10.4.05

Chamem o Tom Cruise!

Antes de tudo, uma explicação aos casais amigos: não divulgamos Ilha Grande porque foi resolvido em cima da hora, e embarcamos na sexta-feira pela manhã, quando os seres humanos normais - coisa que eu particularmente não sou - estão ainda trabalhando.
...Promessa é dívida. Falemos sobre sucessão papal.
A tradição católica diz que o Conclave pela escolha de um Papa deve ser inciado entre 15 e 20 dias após o falecimento de seu antecessor. Quem vive no planeta Terra e não é da Igreja Universal do Reino de Deus - sim, pasmem, a Record não deu a menor bola jornalística para a morte do sujeito - deve estar ciente de que os cardeais já estão acorrendo ao Vaticano para a eleição. E a pergunta que todos se fazem é "Quem será o substituto de João Paulo II?"
A indagação bate na tecla errada, porque João Paulo II é insubstituível, para começo de conversa. O máximo que se pode especular é sobre o perfil de seu sucessor, o que já é tarefa árdua. Depois de 26 anos à frente da Igreja, equilibrando-se entre o conservadorismo dogmático e a flexibilidade política e inter-religiosa, Karol Wojtyla deixa para quem vier uma série de dilemas. Nunca a Igreja Católica perdeu tantos fiéis. A Cúria pagou o preço nem tanto pela irredutibilidade de posições, mas por simplesmente se negar a discutir questões como uso de camisinha, aborto, divórcio, homossexualidade e bioética - aí incluídas a eutanásia e a clonagem. O último Pontífice era um líder carismático. Ponto. Mas na minha humilde opinião, não foi tão hábil na discussão e implementação de adequações da doutrina à realidade contemporânea, pelo que a migração para outras crenças foi enorme nas últimas décadas - Convenhamos: melhor do que queimar no inferno por toda a eternidade é arrumar outra religião mais complacente com os seus pecados. O próximo Papa não poderá fechar os olhos a isso. Mas como se enquadrar? Como trazer a Igreja para o século XXI?
As apostas estão correndo... onde eu trabalho temos até um bolão. As casas de apostas britânicas - sim, afinal, os ingleses apostam até as mães, se puderem - cotam Dionigi Tettamanzi como grande favorito. Ele é arcebispo de Milão, maior reduto católico da Europa. E é italiano.Vale lembrar que João Paulo II foi o primeiro não carcamano a ocupar a Cátedra de Pedro em mais de quatro séculos, e há quem defenda a tese de que a Sé deve voltar ao controle nacional de onde nunca deveria ter saído. O nigeriano Francis Arinze é o preferido dos que pensam ter chegado a hora e a vez de um Papa terceiro-mundista. E niguém seria melhor do que ele para reforçar diálogos com grupos muçulmanos, budistas e hindus. A maior população católica do mundo está concentrada nas Américas Central e do Sul, por isso a possibilidade de um pontífice latino também não está descartada. E aí nós temos D. Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo. Mas se Deus já é brasileiro, acho que dificilmente eles escolheriam um Papa do mesmo lugar. Seria exagero.
Os nomes são muitos, as correntes são muitas. E nesse jogo tudo pode acontecer. Fala-se em favoritos, mas é sabida nos corredores de qualquer seminário a velha máxima sobre Conclaves que diz fulano entrou Papa, saiu cardeal. Eu particularmente, penso que o próximo Pedro será italiano, mas isso é apenas um chute no escuro. De claro, sei apenas que ele terá nas costas o pesadíssimo encargo de fazer com a doutrina o que João Paulo II fez com a política vaticana: colocá-la no mapa da globalização - vocês não acreditam realmente que o sujeito levou o título de Papa Peregrino à toa, não é mesmo?! Mas há algo ainda mais complicado do que isso: o novo Pontífice assume a enorme responsabilidade de preencher o vácuo de marketing e imagem deixado por Karol Wojtyla - isto sim, uma verdadeira Missão Impossível...

8.4.05

Fui!

E não vem que não tem. Nem adianta me procurar no fim de semana. Me mandei para Ilha Grande, acompanhado da mulher da minha vida. Porque há momentos em que simplesmente é preciso puxar a cordinha e descer.

Beijos a quem é de beijos, abraços a quem é de abraços.

6.4.05

Non Habemus Papam

Sim, a jabuticabeira pequenina é coisa de pessoa do teatro.

...Acho que estou atrasado, mas reconheço que devo um parecer sobre o passamento de João Paulo Segundo. Bem, lá vai:

O papa morreu. Antes ele do que eu.

Tão logo tenha tempo, prometo explorar de forma mais aprofundada um tema mais prático e pertinente: a sucessão na Santa Sé. Espero ter paciência para abordar o tópico antes do início do próximo Conclave.

Pax Vobiscum.

4.4.05

Um pé de quê?!

Jabuticabeira pequenina,
Quando despequeninajabuticabeirarizarás tu?
- Eu me despequeninajabuticabeirarizarei quando todas as jabuticabeiras não despequeninajabuticabeirarizadas se despequeninajabuticabeirarizarem

1.4.05

E o salário, ó...

Você já teve a sensação de que já passou da hora de a empresa para a qual você trabalha te dar um aumento de salário compatível com o aumento de responsabilidades - e de problemas - que você assume pelo bem geral da nação? Pois é... eu também.

30.3.05

Direto da sarjeta

Somente a ébria sabedoria popular brasileira é capaz de produzir pérolas como esta. Meninas, fechem os olhos, e não leiam. Amigos do sexo masculino-macho, refestelem-se com a frase do dia:

Eu tinha uma plantação de bocetas, mas veio uma chuva do caralho, e fodeu tudo...

29.3.05

Gangsta's Paradise

They say I've got to learn but nobody's here to teach me
If they can't understand it, how can they reach me?
I guess they can't, I guess they won't,
I guess they're fucked.
That's how I know my life is outta love, fool.

Been spending most our lives

living in the Gangsta's Paradise

Tell me why are we so blind to see
That the ones we hurt are you and me?

- by Coolio

25.3.05

Este estranho animal

Quem inventou a bincadeira foi a Eleonora. Mas eu achei legal e estou copiando na cara-dura.

Nasci de cesariana. Minha mãe tinha 34 anos.
Gosto de andar a cavalo, mas sou urbano.
Faço teatro. As vezes gosto, às vezes desgosto, mas é difícil largar.
Adoro estudar.
Quero fazer direito.
Quero fazer mestrado sobre o papel da mídia em conflitos armados.
Tenho boa visão, mas me preocupo com o uso constante de computadores.
Já fui à Disney e a Bariloche. Pretendo voltar aos dois lugares.
Video-game e parque de diversão. Sempre.
Gosto muito de cinema, mas saia pra lá com seus filmes de arte.
Me deixe ver as besteiras de Hollywood.
Eu tenho no Episódio 3.
Basquete, patinação e musculação, com muita vontade de voltar ao mergulho submarino.
Recentemente, por influência conjugal, arvorismo e rapel.
Já fiquei com uma prima. Atire a primeira pedra quem nunca pecou.
Jamais tive um ídolo.
Tenho um monte de idéias legais para tatuagens, nunca fiz nenhuma.
Tenho um piercing. Não tiro por nada.
Gosto de gatos e cachorros.
Já tive dois pássaros e um hamster.
Nunca repeti de ano, mas já fiquei em recuperação de matemática.
Em modéstia, dirijo bem. E gosto de volante.
Já nadei nu. É bom demais!
De meus quatro cisos, não sobrou nem um. Tenho três deles guardados. São enormes.
Quando eu era bebê, uma janela guilhotina quase arrancou oito de meus dedos.
Eu solto pêlos.
Sei que não posso voar, mas quero saltar de pára-quedas.
Quero fazer pelo menos um trabalho em correspondência de guerra.
Já dormi em rede e já montei barraca, mas gosto de um teto sobre a minha cabeça.
Para tudo há um porquê. Me convença, ou não conte comigo.
Mexa comigo. Não mexa com a minha mulher. Também não mexa com os meus amigos.
Já fiz karatê e boxe. E poucas aulas de capoeira e aikidô.
Não gosto de violência.
Nunca fui preso. Mas sempre me páram em blitze.
Já dei carteirada de jornalista. Acho pouco cívico, mas às vezes é necessário. E algumas pessoas simplesmente merecem.
Já fui assaltado algumas vezes, e em todas reagi de forma diferente.
Já briguei na escola. Quebrei o nariz do coleguinha.
Meu pai dizia que seu apanhasse na rua apanharia em casa também.
Já traí e já fui traído. Não me orgulho muito de nada disso.
Já fui para cama com mulheres comprometidas, incluindo uma noiva. Disso não tenho queixas.
Mulheres casadas são contra a minha religião.
Nunca fiz aula de canto, mas até que gosto da minha voz.
Fiz aula de flauta mas não toco mais. Fiz aula de violão mas não adiantou absolutamente nada.
Família é um assunto delicado.
Amo minha mãe. E reconheço todos os sacrifícios que ela fez para me criar sozinha.
Não fale mal da minha mãe. Pode dar merda. Sério.
Sim, eu estudei no São Bento. Melhor época da minha vida.
Já fiz diário. Hoje em dia escrevo um blog. Vejo pouca diferença.
Tenho guardados um monte de cartões e cartas que recebi ao longo dos últimos 26 anos.
Há dias em que penso ter nascido há 10 mil anos atrás.
Há dias em que me acho uma verdadeira criança.
Não gosto do termo adulto. Prefiro pós-adolescente.
Adoro livros, música e vinhos.
Não vou conseguir ler tudo que quero antes de morrer.
Não passo sem doces. Principalmente chocolate.
Já me assustei muito por causa de menstruações atrasadas.
Sei fazer poemas. Alguns são muito bons.
Já chorei por amor, já menti por amor, já sofri por amor...
Meu pai morreu quando eu era moleque. É difícil mensurar a perda.
As vezes acho que foi grave, às vezes nem tanto.
Poucas namoradas.
Já fui o primeiro homem de uma mulher, mas só uma vez.
Quando eu digo É gostosa mas não é duas, sei do que estou falando.
Já fui pressionado ao casamento. Pulei fora.
Já fiz sexo por sexo e não me arrependo.
Não sou muito crédulo. Aliás, tendo ao cinismo.
Costumo enxergar o pior nas pessoas.
Sou expansivo, mas cultivo poucas e preciosíssimas amizades.
Geralmente as mais velhas. Agora, mais nova.
Geralmente as branquelas. Agora, morena.
Já me achei o máximo.
Já me achei o fim do mundo.
Hoje em dia me acho o máximo.
Costumo causar uma primeira impressão de esnobe e pedante.
Esta primeira impressão é correta. Eu sou mesmo.
Já mandei flores, e já recebi também.
Meus pecados prediletos são a Luxúria e a Preguiça.
...Mas também sou muito, muito orgulhoso.
Estou satisfeito com a minha carreira, mas não com o meu salário.
Adoro filhotes, não importa a espécie.
Acho meu nome meio estranho, mas gosto dele.
Não me chame de Glaucio. Eu... odeio... ser chamado de Glaucio.
A vida tem trilha sonora. Disso nunca duvidei.
Vejo coelho na lua cheia.
Gosto de mato, de rio, e de cheiro de terra molhada.
Quero uma Harley Davidson Night Train e um utilitário na garagem.
Costumo demorar a explodir.
Quando eu explodir, você não vai querer estar por perto.
Sou geminiano, com direito a inesperadas flutuações de humor.
Meninos do basquete gostam de meninas do vôlei.
Por duas vezes na vida julguei ter encontrado uma mulher com quem poderia passar o resto dos meus dias. Nesta segunda vez, espero que tudo dê certo.
Estarei de férias em maio, e mal posso esperar.

Nada mais prolixo do que um jornalista com tempo para escrever. Acho que já falei demais.

21.3.05

Entre certos (?) e errados (!!)

O Arthur Xexéo escreveu uma crônica reclamando muito porque a Diana Krall e o Lenny Kravitz não tocariam no Rio de Janeiro. Dizia que a cidade estaria, por conta de pura burocracia e má administração de certos espaços públicos, perdendo participação no grande cenário cultural brasileiro. Está Certo. Citada na crônica, a diretora da Fundação Teatro Municipal, Helena Severo, informou que não abre o teatro para shows que não sejam montagens de óperas ou concertos clássicos. Na minha muito humilde opinião, está errada. Lenny não caberia no Municipal, sejamos racionais. Diana Krall, sim. O palco não tem vocação exclusivamente clássica. Nunca teve. E anualmente abre as portas para o Prêmio Multishow. A diferença está pura e simplesmente na força da grana que ergue e destrói coisas belas - porque o aluguel do espaço não deve ser nada barato, convenhamos. Diante do argumento apresentado por Helena, Xexéo a chamou de reacionária, e afirmou que o Rio está deixando de ser "a capital cultural do país". Também está errado. Helena não é reacionária. Faz um bom trabalho. Tudo bem, ela administra um orçamento gordo, talvez não seja tão difícil. Mas o Municipal foi revitalizado nos últimos anos, e todo mundo tem direito a suas posições na vida. O Rio... bem, o Rio já não é capital cultural do país há muito tempo. Mas a nossa receita em ebulição de areia, asfalto e morro ainda rende excelentes caldos em todas as frentes de arte. Além do mais, Diana e Lenny não são cultura nacional, vamos combinar.
(...)
A Diana não veio. O Medina - o mesmo do Rock in Rio - tentou trazer Kravitz, não conseguiu. Agiu como bom empresário que é. Não deu, não deu. Está certo. O César Maia, só porque a prefeitura foi também citada pelo Xexéo, resolveu, de birra, gastar milhões para fazer o show de graça em Copacabana - em plena segunda-feira. Está errado. Duplamente errado. Triplamente errado. Segunda-feira não era dia para se dar um nó no trânsito da cidade. E a desculpa de grand finale para os festejos de 440 anos do Rio é pífia justificativa para um evento que consumiu milhões dos cofres públicos, enquanto o Panamericano - esse sim, que pode render bom retorno financeiro ao município - caminha a passos de tartaruga, e a Saúde anda do jeito que está. Será que o preço desse show - desnecessário em última anáise - não poderia ser investido em seringas, agulhas, cadeiras de roda, roupa de cama... médicos para os nossos hospitais? Pelamordedeus! Enquanto alguns milhares de adolescentes enchem a cara e pulam na areia, as Forças Armadas estão montando hospitais de campanha na cidade!! Vocês sabem o que é isso?! Tem gente sendo atendida em ambulatório de guerra!! Bem... vai ver é adequado: nós vivemos mesmo uma guerra civil não anunciada... Eu até gosto de Lenny Kravitz, mas está errado. Está muito, muito errado.

Eu odeio segunda-feira!

...Vocês, não?

16.3.05

Lições de Capitalismo à sua escolha!

Capitalismo ideal:
Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. Eles se multiplicam, a economia cresce. Você vende o rebanho e se aposenta rico!


Capitalismo americano:
Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.

Capitalismo japonês:
Você tem duas vacas. Redesenha-as geneticamente para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

Capitalismo especulativo:
Você tem duas vacas. Vende três para a sua companhia de capital aberto usando garantias de crédito emitidas por seu cunhado. Depois faz uma troca de dívidas em ações por meio de uma oferta geral associada, de forma a conseguir de volta as quatro vacas, com isenção fiscal para cinco. Os direitos de leite sobre as seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Cayman, da qual seu sócio é secretamente o dono. Ele vende as sete vacas novamente para a sua companhia. O relatório anual diz que a empresa possui oito vacas, com opções em commodities para mais uma. Você vende uma vaca para comprar o novo presidente dos Estados Unidos e fica com nove vacas. Ninguém fornece o balanço das operações e o governo compra o seu esterco sem licitação.

Capitalismo britânico:
Você tem duas vacas. As duas são loucas.

Capitalismo holandês:
Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros... e tudo bem.

Capitalismo alemão:
Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecidos, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

Capitalismo russo:
Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

Capitalismo português:
Você tem duas vacas. E se pergunta por que seu rebanho não cresce...

Capitalismo chinês:

Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade. E prende o ativista que divulgou os números.

Capitalismo hindu:
Você tem duas vacas. E ai de quem tocar nelas!

Capitalismo argentino:
Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês. As vacas morrem. Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.

Capitalismo brasileiro:
Você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a CCPV - Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor deveria ser calculado pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo e sapatos de couro, presumia que você tivesse 200 vacas. Para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal, e fica tudo por isso mesmo.

15.3.05

Nada, nada

Então, nessa segunda-feira eu passei o dia pensando em escrever alguma coisa interessante por aqui. Pensei em falar da intervenção federal na saúde do Rio, mas concluí que, por ter passado o fim de semana de folga, não tinha informações o bastante para formular um texto suficientemente criterioso. Pensei em dizer que estou cansado e preciso de férias, mas isso seria assunto repetido, logo enfadonho. Acabou que o dia foi agitado e, além da falta de assunto criativo a explorar, fiquei também sem tempo. Agora, meia-noite de dezenove, a segunda-feira passou, já veio a terça, e eu preciso dormir, porque daqui a mais ou menos sete horas começa tudo de novo... Acho que é isso: o hábito de escrever também nos rende frustrações de quando em vez. Eu juro que nesta segunda-feira queria ter escrito algo genial. Acho até que estive perto do conceito inicial em alguns momentos. Eu juro que podia até sentir o cheiro... mas talvez fosse apenas o incenso. Ou a fumaça preta dos carros. Fica para uma próxima (...) O pior é que a gente nunca sabe quando vai conseguir, novamente, chegar perto de um texto genial. Mas a oportunidade de hoje (ontem) eu perdi.
Lastimável.

11.3.05

Gota d' Água

Essa é do Chico. Ótima para aqueles dias em que você simplesmente não acordou bem, e só quer ficar encolhido, mandar o mundo às favas (...) A propósito, é a música tema da minha próxima peça.

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção - faça não.
Pode ser a gota d'água

8.3.05

Reencontrando um amigo

Hoje subi num palco pela primeira vez em mais um menos uns três meses. Foi diferente. Desde a última vez em que fui aplaudido ao final de uma apresentação até esta bela manhã ensolarada de terça-feira, muita coisa mudou na minha vida. Prioridades foram - e estão sendo - revistas, planos foram desenhados, ambições despertadas. Que tudo isso tenha ocorrido num curto período em que eu estive afastado do teatro talvez não seja coincidência. É possível que a ausência de uma das minhas mais eficientes ferramentas de auto-análise tenha me forçado não a avaliar o quadro então presente, mas a mudar de quadro como um todo. Tela limpa, tabula rasa. Logo logo estarei de volta à acelerada rotina de textos e ensaios, de mergulhos pessoais, de contato com anjos e demônios que me dividem como habibat. Resta saber como essas diversas entidades reagirão ao meu novo quadro. Entre algumas indignações e muitos sorrisos, eu estou gostando do desenho que se forma. Estou mais calmo, mais centrado... e, paradoxalmente, mais ansioso. Estou também curioso para saber como essa nova mistura de mim vai reagir em cena. Será ebulição? Será inerte? Hoje, o palco me pareceu familiar. Apenas familiar. Como um amigo que não vemos há muito, e sempre se apresenta com aquela reserva, aquele olhar de dúvida, querendo saber se você voltou para valer.
- Eu não sei, amigo. Estive longe, vi outras coisas. Me apaixonei - por uma pessoa e por várias idéias. Não sei se voltei para valer. Mas, de qualquer forma, é muito bom te ver novo.

4.3.05

Tudo de ruim

Eu queria e merecia folgar neste fim de semana. Está ficando difícil. Eu preciso de férias.

2.3.05

Sarajevo é brincadeira

Atrasado, mas antes tarde do que nunca....
A violência está cada vez mais insuportável. A saúde pública foi para a casa do chapéu, porque o secretário não é médico, não tem o mais pálido conhecimento de causa, e está lá só porque financia a campanha do prefeito, e faz questão de uma pasta no primeiro escalão do executivo municipal. Vaidade, tudo é vaidade. Nesta cidade, principalmente. Aliás, o alcade, reeleito, já fala em tom de campanha presidencial. Ele, que era um bom síndico, botou olho gordo e quer ser cacique da associação de moradores do bairro. Com isso, acaba deixando um pouco de lado o próprio quintal, faz política com a desgraça alheia. Tem gente morrendo sem atendimento, tem Emergência fechando por vazamento de esgoto, com merda boiando ao lado dos pacientes - muito ilustrativo e emblemático. A zona sul virou praça de guerra. É a eqüidade social nivelada por baixo. Segunda e terça-feira teve tiroteiro na Niemeyer. Dizem que a Rocinha perdeu o Vidigal - os alemão tomaram conta das boca tudo, mano. Parada norótica. Bala largada não tem endereço. Cuidado! Se estiver perdida, pode achar você...

Mas enquanto o sol ferve na areia, eu continuo apaixonado. Não dá para largar. Aqui, zero-21. Ora pro nobis, Redentor. Abençoa este pedaço de chão entre o mar e a montanha. Nós, mesmo espremidos, continuamos na luta. Sempre sorrindo, ainda que amarelo. Quatrocentos e quarenta anos! Aos que nasceram aqui ou que vieram de fora: vocês não adoram ser - ou mesmo estar - cariocas?

1.3.05

Todo amor que houver nesta vida

Ao longo da minha não-tão-longa caminhada, diversas pessoas me ajudaram a entender um pouco melhor o significado da palavra amor. O conceito é grandioso, e explorá-lo é coisa para se fazer em verso, não em prosa, constantemente sob risco de flerte com a pieguice sobre a autenticidade. Mas hoje vou me arriscar. Porque ontem uma certa menina me fez ver em primeira pessoa um pouco mais desse sentimento: aquela velha história de que amar é sentir-se realizado pela felicidade de outra pessoa. Isso eu sempre tinha ouvido, mas não ainda vivenciado realmente (...) Minha namorada não precisa de um diploma para dizer o quão boa jornalista é. Caprichosa, perfeccionista, com auto-crítica na dose certa, e ávida por aprendizado, ela já se mostrava uma excelente profissional antes mesmo de ser uma profissional. Mas ontem ela cortou oficialmente o cordão umbilical com a faculdade. Me lembro da alegria que senti quando passei por isso, há coisa de cinco anos. Parece que foi ontem, parece que séculos se passaram. Mas se não estou confuso, foi um momento feliz, apesar de tantas dúvidas, do peso do título, da responsabilidade. Ela, na sua vez, sorriu e chorou. A solenidade de colação, realizada em um teatro, naturalmente me despertou apetites. Houve hora em que não resisti e gritei EU TE AMO para que todos ouvissem - a acústica do espaço era ótima, acho que nem precisava ter projetado tanto a voz... Mas é que de repente, a palavra amor fica pequena. E mesmo eu, que queria falar sobre o quanto estava feliz e pleno por essa vitória dela, já me perdi em divagacões, me embaralhei como um aliterato, e estou perigosamente próximo de indesejáveis clichés. Chega um momento em que teorizar é inútil, e relatar desnecessário. Por que ao abordar o amor, de que serve a objetividade?

Deca, o que você precisa saber é que eu me orgulho muito de você. Estava linda de beca, me deixou babando de paixão e felicidade. Você merece o melhor: teve a coragem de começar tudo de novo para apostar na carreira que queria. Uma carreira difícil, cheia de altos e baixos, mas que compensa quem acredita em si mesmo. Profissionalmente, eu torço por você com amor maior que o de um amigo verdadeiro. Por ser filho único, eu não sei como é o amor de um irmão... talvez seja algo próximo. Pessoalmente, eu anseio pelo teu sorriso com o desespero de um viciado, e o deslumbramento em acalanto de quem vislumbra o paraíso. Teu simples olhar mistura tudo isso em mim. Também por ser filho único, aprendi a cultivar minhas próprias vitórias, e nunca pensei que pudesse me sentir tão realizado através de outra pessoa. É algo novo, mas agradável. A palavra amor, de fato, ficou pequena. Talvez seja melhor calar. Parabéns pela formatura, e obrigado pelo carinho nesses dois meses que completamos hoje. Você me completa (...) Pronto! - fui piegas! Não teve jeito... Agora está dito.

25.2.05

Patrícios

Esta me foi encaminhada pelo chefe e amigo Luciano Garrido. É de português, é preconceituosa, mas é engraçada pacas... Bom fim de semana a todos!

Depois dos problemas acontecidos na Ásia, o governo de Portugal resolveu criar um órgão de pesquisa em prevenção e avaliação de tremores e abalos, cobrindo todo o território. O Centro Sísmico Nacional enviou, dias depois, um telegrama ao Quartel-General de Polícia da cidade de Vilamoura, no norte de país. A missiva dizia:

Possível movimento sísmico na zona. Ponto. Muito perigoso, superior Richter 7. Ponto. Epicentro a 3 km do povoado. Ponto. Tomem medidas. Ponto. Informem resultados com urgência. Ponto.

Os dias se passaram, e só depois de mais de uma semana é que foi recebido no Centro Sísmico Nacional um outro telegrama, que informava:

Aqui é do Quartel da Polícia de Vilamoura. Ponto. Movimento sísmico totalmente desarticulado. Ponto. O tal Ritchter tentou fugir, mas foi abatido a tiros. Ponto. Desativamos as zonas. Ponto. As putas estão todas presas a trabalhar na lavanderia dos presídios femininos. Ponto. Epicentro, Epifânio e três cupinchas detidos. Ponto. Não respondemos antes porque aqui houve um terremoto do caralho. Ponto.

23.2.05

Papo de cinema

O filme teve o nome toscamente traduzido, e acho que pouca gente deu bola, mas quem tiver a chance não deve perder Jogos Mortais. Ainda está em cartaz, ao menos no Rio. A premissa de dois homens que acordam em um banheiro imundo e são forçados por um assassino misterioso a se engajarem num jogo de gato-e-rato em que um deve matar o outro pode parecer um convite à filmografia B, ou mesmo um enredo mal-ajambrado para um video-game de suvival horror, mas acreditem, está tudo lá: suspense policial honesto e de boa qualidade, sem sustos óbvios ou ofensas à inteligência do espectador em finais absurdos. Aliás, eu me corrijo: o roteiro poderia ser perfeitamente aplicado a um game. Palavra de aficcionado. E o final é sim sacado da manga, mas o truque é tão bem feito que parece mesmo mágica. A coisa toda foi rodada em 18 dias. Mais um exemplo de como é possível apresentar excelentes resultados com tempo e orçamento limitados. Basta ter uma ótima idéia e um roteiro bem amarrado. Na mesma linha é possível citar Bruxa de Blair e Por um Fio. Jogos Mortais - ou Saw, como preferirem, é desse quilate. E olho vivo no novato Leigh Whannell (Adam). Interpretação primorosa. Bem acima dos veteranos Danny Glover e Cary Elwes.

Em tempo: tive uma grata surpresa com a sala Um do Estação Botafogo. Nada da assepsia claustrofóbica de um multiplex - estamos falando de um salão enorme, com poltronas vermelhas de couro, e aquele leve toque de cheiro de mofo por causa do carpete nas paredes. A telona é digital, mas o som não é THS. Engasga para entrar, fazendo aquele ruído branco de caixa ligando. Nada de love-seats. Os casais têm direito à privacidade porque há espaço de sobra, e eles podem simplesmente procurar um cantinho desabitado. Nostalgia pura. Vamos combinar: cinema confortável é aquele em que você não corre o risco de roçar coxa com um estranho, e não precisa disputar o porta-copo. Já não fazem mais desses hoje em dia...

21.2.05

Hermanos

Dois agricultores, um Argentino e um Brasileiro, conversam.
- Qual é o tamanho da sua fazenda? - pergunta o argentino.
Responde o brasileiro:
- Para os padrões brasileiros, a minha fazenda tem um tamanho razoável: trezentos alqueires. E a sua?
Retruca o argentino:
- Olha, eu saio de casa pela manhã, ligo o meu jipe e ao meio-dia ainda não percorri nem a metade da minha propriedade.
- Pois é - rebate o brasileiro - eu já tive um carro argentino desses. É uma merda...

18.2.05

WC Cavalheiros

Este texto se presta à discussão de normas éticas de conduta em banheiros masculinos, e portanto pode se mostrar vulgar e preconceituoso em certos momentos. Meninas, estejam avisadas.

Estive nesta sexta-feira fazendo a cobertura jornalística de um ato político realizado na Associação Comercial do Rio de Janeiro. O evento reuniu diversas autoridades, entre deputados, dirigentes de entidades de classe, organismos sindicais e afins. Em dado momento, pouco antes do início da cerimônia, a ânsia urinária tomou conta de meu ser. Ao entrar, notei que havia um engravatado se ajeitando ao espelho. Nada demais. O espaço contava com três mictórios, todos desocupados. Posicionei-me no da extremidade mais distante à porta, evitando possível exposição imedianta ao trânsito de entrada e saída do referido sanitário, e abrindo espaço para que a distância cívica de um urinol vazio (o do meio) fosse observado por qualquer outro ser mijante que chegasse. Mas eis que, ao dar início ao processo mictante, noto que o tal almofadinha resolveu estacionar justamente ao lado, e mais: dada a falta das sempre necessárias "barreirinhas de mármore", direciona olhares a meu instrumento de trabalho afro-brasileiro. Pausa para que se compreenda o quão desconfortável foi a situação para minha pessoa: fui educado em um colégio exclusivamente masculino. No São Bento, se você flagrasse alguém em espionagem peniana, podia simplesmente gritar "manja-rôla!", e provocar uma hecatombe. Todos que estivessem no banheiro cairiam em insultos raivosos e impudicos sobre a masculinidade do curioso. Ele seria chamado de viadinho para baixo, e provavelmente seria empurrado em direção ao mictório, com grandes chances de sair com as calças vexatoriamente ensopadas pela própria urina. Em alguns casos - mais raros, porém possíveis - a balbúrdia poderia chegar aos corredores. A coisa se tornava então um verdadeiro episódio de retribuição divina: o pobre diabo sentiria todo o peso da execração pública discente. O colégio, muito católico, tinha um décimo-primeiro mandamento tácito: Não violarieis a privacidade da jeripoca alheia. Daonde eu venho, a manjada é intolerável, e a pena era sempre capital. Mas ali, na Associação Comercial do Rio de Janeiro, o grito de denúncia e alerta ficou preso. Eu quase agi por ato-reflexo, mas percebi a tempo que a punição exemplar, tão merecida, poderia conflitar com a minha presença profissional naquele lugar. Imaginem a reação dos políticos e empresários a um jornalista que sai do banheiro gritando "Manja-rôla! Manja-rôla!" (...) Não seria legal. Tive que aturar o constrangimento. Mas me permiti um audível "Tsc, tsc, tsc!", com meneios negativos de cabeça, em desaprovação simbólica ao viadinho - com preconceito, por favor. O sujeito gay, ao perceber que eu havia percebido, abaixou a cabeça, possivelmente em vergonha e auto-penitência. Onde já se viu?! Depois do movimento pela Encoxada em nossas respectivas e venerávis fêmeas, venho a firmar posição contrária aos manjadores de plantão. Que sejam todos enviados, com passagem só de ida, para... bem, vocês sabem para onde. A discussão já está abaixo da linha da cintura, não precisa descer mais do que isso.

17.2.05

Cansei

Sério mesmo. Coisa de geminiano, sabe como é. De repente você se olha no espelho e vê que as coisas simplesmente não estão no lugar. Não se reconhece. A moldura não se adequa ao quadro, e a estética está completamente off. Daí é preciso uma solução radical, porque situações extremas exigem medidas extremas... Meu cabelo saiu para almoçar. Estou de volta ao bom e velho estilo basquete/ hip-hop/ no-hair. O design, inegavelmente, ficou mais arrojado e aerodinâmico. De bônus, combina perfeitamente com meus óculos escuros Matrix. Um luxo.

15.2.05

País de Oz (Dorothy não está no Kansas)

Mataram uma missionária no Pará. Algo a ver com conflitos por pedaços de chão que possivelmente servirão apenas para exploração de madeira ou lavouras inférteis. Aliás, mataram não é o termo mais adequado: executaram. Chocante. Ou, talvez, nem tanto. No Rio (ou em qualquer metrópole) os óbitos são diários, às dezenas, na guerra do tráfico. Mas o nosso cotidiano urbano de violência nutre a ilusão de um ruralismo de paz bucólica. Mentira. A morte de Dorothy Stang é emblemática: o retrato ampliado do que ainda é a base do extrativismo e do chamado agrobusiness no nosso país: ocupações, militância armada e por vezes inconseqüente, denúnicias de trabalho escravo em fazendas de ilustres deputados. E o campo é ainda responsável pela maioria esmagadora das exportações brasileiras... deu para entender? - Nós ainda somos um país movido a sangue de pretos e pobres. Os números importam pouco: a maioria desses ninguéns não tem nome, não vira sequer estatística. Nascem incógnitos, morrem calados. E é preciso que alguém atire na cabeça de uma freirinha simpática (estrangeira!) para que o governo resolva montar uma força tarefa federal - não para investigar os coronéis por trás das armas, mas para prender os culpados rasos dessa única morte: sempre os mandados, quase nunca os mandantes. Mas Dorothy, pelo menos, tinha um nome ao morrer. Bom (?!) para ela. Agora é torcer para que o Bush não resolva usá-la como um símbolo do dever americano de intervir na região amazônica pelo bem maior do planeta. - Não. pensando bem, eles não vão fazer isso (...) Quem já teve a chance de conversar sobre política comigo sabe que, na minha opinão, falta no currículo histórico da nação um episódio autêntico de guerra civil. Aberta e declarada, dessas com o potencial de fragmentar a nossa geografia continental. Assim, talvez, aprendêssemos a dar valor ao chão que temos. E a nós mesmos. E talvez o sangue se tornasse uma moeda de troca mais cara. Ou, quem sabe, num cenário ideal, deixasse de ser uma moeda em absoluto. Mas do jeito que estão as coisas, os homens de fuzil jogam no lixo a ordem urbana, e os pistoleiros de tocaia oprimem os desdentados do campo. Covardia de todos. A culpa não é "da sociedade". A culpa é cada um e de todos, que fechamos os olhos diante da ilusão de um Estado Democrático de Direito. Democrático?! Onde está o poder do povo? Piada. Enquanto isso, os senhores parlamentares cantam o Hino Nacional para saudar o novo presidente da Câmara. Desta vez o rolo compressor do PT deu defeito. É a elevação do baixo clero. Todo o poder a Severino! Tem nome de pobre, discurso de pobre, e bate no peito para dizer que não tem diploma universitário... virou moda fazer isso em Brasília. Mas atenção!! - Há várias eleições disputa o cargo tendo como principal promessa de campanha aumentar os salários de seus pares. E o que resta para nós? A fácil previsão de um ano eleitoral desgovernado, com Executivo e Legislativo em conflito. Nada vai andar no Planalto sem conversas privadas não oficiais e malas pretas apócrifas chegando aos gabinetes. Mas a imagem de um plenário cheio de deputados - aqueles mesmos que têm fazendas movidas a trabalho escravo - cantando Ouviram do Ipiranga sempre fica bonita na TV. Quase gera a ilusão de freios e pêndulos bem ajustados. Quase. Há momentos em que é fácil olhar para o Brasil e perder a esperança. E por mais que eu procure, não consigo encontrar a maldita estrada de tijolos amarelos.

11.2.05

...Eu quero uma casa no campo

Depois de dezenove dias trabalhando sem parar, incluindo a loucura da cobertura momesca, estou parando hoje. Os amigos que me perdoem a ausência - eu sei que estou em falta com muitos - mas estou pegando e estrada. Minha morena e eu vamos curtir um hotel fazenda com direito a arvorismo, parede de escalada e pescaria. Afinal, também nós somos filhos de Deus. Ou Deusa, ou Grande Arquiteto, como queiram. Volto no domingo à noite, apto a sentar num barzinho qualquer para jogar conversa fora ao fim do dia.

Alguns recados importantes:
Lol - Boa Viagem, meusamô!!! Tenho certeza que você e Gables vão se divertir horrores! Curta muito! - E atualize!
- Morro de saudades. Vamos nos ver no domingo à noite? Ligo assim que chegar ao Rio!
Bulka - Véio, espero que esteja aproveitando bem as férias. Muitas saudades de você também, mano!
Peyró - Boa viagem, sogrão!

Acho que é isso... muita gente com o pé na estrada... Hasta!

10.2.05

Só tinha de ser com você

É bom que se lembre que a autoria não é da Fernanda Porto, mas do Tom Jobim em parceria com Aloysio de Oliveira. Eu, particularmente, não gosto muito da idéia de ficar postando letras de música sobre letras de música, mas a verdade é que, previsivelmente, ainda estou desocupando minha cabeça dessa overdose de carnaval. Então, lá vai um sambinha despretensioso e, quiçá por isso, de valor:

É, só eu sei
Quanto amor eu guardei
Sem saber que era só pra você
É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você

É, você que é feita de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonita demais
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

4.2.05

Eu ODEIO carnaval!!!!!!!!!!!!!!!!!!

É sério. Letras Mortas tem postura editorial contrária à euforia coletiva gratuita. Aliás, o editor acredita que o conceito de circo para o povo conduz à debilidade mental. Esta frente de resistência à ignonímia e indignidade do ser humano fecha os tipos durante esta porra de carnaval. Ando sem paciência, e certamente não vou ter assunto. Volto na quinta-feira, se não estiver por demais ocupado em limpar a mente das impurezas desta verdadeira celebração ao nada. Fico na torcida por um atentado no Sambódromo - pelo menos para justificar todo o trabalho.

31.1.05

Kriptonita de la roja

Hugo Chávez veio ao Fórum Social Mundial para fazer graça com o Bush. Nada de novo. Nas últimas semanas, nos últimos meses, tudo que o presidente da Venezuela faz é graça com o Big Boss dos States, onde quer que vá. Para isso, nem precisava ter vindo. Mas reconheço: o carisma do sujeito é inegável. Inegável e perigoso, na minha humilde opinião. Ou ele vive num mundo cor de rosa, e não percebe os riscos desse comportamento aparentemente lúdico, ou pior: tem plena noção dos riscos mas joga assim mesmo. A aposta é alta demais - enquanto ele se diverte mandando a diplomacia às favas, golpes e contra-golpes de bastidores e capturas não autorizadas de integrantes das FARC em território venezuelano colocam a democracia e a soberania de um país na corda bamba, e ninguém parece ligar muito para isso. O Lula, engraçado... está sempre pronto a receber o hermano em Brasília - onde Chávez já é visto como arroz de festa; guarnição que só acompanha, mas não serve para encher a barriga. Eu, particularmente, entendo que o Brasil tem um papel de liderança geo-estratégica e político-econômica na América do Sul por motivos óbvios, mas acho que o sindicalista do ABC deveria se envolver menos. Ou deveria se envolver mais e entrar de sola na questão. O problema em se fazer acenos sem adotar posições firmes é que cedo ou tarde dá-se o inevitável: o folgado resolve que é bonitinho vir à Porto Alegre para chamar o Bush de Superman, e dizer que nosotros temos kriptonita vermelha para lidar com o problema. Alto lá! Que nosotros é esse?! Fale por si e pelos seus, cara pálida! Não venha contaminar com gracejos infantis as nossas já delicadas relações bilaterais com o povo do norte, que envolvem embargos, subsídios comerciais e uma dura negociação em torno da ALCA, para não mencionar o olho grande dos gringos nas nossas instalações nucleares. É favor deixar os tupiniquins fora desse nosotros (...) O pior, o mais triste, é que tem palhaço para tudo: até para gritar fora Lula, Chávez para presidente do Brasil. Não que eu esteja muito satisfeito com o Sapo Barbudo. Essa última de censurar - vamos usar o verbo certo: censurar, mesmo! - as pesquisas do IBGE antes da divulgação me deixou decepcionado ao extremo. Mas se tem uma coisa que me dá nos nervos é a turma do quanto pior, melhor. Não lêem as entrelinhas, e acham que política é brinquedo de criança. Eu li os quadrinhos do Superman. Mas também li Nietzche. O assustador é pensar que, ao chamar Bush de Super-homem, talvez nem Chávez soubesse o quão próximo estava da verdade. Se soubesse, não falaria rindo. E os micos de circo não aplaudiriam. E se precisar mesmo da tal kriptonita vermelha, pago para ver no que vai dar.

29.1.05

Datíssima vênia, companheiros

Ivan Lins é um virtuose. Merece ser visto, se não por qualquer outra coisa, pela técnica tanto vocal quanto às teclas - e ao bongô, e à caixinha de fósforo, e ao whatever: o sujeito é um multi-instrumentista, e a nossa música não tem muitos assim hoje em dia. O último que pintou foi o Júnior, mas sobre esse eu nem quero falar. O repertório pode parecer antiquado para todos nós, que respiramos outras batidas, admito. Mas as letras são ótimas, é só se dispor a ouvir. E funciona para casais que é uma beleza, acreditem. Se bem que, tudo bem... Quem acha mala ou péla saco, acha. Fazer o quê?

28.1.05

Ivan Lins

Fui ontem. Não é um super-show, mas manda o recado bem direitinho. Mais que direitinho, até.
Porque, só de vez em quando, não é pecado retornar aos clássicos para falar do novo...

Vieste

Vieste na hora exata
Com ares de festa
E luas de prata
Vieste com encantos, vieste
Com beijos silvestres
Colhidos pra mim
Vieste com a natureza
Com as mãos camponesas
Plantadas em mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor

Vieste à hora e a tempo
Soltando os meus barcos
E velas ao vento
Vieste me dando alento
Me olhando por dentro
Velando por mim
Vieste de olhos fechados
Num dia marcado
Sagrado pra mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor


E, claro, a infalível Vitoriosa

Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos meus limites
E ir além, e ir além
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa

26.1.05

Enganado pelas boas referências

O nome de Sam Raimi nos créditos iniciais me deixou na expectativa por um bom filme de terror. Alguns de vocês podem não saber, mas antes de Homem-Aranha, o sujeito já marcava no currículo toda a série Evil Dead. E isso é credencial. O problema é que em O Grito, Sam não dirigiu. Foi só produtor executivo, o que em termos práticos significa que ele deve ter dado uma força na captação de recursos e emprestou o nome para levar meia dúzia de otários como eu ao cinema, em troca de algum trocado ou quem sabe mesmo uma participação na bilheteria. O que é bom para ele, ruim para mim. E péssimo para o meu bolso, porque eu caí direitinho. O Grito, que bem poderia se chamar O Arroto - quem viu vai entender - está entre as coisas mais toscas que vi nos últimos tempos. A premissa de lenda urbana japonesa e o fato de a história se passar por lá pode ainda atrair alguns fãs de O Chamado - Não caiam nessa esparrela! Alhos não devem servir de referência para bugalhos! Um tem trama construída de maneira a propiciar uma suspensão de realidade com um mínimo de esforço, e detalhes metalingüísticos que valem o ingresso - mais sobre isso em conversas de bar, para quem quiser. Mas o outro... o outro é uma sucessão de clichés mal ajambrados por um roteiro fraco, um argumento pífio e sustos óbvios. A coisa toda só não foi um total fiasco porque a minha namorada - sempre ela salvando o meu dia! Te amo, linda! - se assusta facilmente, e cada pulo dela me rendia ao menos uma reação instintiva àquela baboseira toda na tela: a de proteger a mocinha. Em suma: não vejam O Grito. É ruim demais. A não ser que vocês tenham a companhia certa, porque aí também... o filme não faz diferença.

25.1.05

O carnaval está chegando

E eu odeio isso. Fique registrado.

21.1.05

Mexeu com ela, mexeu comigo

Minha amiga comprou um personal cold maker nas Casas Bahia. A necessidade de possuir um ar-condicionado tornou-se irrefutável urgência doméstica após noites mal dormidas causadas pela face mais negra do efeito estufa, que só quem mora no Rio conhece. A canícula é realmente insuportável, acreditem. O problema é que ela, embora jornalista e celebridade, é ainda a mulher da casa. E como toda mulher da casa, está sendo engambelada pelos malandros da instalação, que chafurdam na desordem burocrática, estão sempre atrasados com pedidos e ordens de serviço, e se acham no direito de protelar as demandas feitas pelas moças, na certa imaginando-as ainda desamparadas e chorosas criaturas, relegadas à resignação e - por que não dizer? - à fragilidade. Pois estão enganados. Minha amiga tem amigos. A começar por mim. E padrinho de casamento que sou, é obrigação zelar pelo bem estar da família que muito prezo, até por saber que com eles posso contar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, Amém. O marido, gozando de férias, viajou. É justo - férias a gente só tira uma vez por ano. Mas a referida consorte não está, absolutamente, indefesa: quem me é caro eu coloco embaixo da asa, e quem me conhece sabe que tenho envergadura. Se os sujeitos lá da instalação não resolverem essa modorrenta pendenga pronta e eficientemente, já falei que vou com ela naquele cafofo malcheiroso de exercício pseudo-administrativo para dar jeito na parada. Vou me apresentar como digníssimo esposo, para tomar satisfações de maneira não-tão-digna. Aí eu quero ver aqueles abusados explicarem para metro e noventa de preto enfurecido que não foi possível fazer a instalação porque o técnico especialista em cortar vidros genoveses granulados estava ocupado fazendo um curso de capacitação em observação e apreciação holística do ócio criativo... Quero ver!

18.1.05

Às vezes nem eu me suporto

Porque o ser humano é o único, em todo o maravilhoso espectro da criação, capaz de rir da própria desgraça - ou da alheia - e porque um toque de irremediável cinismo está entre os meus defeitos confessos (e prediletos!), Letras Mortas traz a verdade por trás do maremoto asiático: eis aqui como tudo começou...

Admita: você também riu.

14.1.05

O paradoxo romântico

Nunca foi tão rápido: levou apenas duas semanas.
Todavia jamais demorou tanto: inteiros nove meses - porque não poderia, sob qualquer hipótese, ser prematuro.
Se deu o fato contra todas chances: estou certo de que não passou pela cabeça de nenhum de nós que haveria de ser assim, fulminante, sem pretexto, sem razão. Seria absolutamente impensável que fosse sem razão... Mas foi. E assim, sem aviso, como o beijo roubado naquela primeira noite, aconteceu. E - curioso - verdade seja dita, há dias vínhamos ensaiando esse movimento. É inegável: o teste de limites. Até onde cada um estava realmente disposto a ir, reconhecer, entregar, derrubar as defesas?
- As minhas sempre foram muitas, desde sempre. As dela, me parece, idem. Mas o som do inevitável é célere. A última reserva, aquela derradeira que protege a própria imagem que temos de nós mesmos - nosso espólio final e mais sagrado - cai por terra. Deus ex machina. E dói. E assusta. E nos faz tremer. E extasia. E nos dá coragem. E é calmo acalanto. O momento irredutível, contra o qual não há resistência. Estava lá o tempo todo, esperando para acontecer. Não tem início, não tem fim, e não há, finalmente, como pouparmo-nos dele. Nunca foi tão rápido, nunca demorou tanto. Duplo Xeque. Mate. Um bom ator reconhece suas deixas.
Eu ontem confessei um amor.
(...)
E aquele sorriso nunca esteve tão belo.

12.1.05

Meus amigos sabem o que dizem

Dando voz a quem realmente entende das coisas - função jornalística ideal e raramente realizável...

A sempre sábia Cris Tibau diz: Sexo e amizade é colorido. Sexo e paixão, incendiário.
Irrefutável, absolutamente. Menina, para variar, você acertou na mosca. O mundo precisa de fogos de artifício multi-coloridos.

Mas o jovem filósofo contemporâneo Gabiru Mattos faz um alerta aos desavisados: Só dá merda quando você se diverte pelado.
É. Deve ser isso mesmo.

10.1.05

Só a cabecinha

Atenção meninas de coração, carne ou personalidade fraca! - Esta imagem pode provocar arrepios na nuca e outras zonas erógenas do corpo, além de imprevisíveis e potencialmente perigosas reações hormonais.
(...)
Sem mais delongas ou explicações: eis aqui um raro registro fotográfico da famigerada e sempre ludibriosa cabecinha. Uma exclusividade pseudo-jornalística de Letras Mortas.

Vocês não adoram segunda-feira?

7.1.05

Pois é

Hummmm...
Então está bem: entre algumas novas dezenas de milhares de mortos na Ásia, um quid pro quo literalmente federal para saber quem diabos sai candidato à presidência da Câmara dos Deputados, e a divulgação de fotos de uma festa adolescente - para a qual não me convidaram -na piscina do Alvorada, a primeira semana de trabalho em 2005 até que não foi assim tão ruim...
Mas a folga de Réveillon estava melhor.

5.1.05

Diz o terrorista árabe...

Para toda bela morena sob o sol existe um sujeito feioso, careca e... altinho de vodka

Parabéns pra você nesta data querida, gatinha! - Será que eu ainda vou preso por aliciamento de menor?

4.1.05

Eles não têm juízo

E não é que eu virei chefe de reportagem? Calma, muita calma nessa hora! - o status é temporário, e a carta branca vale só por algumas horas diárias, enquanto o chefe de verdade não chega. Ocorre que algumas peças estão fora de suas posições originais neste início de ano, e acabou na minha mão a gerência do departamento entre seis e oito da manhã. Eu já tinha brincado assim num plantão de fim de semana, mas é a primeira vez que a responsabilidade cai no meu colo em dias úteis, pra valer. A coisa toda é benvinda, claro. Lendo nas entrelinhas, é uma demonstração de confiança no meu trabalho, e por isso fico feliz. E feliz é sempre uma boa maneira de se começar o ano. Por outro lado, a cobrança por qualquer problema que venha a surgir vai sobrar é pro negão aqui. No pain, no gain (...) Mas parando para pensar, o interinato nem é assim tão diferente da rotina nossa de cada dia. É preciso exercitar um certo pensamento estratégico, adequar pautas a repórteres; mas não é uma função tão engessada quanto pode parecer à primeira vista. Se você tiver uma resposta pronta para as gracinhas dos colegas, algo como "eu estou chefe, eu não sou chefe", acho que dá para escapar incólume - se a ponte Rio-Niterói não cair durante o rush matinal. Amém.

3.1.05

Enlace

Estou oficialmente fora do mercado neste início de 2005. A oficialização se deu no momento da virada, algo entre fogos, Chandon e um charuto cubano. Não foi a coisa mais original do mundo, mas a morena ficou feliz, é o que importa. Quem pegou, pegou. Quem não pegou, não pega mais. Felizes doze meses para todos os meus doze leitores.

Uma breve nota de felicitação em particular: a mãe da ilustre autora de Lugar Feliz cumpriu anos no Réveillon. A Lol é algo muito próximo de uma irmã, e a Tia Tereza é algo muito próximo de uma segunda mãezona. Parabéns pra ela!

29.12.04

Um próspero...

Uma antiga e querida professora postou essas estrofes como mensagem de fim de ano. Achei ótimo. E muito embora eu seja, intimamente, também afeito a escrever em versos, há sempre um poeta maior...

Esperança, por Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se e — ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Estou de folga no Réveillon. Me liguem para: ir à praia, patinar, ir ao cinema, teatro, combinar um after hour depois da festa no dia primeiro. Não me liguem para: comentar sobre os milhares de mortos na Ásia, perguntar se eu vi o que saiu no jornal - porque eu não vou ver, sugerir que eu me torne uma pessoa melhor ou diferente em 2005, porque eu felizmente ando muito satisfeito com o que sou. Curtam a Passagem, nos vemos no ano que vem.

27.12.04

O ataque do presente curinga

Sinceramente não sei porque insisto em participar de amigos ocultos. Desde pequeno, foram poucas as atividades afins nas quais tomei parte sem ficar no prejuízo. Na escola primária, a brincadeira era obrigatória, acho que para despertar o espírito de solidariedade e integração. Eu, o único pretinho da sala, filho da classe média esforçada, dava sempre um presente bacana e recebia um carrinho de quinta oferecido com desdém por algum fidalgo da alta sociedade. É realmente curioso que, já não sendo obrigado a fazer nada que não queira na vida, eu ainda persista. Acho que fico sem graça de dizer para os amigos que a idéia toda não me agrada... E é verdade, não me agrada mesmo. Nunca agradou. Não consigo me lembrar de uma vez sequer em que tenha saído realmente satisfeito. Bem, teve uma menina que me deu um livro de estereogramas do Kama-sutra. Foi sugestivo, original, mas eu não usei com ela. Aliás, acabei não usando com ninguém e, depois de tantos anos e já tendo perdido o contato com a referida, posso confessar que nunca na minha vida conseguir ver um maldito estereograma (...) Por que fazem listas de sugestões, se as pessoas acabam comprando presentes a Bangu?! Para não falar no absoluto terror dos chamados presentes curingas. Há alguns anos, na faculdade, um amigo ganhou um peso de papel, desses em forma de cubo plástico que você encontra em qualquer papelaria de esquina. Era o presente curinga do agregado de uma menina da turma. O engraçado não conhecia ninguém, comprou qualquer coisa e pronto. Eu, esse ano, queria ganhar um livro. Coloquei também alguns CDs na lista de sugestões só pra não correr o risco. Mas a tal inovação tecnológica do sorteio eletrônico - coisa muito chique - caiu vítima de um arranjo astral controverso e, em meio à fragmentação de dados num lapso crítico de armazenamento e fluxo de informações, esqueceu de avisar sobre minha existência a quem deveria me regalar no toma lá dá cá. Resultado: presente curinga. Voltei para casa com um mini-castiçal em que poderei queimar as velas que não acendo, e um lindo porta-fotos para substituir o feio mural que não tenho na parede do meu quarto. O pior é que o sujeito-meu-amigo-oculto nem se dignou a enfrentar o constrangimento pessoalmente: estava de plantão. Mandou o presente pela esposa, que passou o resto da noite me abordando com aquele sorriso quase amarelo, perguntando se eu tinha mesmo gostado, e dizendo que eu poderia trocar tudo se quisesse. Mas acho que no final ela se convenceu de que eu estava satisfeito. As aulas de teatro devem estar mesmo funcionando.

23.12.04

Just a girl

Ela apareceu de manso. Chegou sem pedir contrapartidas românticas ou sentimentais. Não fez cobranças, não quis discutir a relação. Aliás, não fez sequer questão de ter uma relação. E ainda assim, no lugar do falso-conformismo, parecia à vontade; como se, tanto quanto eu, não tivesse pressa, não tivesse ânsias. Mima-me. Na verdade, estragama-me, sempre com um sorriso no rosto. Há meses vem destilando carinho em gestos e conversas fáceis. Parece muito segura de si - Nossa! Que novidade! - e não exerce ciúmes. Dadas as circunstâncias que ela mesma nunca fez questão de mudar, nem teria porquê. Mas aproximou-se. Aos poucos, sem fazer alarde... soube cativar-me nos pequenos detalhes. Se o fez de forma genuína, é uma menina rara. Se o fez de maneira calculada, é mulher como poucas. Geminiano que sou, deixa-me livre. Parece estar tranqüilamente ciente de que essa é a única maneira real e verdadeira de ter-me. Com todo esse clima de aproveite-o-fim-de-ano-e-tome-rumo-você-também no ar, pode ser que eu resolva oficializar as coisas. Ou não... afinal - que alegria! - nenhum de nós está correndo contra o tempo. E por falar em tempo: chove lá fora.
Mas em mim é verão.

21.12.04

Ora pro nobis

Notem pelo horário deste post que estou acordado e ao computador já pela manhã. Aliás, para ser exato e preciso, estou acordado desde cinco da madrugada, e ao computador desde seis da matina. Foi dada a largada para o famigerado plantão de fim de ano...
Deus tenha piedade de nós.

16.12.04

Os Incríveis

Homem-Aranha e Wolverine sempre foram meus super-heróis prediletos. Definitivamente, Stan Lee é um sujeito que sabia o que estava fazendo. E sendo assim, vocês podem imaginar o quanto eu fui uma criança feliz indo ao cinema nesses últimos anos de lançamentos da Marvel. Mas eu encontrei um um novo super-herói... Vejam: o Gelado é negro, careca, bonitão, divertido, se veste com estilo, varia entre a barba e o cavanhaque, gosta de patinar, fala rápido - com aqueles trejeitos de rapper, e ainda por cima é dublado pelo Samuel L. Jackson, um de meus atores prediletos. O Gelado é o cara, e se vocês ainda não foram ao cinema para ver Os Incríveis... o que diabos estão esperando?!?! A Pixar, mais uma vez, acertou em cheio. Vão logo conferir!

"Anda, mulher, cadê meu uniforme?! É por um bem maior!!!" - Gelado, em Os Incríveis

13.12.04

Cheque pré-datado

E a gente ainda reclama que a vida está dura...

11.12.04

Pendências e planos

É isto mesmo: um sábado chuvoso perdido na redação é uma oportunidade tão boa quanto qualquer outra para fazer resoluções. Por que esperar o Reveillón? Eu, por exemplo, posso aproveitar o fato de estar de férias no curso de teatro para traçar metas e planos que devem preencher as minhas manhãs nos próximos meses. E alguns projetos precisam mesmo sair da gaveta: quero retomar minhas atividades subaquáticas. Estou sem mergulhar desde 1996. É muito tempo para um sujeito que aprecia vento no rosto e mar aberto, e que ainda por cima é filho de Iemanjá. Vou aproveitar alguns fins de semana em janeiro para fazer o curso avançado de mergulho autônomo. Parte do décimo terceiro e da participação nos lucros deve ser investida na compra de equipamentos, e em 2005 voltarei a ser um feliz mergulhador, podem aguardar. Tudo dando certo, a idéia de visitar as águas de Cuba ou Noronha me é cara para o ano novo... Preciso ainda tirar o meu registro profissional de ator. O temporário, que seja. Até agora, faltou tempo para cuidar da burocracia. Mas isso deixou de ser justificativa viável. Afinal, estou de férias. A Operação Verão está pendente. Aliás, há semanas não malho direito. A reta final de ensaios virou minha vida de cabeça pra baixo, e a rádio atravessa uma fase especialmente atribulada, com algumas (várias) coberturas que me fazem trabalhar até mais tarde - o que, no meu caso, geralmente significa chegar em casa depois da meia-noite, para começar tudo de novo no dia seguinte(...) Mas eu não tenho do que reclamar. Não me canso de dizer que gosto do que faço, por mais que às vezes fique um pouco esgotado. Pior seria o ócio. Patinar! Patinar! Patinar é preciso! Quero ainda, é claro, jogar muito video-game. Vários novos títulos para Playstation 2 estão despertando minha atenção. Estou em falta também com a prática do Role Playing Game. É preciso satisfazer meu lado nerd, sem dúvida. Tudo isso demanda horas perdidas de sono. Mas é como dizem os anglo-americanos: "Plenty of time to sleep when you're dead". Eu continuo preferindo a vida no melhor estilo dez anos a mil. É muito, muito melhor do que mil anos a dez. A única coisa que não entra na minha lista de resoluções é o casamento. E nem poderia: o Mosteiro de São Bento vai entrar em reformas. A conjunção astral, definitivamente, é pouco propícia.

Mas até chegar a hora, o que eu mais quero mesmo é muita saúde para agüentar todo esse tranco e ainda gozar no final...

7.12.04

Uma amiga

Vocês podem dizer e pensar o que quiserem, mas o Orkut é uma ferramenta social incrível, se bem utilizado. Por causa dele, eu já acabei indo parar na festa de aniversário de uma amiga que não via há dez anos, e hoje tive uma dessas surpresas que, de tão agradáveis, nos deixam entre o adulto boquiaberto e a criança feliz que extiste em todos nós. Quando essa moça apareceu para a estréia de Seis Personagens..., eu quase não entro em cena de tanta alegria. Não via a Keka há mais ou menos oito anos, e de repente ela estava ali, na platéia. E ainda levou a irmã, que de menina virou mulher, e dadas as circunstâncias foi também um grande reforço de público. Depois da peça saímos todos para almoçar, e minha amiga me apresentou aos mistérios de um elixir divino a que somente os iniciados da gastronomia alternativa têm acesso: a tal limonada com mascavo. Só quem já teve a chance de experimentar pode saber... Alegria, alegria! - Todo o resto é desimportante. No mais, a encenação até que superou minhas expectativas, considerando o pouco tempo de ensaio. O que não quer dizer que seja um trabalho de valor dramático inestimável; mas o palco, ao menos, está confortável - o que já é um grande começo. E um processo. E um fim em si mesmo. É engraçado como uma turma cheia de problemas com a identidade de grupo acaba por fazer acontecer, mesmo que na última hora, os trabalhos a que se propõe. Mas isso é uma outra história...

E hoje, então, finalmente choveu. Até que foi positivo. Mas para o fim de semana eu gostaria de ter o sol de volta.

6.12.04

Duas notas em protesto

Querido Papai do Céu,
Nesta cidade faz muito Sol!!!
...Tenha !

3.12.04

Zzzzzzzzzzzz.....

Cara, eu preciso dormir.
Preciso muito.

1.12.04

Em cartaz!

O que acontece quando seis personagens, ávidos por contar sua história, invadem o ensaio de uma Companhia de Teatro? - Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello. O jovem filósofo contemporâneo estará demonstrando sua inacabada e troncha, mas ansiosa verve dramática na semana que vem. Como dessa vez conseguimos um espaço grande, todos são mais do que bem vindos, se perdoarem o amadorismo estudantil - afinal, somos exatamente isso: estudantes. As apresentações serão realizadas no Teatro Hebraica - Rua das Laranjeiras, 346/ 7o. andar, sempre pela manhã. E não reclamem do horário... Um, porque foi o que deu para arrumar. Dois, porque é de graça. Então é assim:

07/ 12 (ter) - 11hs
08/ 12 (qua) - 9hs
09/ 12 (qui) - 9hs
10/ 12 (sex) - 11hs


"...dificilmente poderá ser uma representação de mim, da maneira como eu sou na verdade. Será antes, além da aparência, como ele irá interpretar quem sou, como ele me sentirá - se é que ele me sentirá - e não como eu, dentro de mim, me sinto. E me parece que isso deveria ser levado em conta por quem for chamado a nos julgar." - Seis Personagens..., Luigi Pirandello

Me desejem "Merda!"

29.11.04

Sobre carinho e amizade

Três pessoas muito especiais estavam juntas vivendo um momento mágico, único. Eu deveria estar lá, mas fui impossibilitado por motivos absolutamente alheios à minha vontade. Na minha ausência, elas me ligaram. Cada uma delas veio ao telefone para dizer que me amava.
(...)
Naquela noite, isso fez toda a diferença.

25.11.04

Por quê fui à Floresta

Eu pretendia fazer hoje um protesto virtual contra o calor infernal que faz no Rio de Janeiro. Mas pouco antes chegar por aqui, deparei-me com o texto de uma grande amiga, preocupada com o passar dos anos, a ânsia de viver, e o medo de chegar à velhice com a impressão de não ter feito tudo o que podia para ser feliz. São preocupações legítimas. Acho que todos pensamos nisso em algum momento. Quem não pensa, deveria pensar. A leitura me lembrou de um filme que marcou minha vida em vários sentidos. A primeira vez que senti vontade de fazer teatro em toda minha ainda breve existência foi ao ver trechos de "Sonho de uma Noite Verão", de Shakespeare, encenados em "Sociedade dos Poetas Mortos". Que eu tenha experimentado a felicidade pisar pela primeira vez num palco participando justamente de uma montagem dessa peça é uma outra história a ser contada. O exemplo é só para ilustrar o quanto o filme significou para mim. Considerem que, naqueles tempos, eu era o feliz estudante de um rígido colégio para moços, interessado em literatura e poesia; e imaginem o grau de identificação que tive com os personagens da obra. Bem... o velho clichê Carpe Diem não precisa ser novamente lembrado e repetido. Letras Mortas não se prestará a isso. Mas vou tomar a liberdade de reproduzir algumas linhas citadas no roteiro, que têm muito a ver com o assunto em questão. Espero que deixem minha amiga - e todos que passarem por aqui - com o espírito um pouco mais leve:

"I went into the woods because I wanted to live deliberately. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life... to put to rout all that was not life; and not, when I came to die, discover that I had not lived." - Henry David Thoreau

Com a livre tradução do jovem filósofo contemporâneo: "Eu fui à Floresta porque queria viver deliberadamente. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria seiva da vida... expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido"

E ainda os versos de Robert Herrick:

To the Virgins, Make much of Time

Gather ye rosebuds while ye may,
Old time is still a-flying,
And this same flower that smiles today,
To-morrow will be dying.

The glorious lamp of heaven, the sun,
The higher he's a-getting,
The sooner will his race be run,
And nearer he's to setting.

That age is best which is the first,
When youth and blood are warmer;
But being spent, the worse and worst
Times still succeed the former.

Then be not coy, but use your time,
and while ye may, go marry;
For having lost just once your prime,
You may for ever tarry.

Essa eu não vou traduzir porque vai dar mais trabalho, e estou de saída para a academia, o que para mim representa uma significativa porção do conceito de "Aproveitar o Dia". Faça você o mesmo, seja como for.


22.11.04

Meninos, eu vi! (e gostei!)

Três vivas para a loiraça russa de olhos verdes.
Três vivas para a morenaça russa de olhos azuis.
Santo Deus! Será que por lá todas as mulheres são assim?!
O judoca e ex-agente da KGB Vladimir Putin visitou o Brasil nesta segunda-feira. Reuniu-se com o presidente Lula e formalizou seu apoio a que os tupiniquins tenham um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, por sua importância estratégica como país continental e líder natural da Amárica Latina. Mas suspender o embargo à carne brasileira que é bom... nada. O curioso é que, depois de visitar o Corcovado e o Maracanã, o manda-chuva russo encerrou sua visita oficial... numa churrascaria. E se esbaldou na picanha que eu sei, porque estava lá.

19.11.04

Uma grande e íntima revelação

Carlos Lessa foi destituído da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social nesta quinta-feira. Para os leitores menos afeitos ao noticiário, vai aí minha singela contribuição para que se mantenham atualizados sobre os acontecimentos do país. O que isso muda na sua vida? Pouca coisa ou quase nada. Na verdade foi uma decisão política, e o velho professor já estava na marca do pênalti há muito tempo. O substituto, Guido Mantega, não é tão simpático e afeito a declarações de efeito, mas é cortês, não acho que teremos problemas de cobertura jornalística com ele. Mas o assunto aqui não é esse. O assunto é uma grande e íntima revelação pessoal, que só terei coragem de fazer ao fim texto. É algo de impacto, forte; se você é cardíaco(a) ou tem estômago fraco, recomendo que cesse a leitura e volte outro dia. Voltando ao Lessa... sua saída me rendeu um plantão na sede do BNDES. Foram horas e mais horas de não-trabalho, sentado na sala de imprensa com jornalistas de vários outros veículos esperando informações oficiais que tardavam a chegar, alimentando vãs expectativas sobre a possibilidade de uma entrevista coletiva que - todos sabíamos desde o início - não iria acontecer. O lado ruim: um dia improdutivo. O lado bom: a chance de colocar o papo e as besteiras em dia com alguns colegas que valem tão pouco quanto eu. Dei sorte nesse plantão. Acho que há muito não me divertia tanto em horário de trabalho. Nesse sentido, pode-se dizer que foi um dia de dinheiro-fácil (...) Mais ou menos. A verdade é que esses plantões têm sempre um nível elevado de stress: chefia ligando toda hora, olho ligado em Brasília para saber se alguém fala por lá sobre o assunto em questão, boatos que vêm e vão sobre o que de fato a fonte está fazendo ou vai fazer. Nunca é um dia relax, mesmo que nada aconteça. É preciso estar mais atento a tudo, o tempo todo. Mas avancemos a meu drama pessoal... Chego em casa depois de um dia desses, obviamente cansado; nem tanto física, mas mentalmente, e encontro minha mãe dizendo que precisa ter "uma conversa séria" comigo. Ione e eu não nutrimos o hábito de discutir a relação. Nos damos ótimamente bem, e ela até respeita minha privacidade - tanto quanto é possível para uma mãe, o que às vezes é muito pouco. Mas vá lá, eu também não tenho porque criar tempestades. Mas o fato é que ela afirmou estar muito triste comigo, o que me preocupou. Cansado e agora apreensivo, indaguei o motivo: disse-me que tinha encontrado, pendurada para secar no meu box, uma cueca furada. E começou a falar seriamente sobre como eu - graças a Deus - não tinha motivo ou necessidade que justificasse uma tal peça em petição de miséria. Tentei explicar que, logicamente, a maioria das minhas cuecas está em ótimo estado de conservação, mas que de fato eu mantenho algumas furadas ou puídas porque são muitíssimo confortáveis em noites nas quais a roupa íntima certamente não virá à tona. Não se deu por satisfeira, e disse-me que compraria cuecas novas. Foi só neste momento que minha mãe de fato levou uma bronca. Um, porque fui educado por ela mesma a cuidar de minhas cuecas desde moleque, e não dou a ninguém o direito de se meter nisso. E dois porque, ao fim de um dia cansativo, o mínimo que ela poderia fazer era me apresentar um motivo realmente grave para armar tamanho circo. Então é isto. Está aí a grande revelação pessoal: Glauco Paiva, por vezes, usa cuecas furadas. Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.

16.11.04

Amor, só de mãe!

Dizem que por trás de todo grande homem está uma grande mulher. Eu, na verdade, ainda estou na dúvida. Tem dias em que me olho no espelho e vejo um grande homem. Em outros vejo apenas um homem grande; quando não um meninão, e olhe lá. Seja como for, sei quem é a grande mulher a quem devo tudo que consegui até aqui. A mama apaga velinhas hoje. Parabéns à D. Ione.

13.11.04

Feel the Force

Chegou aos cinemas do Rio e de São Paulo nesta sexta-feira o teaser do Episódio 3 de Guerra nas Estrelas. Com o título Revenge of the Sith, o filme vai mostrar a derrocada final de Anakin Skywalker e a queda para o Lado Negro da Força que vai transformá-lo no temível Darth Vader. Grande parte dos fãs de carteirinha se decepcionou com os roteiros dos dois últimos lançamentos de Star Wars. Eu inclusive. Mas achei graça em ouvir o futuro Vader dizendo que o grande problema da Galáxia Distante era a falta de altruísmo. E babei ao ver Mestre Yoda empunhando um sabre de luz. Pois bem... Acho que esse terceiro filme tem tudo para ser "O Império Contra Ataca" da nova trilogia. Pelo que vi no trailer, o tom me parece mais sombrio, e não poderia ser diferente - independentemente de como a trama será conduzida, o mau vai vencer: Skywaker vai cair, assim como a República. O Conselho Jedi será exterminado, e Palpatine deixará as maquinações de bastidores para assumir o lugar de Imperador. Em tempo: o teaser traz um corte rápido do Grão-mestre Sith brandindo uma lâmina luminosa - vermelha, como manda a etiqueta dos vilões da série. As batalhas espaciais estão realmente vibrantes, e as tropas clônicas em deslocamento ao som da marcha imperial me deram arrepios. Nunca George Lucas foi tão Leni Riefensthal. E, só a título de cerejinha, é possível ouvir um "Yes, master..." na voz de James Earl Jones. Para quem vai dizer que Star Wars é cinema pipoca, o meu protesto: a história é um épico mitológico, com o recheio de inúmeras referências religiosas. Um trabalho antropológico universal de primeira linha. Não fez tanto sucesso à toa. George sabia que estava tocando as cordas certas. Não foi sem motivo real que o sujeito revolucionou o conceito de marketing cinematográfico quando, em meados dos anos 70, trocou o fixo de direção por direitos em vendas nas cópias da trilha sonora e produtos associados, como brinquedinhos, camisas e afins (...) Deu para entender de onde veio o dinheiro que construiu a Lucas Arts, Lucas Films, Lucas Games, etc, etc, etc? E tem mais para quem gosta: lá nos anos 90, quando anunciou que filmaria a primeira trilogia, o velho Jorge disse que não produziria os três últimos filmes da série - sim! para quem não sabe, tem mais depois de "O Retorno de Jedi" - mas eu já ouvi alguns boatos sobre uma possível mudança de planos... Olha, não sei de que lado da Força você joga. Mas Star Wars, mesmo quando decepciona os puristas, tem que ser visto. The Saga continues on May 2005. Até lá, may the Force be with you. Always.

11.11.04

Woman in Red

Essa eu achei navegando por aí. A definição não está lá grande coisa, mas o conceito é sugestivo e - por que não dizer? - atraente; apesar do clichê em vermelho...

Saiu daqui

8.11.04

Peixe cru com estilo

O pessoal do Rio de Janeiro deve, quando tiver a chance, experimentar o Tanaka da Lagoa. Eu sou daqueles que gosta de comer com vista, e adorei. Mesmo com a chuva, o espaço é muito bom: clean, sofisticado, e o sushiman não faz feio. E comer com hashi é sempre uma curtição. A conta não é barata, mas o jantar também não custou os olhos da cara. E em tempos de emancipação feminina, o progarama é perfeitamente viável financeiramente. Try the raw fish in a room with a view. A view to a kill.

4.11.04

Sobre ontem à noite.

Estava lá. Incontestável. Me olhando como a desafiar-me. Jogando-me na cara o passar das décadas; negando-me os feitos da juventude, afirmando vãos todos os meus esforços por uma vida saudável - quase atlética, muitos diriam. Atestava, desdenhoso: "Nunca mais as enterradas nas quadras de basquete! Nunca mais os maiores pesos da academia quando chegar o verão! Nunca mais os esportes radicais nas férias!" Parecia dizer-me que eu deveria desistir logo dessa mania de mente sã em corpo são, pois minha anatomia iniciara a viagem de ida em direção à maturidade, enquanto eu insistia, inutilmente, em refutar o já tão óbvio conceito de que havia - vejam só! - me tornado um adulto. Estava lá. A semente do pânico estético. A maldita pétala alva da idade, da flor inevitável que chega sem aviso na melhor das nossas Estações, com o peso dos anos. Peso sob o qual se curvam os mais indômitos mortais. Encarava-me. Provocava-me. Assaltava-me a fronte negra em vilipêndio. O primeiro fio de cabelo grisalho.

Passei-lhe a tesoura.

2.11.04

A milhas e milhas distante

Ah... o impagável prazer de se trabalhar num feriado, e ter a consciência cívica de que, enquanto todos se divertem, você está fazendo a sua parte para que a empresa e o país progridam economicamente. Ah! Esta sensação única de liberdade que vem da solidão. Você num estúdio, falando para audiência residual; você ao computador, teclando para ninguém ler, porque seus amigos estão todos viajando ou curtindo uma praia.
Alô! Alô! ALÔÔÔÔÔÔÔ!!!
Tem alguém aí?!
Socorro! - Me salvem de mim mesmo!!!
Sem resposta.
Que felicidade...

A Ópera dos Três Vinténs

Bem... A peça foi montada em outubro na Casa das Artes de Laranjeiras. Um processo que começou com muito tesão, mas que por motivos alheios e absolutamente impessoais acabou perdendo um pouco de peso na minha avaliação. O espaço era pequeno e o horário incompatível. Como eu já não estava tecnicamente muito saftisfeito, acabei não chamando ninguém para assistir. A minha mãe foi porque se lembrou de me perguntar quando diabos eram as apresentações. A falta de publicidade me rendeu belas broncas dos amigos mais próximos, mas eu já pedi desculpas. Estou ensaiando outra. Se ficar apresentável eu juro que divulgo, tudo bem? De qualquer forma, esse aí sou eu, ou Mackie Navalha, como preferirem...Bandido, mas gente boa.

Balada do Cafetão - Música de Kurt Weill

Mackie: Bons tempos são aqueles que não voltam.
Como um casal vivíamos em harmonia,
Nos esforçando juntos de lua a lua:
Eu era o chefe e ela era a vadia.

Pode ser diferente, pode ser igual.

Quando chegava outro freguês eu lhe cedia
A cama e muito cortês eu lhe dizia:
"Meu senhor, a casa é sempre sua, por favor!"
E vendo a grana eu ria...

Foi num bordel de fina freguesia
Onde fizemos nossa moradia!

Jenny: Bons tempos são aqueles que não voltam.
Trepávamos sem conta e sem perdão.
E ele foi gastando o nosso capital,
Botando as minhas roupas todas no leilão.

Pode ser diferente, pode ser igual também.

Fiquei tão brava, não queria ficar nua.
Perguntei: "rapaz, me diz qual é a tua?"
A resposta foi uma porrada
Que me deixou por dias derrubada...

Foi num bordel de fina freguesia
Onde fizemos nossa moradia!


Então tá. Eu tenho que admitir - teatro é mais ou menos como sexo:
É bom... até quando é ruim.