dava uma mão na organização de arquivos e controlava as ligações telefônicas.
O Marimbondo ficou encantado com os relatórios da Barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A Barata, então, mandou vir uma Mosca para diagramar o conteúdo e comprou um computador com impressora colorida.
Não demorou muito até que a Formiga produtiva e feliz começasse a se lamentar por toda aquela movimentação de papéis e reuniões... O Marimbondo concluiu então que era o momento de criar a função de gestor de pessoal para o setor. O posto foi dado a uma Cigarra, que mandou colocar carpete no escritório e encomendou também cadeiras especiais com assento orto-postural. A nova gestora logo se deu conta de que precisava de uma assistente para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a Formiga - que já não cantarolava mais e a cada dia estava mais taciturna...
A Cigarra, então, tentou convencer o gerente Marimbondo de que era preciso fazer um estudo psico-motivacional das relações interpessoais no escritório. Mas o Marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que o departamento já não rendia como antes e licitou a preço de ouro os serviços da Coruja, uma prestigiada consultora, para que fizesse um diagnóstico da situação. A Coruja ficou três meses bebendo cafezinho por conta da empresa emitiu um longo relatório, com vários volumes, que apontava "queda de produtividade por excesso de pessoal e necessidade de reengenharia".
...Adivinha quem o Marimbondo mandou demitir?
- A Formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida."

13.2.08

Auto-ajuda em profundidade

Em 28 de abril de 2000, o russo Yuri Lipski, então com 22 anos, arriscou-se em um mergulho profundo no Blue Hole, em Dahab, Egito. Um dos mais famosos e belos pontos de mergulho da região, o "buraco azul" tem a sinistra alcunha de divers cemetery, ou cemitério de mergulhadores, pelo grande número de fatalidades ali ocorridas. A parede de coral é um verdadeiro playground para turistas que saibam respeitar os limites do merguho recreativo, mas uma séria armadilha para os que teimam em ignorar certificação e treinamento ao entrar na água: o espelho claro pode esconder correntes subaquáticas, escuridão em profundidade e falta de referência de fundo, o que é um risco para mergulhadores sem experiência.
Não era o caso de Yuri. Pelo que li, ele já mergulhava há um tempo considerável. Sonhava tornar-se instrutor e, quando buscou um dupla para descer o Blue Hole, professava experiência em mergulho profundo. Os verbos estão no pretérito por algo além de simples referência temporal: Yuri não voltou. Uma possível falha no equipamento combinada à provável narcose gasosa e intoxicação por alta pressão parcial de oxigênio o levaram à morte. A câmera de Yuri registrou tudo, um trágico e contundente lembrete de que ultrapassar limites sem considerar os riscos é péssima política quando a sua vida está na reta. O vídeo está disponível no You Tube. É real e autêntico. O sujeito morreu, e as imagens - para não falar do audio - não são agradáveis de se ver e ouvir. Eu não vou postar o conteúdo... porque não quero. Você pode buscá-lo, se a sua curiosidade mórbida o(a) impelir.
Vem daí uma corrente de pessoas que não sabem o que dizem afirmando que o mergulho no Blue Hole deveria ser banido. As imagens que eu vou postar são tanto uma resposta quanto uma deslumbrante mensagem sobre como pode ser saudável para a mente e para a alma testar os próprios limites quando os fatores de risco são considerados e contingenciados.
Em julho de 2007 o neozelandês William Trubridge esteve no Blue Hole. No que é considerada a mais pura - e talvez mais arriscada - forma de mergulho, ele atravessou, sem nadadeiras, lastro ou roupa de exposição, a passagem subaquática entre a baía de corais e o Mar Vermelho. O Arco, como é conhecido, tem aproximadamente 30m de comprimento e fica a 58m de profundidade. Com a devida estrutura de suporte, o sujeito desceu e fez a travessia no pulmão. Mais do que a beleza da água, o que me chama mesmo atenção é o sorriso de William ao final do mergulho... Isso é o que eu chamo de "classe A" em material de auto-ajuda:


Sorria. Teste seus limites, mas não vá fazer besteira.
Eu quero, um dia, mergulhar no Blue Hole.

6.2.08

No Limits

You deco stop
He deco stops
She deco stops
...I nitrox!

Enriched Air Nitrox Diver - Mais fundo... e por mais tempo!

16.1.08

Gramática Shakespeariana

O plural de banana boat é banana boats.
Não que Shakespeare vá se importar muito com isso. Acho que na época dele nem existia babana boat.
...Mas é isso. Banana boats no plural.

20.12.07

Do bit ao giga

Quinze boas razões para sorrir com o Playstation 3:
Assassin's Creed
Assassin's Creed
Home
Uncharted: Drake’s Fortune
Warhawk
Warhawk: Omega Dawn
Motorstorm
Metal Gear 4: Guns of the Patriots
Conan
flOw
Everyday Shooter
Calling All Cars
Resistance: Fall of Man
Def Jam: Icon
E, claro, antes que eu me esqueça...
Assassin's Creed
Difícil será dormir neste fim de ano.
Feliz Natal para você também.

27.11.07

Mas tá óóóóóóóótimo...

Foi a lindinha da Eleonora que inventou...
Que tal isso?
My Peculiar Aristocratic Title is:
Count-Palatine Glauco the Imposing of Withering Glance
ou isso:
His Noble Excellency Fasa the Fiendish of Chignall Smeally
Get your Peculiar Aristocratic Title
Viu só? Eu sou o cara!!!

23.11.07

Ir e vir

Na quarta teve jogo da seleção brasileira pelas eliminatórias.
Teve também um Flamengo e Vasco pelo estadual de basquete no Maracanãzinho.
Quem me conhece sabe que, entre um e outro, eu me importaria muito pouco de ver os gols do Luiz Fabiano pela reprise no dia seguinte. Acontece que as torcidas organizadas de Flamengo e Vasco resolveram criar um clima insustentável para o comparecimento ao ginásio. Essa última de usar internet para combinar briga de gangue é o limite do terrorismo doméstico. As autoridades precisam tomar uma atitude mais drástica. Não adianta dizer que estão monitorando os fóruns: tem que ir na raiz e prender esses pseudo-torcedores de merda (só falando assim) que afugentam dos estádios e ginásios os cidadãos de bem. Quarta-feira me senti tolhido em meu direito de ir e vir. Queria muito ter comparecido. E não se trata de medo, pura e simplesmente... Ora, se for para pagar e ver um bando de marmanjo entrando na porrada, é melhor um evento de vale-tudo no pay-per-view. Tem mais técnica e conduta esportiva envolvida.
Resultado: ginásio vazio. Menos renda para os clubes, eu de mau humor.
Mais uma vez, perdão pelo linguajar chulo. Mais essa me deixou realmente muito puto...
Tipo assim, com vontade de bater em alguém, sabe?

8.11.07

Por um fio

Admito que sou um sujeito medroso e pouco empreendedor. Das muitas qualidades que penso ter, não posso gabar-me de coragem para reviravoltas e loucuras quando realmente importa. Gosto de receber meu salário no fim do mês, e nunca me imaginei abrindo meu próprio negócio, por exemplo. Não é o mesmo que dizer que me faltam ambição e sonhos – aliás, tenho muito de ambos. Mas, às vésperas dos 30 anos, estou começando a dar umas olhadinhas por cima do ombro, e bate aquela ponta de arrependimento por saltos de fé que deixei de realizar, seja por timidez, seja por excessiva prudência.
Em absoluto, eu deveria ter jogado mais basquete, deveria ter começado mais cedo no teatro , e sem dúvida deveria ter beijado a boca daquela guria que me deixava louco quando tinha 12 anos – está certo que ela até poderia não ter topado, mas dói o fato de eu sequer ter tentado.
Hoje sou um profissional razoavelmente bem sucedido. Poderia ser mais, mas estou aonde a vida e carreira me trouxeram sem pedir favores, logo não tenho do que reclamar. Acho.
O humor de nostalgia se agravou de ontem para hoje por causa de uma dessas insistentes coincidências que não se cansam de jogar o passado na nossa cara. Contei pelo menos uns cinco meninos com o uniforme do Colégio de São Bento pelas ruas. Lembrança de uma época boa, em que as maiores preocupações do mundo eram as provas de física e matemática. Ah, a inocência! Ah, o futuro!
...Tornei-me duro e confessadamente cínico. Queria ter a vida que tenho hoje, com olhos de criança. Adolescente, talvez. Consigo enganar alguns, que me ainda chamam de “garoto”. Não sou mais garoto. Mas bem que gostaria.
Preciso fazer mais por mim. Mas que dilema: como eu, a epítome do narcisismo egocêntrico pós-moderno, poderei investir ainda mais em mim?
Coragem para ousar, jovem gafanhoto. Coragem para ousar. Os projetos que antes você podia adiar sem culpa, já não podem mais ficar para amanhã. Quando dar-lhes-á as merecidas asas? Aos 80?! Logo você, que achava lindo viver 10 anos a 1000, e não 1000 anos a 10? O cerne da questão extrapolou o velocímetro e acendeu a luz vermelha no odômetro.
...Só para me enganar um poquinho, comecei a fazer aulas de acrobacia aérea. Os braços doem-me terrivelmente. Mas a metáfora do quase-grande homem pendurado por um fio me deixa cadinho mais feliz.

19.10.07

Chamado às armas para a geração Atari

Esqueça o Renan. O Renan já era. O que eu quero ganhar de presente de natal do Congresso Nacional é uma rápida tramitação do projeto de lei 300/2007. A todos os game-maníacos de plantão: vamos lotar as caixas postais dos ilustres congressistas para que a coisa não se perca no limbo do ano eleitoral que se aproxima! Este é o primeiro passo rumo ao possível aquecimento de um setor da economia brasileira que tem potencial para ser líder na América Latina, mas está entregue às mãos de uns poucos investidores legítimos e uns muitos piratas e contrabandistas aproveitadores. Palavra de ordem: ou isenta-se os games, ou locupletemo-nos todos!

26.9.07

Implicante

Hoje eu levantei com sono
Com vontade de brigar
Eu tô manero pra bater, pra revidar provocação
Olhei no espelho meu cabelo e tudo fora do lugar;
Vê se não enche, não me encosta
Tô bravo que nem leão
E não pise no meu calo que eu te entorno feito água
E te jogo pelo ralo.
Hoje você deu azar.
Hoje você deu azar.

De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?
De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?

Hoje eu tô meio implicante.
Hoje você deu azar.
Hoje você deu azar.

(...)

É isso aí.

12.9.07

Sem um pingo glamour...

Veja como o Brasil anda atrasado e super demodé em matéria de escândalo:
Na Roma antiga, quando um nobre era descoberto em atos corruptos, cortava os pulsos para evitar que a família tivesse o nome denegrido.
Nos Estados Unidos, um presidente renunciou em meio a um grande escândalo de espionagem eleitoral, num episódio que rendou livros e roteiros de cinema.
No Japão, um famoso cientista pediu desculpas à nação por ter fraudado resultados em pesquisas genéticas de um dos mais conceituados centros de excelência nacionais. Aliás, hoje mesmo o primeiro ministro renunciou por não conseguir angariar apoio político para sua administração após escândalos que sequer chegavam diretamente a ele, envolviam apenas seus correligionários.
(...)
Enquanto isso, em Tupiniquinópolis, deputados saem no tapa com seguranças do Senado por acesso a cadeiras de pista para o mais desinteressante espetáculo dos últimos anos: o voto de cassação de mandato de um congressista que vendeu boi com nota fria para pagar por fora a pensão da filha que teve com a amante. Isso tudo, depois de utilizar o púlpito do Legislativo para pedir arrego para a mulher pela mancada, em explícito exercício público de lavagem da roupa que deveria ser doméstica.
Coisa mais provinciana e pequeno-folhetinesca, estou para ver.

28.8.07

O Ultimato Bourne (ou em defesa do cinema pipocão)

A experiência jornalística me ensinou a evitar generalizações, mas hoje vou me permitir uma bem ampla, para compensar todas as que evitei ao longo dos últimos anos: quem acha que cinema hollywoodiano é desprovido de sentido ou de mensagem é no mínimo ingênuo, e pode estar beirando a pseudo-intelectualidade. Cuidado! Não se alimente com jargões pedantes e esnobes, porque esse é um passo em direção à cegueira. Parto em defesa do pipocão porque estou cansado de ouvir que a única coisa que presta na indústria cinematográfica hoje em dia é o último-quase-documentário-de-um-diretor-iraniano-obtuso-e-hermético-que-ninguém-viu-porque-a-verba-de-distribuição-foi-consumida-na-coleta-de-cápsulas-deflagradas-utilizadas-no-figurino-que-por-sinal-veste-um-elenco-estelar-de-mendigos-descendentes-de-persas-de-pura-linhagem-nas-ruas-de-Teerã. Realmente, uma proposta original e ousada, a que só o crítico-intelectualóide-ranzinza-que-espera-comer-uma-caloura-de-cinema-ou-de-filosofia-ainda-nesta-década teve acesso.
Hollywood tem uma agenda, tem mensagens, e muitas delas vão além da óbvia propaganda nacionalista americana. Basta procurar para ver. Não foi à toa que quando o governo Bush começou a perder a mão na guerra contra o terrorismo e aprovou a quebra de sigilos telefônicos e outras medidas que feriram, na visão de alguns, a privacidade e a liberdade de cidadãos americanos em solo estadunidense, a indústria do cinema respondeu com filmes como A Vila, uma obra prima de Night Shyamalan sobre o controle através do medo, e tempos depois com Boa Noite, Boa Sorte - um convite à reflexão sobre o macartismo.
Não estou aqui para julgar o governo que paga meu salário, muito embora, se perguntarem, vou me dizer democrata, obrigado. Toda essa conversa sobre o valor de Hollywood vem para tão-somente tecer elogios a mais um blockbuster cheio de significado: não perca O Ultimato Bourne. Seria pecado mortal.
No que parece ser o último filme da série, vemos o agente secreto encarnado por Matt Damon (ótimo, como de costume) lutando para sobreviver em meio a uma grande queima de arquivo da CIA, durante a qual a moral passa para segundo plano quando operações não oficiais estão prestes a serem deslindadas e a agenda de auto-preservação de certos diretores da companhia atropela qualquer resquício de ética e bom senso. Desnecessário dizer, Bourne passa de gato a rato e novo a gato várias vezes até o fim do filme que eu não contar, explodindo coisas e provocando efeitos colaterais que deixariam James Bond ruborizado. Mas isso é apenas o óbvio.
Atenção na personagem Pamela Landy, mais uma vez interpretada por Joan Allen. Ela esconde uma pérola do roteiro. Uma mensagem curta, quase subliminar, que vai passar desapercebida se a sua boca estiver muito cheia de pipoca. A certa altura dos acontecimentos, em ainda mais uma discussão sobre se o melhor a fazer é mesmo eliminar Jason Bourne, ela toma partido a favor do assassino arrependido com uma frase tão curta quanto afiada e incisiva: "This isn't us." Em menos de um segundo perdido em mais de de duas horas de película, o resumo do descontentamento por uma situação que começou como não deveria e saiu completamente de controle. Aguce a visão: entre lutas bem coreogradas e explosões espetaculares - sem as quais, na minha opinião, é difícil fazer um bom filme para sábado à noite - está a metafórica crítica a uma administração que se isolou ao adotar medidas extremas por uma causa que, a princípio, quase todos defendiam; e acabou por se tornar algo perigosamente próximo daquilo que combatia, ao afetar a vida e arranhar o modelo de uma sociedade que prega a liberdade. Quando Joan Allen rouba a cena dizendo "Nós não somos isso", quase dá para arriscar em quem os roteiristas Tony Gilroy, Scott Burns e George Nolfi vão votar nas próximas eleições americanas...

20.8.07

O Reverso

Confesso não me lembrar que ocasião me levou a voar para Congonhas pela primeira vez. Talvez alguma cobertura jornalística. Já lá se vão anos, mas o que me lembro, o que trago gravado na memória, foi o temor que senti ao perceber que o avião mergulhava em um mar de edifícios, e que qualquer deslize do piloto poderia ser fatal.
Que aeroportos encravados no meio de áreas densamente urbanizadas – especialmente as de alto gabarito – são potencialmente mais perigosos é ponto pacífico, não se discute. É também verdade que a maioria dos terminais nessa situação viram cidades crescerem desordenadamente à sua volta, por inapetência governamental em todas as esferas.
Seja como for, toda a racionalização sobre quem é ou deixa de ser responsável pelas atuais agruras de Cogonhas, ou mesmo o mórbido consolo de que as chances de um novo acidente ocorrer em intervalo de tempo tão pequeno após o choque do vôo 3054 eram estatísticamente mínimas, valeram pouco quando o comandante anunciou que estava iniciando os procedimentos de pouso. Eu estava com medo.
Hora de desfazer o que talvez seja uma impressão equivocada: eu nunca tive medo de voar. Aliás, quando criança, eu adorava. Com o passar do tempo e os efeitos hormonais da adolescência, passei a reclamar da falta de espaço. Mas medo, nunca tive.
Até hoje.
Pouco me tranqüilizaram o tempo ensolarado e a pista seca. Quando o avião tocou o solo, me peguei vigiando o reverso da turbina ansiosamente, repetindo sem voz um mantra aeronáutico de humilde autoria mas de sagaz e arguta riqueza em sua simplicidade: “arma, arma, arma, arma!” A isto foi reduzido o Samba do Avião, cheguei a pensar. O que diria Tom Jobim a respeito? O reverso armou. Eu me persignei e levantei-me para sair apressadamente. O que também é uma mudança de comportamento, já que normalmente espero que todos saiam para o evitar o sempre irritante engarrafamento no corredor.
Houvesse alternativa, eu teria vindo para São Paulo de ônibus. Infelizmente, a viagem foi decidida em regime de urgência, e tempo não foi um luxo viável.
Cheguei, enfim, são e salvo. Mas o vôo de hoje definitivamente não entrará na minha lista de melhores experiências. Fica reforçada, pelo que vale, a lição da mamãe: pensamento e atitute positivos podem reverter qualquer situação adversa, dizia ela, na época em que eu ainda vivia agarrado às suas barras. E é verdade: o reverso armou.

24.7.07

Contundente

Eis a triste crônica que eu gostaria de ter escrito sobre o trágico acidente aéreo em São Paulo e toda a absurda situação de desgoverno que o cerca. O texto é de Ali Kamel, Diretor Executivo de Jornalismo da TV Globo, e foi publicado hoje em O Globo:
Nada entendo de aviões. Escrevo na condição de passageiro freqüente deste meio de transporte. Penso na dor das famílias e creio que a tragédia mostrou que todos estamos há tempos sendo lesados. Deve existir algum código em defesa dos passageiros, mas, se existe, ou ele não está sendo posto em prática ou deve ser emendado urgentemente. A TAM informou que o manual da Airbus diz que o modelo A320 pode voar até dez dias com defeito no reversor da turbina: basta travá-lo. Se isso é fato, creio que temos de ouvir do comandante, além das boas vindas, um aviso mais ou menos assim: “Senhores passageiros, aqui quem fala é o comandante. Antes de iniciar a nossa viagem, gostaria de informá-los de que nosso avião está com o sistema auxiliar de frenagem, o chamado reversor das turbinas, quebrado. Não se assustem, o manual do fabricante nos permite viajar assim por até dez dias antes de consertá-lo, e ainda faltam seis. O pouso acontecerá sem problemas, desde que não haja chuva muito forte. Boa viagem”.
Como não pagamos caro para voar em aeronaves com defeitos, como o sistema de meteorologia não é confiável e um pé d’água na hora do pouso é sempre possível, muitos desceriam do avião. Eu desceria. Desde o desastre da TAM em 1996, sei o que é um reversor e não me arriscaria a voar, sabendo que esse dispositivo está com defeito. A TAM, em anúncios publicitários, vem dizendo que é transparente: afirma que, na entrevista após o desastre, o vice-presidente técnico da empresa, Rui Amparo, admitiu o defeito no reversor. Uma reportagem da “Folha de S. Paulo” rememorou, dias depois, a entrevista: “Amparo, ao ser questionado se poderia ter ocorrido problema semelhante ao do acidente de 1996, afirmou: ‘O reversor direito estava travado, em condições previstas dentro das normas desse tipo de avião e que não coloca qualquer obstáculo ao pouso previsto em Congonhas’”. Ora, qualquer um ali traduziria assim a explicação: o reversor não tinha problemas. Se a TAM acha que isso é transparência, fico imaginando o que, para ela, seja omitir fatos. O Brasil só tomou conhecimento do defeito depois do furo do “Jornal Nacional”.
Da mesma forma, se houvesse respeito pelos direitos dos passageiros, nós também teríamos sido informados de que a pista principal de Congonhas foi liberada sem que o governo ainda tivesse tido acesso ao laudo do IPT. Não importa que este laudo, divulgado apenas após o desastre, diga que a pista é segura, acima dos padrões internacionais. Importa que a pista foi liberada antes de o laudo estar pronto. O IPT, porém, terá de refazê-lo, após os fatos que só agora vêm emergindo. Na véspera do desastre, dois vôos da TAM, um deles usando o Airbus que viria a se acidentar, quase não conseguiram parar (no mesmo dia, um avião da Pantanal aquaplanou na pista, sendo arremessado contra um gramado lateral). Gravações atestam que naquela segunda-feira, a torre, como se estivesse repetindo um mantra, dizia a todos os pilotos que se aproximavam: “Atenção, pista escorregadia”. Eles não fizeram isso à toa: deram o aviso porque eles próprios foram alertados pelos pilotos. Em apenas meia hora, foram 14 avisos a 14 aviões. Eu me pergunto: será normal que uma pista, embaixo de chuva, fique escorregadia e permaneça aberta? Eu aceito que uma pista molhada continue aberta, se a lâmina d’água for inferior aos padrões internacionais. Mas se a pista, mesmo sem uma lâmina d’água expressiva, continua escorregadia, a ponto de levar os controladores a dar o sinal, ela deve continuar aberta? Eu não sei. Mas, como passageiro, eu gostaria de ser avisado, antes do embarque, de que o avião em que eu viajo vai pousar numa pista que controladores e pilotos descrevem como escorregadia.
No dia do desastre, um piloto da Gol avisou a torre de que a pista estava escorregadia. A Infraero fez a medição e se limitou a dizer: “Inexistência de lâmina ou poça d’água”. Os controladores, que tinham fechado a pista para a medição, perguntaram: “Isso quer dizer que a pista pode ser liberada?” A resposta foi uma repetição: “Inexistência de lâmina e poça d’água”. Isso demonstra apenas que, nos dias de hoje, ninguém quer chamar a si responsabilidades. Não é para menos: se fazem tudo como manda o figurino, os controladores correm o risco de serem acusados de fazer uma “operação padrão”, que leva ao caos aéreo. Se são mais flexíveis, e evitam problemas de fluxo e atraso, arriscam-se a levar a pecha de homicidas. Esse é um país estranho mesmo, em que a desordem reina em tal nível que sequer fazer greve é necessário: para causar tumulto, basta seguir o padrão. Ora, seguir o padrão deve ser sempre a praxe, nunca a exceção. Se o padrão está errado (e não está), deve ser mudado. O que não se pode é deixar de segui-lo. Afinal, ele é o padrão. Em tempo: a pista acabou liberada após 13 minutos. À noite, aconteceu a tragédia.
A mesma sensação de que nossos direitos de passageiros foram lesados me veio quando o governo anunciou as modificações em Congonhas, após o desastre, diminuindo números de vôos, proibindo que ali sejam feitas escalas e reduzindo a aviação executiva. Isso quer dizer que na opinião do governo tais medidas vão ajudar a impedir novos desastres. Se é assim, durante muito tempo voei para um aeroporto cujo administrador (o governo) sabia que estava sobrecarregado, gerando risco para nós, passageiros.
Eu não tenho opções: meu trabalho exige que eu voe com freqüência. Mas sonho com o dia em que meus direitos básicos sejam respeitados pelas companhias aéreas e pelos governos.

1.7.07

Addicting

Experimente isto. Mas esteja avisado: não me culpe se, vinte minutos depois, estiver batendo a cabeça no monitor e arrancando os cabelos tentando se lembrar daquela trilha sonora que está na ponta da língua. Este foi aproximadamente o tempo de que precisei para atingir a marca de 88% de aproveitamento positivo, e chegar à conclusão de que eu simplesmente não seria capaz de acertar as 64 músicas... e foi uma conclusão sábia, ou eu poderia ter varado a madrugada num doentio jogo de gato-e-rato com desmemórias que não tenho mais.
Em tempo: se você não é cinéfilo, mas cinéfilo mesmo, de carteirinha... nem tente.

22.6.07

Quem precisa de cartão de crédito?!

Dançar tango sobre um tapete persa ao som do violoncelo de Yo Yo Ma, ao vivo, bem ali do lado...
Não tem preço.

8.6.07

Indianápolis

Não é Rock in Rio, mas... Eu fui!
Muito chique, dei até
entrevista em inglês...
E posso dizer que poucas coisas superam o rugir dos motores:

13.5.07

Elementar

Ione, te amo. Beijos e mais beijos.

27.4.07

Vanilla Sky tupiniquim

Quem conhece minha linha trabalho vai dizer que estou usando o blog a fim de advogar para o império, mas não é verdade. O relato, por simples e inócuo que possa parecer, é irrefutável evidência de como o Brasil ainda engatinha no tocante a direitos do consumidor:
Tive meu celular furtado durante as férias. E isso é uma ótima história para mesa de bar, que não vou contar aqui. O fato é que, de volta à pátria amada, a operadora me ofereceu um modelo top-de-linha com um bom desconto: “Senhor, este celular tem câmera digital, toca mp3, e o senhor poderá estar sincronizando o aparelho com o seu computador pessoal para troca de arquivos.” – Papo de telemarketing. Mas eu já estava mesmo de olho no celular. Negócio fechado.
Aí eu fui comprar o tal kit de sincronização com o PC:
- É compatível com o Windows Vista?
- É, sim senhor. O senhor poderá estar baixando a atualização via internet, e vai rodar direitinho – papo de vendedora de loja, que provavelmente já foi operadora de telemarketing algum dia na vida. Mas eu queria o produto de qualquer jeito, para início de conversa. Negócio fechado.
Chegando em casa, a surpresa: você pode fazer tantas e quantas atualizações quiser - o tal kit de sincronização da Motorola não vai rodar no Vista. Comprovadamente. Então lá estava eu, com meu mega-celular, e tudo que eu podia tocar no mp3 player eram as campanhias pré-instaladas de fábrica. Perspectiva desanimadora.
Primeiro contato com a Motorola do Brasil, via chat – suporte online ao vivo, coisa muito chique:
- Existe previsão para o lançamento de uma versão compatível com o Windows Vista?
- O Motorola Phone Tools não está sendo compatível com o Windows Vista neste momento, senhor.
- Isso eu já percebi, meu caro. Aliás, esse é o motivo do meu contato. Vou repetir a pergunta: existe previsão para o lançamento de uma versão compatível com o Windows Vista?
- No momento não, senhor.
- Me deixe ver se entendi: a operadora me vendeu um celular fabricado por vocês, e na loja de acessórios me disseram que o produto era compatível, mas o resumo da ópera é que a Motorola está colocando no mercado milhares de aparelhos que, em última análise, são incompatíveis com a última versão do sistema operacional mais utilizado no país?
- Aparentemente, senhor, esta situação que o senhor está relatando pode estar sendo real – papo de operador de telemarketing que pensa ser capacitado para prestar suporte técnico. Eu, já passando da frustração à tendência homicida aguda contra quaquer doutrinado do gerundismo:
- "Aparentemente?! Pode estar sendo real?!?!" Amigo, isto está acontecendo! Está acontecendo comigo, e provavelmente com algumas outras centenas de consumidores que já instalaram o Windows Vista em seus computadores! Que solução a Motorola vai dar para o problema? E quando?!
Este chat foi encerrado pelo suporte técnico.
...Repensando minhas alternativas naquele momento, cheguei à conclusão de que atirar meu novo celular ultra-moderno-mas-e-daí? contra a parede seria contra-producente, e retornar ao XP por conta da inapetência da Motorola do Brasil seria impensável. Voltei à loja, olhei feio para a vendedora, troquei a versão obsoleta do software por um fone Bluetooth. OK, então agora eu posso falar ao telefone sem usar as mãos. Meu celular e meu PC, no entanto, continuavam tão distantes quanto água e óleo em laboratório secundarista de química. Mas eu sou brasileiro e não desisto nunca. E graças à minha santa mãezinha, que viúva me criou, sou capaz de escrever em inglês. Disparei um mail insatisfeito para a Motorola nos Estados Unidos e… veja que coisa: em dois dias me enviaram, de graça, uma versão beta do programa compatível com meu sistema operacional. Isso, e um longo pedido de desculpas.
…Deu pra entender a diferença?
Em tempo, e caso você esteja se perguntando: se o seu computador tem uma boa configuração, o Windows Vista é ótimo. Carrega bem mais rapidamente que o XP, e tem uma interface bem mais amigável e atraente. Vale a pena experimentar. E se algum programa não funcionar como deveria… bem… chame o suporte técnico!

13.4.07

Um pouco de Caribe








Sim, é verdade: eu tirei férias...
Mas já estou de volta!!

15.2.07

25.1.07

Poor assessment of my state of mind

So it is true, then...
Another one bites the dust.
This week's just been hell
And I desperately need a day by the ocean.

4.1.07

Tardiamente, o Rei do Inverno...

Algum amigo homem, por favor, me bata! E aproveite, porque eu sou grande, forte, imponho respeito, e a oferta é por tempo limitado. Uma oportunidade como essa não aparece todo dia! É a sua grande chance! (…) Não? Ninguém? Depois não reclamem…
Aonde eu estava quando Bernard Cornwell publicou sua trilogia Arthuriana? Por que diabos não dei ouvido às várias figuras que me urgiram à leitura, explicando que se tratava de um Brumas de Avalon para homens? Por que eu, entusiasta de crônicas de guerra, estratégia política e militar, simplesmente não mexi minha bunda gorda? – Tá legal, ela não é gorda. Desculpem o linguajar, mas é elevado o nível de auto-indignação. O que diabos aconteceu comigo?!
Pois bem. Terminei ontem de ler o último livro. Me forcei a ler mais devagar o terceiro volume, porque estava com pena de acabar, mas ontem não teve jeito: cheguei ao fim das aventuras de Derfel. Há muito tempo não me envolvia tanto com a história e os personagens de uma obra literária. A narrativa de Cornwell é absolutamente perfeita: todo o glamour que relatos Arthurianos merecem, aliado à realista brutalidade que ninguém jamais ousou descrever em aventuras de capa e espada. Dá para sentir o cheiro de carne queimada vindo das piras nos campos de batalha. Dá para ouvir o ranger de dentes quando duas paredes de escudo se chocam. E, acredite, se você pensa que sabe o que é uma parede de escudos só porque viu Russel Crowe brincando de gladiador no cinema, é hora de rever seus conceitos... definitivamente.
Não há o que dizer. Se você é um dos amigos que insistiu para que eu lesse antes, me espanque agora, ou cale-se para sempre. Se você ainda não leu, não me deixe ficar sabendo, ou me verei obrigado a nocautear algum senso para dentro desta sua cabeça de vento… Afinal, aonde você estava quando Bernard Cornwell publicou sua trilogia Arthuriana?!
Em outra nota sobre conflitos históricos: confiram o trailer de 300 de Esparta. Eu já encomendei meu exemplar de Portões de Fogo. Ouvi dizer que é o Rei do Inverno da Batalha das Termópilas. Cobrem-me depois um parecer definitivo…

29.12.06

Igualzinho ao ano passado...

Investir mais tempo em mim. - Feito, mas mais nunca é demais!

Investir mais dinheiro em mim. - Feito. Idem ao anterior

Investir mais dinheiro no banco. - Feito. Idem ao anterior

Voltar a jogar basquete pelo menos uma vez por semana. - Não feito. Mas vou continuar tentando...

Voltar a mergulhar. Desta vez é sério. - Feito. Hora de fazer o curso avançado...

Pular de pára-quedas. Mas só se eu tiver coragem. - Não feito. Mais por falta de tempo e dinheiro que de coragem. Continua nos planos.

Pular sem pára-quedas em todos os projetos que me pareçam válidos e pertinentes. - Feito. Inclusive, eu tenho um novo emprego, e amo muito tudo isso.

Abraçar e beijar meus amigos e amigas. Mais e melhor. - É... Feito. Mas vamos continuar na luta!

Sem pretensões e motivações religiosas, perdoar. - Humm... Sei não...

Exercer um pouco mais de tolerância.

- Ou não. - Ou não...

...Tudo bem, tudo bem: risca a tolerância. Quero continuar sarcástico e debochado. Eu gosto assim. - Adoro Assim!

Conciliar minhas duas vocações, ainda que muita gente insista em me chamar de louco. - Tá difícil...

- Aliás, quero continuar louco, sob todo e qualquer aspecto. - Fácil!

Em 2006, espero continuar sorrindo. - Em 2007 também.

Muito. - Com certeza.

E quero também escrever uma mensagem de fim de ano mais original e menos piegas do que esta. - Fica pra 2008.

Que os Deuses Antigos me concedam autencidade para ser eu mesmo, só que melhor. - Amém.

Felizes 365 dias para todos. - Amém de novo.

PS: Alguém ainda passa por aqui?

27.11.06

Uma nota de louvor e graças

Obrigado, Senhor, pela alta tecnologia em processamento de dados aplicada à diversão eletrônica doméstica!
Graças aos Céus! - O Playstation 3 já é uma realidade!

9.11.06

Não há lugar melhor que o lar

A igreja da Penha quando se pousa no Tom Jobim.
A Guanabara e o Pão de Açúcar quando se aterra no Santos Dumont.
A fábrica de sabão quando se desce a Brasil.
O Fundão quando se vem pela Linha Vermelha.
Viajar é ótimo.
Mas chegar é melhor.

27.10.06

Só acontece comigo...

É uma dessas cenas inusitadas, que só mesmo uma idílica noite de sexta-feira pode produzir: o sujeito vontando da academia, divindo os exíguos quatro metros quadrados do elevador de serviço com uma linda e unida família de cinco gordos, todos armados com sundaes do McDonald's... Dá para começar o fim de semana com bom humor, não?
(...)
Torcendo para que consertem a bosta do elevador social na segunda-feira.

13.10.06

Filosofando com os peixes...

A minha singela contribuição para que você, caro leitor, tenha uma vida mais feliz e não morra do coração antes dos 40: não alimente suas nóias e problemas mais do que o necessário. Eles podem se voltar contra você...
"Quando vem maré de azar, baiacu estressado é bola." - Glauco Procurando Nemo Paiva

4.10.06

Lições aprendidas

Mantive o título, mudei o texto. Eu queria escrever aqui um comentário sobre a delicada relação entre repórteres e assessores de imprensa, tomando por base a cobertura do acidente aéreo da última sexta-feira. Após alguns minutos parado em frente à tela, cheguei à conclusão de que tenho medo de escrever esse texto. Não sei quem poderia vir a ler, não sei como iria me interpretar. Sentir-me impedido de escrever é algo absolutamente novo. E a sensação, posso dizer, é péssima. Iniciei várias frases, deletei-as todas. O cursor vai e vem numa dança inútil e irritante. Tanto a dizer; tanto receio de alimentar velhas e improdutivas polêmicas. Medo de irritar colegas que viraram amigos, vontade de fazer entender que, em certas horas, não se pode confundir relações pessoais com trabalho. Sinceramente, eu espero que compreendam isso... Eu acho que entendem. Quero acreditar que sim.
(...)
Era para ser um breve e produtivo ensaio, que levasse à reflexão sobre fluxo de informação e trabalho jornalístico. E tudo que consegui até agora foi esboçar um patético pedido de desculpas por erros que sei não ter cometido, enquanto, entre a cabeça e o teclado, alimento com vitaminas a indignação que estou sentindo com a atitude de alguns coleguinhas lá fora.
Talvez seja melhor parar e voltar outro dia. No campo pessoal, palavras não expressam o pesar por 154 vidas perdidas. No terreno profissional, têm sido dias de árduo aprendizado. Pelo que me vejo, de maneira acridoce, grato. É isso: não vai acabar amanhã, então vou calar a boca e continuar mastigando... só espero que não me venha um gosto amargo no final.

2.10.06

Agora é que são elas!

Eu juro que já desconfiava... Depois que o sujeito pagou o mico de não aparecer no debate, só podia dar nisso! E a piada do ano fica mesmo com o tal "núcleo de inteligência de campanha" petista. Fato: eles devem ter um rigoroso teste de Q.I., acompanhado de impossível seleção psicotécnica, para garantir que apenas zebras prenhas e avestruzes estéreis façam parte desse fechadíssimo grupo de inegável e devastadora influência... sobre o próprio partido - como se o PT já não estivesse suficientemente atolado na lama. Dizem até que, independentemente do resultado das eleições, esse pequeno conglomerado de gênios vai mudar, de vez por todas, uma das mais arraigadas regras de costume do país: quando outubro passar, estará convencionado que o corno é sempre o penúltimo a saber; porque o último é, invariavelmente, o Lula.
Isto posto, ainda há uma ponta de esperança para o Rio de Janeiro... Ainda dá para derrotar o PMDB de menininhos e Marias Rosinhas no estado. Até que enfim uma boa notícia!
- Atenção: este blog virou arena eleitoral... Dane-se. Mais quatro anos de assistencialismo com dinheiro público não vai dar. Aí é melhor partir pra ignorância e desmembrar de vez a Guanabara. Juro que todo mundo vai ganhar mais com isso. Denisão na cabeça. O resto a gente vê depois, se a PF e o TSE deixarem...

26.9.06

Com que roupa?

Sempre resisti em discutir eleições por aqui. Acho que voto é uma coisa muito sua, ou minha, e a não ser que nos sentemos em uma mesa de bar ou de universidade para discutir, ninguém tem nada com isso. Ocorre que minha angústia eleitoral chegou a níveis insustentáveis. Preciso de ajuda, ou ao menos de uma consultoria camarada...
Não vou votar no Lula. Isso tem menos a ver com a minha decepção de jovem-jornalista-de-esquerda; e mais com a minha simples impressão de que, se eleito, o sujeito não vai conseguir chegar ao fim do mandato, e o preço a se pagar vai ser mais caro lá na frente. Rendo-me e, pesarosamente, voto no Alckmin. Aí começa o dilema: pela primeira vez na vida, entrego meu voto a um candidato de direita no Executivo, mas minha base legislativa continua de comunista pra baixo, seja no Senado, Câmara ou Assembléia. O resultado é um balaio de gatos que, em absoluto, não tem a palavra governabilidade como diretriz maior. Eu, que sempre acreditei em coerência eleitoral, vejo-me disparando votos para correntes partidárias opostas. Alguém aí tem remédio pra isso? Algum candidato ao Legislativo que seja de centro, sem aliar essa tendência ao fisiologismo pseudo-emedebista? Que situação...
Uma nota de tristeza: aos dezesseis, quando fiz questão de tirar meu título, já era difícil encontrar candidatos que prestassem. Hoje, vendo que o Collor deve voltar ao Senado pelos braços do povo, estou cada vez mais convencido de que quem não presta são os eleitores mesmo.

21.9.06

Baby Boom (Bem vindo, André!!)

Eles estão chegando. De vários úteros, em diferentes regiões do país. Depois que o Theo resolveu dar o ar da graça, o Cadu, sem dúvida um sujeito que figura entre os primeiros nomes na minha lista melhores amigos, me mandou notícias lá de São Paulo: o André também apareceu. Veio ao mundo mais um sobrinho postiço para ser mimado. Garoto, enquanto eu caminhar por essa vida louca, saiba que você vai sempre poder contar comigo.
Mas a primavera genética não pára por aí. A Claudinha, dona do My Mind Knows It - pode conferir, bem aí do lado - já avisou que a Bruna não tarda. A todos vocês que estão trazendo essas pequenas porções de alegria ao mundo: obrigado! Eu estou muito feliz e pretendo ser um tiozão de primeira, sempre ajudando na (des)educação de seus rebentos, sejam eles vindos ou vindouros!
...O único problema é que tanta placenta voando solta por aí fez com que meu incipiente e sempre hibernante instinto paterno abrisse os olhos por um breve momento para ver o que estava se passando. Mas foi só por um breve momento. Ele já viu que não tem nada com isso, se acalmou e voltou a dormir profundamente. Graças a Deus, amém; e obrigado, Senhor!

15.9.06

Para você que chega...

Teu nome sagrado,
Homenagem aos deuses,
Encontra em ti mensageiro de inédita alegria
O que nos leva todos a celebrarmos tua vinda.

Se tua caminhada que ora se inicia
Com pesar ou cinismo apresentar-te espinhos,
Hora nenhuma estarás sozinho:
Um braço forte tens aqui para amparar-te.
Se por ventura um muro alto tentar impôr-se,
Toma nas tuas as mãos de todos nós,
Os amigos de teus pais e teus amigos;
Fala mais alto à parede que te impede:

- Fúria nenhuma há de furtar-me passagem!

Busca tua vida com honra e hombridade
Um porto há de esperar-te, se navegares com arte.
Liberto seja de grilhão ou falso domínio
Kaiser de si, jamais, em teus dias, aceite o mínimo.

Olha! – Vieram todos! Estão aqui!
O teu dia que nasce, não cessam de aplaudir...
Leva sempre, criança, um pouco de nós em ti!

Seja bem vindo, garoto! Tinha um bocado de gente esperando por você.

11.9.06

A última palavra em entretenimento

Esqueça tudo o que você pensa que sabe sobre entretenimento televisivo de conteúdo. Letras Mortas apresenta um lançamento revolucionário que colocará por terra todos os seus conceitos sobre talk-shows. Pessoas de diferentes vertentes profissionais discutem os últimos acontecimentos do país e do mundo de uma maneira completamente diferente de tudo o que você já viu ou possa imaginar... Copacabana Connection - breve numa Confeitaria Colombo perto de você.

30.8.06

Veja só como são as coisas...

Não tem jeito. Todo esse carnaval astrológico em torno de Plutão foi elocubrado com o único propósito de esconder uma simples verdade: foi só mandar um brasileiro pro espaço que já sumiu um planeta. E o Lula, provavelmente, não sabia de nada.

21.8.06

Pequenas doses

Cada um tem suas pequenas receitas de felicidade. Pode ser um pôr-do-sol, pode ser um sorvete de creme com calda de chocolate. São os simples finais felizes para dias não necessariamente tristes, mas cansativos ou estressantes. Minifúndios de alegria adquirida. Nesta segunda-feira, em que comecei a trabalhar às 5 da manhã, foi sentar-me à cadeira do barbeiro para zerar o cabelo e fazer a barba, vendo a Flávia Alessandra peladona na Playboy. Me fez um bem danado, e pelo meus cálculos devo ter remoçado uns 5 anos, a julgar pela nova imagem no espelho. Hugh Hefner é mesmo um gênio... assim como o meu barbeiro.

16.8.06

Mais um passo em direção à incerteza

Atenção. Sem ponto de exclamação, para não soar alarmista, mas sem reticências, para não parecer que temos todo o tempo do mundo para refletir sobre o sexo dos anjos - Atenção: seqüestraram um jornalista. Não foi no Oriente Médio, nem na Colômbia já-não-tão-cartelizada. Foi em São Paulo. Aqui no Brasil. A poucas ruas da redação da mais influente emissora de televisão do país. E olha que isso é dizer muito, porque brasileiros gostam muito de assistir televisão.
Não pediram resgate em cifras. Se aproveitaram dos números de audiência para exigir a exibição de um vídeo com pedidos absurdos de privilégios e regalias penais em nome dos mesmos facínoras que transformaram a própria São Paulo num inferno. Conversa vai, conversa vem, e entre o delírio eleitoral do ex-governador que não fala sobre segurança pública mas quer ser o presidente de amanhã; a tergiversação crônica do ministro que parece mais ocupado em desconversar sobre os escândalos do presidente de hoje; e um secretário estadual que parece entender a polícia como um canil de cães raivosos a serem atiçados contra bandidos em também elevado grau de sandice, a maior e mais influente emissora de TV do país virou refém. E isso é dizer muito, porque brasileiros gostam muito de assistir televisão.
Sem ter o que fazer, e exercendo legítima preocupação institucional com a preservação da vida de seu funcionário, a empresa levou ao ar o famigerado vídeo. Grande erro. O custo em vidas pode ser maior no futuro, se PCC, CV, TC, ADA e tantos outros grupos clandestinos resolverem adotar o expediente para angariar espaço editorial. E todos sabemos que por aqui não há CIA, FBI ou NSA que dê jeito. Só mesmo a PF, que - coitada! - tem só duas letras na sigla. E um monte de outras coisas para se preocupar que não administração penitenciária em nível estadual - A começar pela retidão de propósito e ação da própria PF.
Uma nota sobre administração penitenciária: construíram um mega-presídio no Paraná, em que o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD, mas um na sopa de letrinhas) é levado às últimas conseqüências. São mais de duzentas celas. Seria ótimo pouso para o Sr. Marcola. Mas só Beira-Mar está hospedado lá. É isso mesmo. o Beira-Mar. Muito inteligente, não? Enquanto isso, em São Paulo, criminosos recebem o sagrado indulto do Dia dos Pais. Que idílico...
De volta à vaca fria: milhares de analistas falaram, e a grande emissora garantiu voz ativa a quem corroborou a atitude de veicular o tal vídeo. Atenção: ficou cheirando a edição tendenciosa. Não é possível que a nossa Fantástica revista semanal de domingo não tenha encontrado um do contra sequer. Mas tudo bem. O que importa é que o rapaz foi libertado e passa bem. Então, tudo acabou como deveria.
...Só que não acabou.
Atenção, muita atenção: seqüestraram um jornalista. A bandidagem rompeu mais uma barreira. Olhos abertos: muitos repórteres acreditam na ilusão de um distanciamento sociológico da notícia, e poderiam até então pensar que estavam para sempre a salvo da violência que retratam cotidianamente. Ledo engano. Ser repórter no Brasil pode ser perigoso. Muito perigoso. E não há nada de acadêmico ou sociológico nisso. Já não é mais preciso subir o morro para correr o risco de morrer queimado (Salve, Tim! Rogai por nós!). Nestes dias tão estranhos, se o repórter não vai até o algoz, o algoz vem até o repórter.
Você por acaso se lembra do tempo em que se perguntava "Meu Deus, o que será que vai acontecer se eles resolverem sair das favelas e atacar no asfalto?" Faça um esforço, você vai se lembrar. Deve ter sido lá pela metade da década de 90... Pois está acontecendo. Seqüestraram um jornalista. As leis da guerra dizem que não se deve matar um mensageiro sob bandeira de trégua. Mas em tempos de caos urbano em tão óbvia ebulição, quem é o mensageiro? Qual é a mensagem? Existe trégua?
Atenção. Seqüestraram um jornalista. Negociar e ceder foi péssimo negócio. Se a moda pega, cada repórter vai virar um alvo em potencial, e nós não estamos falando de telefonemas anônimos sob ordens de um deputado que de fato não vai matar ninguém porque já está sob a vigilância dos flashes. Estamos falando de atores do silêncio e do breu social, que não têm nada a perder, e para os quais a vida - seja própria ou alheia - vale muito pouco diante do exercício de terror e afronta a uma máquina pública já enfraquecida por demais em todos os níveis para cuidar e proteger o cidadão comum. E o problema maior de tudo isso é que a história virou notícia de TV. O repórter, que poderia (deveria?) ser preservado, foi transformado na celebridade instantânea do fim de semana, a epítome maior de mais um passo que damos em direção à falência institucional do país. Os bandidos conseguiram tudo o que queriam. Viraram heróis classistas em uma operação meticulosamente bem executada. Com um detalhe: não precisaram de serviço de inteligência ou escutas telefônicas no plajamento - todo o circo foi armado com uma simples tocaia na padaria da esquina. Tudo transmitido via satélite, para milhões de espectadores no sofá da sala. Afinal, brasileiros gostam muito de assistir televisão.

10.8.06

Pela Simplicidade

Sherlock Holmes e Dr. Watson vão acampar. Montam a barraca e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho,deitam- se para dormir. Algumas horas depois, Holmes acorda e cutuca seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê.
Watson responde:
- Vejo milhares e milhares de estrelas.
Holmes então pergunta:
- E o que isso significa?
Watson pondera por um minuto, depois enumera:
- Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galaxies e, potencialmente, bilhões de planetas. Astrologicamente, observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de Sorte. Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 03h15min pela altura em que se encontra a Estrela Polar. Teologicamente, posso ver que Deus é todo poderoso e somos pequenos e insignificantes. Metereologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Correto?
Holmes fica um minuto em silêncio, então responde:
- Watson, seu imbecil! Significa apenas que alguém roubou nossa barraca!

7.8.06

O Porquê

Olha, eu admito...
Isto aqui está às moscas. O editor, humildemente, pede desculpas. E diz que se emenda um dia. Mas um dia é só um dia. Pode não ser hoje, muito provavelmente não será amanhã. E para quem quer saber o(s) motivo(s), o menino que reside em mim desavergonhadamente admite :
Battle for Middle Eath I
Battle for Middle Earth II
...E lá se vai o tempo que eu poderia dedicar a Letras Mortas: está sendo investido em auxiliar Gandalf e Aragorn na difícil missão de salvar a Terra Média, diretamente da tela do meu PC. Meninice. Mas está sendo ótimo. Para os chegados, recomendo ambos os títulos. E o primeiro, como de praxe, é melhor do que o segundo. Então, dito isso, volto um dia... após a derrota final de Sauron.
Uma nota oceânica: não importa o que te digam - the worst day diving is irrefutably better than the best day working.

20.7.06

Pequenas coisas

Hoje eu estava por perto e visitei uma amiga de surpresa, bem no meio do expediente. Valeu muito a pena. Ela ficou feliz, e eu também. Não é bom, isso?
...Sem mais para o momento. Ando um pouco sem ter o que dizer.

10.7.06

Tsc, tsc, tsc...

Tá legal... eu aplaudi Zidane. Aplaudi mesmo. Mas fiquei sem entender como é que um sujeito joga fora de forma tão estúpida a chance de fechar com chave de ouro a carreira. E mais: se era para dar a bendida cabeçada, não era mais prático dar logo na cara e quebrar de vez o nariz do zagueiro? Porra, que idiota!

7.7.06

Aplausos para o "maestro"

Eu não sei quem escrevu. Apenas recebi por e-mail de uma colega de trabalho. Mas é, sem dúvida, a melhor resenha que já li sobre o desastre de Frankfurt.
Não chorem. Aplaudam Zidane. Perder tempo discutindo Parreira? Tentando entender os motivos que fazem Roberto Carlos e Cafu errarem todos os lances como meros amadores nervosos numa peneira? Pra quê ousar entender o que acontece com Ronaldinho Gaúcho de verde e amarelo? Até onde vai a nossa vontade e a realidade do que se chama "CRAQUE"?
Aplaudam Zidane! Passamos 90 minutos vendo os mais caros jogadores do planeta, donos de 90% das propagandas de TV, andarem, errarem, ficarem nervosos, enquanto aquele senhor, de 34 anos, em má fase e quase sacado do time nas oitavas, literalmente acabava com 11 badalados "gênios" do futebol mundial.
Não lamentem, apenas aplaudam Zidane. Queriam show? Tiveram! Queriam craque? Ali estava! Queriam o melhor do mundo? Ele era o carequinha de branco, com a 10. Queriam lances de gênio? Ele nos deu. Queriam lançamentos perfeitos? Ele os fez. Queriam a vaga nas semifinais? (...) Essa, ele nos tomou.
Agora... não percam os próximos dias reclamando, xingando, procurando culpados. Percam horas aplaudindo Zidane! Vejam de novo a partida com calma, apreciem o bom futebol e a personalidade de um verdadeiro craque. Aquele que decide, que resolve quando precisa, que chama pra si, que arrisca, que mantém a calma e que sabe quem é e do que é capaz. Aplaudam! Vamos!! Queriam um novo Maradona? Um novo Zico? Aplaudam! Está no fim, aproveitem!! O craque da década não é negro, brasileiro, magrelo e habilidoso. Também não é bonito, inglês, nem brasileiro e bom menino. Também não é um garotinho nervoso inglês, muito menos um raçudo anão argentino. O craque é o mesmo de 1998, pois craque, aquele de verdade, não esquece como se joga futebol e não se omite na hora do vamos ver.
Não tenham raiva da França. Eles não bateram, não catimbaram. Apenas jogaram futebol. Não torçam contra eles, pois eles têm Zidane, e quem tem tudo isso, não merece ser "secado". A arbitragem, que dezenas de jornalistas colocaram em dúvida, prevendo uma conspiração mirabolante, foi totalmente favorável ao Brasil. Errou contra Gana, errou 3 vezes bisonhamente contra a França, e não teve a menor parcela de responsabilidade na nossa eliminação.
Enfim, meus amigos, eu não vou conseguir dormir muito bem (hoje) não... Tô triste, sem graça, querendo enfiar a cara no travesseiro e até chorar de dó desse povo que parou pra (ver) isso. Mas perder faz parte, e muitas lições devem ser tiradas dessa derrota que, insisto, considero normal. Perdemos para um time de Henry, Zidane, Wiltord, Thuram, Barthez. Não foi pra uma equipe qualquer, e o futebol é assim. Agora, me dêem licença. Vou aplaudir Zidane.